SEMIOLOGIA 12 - NEFROLOGIA - Diagnóstico sindrômico em nefrologia pdf

SEMIOLOGIA 12 - NEFROLOGIA - Diagnóstico sindrômico em nefrologia pdf

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Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –NEFROLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

MED RESUMOS 2011 NETTO, Arlindo Ugulino.

DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO EM NEFROLOGIA (Professora Cecília Neta Alves)

A nefrologia uma a especialidade m dica que se ocupa do diagn stico e tratamento cl nico das doen as do sistema urin rio, em especial o rim (a urologia se ocupa, principalmente, do tratamento das doen as do trato urin rio). A origem etimol gica da palavra vem do grego (nephros, rim + logos, tratado ou estudo), sendo nefrologia o estudo dos rins, de sua fisiologia e enfermidades do n fron, a unidade morfol gica e funcional do rim.

A nefrologia se ocupa n o apenas ao estudo das afec es dos rins, mas tamb m analisa uma abordagem geral de todos os outros sistemas. Isso porque, como se sabe, as principais patologias nefrol gicas repercutemno funcionamento dos demais rg os.

De fato, o diagn stico de algumas patologias exige n o s uma abordagem cl nica, como necessita da associa o de outros exames complementares, o que inclui desde an lises laboratoriais at bi psias renais. Por esta raz o, necess rio ao estudante de medicina a capacidade b sica de estabelecer um diagnóstico sindrômico em nefrologia, unindo as mais vari veis caracter sticas cl nicas de um paciente com suspeita de uma determinada afec o renal e, em seguida, estabelecer um ou mais prov veis diagn sticos e excluir outros.

O termo síndrome, por defini o, diz respeito ao conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma determinada doen a. Partindo deste pressuposto, devemos revisar o conceito de sinais e sintomas:

Sinais: manifesta es cl nicas que podem ser verificadas de uma maneira objetiva, avaliada diretamente pelo m dico.

Sintomas:manifesta es cl nicas que s o notificadas de maneira subjetiva, a depender da descri o do paciente.

Portanto, a proped utica diagn stica em nefrologia deve seguir alguns passos para alcan ar os seus objetivos terap uticos e curativos: (1) Coleta do exame cl nico minucioso do paciente (2) An lise dos sinais e sintomas apresentados (3) Diagn stico sindr mico (4) Diagn stico etiol gico (5) An lise do grau do dano (acometimento anat mico e/ou funcional) (6) Tra ar plano terap utico adequado.

De uma maneira geral, os sinais e sintomas que comp em a maioria das s ndromes nefrol gicas s o inespecíficos, isto , podem estar presentes em diversas doen as, o que dificulta o diagn stico cl nico quando eles s o analisados de forma isolada. Contudo, quando analisados em conjunto e associados a outros dados complementares (laboratoriais ou de imagem), podem estabelecer diagn sticos sindr micos exatos. Os principais sinais e sintomas em nefrologia –e seus respectivos conceitos –s o:

Anúria:diurese inferior a 100 mL/dia. Ocorre na obstru o bilateral das art rias renais ou dos ureteres e na necrose cortical bilateral.

Polaciúria: consiste no aumento da necessidade de urinare, com isso, da frequ ncia urin ria diurna, com o intervalo entre as mic es inferior a 2 horas, sem que haja concomitante aumento do volume urin rio.As principais causas de polaci ria s o: Urina residual(obstru o infravesical por HPB)

Processos infecciosos/corpo estranho

Fibrose vesical Queda da complac ncia vesical.

Poliúria:consiste no aumento do volume urin rio (volume urin rio superior a 2500 mL por dia). Como o volume de cada mic o est limitado pela capacidade vesical, verifica-se um maior n mero de mic es, inclusive noite. Os dois mecanismos b sicos de poli ria s o por diurese osmótica(decorrente da excre o de um volume aumentado de solutos, determinando maior excre o de gua, como na diabetes mellitus) ou por incapacidade de concentração urinária (diabetes insipidus, hipopotassemia).

Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –NEFROLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

Noctúria/nictúria: embora sejam termos sinônimos para a maioria das literaturas, alguns autores defendem que a noctúria define o aumento da frequência miccional durante a noite, enquanto que a nictúria define apenas a presença de micção noturna além do normal (mais de duas micções por noite). Pode ocorrer na fase inicial da insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou em hepatopatias. A presença de noctúria sem polaciúria é bastante sugestivo de falência do ventrículo esquerdo (devido ao retorno do líquido do terceiro espaço para o intravascular, que ocorre quando o paciente se deita para dormir, o que aumenta a taxa de filtração glomerular e a produção de urina). As principais causas são: Lesão renal grave

Ingestão de irritantes vesicais próximo ao período de dormir

ICC Obstrução infravesical

Diabetes Mellitus

Disúria: micção associada à sensação de dor, queimor ou desconforto. Ocorre na cistite, prostatite, uretrite, traumatismo geniturinário, irritantes uretrais, reações alérgicas. Consiste no primeiro sintoma de infecção do trato urinário (ITU); a disúria terminalé característica da cistite.

Urgência miccional: a urgência urinária significa a necessidade súbita e imperiosa de urinar, podendo, mesmo, haver esvaziamento involuntário da bexiga.As principais causas são: Hiperatividade neurogênica

Hiperatividade idiopática

Obstrução infra-vesical(50% dos pacientes)

Processos inflamatórios vesicais

Hematúria: A hematúria é um achado que, independente da manifestação associada, sempre deve ser valorizada.Significa a presença de sangue na urina, podendo ser micro ou macroscópica. A hematúria pode ser maciça, inclusive com o aparecimento de coágulos. É importante determinar se a hematúria é total(lesões renais ou ureterais), inicial(lesões da uretra distal ou cólon vesical) ou terminal(lesões do trígono vesical).As causas mais importantes são:

ITU Cálculo

Hematúria silenciosa (até que se prove o contrário, é câncer)

Doenças hemolíticas HPB

Pós-esforço

Edema: orelato de edema(inchaço)constitui uma manifestação marcante nas doenças renais agudas e crônicas. O edema que surge nas doenças renais resulta de diferentes mecanismos patogênicos e tem características semiológicas próprias.

O edema da glomerulonefrite é generalizado,sendo mais intenso na região periorbitária pela manhã. No final do dia, acomete os membros inferiores. Em crianças, o aparecimento de edema costuma ser súbito, podendo ser acompanhado de manifestações de ICC.

Na glomerulonefrite crônica, a presença e a intensidade do edema são muito variáveis, podendo estar ausente ou manifestar-se apenas como edema periorbitário pela manha.

O edema da síndrome nefrótica é generalizado, mais intenso que na glomerulonefrite, podendo chegar à anasarca, com intenso edema facial. Devido à glomerulopatia, ocorre um aumento da permeabilidade glomerular na síndrome nefrótica, gerando quadros de hipoalbuminemia. Isso reduz a pressão coloidosmótica do plasma, reduzindo o volume plasmático (o que faz, por meio do sistema renina angiotensina, uma maior retenção de H2O, reduzindo ainda mais a pressão coloidosmótica) e aumentando o líquido intersticial (gerando o edema).

O edema da insuficiência renal crônica é muito variável, na dependência da causa determinante.

Na insuficiência renalaguda, o edema decorre geralmente da hiper-hidratação.

Dor lombar: comum em várias afecções renais (principalmente quando elas atingem a cápsula renal), mas que deve ser diferenciada de outras patologias osteomusculares e neurológicas.

Como forma de enriquecer ainda mais os dados coletados durante o exame clínico, devemos lançar mão de alguns exames complementares iniciais básicos, seja de urina ou de sangue. Há quem diga que somente através destes dados é que podemos afirmar, com propriedade, que o paciente apresenta uma afecção renal (até porque os sinais e sintomas que constituem as síndromes são, como vimos, muito inespecíficos). Contudo, nunca podemos desvencilhar a clínica dos exames laboratoriais. Os principais exames complementares em nefrologia são:

•Exame de urina

• Hemograma

• Bioquímica: Uréia, creatinina

Cálcio, fósforo, ácido úrico

Na, K, Cl, CO2 •Ultrassonografia renal: descreve apenas alterações anatômicas que podem reportar algum dado clínico; nunca pode estabelecer um diagnóstico de alteração funcional do rim.

Arlindo Ugulino Netto; Luiz Gustavo Barros; Yuri Leite Eloy –NEFROLOGIA –MEDICINA P8 –2011.1

Podemos destacar, pelo menos, 10 s ndromes nefrol gicas cujos sinais e sintomas devem estar sempre associados e encaixados para o estabelecimento de suspeitas diagn sticas e, mediante o aux lio de exames complementares, a institui o do diagn stico sindr mico. Insufici ncia Renal Aguda

Anormalidades Urin rias Assintom ticas

S ndromes Tubulares Renais

Hipertens o Arterial

A insufici ncia renal aguda (IRA) caracterizada pela redu o aguda ou abrupta da filtra o glomerular, sendo definida pela perda r pida de fun o renal devido ao dano renal, resultando em reten o de produtos de degrada o nitrogenados (ur ia e creatinina) e n o-nitrogenados, que seriamnormalmente excretados pelo rim. uma doen a grave e tratada como uma emerg ncia m dica.

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