SEMIOLOGIA 14 - NEONATOLOGIA - Semiologia do recém-nascido pdf

SEMIOLOGIA 14 - NEONATOLOGIA - Semiologia do recém-nascido pdf

(Parte 2 de 3)

Pele.

Avaliar a cor da pele, textura, presença de manchas ou erupções. Geralmente os RN se apresentam plet ricos (avermelhados –hemat crito elevado). Sua textura depende da idade gestacional, assim nos RN pr -termos, a pele se apresenta muito fina e gelatinosa, enquanto que, nos RNs p s-termo ela se apresenta seca, enrugada, apergaminhada e com descama o acentuada, constituindo-se, por isso, um dos par metros utilizados na avalia o de sua idade gestacional. Entre os achados mais comuns que podem ser encontrados nos RN temos:

Vérnix Caseoso: subst ncia esbranqui ada oleosa que recobre a pele do RN, constituindo uma barreira perda de l quidos. Abundante por volta de 35 a 36 semanas de idadegestacional torna-se mais delgado no RN a termo, e praticamente est ausente no p s-termo.

Milium Sebáceo: pequenos cistos epid rmicos de cor branco-perolados ou amarelo-p lidos, localizados predominantemente no nariz, queixo e fronte. Esfoliam-se espontaneamente, sem a necessidade de qualquer tratamento.

Hemangioma Macular: um nevo vascular verdadeiro. S o freq entes, principalmente na fronte, nuca e p lpebra superior. Desaparecem em alguns meses, sem necessidade de tratamento.

Manchas de Vinho Porto (nevus flammeus): n o desaparecem a d gito-press o,e s o permanentes. Podem estar associadas S ndrome de Sturge Weber.

Monteamento: pode ser observados em RNs saud veis sob o stress do frio, hipot rmicos, portadores de trissomias, s pticos ou hipovol micos. Conhecido tamb m como marm reo.

Lesões:A presen a de les es na pele pode estar relacionada com problemas sist micos, por exemplo, RN com s filis cong nita que apresentam fissuras na pele. Podem apresentar ainda pet quias que sugerem infec es graves, septicemias. E ainda existem les es normais na pele dos RN, uma delas s o as les es de Montgomery, manchas arroxeadas conhecidas popularmente como jenipapo, e desaparecem com o tempo. Ainda pode se apresentam com p pulas eritematosas.

Eritema Tóxico:erup o caracterizada por m culas, p pulas e at algumas ves culas que se espalham pelo tronco e, frequentemente, pelos membros e pela face. De causa desconhecida, em geral surge no primeiro ou segundo dias de vida, de curso autolimitado, n o necessitandode tratamento. Geralmente est o relacionadas a processos al rgicos. Contudo ainda podem ocorrer por infec o de estafilococos ou estreptococos.

Icterícia:cor amarelada da pele e das mucosas decorrente do aumento do n veis sangu neos de bilirrubina, podendo ser normal ou patol gica.

Mucosa e Tecido celular subcutâneo

Avaliar o grau de hidrata o, presen a de les es na mucosa oral. Na avalia o do tecido celular subcut neo, nota-se que em RN pequenos para a idade gestacional a gordura escassa equase ausente. Ao contr rio nos RN grandes para a idade gestacional, como por exemplo, aqueles portadores de diabetes, podem apresentar um aumento desse tecido, devendo-se investigar a presen a de edema.

Músculo-Esquelético

Avaliar todos os grupos musculares do RN, identificando reas n o contr teise a ocorr ncia de poss veis d ficits neurol gicos. Al m disso, deve-se saber que os RN apresentam uma hipertonia fisiol gica, tendo uma predomin ncia do t nus flexor sobre o extensor. O melhor local para avalia o da musculatura o m sculo grande peitoral.

No sistema esquel tico de extrema import ncia a avalia o de anormalidades sseas, abaulamentos, retra es importantes etc.

Perímetro

Como foi dito anteriormente,antes da realiza o do exame semiol gico faz-se uma avalia o antropom trica, que dentre os aspectos analisados est o per metro da cabe a, que normalmente est em torno de 34 cm. Entretanto esse valor, n o tem grande significado uma vez que, depende do tamanho do RN,ou seja, mesmo o RN sendo a termo, mas pequeno pra idade gestacional poder ter um per metrocef lico menor que 34 cm e n o necessariamente ser patol gico. Da mesma forma, RN de m es diab ticas a termo, grandes para idade gestacional, podem apresentar um per metro cef lico maior que 34 cm.

Na medi o, o per metro deve ser feito com uma fita inel stica, passando pela protuber ncia occipital e pela regi o mais proeminente da fronte. Investigar a presen a de micro ou macrocefalia (hidrocefalia causa comum de macrocefalia). A microcefalia pode ocorrer por um crescimento inadequado do enc falo, ou ainda soldadura precoce das

Arlindo Ugulino Netto; Yuri Leite Eloy –NEONATOLOGIA –MEDICINA P7 –2010.2 suturas cranianas. Quando ocorre um fechamento precoce dessas suturas, o cr nio pode vir a adotar formas an malas. Quando o RN apresentaum fechamento precoce da sutura coronal e lambd ide vai apresentar uma cabe a achatada, denominada de braquicefalia. J na soldadura precoce da sutura sagital o RN vai apresentar um quadro de escafocefalia.

Apesar das considera es explicadas acima, alguns RN podem apresentar um per metro cef lico normal e ser portador de hidrocefalia.O per metro cef lico normal n o afasta o diagn stico de hidrocefalia.

Fontanelas.

As fontanelas s o espa os delimitados entre as suturas sseas do cr nio, que fornecem informa es importantes sobre a avalia o f sica do RN. A intersec o fronto-parietal forma a fontanela anterior, e parieto-occipital a posterior. A fontanela anterior geralmente fecha em torno de 6 meses aum ano e meio, enquanto que a posterior em torno de 2 a 3 meses.

Nas fontanelas deve-se avaliar o tamanho e tens o. As fontanelas normais s o aquelas descritas como normotensas, e com amplitude 2 x 2 cm. Nas fontanelas hipertensas pode-se suspeitar de hipertens o intercraniana, podendo esta ser ocasionada por hidrocefalia. Nas fontanelas amplas, em que devido ao tamanho a avalia o da tens o prejudicada, pode fazer uma ultrasonografia transfontanela, para uma avalia o mais precisa. A fontanela deprimida est presente, por exemplo, em crian as desidratadas.

O pesco o do RN se apresenta curto e fr gil, devendo ser avaliado principalmente a procura de massas palp veis localizadas.

Assim a avalia o do pesco o se inicia com a palpa o da parte mediana a fim de detectar b cio, f stulas, cistos e restos de arcos branquiais; lateralmente, verifica-se a exist ncia de hematoma de esternocleiodomast ideo, pele redundante ou pterigium coli.Pesco o alado observado nas s ndromes de Turner e Down.

Palpar ainda as clav culas para descartar a presen a de fratura, que se caracteriza por assimetria do ombro, diminui o da mobilidade, dor e crepita o palpa o. Explorar a mobilidade e t nus, pouca mobilidade do pesco o sugere anomalias vertebro-crevicais.

FACE No exame da face s o analisados olhos, ouvidos,nariz e boca.

Olhos.

No exame ocular do RN nascido deve-se avaliar o reflexo vermelho, usando um oftalmosc pio. Sua aus ncia pode sersinal de catarata cong nita. A esclera branca ou levemente azulada no RN pr -termo, contudo podem se apresentar amareladas. Se for azul-escura deve-se afastar a possibilidade de osteogenesis imperfecta. Observar tamb m sobrancelha, c lios, movimentos palpebrais, edema e dire o da comissura.

Avaliar a transpar ncia do cristalino, se o mesmo opaco ou n o. A avalia o do cristalino,devido a sua import ncia cl nica, atualmente feita atrav s do “teste do olhinho”, que tem o objetivo avaliar a presen a do olho vermelho (colora o dada pelos vasos retinianos). Quando presente sinal que o cristalino transl cido e a retina normal.

Hemorragias conjuntivais s o comuns e decorrem da ruptura de pequenos capilares conjuntivais. S o absorvidas espontaneamente e, portanto, n o necessitam de qualquer tratamento. Secre es purulentas devem ser investigadas.

Pesquisar microftalmia (microc rnea –c rnea com di metro menor que 9 m); glaucoma cong nito (macroc rnea –di metro maior que 1 m). A presen a de estrabismo n o tem significado nessa faixa et ria, assim como a ocorr ncia de nistagmo frequente.

Orelhas.

Avaliar forma, tamanho, simetria, implanta o e a presen a de ap ndices pr -auriculares (papilomas). A posi o normal do pavilh o auricular determinada tra ando-se uma linha horizontal imagin ria, passando pelos cantos palpebrais internos e externos, cruzando a face perpendicularmente ao eixo vertical da cabe a. Se a h lice da orelha estiver abaixo dessa linha, considera-se implanta o baixa que observada em diversas patologias cong nitas: síndrome de Potter(caracterizada por implanta o baixa das orelhas, micrognatia, maior dist ncia entre os eixos oculares e agenesia renal bilateral), síndrome de Goldenhar(caracterizada por altera es vertebrais, oculares e auditivas), triploidias, trissomia do 9 e do 18.

A acuidade auditiva pode ser pesquisada atrav s da emiss o de um ru do pr ximo ao ouvido, observando-se a resposta do reflexo c cleo-palpebral (piscar dos olhos).

Arlindo Ugulino Netto; Yuri Leite Eloy –NEONATOLOGIA –MEDICINA P7 –2010.2

Al m disso, a forma e tamanho do padr o auricular guardam uma estreita rela o com a idade gestacional, constituindo um dos elementos para avalia o da IG do RN.

Nariz.

Observar sua forma: malforma es do nariz s o observadas nas trissomias cromoss micas 18 e 21, na acondroplasia e outras condrodistrofias. Verificar a permeabilidade das coanas, usando uma sonda nasog strica.A presen ade corrimentos nasais serossanguinolentassugeres filis cong nita precoce. Muito comum no pice do nariz encontrar pequenos pontos esbranqui ados denominados de miliun, j explicado previamente.

presen a de mal-forma es, como o caso da fenda labial(l bio leporino). Nos RN que mamam de forma vigorosa muito comum encontrarmos calos de suc o.

Quanto ao palato avaliar se est ntegroe de conforma o normal ou em ogiva (palato alto). Na cavidade oral em si muito comum a presen a de placas esbranqui adas sobre a base eritematosacausada por infec o f ngica (Candida albicans). Ocorre com frequ ncia em RN imunossuprimidos, sendo a infec o transmitida pela pr pria m e. Al m disso, pode haver pequenas escoria es, na maioria das vezes de causa iatrog nica, quando a limpeza da cavidade oral para retirada de muco, n o era realizada com a “p ra”, mas sim com gaze, produzindo essas escoria es. Um pequeno n mero de RN pode apresentar dentes fragilizados, que devem ser retirados evitando a aspira o.

Avaliar o tamanho da l ngua, existindo macroglossia, pode caracterizar uma s ndrome onde h um queixo pequeno, a l ngua n o se fixa de formaadequada ao assoalho da boca, podendo sufocar o RN, sendo necess ria algumas vezes a realiza o de corre o. As p rolas de Epstein s o pequenas forma es esbranqui adas, junto rafe mediana e, s vezes, nas gengivas.

A hipertrofia bilateral das gl ndulas mam rias decorre da a o dos estrog nios maternos e deve ser distinguida de mastite, geralmente unilateral, causada por estafilococos. O di metro da gl ndula mam ria um dos par metros para avalia o da idade gestacional. Da mesma forma que no adulto a avalia o do t rax, aparelho respirat rio e cardiovascular deve ser seguida com a inspe o, palpa o, percuss o e ausculta.

Pulmões.

A respira o do RN do tipo abdominal e irregular, sobretudo em prematuros, quando predominantemente tor cica e com retra o, denotandodificuldade respirat ria. A freq ncia est em torno de 30 a 50 movimentos por minuto. Estertores midos, logo ap s o nascimento, normalmente s o transit rios e desaparecem nas primeiras horas de vida. Sua persist ncia, diminui o global ou assimetria do murm rio vesicular implicam avalia o criteriosa.

Avaliar a presen a de ang stia respirat ria, que se caracterizam principalmente por altera es na freq ncia respirat ria, retra es intercostais, gemidos expirat rios, batimentos de asas do nariz e cianose.

Cardiovascular .

Avaliar a freq ncia card aca, que geralmente est em torno de 120 a 160 batimentos por minuto, n o esquecendo o pulso perif rico, principalmente o pulso femoral, que quando ausente,est associada cardiopatia grave, denominada de coarcta o da aorta.O pulso umbilical ideal para avalia o.

Nos RN normais, h uma hiperfonese da 2 bulha, podendo ouvir sopros, presentes devido aon o fechamento completo das comunica es do sistema arteriovenoso, comocanal arterial.A palpa o e percuss o no RN n o t m um grande valor cl nico.

Lembrar os sinais de insufici ncia card aca: taquicardia, hepatomegalia, ritmo de galope, taquipn ia, sibilos e estertores.

(Parte 2 de 3)

Comentários