semiologia 10 - dermatologia - semiologia dermatológica pdf

semiologia 10 - dermatologia - semiologia dermatológica pdf

(Parte 1 de 3)

Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –DERMATOLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

MED RESUMOS 2011 NETTO, ArlindoUgulino; CORREIA, Luiz Gustavo.

SEMIOLOGIA DERMATOLÓGICA (Professora Danielle Marques)

A semiologia dermatológica é etapa fundamental no processo de aprendizagem de, praticamente, todas as doenças que podem afetar a pele. Ainda por cima, várias condições patológicas, de outros sistemas, também podem manifestar sintomas cutâneos, tais como, doenças hepáticas, neurológicas, neoplásicas,etc.

O diagnóstico preciso, assim como a terapêutica mais atualizada, é papel do médico-dermatologista, porém, a identificação de lesões dermatológicas, assim como o reconhecimento de sua graduação de gravidade é uma atividade que deve ser empregada por qualquer médico generalista, daí a importância desta temática na Graduação Médica.

A anamnese corresponde ao primeiro contato entre o médico e o doente e, nesta etapa, a relação médicopaciente será consolidada. É de fundamental importância para ambos, médico e paciente, o primeiro contanto, pois o estabelecimento de uma boa relação facilitará a futura conduta do profissional, bem como inspirará ao paciente a confiança necessária que, certamente, de maneira direta ou indireta, influirá na evolução do caso.

A ortodoxia semiológica exigiria certa sequência: dados na identificação, história de doenças pregressas familiares e pessoais, anamnese da doença atual, exame objetivo do paciente, possíveis conexões com estados patológicos internos, exames laboratoriais adequados e, finalmente, o raciocínio que leva ao diagnóstico final, com a consequente indicação terapêutica. Na prática profissional, não é o que ocorre; a facilidade de acesso ao elemento eruptivo faz com que muitos doentes desejem mostrá-lo, de saída, para concomitantemente apresentarem suas queixas, o que leva o profissional a uma conduta realística não-ortodoxa, de inverter a sequência técnica já referida anteriormente.

Algumas patologias são mais frequentes em determinadas raças. Em negros, a psoríase e o epitelioma é muito menos frequente quando comparado com os indivíduos brancos. As fotodermatoses e o vitiligo são mais comuns em brancos, já o quelóide, em negros.

As dermatoses profissionais representam um vasto campo. De acordo com a profissão do paciente, o examinador já pode pensar em algumas hipóteses diagnósticas. Lavrador:dermatozoonoses e micoses profundas.

Pedreiro:eczema ao cimento.

Profissionais da lubrificação: elaiconiose.

Expostos ao fenol e hidroquinona: hipopigmentação.

Durante a realização do exame físico geral, etapa em que o examinador faz uma avaliação generalizada e inespecífica do paciente, se faz a análise minuciosa de algumas características da pele. Nesta etapa, algumas modificações da superfície cutânea já podeminterferir no pensamento clínico do examinador e, portanto, remeter a prováveis hipóteses diagnósticas.

O exame dermatológico (ou, simplesmente, da pele) deve ser realizado com uma iluminação adequada (de preferência, luz natural), com desnudamento das partes a serem examinadas. Serão investigados os seguintes elementos: Coloração

Integridade (ou continuidade)

Umidade

Textura

Espessura

Temperatura

Elasticidade

Mobilidade

Turgor

Sensibilidade

Lesões elementares

Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –DERMATOLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

A colora o da pele o pontap inicial da descri o do exame f sico dermatol gico, ainda que a sua avalia o j foi realizada no momento em que o examinador fez a sua men o na identifica o do paciente. Pode ser influenciada por condi es fisiol gicas -talcomo se observa ao se expor ao frio, em emo es, permanecer no sol, emo es, e ainda por diversas condi es patol gicas, principalmente, as que levam ao colapso perif rico.

Os indiv duos de cor brancae pardos-clarosapresentam, em condi es normais,uma colora o levemente roseada da pele. Esta colora o, por sua vez, dada pelo sangue que circula na rede capilar cut nea e pode sofrer varia es fisiol gicas e/ou patol gicas, que ser o descritas adiante. Os indiv duos de cor escurarepresentam uma maior dificuldade para a realiza o do exame da colora o da pele.

Bronzeamento da Pele.

Somente pode ser visualizado em indiv duos de cor branca, que foram expostos ao sol, ou que apresentam alguma doen a (doen a de Addisonehemocromatose, que s o dist rbios end crinos que afetam a melanina).

Palidez.

A palidez conceituada como sendo uma atenua o ou desaparecimento da cor r sea da pele. Deve ser avaliada com a luz natural, pois, as ilumina es artificiais podem influenciar na sua identifica o. A semiot cnica bastante simplificada:o examinador deve pesquisar toda a extens o da superf cie cut nea, nunca esquecendo das regi es palmoplantares, por ser a regi o de melhor identifica o da palidez em negros. Uma das regras b sicas da avalia o das formas de palidez a compara o entre reas sim tricas. Pode ser classificada em tr s formas distintas: generalizada, localizada ou segmentar.

•Palidez Generalizadatraduz uma diminui o das hem cias circulantes nas microcircula es cut nea e subcut nea. Pode ocorrer por conta de dois mecanismos, o primeiro deles o que se relaciona a uma vasoconstric o generalizada secund ria aos est mulos neurog nicos ou hormonais (susto, grandes emo es, crises de feocromocitoma). Outro mecanismo por redu o real das hem cias circulantes, pois, a hemoglobina a respons vel, em ltima inst ncia, pela colora o r sea da pele.

•Palidez Localizadaou segmentar explicada, fisiologicamente, por uma isquemia no territ rio afetado. Partindo deste principio, uma palidez restrita ao membro inferior direito, possivelmente, apresenta como principal causa uma obstru o da art ria femoral. Uma manobra que pode ser utilizada para avaliar este tipo de palidez a avaliação clínica do fluxo sanguíneo através da pele. O examinador deve pressionar o polegar de encontro ao osso esterno durante alguns segundos, com a finalidade de expulsar o sangue que flui naquela rea. Em seguida, retira-se o dedo abruptamente e observa o tempo necess rio para que a pele rec m-pressionada retorne sua colora o r sea. Em condi es normais, o tempo inferior a 1 segundo.

Vermelhidão (ou eritrose).

Como a pr pria nomenclatura j sugere, significa um exagero da colora o r sea da pele, indicando, na maioria das vezes, um amento da quantidade de sangue na rede vascular cut nea, quer seja por conta de uma vasodilata o ou, aumento de sangue propriamente dito.

•Vermelhidão Generalizadase observa em pacientes febris, indiv duos demasiadamente expostos ao sol, estados policit micos, afec es cut neas (escarlatina, eritrodermia, p nfigo foli ceo).

•Vermelhidão Localizadapode ter um car ter fugaz (quando depende de um fen meno vasomotor: ruboriza o do rosto por emo o, “fogacho” do climat rio”) ou ser duradoura (eritema palmar, fundo constitucional, hepatopatia cr nicas, acrocianose).

OBS1: A acrocianose uma afec o caracterizada por friopersistente e cianose. Costuma ser confundida com o fen meno de Raynaud, por m, a sua principal diferen a a natureza constante.

Fenômeno de Raynaud. uma altera o cut nea que depende das pequenas art rias e arter olas das extremidades e que resulta em modifica es da colora o. Inicialmente, observam-se palidez e, a seguir, a extremidade torna-se cian tica, e o episodio termina com uma vermelhid o da rea. Trata-se de um fen meno vasomotor que pode ser deflagrado por v rias causas (costela cervicale compress o dos vasos subcl vios, tromboange te obliterante, l pus eritematoso sist mico, esclerodermia).

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Cianose.

Cianose o termo que significa uma colora o azulada da pele e, ocorre quando a hemoglobina reduzida alcan a no sangue valores superiores a 5g/100mL. Sua pesquisa deve ser intensificada nas seguintes regi es: rosto, ao redor dos l bios, ponta do nariz, lobos das orelhas, extremidades das m os e dos p s (leitos ungueais e polpas digitais). Pode ser classificada em generalizada e localizada, graduando-a em leve, moderada e intensa.

Icterícia. o termo que designa uma colora o amarelada da pele, mucosas e escler ticas resultantes do ac mulo de bilirrubina no sangue. A icter cia deve ser distinguida de outras condi es em que a pele, mas n o as mucosas, podem tomar colora o amarelada: uso de certas drogas que impregnam a pele (quinacrina), alimentos ricos em carotenos (cenoura, mam o, tomate).

A integridade ou continuidade cut nea o termo que refere a uma aus ncia de les o de sua superf cie. Portanto, qualquer altera o da pele, sejapor abaulamento, lceras, manchas culmina em alterar a continuidade da pele. um tema complexo, que ser descrito adiante, no t pico “Les es Elementares”.

Pele seca d ao tato uma sensa o especial. encontrada, com maior frequ ncia, em pessoas idosas, em algumas dermatopatias cr nicas (esclerodermia, ictiose), no mixedema, avitaminose A, intoxica o pela atropina, insufici ncia renal cr nica, desidrata o. Umidade aumentada ou pele sudorenta

Textura significa trama ou disposi o dos elementos que constituem um tecido. A textura da pele avaliada deslizando-se as polpas digitais sobre a superf cie cut nea, sendo poss vel constatar uma das seguintes alternativas:

Textura normaldesperta uma sensa o pr pria que a pr tica vai firmando, e encontrada em condi es normais. Pele lisa ou fina mais frequente em pessoas idosas, no hipotireoidismo e em edemaciados.

Pele áspera vista em indiv duos expostos s intemp ries e que trabalham em atividade rude, tais como, lavradores, pescadores e ainda pode ser vista em algumas afec es como mixedema e dermatopatias. Pele enrugadaocorre em indiv duos que emagrecem rapidamente, ou ainda, quando se elimina um edema.

Para se avaliar a espessura, faz-se o pin amento de uma dobra cut nea usando o polegar e indicador, somente pin ando a epiderme e o c rion. Esta manobra deve ser feita em v rias e diferentes regi es, tais como, antebra o, t rax e abdome. Podem-se encontrar: Pele de espessura normal

Pele atróficaacompanha-se de certa translucidez que permite ver a rede venosa superficial, comum em velhos, rec m-nascidos e algumas dermatoses.

Pele hipertrófica ou espessa vista em indiv duos expostos ao vento e ao sol. A esclerodermia, doen a do tecido conjuntivo, apresenta o espessamento cut neo um sintoma cl nico importante.

A temperatura da pele e a corporal n o s o equivalentes. Para avaliar a temperatura da pele, utiliza-se a face dorsal das m os ou dos dedos, comparando-se com o lado homologo de cada segmento examinado. A temperatura da pele vari vel, de acordo com a regi o anat mica a ser pesquisada. Um aumento da temperatura em n vel articular pode indicar um processo inflamat rio subjacente.

Elasticidade a propriedade cut nea dese estender quando tracionada; mobilidade a sua capacidade de se movimento sobre planos profundos subjacentes. A semiot cnica simples, pin a-se uma prega cut nea com o polegar e o indicador, fazendo, em seguida, uma certa tra o.

Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –DERMATOLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

Elasticidade normal Elasticidade aumentadalembra uma borracha. Ocorre, por exemplo, em uma doen a do tecido el stico cut neo, que a s ndrome de Ehlers-Danlos. Elasticidade diminuídaocorre em pacientes idosos, mult paras, desidrata o.

Sua avalia o procedida atrav s da palma da m o, que deve se posicionar sobre a superf cie que se quer examinar. Movimentando-a, para todos os lados, o examinador deve observar a capacidade da pele em deslizar sobre as estruturas profundas (ossos, articula ese m sculos). Mobilidade normal

Mobilidade diminuída ou ausente ocorre na esclerodermia, elefant ase, infiltra es neopl sicas pr ximas a pele. Mobilidade aumentada se faz presente na s ndrome de Ehlers-Danlos

O turgor facilmente avaliado atrav s do pin amentocom o polegar e o indicador, neste caso, tamb m englobando o tecido subcut neo. dito normal, quando o examinador aprecia uma sensa o de pele “suculenta”, ou seja, que, ao ser solta, a prega se desfaz rapidamente. Isto indica que o conte do de gua est normal e, portanto, a pele est hidratada. J a sua diminui o traduzida por uma prega que se desfaz facilmente, podendo indicar desidrata o ou desnutri o.

A sensibilidade uma etapa comum no exame dermatol gico e neurol gico. Representa uma importante caracter stica cl nica, que pode indicar, quando associado a outros sinais cl nicos, v rias doen as importantes (hansen ase, complica es da diabetes). avaliada em tr s padr es: térmica, dolorosa e tátil.

Sensibilidade dolorosa avaliada atrav s de uma pequena agulha, em regi es do corpo que compreenda, no m nimo, ap ndices corporais, tronco e face. A sua diminui o (hipoalgesia) ou aumento (hiperalgesia) podem ocorrer em diversas condi es patol gicas.

Sensibilidade tátil mais bem investigada com a ponta de um pincel, em reas diversas do corpo.

Sensibilidade térmica avaliada com dois tubos de ensaios, um com gua quente e, outro, com gua fria.

Denomina-se les es elementares qualquer modifica odo tegumento cut neo, determinadas por processos inflamat rios, neopl sicos, degenerativas, dist rbios do metabolismo, etc. Para a sua caracteriza o, s o necess rias as seguintes etapas da semiologia: Inspe o, Palpa o, Digitopress o e Compress o.

Podemos dividir as principais les es elementares da pele nos seguintes grupos: Manchas (modifica es da cor)

Les es sequenciais

As les es elementares podem ainda ser classificadas em prim rias, quando aparecem sem serem precedidas de outras altera es e, secund rias, que resolvam da evolu o de uma les o prim ria.

Mancha ou m cula corresponde a uma altera o da colora o da pele, sendo ela circunscrita, sem modificar a textura ou o relevo da pele ( uma les o plana).A mancha pode se apresentar atrav s de um espectro variado de cores: vermelha, acastanhada, negra, branca, em caf -com-leite, etc.

A pr pria defini o mostra que o reconhecimento de uma m cula n o se faz apenas pela inspe o. atrav s da palpa o –deslizando-se as polpas digitais dos dedos indicador, m dio e anular sobre a rea alterada e sua vizinhan a –que melhor se pode constatar qualquer eleva o da pele e eventuais altera es em sua superf cie.

Histologicamente, as c lulas permanecem inalteradas(em n mero, forma, disposi o) e n oh espessamento de nenhuma camada; o que ocorre, um ac mulo de pigmento (que pode ser ex geno ou end geno). Os principais tipos de manchas s o: vasculo-sangu neas e pigmentares(discromias).

Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –DERMATOLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

Manchas Vasculossanguíneas.

Podem ser divididas ainda nos seguintes grupos:manchas circulatórias (transitórias), neoformações vasculares (permanentes) e manchas hemorrágicas.

Modificações circulatórias: são manchas transitóriasdo ponto de vista temporal. São representadas pelas seguintes lesões: oEritema: mancha de coloração avermelhada provocada por vasodilatações cutâneas, seja por um processo infeccioso ou inflamatório, causando um maior aporte de sangue na região ealterando a coloração da pele.O eritema pode ou não vir acompanhado de calor local. Alguns autores denominam o termo friopara designar o eritema que não é acompanhado de calor local (comum na urticária e processos alérgicos); nas infecções, em geral, o eritema é acompanhado de calor, por isto, a nomenclatura eritema quentetambém é utilizada. A saber, a manobra semiológica de dígito-pressão faz com que ocorra o desaparecimento do eritema, o que é importante para diferenciar outras lesões elementares que não desaparecem (que são as manchas hemorrágicas).O termo emantema diz respeito ao eritema localizado em mucosas. oCianose: coloração azulada da pele causada, geralmente, por diminuição da circulação sanguínea na localização (ocorre em decorrência da diminuição da circulação sanguínea local, com aumento da hemoglobina reduzida acima de 5 g%). O termo cianema diz respeito à cianose de mucosas.

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