apostila formatada paisagismo

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(Parte 1 de 12)

Prof. Vanessa Goulart Dorneles Curso de Arquitetura e Urbanismo ULBRA - Torres

Apostila de Projeto de Paisagismo

Apostila de Projeto de Paisagismo Prof. Vanessa Goulart Dorneles

2 1. Considerações Iniciais

1. Considerações Iniciais

1.1. Conceitos Gerais

1.1.1. Paisagismo “Paisagismo é o meio de se obter de volta a natureza para o homem através da recriação ou proteção da mesma”. (LIMBERGEER, SANTOS, 2000, p.1)

“É uma ciência e uma arte que estuda o ordenamento do espaço exterior em função das necessidades atuais e futuras, e dos desejos estéticos do homem”. (LIMBERGEER, SANTOS, 2000, p.1)

É uma atividade que se utiliza da arte, ciência e técnica a fim de elaborar uma interação dos três elementos: construção, o homem e a flora”. (LIMBERGEER, SANTOS, 2000, p.1)

1.1.2. Lugar [...] lugar é considerado a representação espacial que possui identidade, características intrínsecas, exclusivas que lhe proporciona a aproximação e a identificação deste conjunto de elementos (constituído pelo território, paisagens, edificações, lembranças, emoções, cenas urbanas etc) com a população que o vivência ou o vivenciou. (SILVA, 2004, p.17-18)

1.1.3. Espaço livres públicos Os espaços livres públicos são de acordo com Macedo (1995), todos os espaços não edificados, ou seja, ruas, pátios, largos, praças, parques, entre outros.

Este trabalho estudará a praça, seus elementos e usuários. “Os espaços livres relacionados com as áreas verdes urbanas desempenham um importante papel na cidade. A manutenção dos espaços existentes e a criação de novos espaços possibilitam a conservação de valores da comunidade”. (MACEDO,C. 2003)

São nos espaços livres públicos que se dão a maioria das relações sociais, onde ocorrem encontros entre amigos, eventos públicos, etc.

Estes espaços são normalmente dotados de vegetação, o que influi nas condições ambientais, amenizando a temperatura, diminuindo os efeitos do vento, etc.

Criar espaços de lazer significa contribuir para as relações sociais, melhorar as condições climáticas locais e valorizar a paisagem local.

1.1.4. Paisagem “A paisagem é um conjunto de cenários naturais ou artificiais onde o homem é, além de um observador, um transformador desses elementos que compõe o sítio”. (LIMBERGEER, SANTOS, 2000, p.1)

“Porção de espaço da superfície terrestre apreendida visualmente”. (IGNÁCIO, 1984. apud LIMBERGEER, SANTOS, 2000, p.1)

1.2. Considerações sobre o Lazer Quando as atividades requerem movimento e esforço físico, como andar, correr caminhar, praticar esportes, brincar, etc., o lazer é considerado ativo, e quando as atividades não demandarem movimento, tornando o indivíduo um expectador da atividade em si, como conversar, descansar, apreciar o movimento ou paisagem, refletir, lanchar, esperar, etc., o lazer é definido como passivo (MACEDO, 1995). Além disto, o lazer pode ser classificado quanto a três diferentes funções, conforme Dumazedier (1976):

Descanso: são as atividades que se propõem a fazer com que o indivíduo se restabeleça do cansaço físico ou mental, advindo das obrigações laborais. Recreação, divertimento e entretenimento: são as atividades que buscam extinguir o tédio e a monotonia da rotina diária. Desenvolvimento pessoal: são as atividades que possibilitam a interação social e a aprendizagem, desde que voluntária, visando um desenvolvimento da personalidade. E, ainda, há uma classificação das atividades de lazer, definida por Dumazedier (1976), que estabelece cinco áreas de interesses:

Interesses artísticos: são as atividades de conteúdo estético, ligadas ao belo, ao sentimento, à emoção. São atividades passivas, como assistir peças teatrais, ir ao cinema, etc.

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3 1. Considerações Iniciais

Interesses intelectuais: são as atividades de conteúdo cognitivo, que visam o desenvolvimento pessoal, seja pela busca de informações, conhecimento e/ou aprendizagem. A exemplo desta área de interesse tem-se as atividades de leitura, escrita, entre outras.

Interesses manuais: são as atividades desenvolvidas por ações com as mãos, onde uma matéria-prima é transformada, podendo ser jardinagem, pintura, escultura, etc.

Interesses físicos: são as atividades relacionadas às práticas esportivas e à exploração de novos lugares. Entre as atividades mais comuns estão os passeios e as caminhadas.

Interesses sociais ou associativas: são as atividades relacionadas com a interação entre pessoas e grupos e os relacionamentos. São as reuniões de grupos, de igrejas, as festas, etc.

As atividades de lazer podem, ainda, ser classificadas conforme o espaço onde são desenvolvidas, seja em um espaço público ou privado, urbano ou rural, etc.; conforme a freqüência, se ocorrem diariamente, semanalmente, quinzenalmente e assim por diante; ou ainda, se ocorrem em grupos ou individualmente.

Como se pode verificar há muitas formas de classificar o lazer, tendo em vista que suas categorias não se excluem, pois algumas atividades podem estar em mais de um área de interesse ou ser realizada em diferentes espaços, e etc. Porém, nesta dissertação, utilizar-se-á a classificação por áreas de interesse, que engloba um grande número de atividades e as associa de forma específica.

1.3. Os espaços de lazer Como foi visto no item 1.2.1, os espaços são elementos essenciais à prática de atividades de lazer. Sendo assim, pode-se considerar o espaço urbano como espaço de lazer, como afirma Marcellino (1983, p.57), pois nas cidades há mais oportunidades de lazer. Mesmo sabendo que as pessoas que residem em áreas rurais possam realizar tais atividades, é indiscutível que a maioria dos equipamentos, edificações e áreas voltadas para o lazer da população está implantada nos espaços urbanos.

Entretanto, com o crescimento das cidades tem-se observado uma desvalorização dos seus espaços de lazer. Fato este, já denunciado a mais de 20 anos atrás por Nelson Marcellino em seu livro “Lazer e humanização”:

“Nas grandes cidades atuais sobra pouca ou quase nenhuma oportunidade espacial para a convivência, pois da forma pela qual são constituídas e renovadas, o vazio que fica entre o amontoado de coisas é insuficiente para permitir o exercício efetivo das relações sociais produtivas em termos humanos.” (Marcelino, 1983, p.59)

O aumento da urbanização e o superpovoamento causam além de estresse nas pessoas, devido ao ritmo acelerado de trabalho e trânsito, uma menor privacidade familiar, visto que as edificações estão cada vez mais próximas umas das outras, e um aumento na especulação imobiliária e com uma conseqüente diminuição no tamanho das habitações. Todos estes fatores tem tornado os espaços destinados ao lazer vulneráveis e têm modificado o uso do solo e a paisagem urbana (SANTINI, 1993).

Em contraposição, a população tem procurado fugir desta tensão e sair da rotina diária, buscando áreas onde possa relaxar e realizar atividades de lazer, como se observa nos finais de semana com a superlotação das áreas litorâneas no verão e as aglomerações de pessoas em parques e áreas livres públicas de lazer. Portanto, a existência dos espaços de lazer e a manutenção de sua qualidade são importantes, não apenas porque favorecem a articulação entre territórios, a mistura e coesão social de lugares e pessoas, como afirma Rolnik (1998), mas também porque contribuem com o bem estar de todos.

1.4. Considerações sobre áreas livres públicas de lazer São consideradas áreas de lazer, todas aquelas destinadas a práticas de atividades ditas como tal, não interessando o grupo de interesse ou função (passivo/ativo) a que se destine.Santos (1985) estabelece, portanto, que qualquer espaço é passível de ser utilizado como área de lazer, bastando que atraia a população: “[...] só não é de lazer o espaço que de fato jamais é apropriado por uma atividade considerada de lazer no sistema classificatório de uma determinada sociedade ou cultura. [...] Se o mundo urbano é um equipamento potencial de lazer, quanto mais complexo e diversificado,

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4 1. Considerações Iniciais tanto mais plenamente pode ser apropriado para este fim. Planejar espaços para fins de lazer não é construir campos de futebol, ciclovias, ou criar áreas verdes. É cultivar um meio urbano cujas ruas permitam jogar uma ‘pelada’, andar de bicicleta, ou simplesmente passear à sombra. O planejar é cultivar no sentido primeiro da palavra; acompanhar o dia-a-dia, intervir dia a dia na escala do dia-a-dia.” (SANTOS, 1985, p.142)

Macedo (1995, p.16) define “[...] espaços livres como todos aqueles não contidos entre as paredes e tetos dos edifícios construídos pela sociedade para sua moradia e trabalho”. Compreendendo, assim, “[...] todas as ruas, praças, largos, pátios, quintais, parques, jardins, terrenos baldios,[...]”.

Cabe salientar que o conceito de espaço livre é diferente de espaços verdes, como explica Macedo (1995) que define este último como todo o espaço onde exista vegetação. Assim, uma praça, que é um espaço livre, pode ter ou não áreas ajardinadas, podendo ser considerada ou não como uma área verde.

O termo “público” é utilizado quando refere-se a áreas que todas as pessoas possam acessar e desfrutar, em qualquer momento do dia, e onde a “responsabilidade por sua manutenção é assumida coletivamente” (HERTZBERGER, 1999, p.12). É importante esclarecer que as áreas públicas não são de responsabilidade exclusiva do governo, como muitas vezes é entendido.

O termo áreas livres públicas de lazer é a melhor definição encontrada para especificar todas as áreas urbanas, delimitadas por edificações, com acesso irrestrito, que possibilitem a realização de quaisquer atividades de lazer.

Estas áreas são de fundamental importância, formalmente e funcionalmente, para as cidades, pois além de estimular o lazer e a interação entre usuários, contribuem com a salubridade das habitações humanas, com a organização das redes de infra-estrutura e com a melhoria do microclima urbano (Souza, 2003, p.23). Estes espaços também contribuem com a socialização e a valorização da comunidade.

“A utilização de parques e praças pode ser considerada como um índice positivo na qualidade de vida urbana, desde que esses espaços sejam adequados para sua compatibilização com os aspectos cruciais da vida contemporânea e, principalmente, com os lazeres” (Santini, 1993,p.4).

Bartalini (1986) estabelece que espaços livres possuem três principais valores frente à cidade e a seus cidadãos:

Valor visual ou paisagístico, pois representam referenciais nas cidades, contribuindo com a identidade dos locais. Valor recreativo, pois ao levar em consideração as peculiaridades sociais, econômicas e culturais dos usuários, permitem uma melhor apropriação. Valor ambiental, pois contribui com a qualidade ambiental urbana, como por exemplo pela presença de arborização que atenua os efeitos das ‘ilhas de calor’, colabora na proteção do solo contra a erosão e protege os cursos de água. Além dos três valores que se destacam, as áreas livres públicas de lazer possibilitam as mais variadas atividades de lazer, de qualquer grupo de interesse, e ainda podem conter qualquer espaço de lazer, conforme sua implantação, dimensão ou comunidade a qual estiverem inseridas.

Como foi visto, a presença das áreas livres públicas de lazer nos espaços urbanos tem inúmeras vantagens para as cidades e seus cidadãos, e além disto, em relação a terceira idade, estas áreas representam um espaço de lazer com grande potencial, pois convergem as mais diferentes classes sociais e faixas etárias, permitindo interação social, e ainda disponibilizam espaços para práticas de atividades sem ônus.

1.4.1. Classificações das áreas livres públicas de lazer Para analisar áreas livres públicas de lazer, é necessário conhecer suas denominações ou classificações. Como todas se destinam as atividades de lazer da população, suas diferenciações são definidas a partir das funções das atividades de lazer, da sua implantação, seja em bairros, conjuntos residências, áreas litorâneas, etc., ou ainda conforme a história das regiões e países, ou seja, a época e o local em que foram construídas, como por exemplos os jardins ingleses, e os parques nos Estados Unidos.

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5 1. Considerações Iniciais

Para alguns autores as áreas livres públicas de lazer têm origem na pré-história, e destinavam-se a cultos e reuniões; para outros sua origem surgiu com a urbanização e com o inicio das relações comerciais (CUNHA, 2002). No Brasil, os espaços públicos urbanos só começaram a ter certa importância com a vinda da família real portuguesa, no inicio do século XIX, surgindo pequenas praças vinculas às edificações civis, governamentais e às igrejas (MACEDO, 1999).

De forma geral, pode-se de dizer que entre os espaços urbanos há cinco denominações de áreas livres públicas de lazer mais representativas:

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