SEMIOLOGIA 19 - PSIQUIATRIA - Anamnese psiquiátrica

SEMIOLOGIA 19 - PSIQUIATRIA - Anamnese psiquiátrica

(Parte 1 de 4)

MED RESUMOS 2011 NETTO, Arlindo Ugulino.

ANAMNESE PSIQUIÁTRICA (Professor Ivanor Velloso e Estácio Amaro Júnior)

A Psiquiatria uma especialidade da

Medicina que lida com a preven o, atendimento, diagn stico, tratamento e reabilita o das diferentes formas de sofrimentos mentais, sejam elas de cunho org nico ou funcional, com manifesta es psicol gicas severas. S o exemplos: a depress o, o transtorno bipolar, a esquizofrenia, a dem ncia e os transtornos de ansiedade. Os m dicos especializados em psiquiatria s o em geral designados por psiquiatras (at meados do s culo X foi tamb m comum a designa o a l i e n i s t a s ).

A meta principal o al vio do sofrimento e o bem-estar ps quico. Para isso, necess ria uma avalia o completa do paciente, com perspectivas biol gica, psicol gica, de ordem cultural, entre outras afins.

A anamnese psiqui trica uma ferramentade import ncia significativa para a obten o de um diagn stico psiqui trico. Esta parte do exame psiqui trico corresponde ao principal recurso para formula o diagn stica, representando a principal fonte de dados para formular hip teses diagn sticas, al m de garantir o contato inicial com o paciente e um passo fundamental para estabelecer uma alian a terap utica.

Para a realiza o de uma boa e completa anamnese psiqui trica, os seguintes aspectos devem ser lembrados e praticados, sempre no intuito de promover um v nculo positivo com o paciente e, assim, coletar dados fidedignos para a estrutura o diagn stica e terap utica:

Atitude do médico:

Demonstrar cordialidade, sensibilidade, interesse, proximidade, espontaneidade e empatia (clima favor vel para se expor problemas a um desconhecido). fundamental ser honesto, sincero e guardar sigilo, no intuito de conquistara confian a do paciente – sem confian a, n o haver a coleta de informa es fidedignas.

Preparação do ambiente:

Deve ser tranquilo, silencioso e bem iluminado (ru dos e est mulos comprometem a escuta e a aten o, aumentando a possibilidade de o paciente desencadear experi ncias de distor o da realidade).

Deve ser tamb m reservado para permitir informa es ntimas (interrup es ou presen a de terceiros inibem o fluxo da entrevista).

Manejo do silêncio:

Pode ser ind cio de dificuldade com algum tema ou quebra na comunica o; dificuldade em confiar ou estabelecer v nculo; ressentimento por atitude ou interven o do examinador.

Sil ncios prolongados devem ser evitados, podem aumentar ansiedade, representar hostilidade e promover o ressentimento. O examinador deve abordar com franqueza o fato.

Lembrar sempre que o paciente pode estar em estupor em patologias como: esquizofrenia, quadros org nicos e depress o.

Tempo de duração: No geral,deve levar tempo suficiente para vencer resist ncias iniciais (45 a 90 min).

Realizar uma entrevista curta e objetiva (10 min) para pacientes agitados, org nicos, psic ticos ou n o cooperativos.

Entrevistas muito longas,al m de cansativas, s o improdutivas; por esta raz o, mais prudente dividir a consulta em mais de um encontro.

A n o t a ç õ e s : Oregistro escrito necess rio,e alguns pacientes sentem-se valorizadoscom esta conduta.

Certos pacientes(como os pacientes “paranoides”)mostram-se inibidos e desconfiados com anota es; elas tamb m podem prejudicar a observa ode gestos, rea es, m mica facial (neste caso,deve-se recorrer a mem ria e tomar notas depois).

Contato com familiares:

Entrevista com familiares necess ria,sobretudo com pacientes agitados, deficientes mentais, em mutismo ou que n o tenham condi es de informar adequadamente.

O m dico deve tentar entrevistar primeiro o paciente, depois inform -lo de que ouvir osfamiliares em sua presen a. Com pacientes psic ticos pode ser necess rio contato separado.

Informa es do paciente n o devem ser recontadas aos familiares quando n o h consentimento do paciente. A exce o plano suicidaou risco para terceiros(plano homicida).

A entrevista, na forma de uma anamnese psiqui trica, consiste em um roteiro ou esquema pr -definido para a coleta de dados que permite o registro de forma organizada para viabilizar uma an lise adequada, sempre no intuito de formular hip teses diagn sticas.

Queixa principal;

Antecedentes pessoais;

Antecedentes familiares;

Exame f sico(a depender da disponibilidade do paciente);

Exame mental.

de registrar dados gerais acerca do doente e iniciar o relacionamento m dico-paciente. Devem ser coletados os seguintes dados:

Nome completo, sexo, idade, estado civil, profissão, grau de instrução, religião, ra a, nacionalidade, naturalidade, proced ncia, endereço residencial e telefone. Nome e parentesco do acompanhante.

Os dados destacados em negrito podem ser considerados os mais importantes:

Osexo feminino tem mais chances de desenvolver depress o do que pacientes do sexo masculino, enquanto que a incid ncia de esquizofrenia n o t o alto no sexo feminino (e o progn stico melhor neste sexo, uma vez que no homem, a esquizofrenia acontece de uma forma mais precoce e mais grave).

Quanto idade, as psicoses funcionais (como a esquizofrenia e o transtorno bipolar) incidem muito mais no adolescente e no adulto jovem; sintomas semelhantes na terceira idade s o sugestivos de psicose org nica, geralmente secund ria a doen as neurodegenerativas (dem ncia vascular, Alzheimer, etc.), delirium, etc.

Questionar sobre a religi o, por exemplo, fundamental para diferenciar pacientes que passam por certas experi ncias espirituais e religiosas, como ocorre no espiritismo, por exemplo.

Oendere o residencial e o telefone do doente s o imprescind veis para o acompanhamento terap utico (sobretudo quando o paciente apresenta ideiassuicidas e/ou homicidas).

Consiste noregistro, em poucas palavras, do problema que motivou a consulta e a dura o do mesmo.Em outras palavras, a resposta da seguinte pergunta:“Qual o motivo/problemaque o (a) trouxe consulta? H quanto tempo o(a) senhor(a) apresenta isso?”.

Sempre que poss vel, deve ser registrado com as express es textuais que o paciente ou acompanhante (devidamente identificado) utilizou. importante observar quem encaminhou, de quem foi a iniciativa de buscar ajuda e com que objetivo.

A HDA se baseia no esclarecimento sobre sintomas atuais do paciente e que motivaram a busca de tratamento: quais s o, como se manifestam, seu in cio, seu curso, grau de interfer ncia na vida pessoal e profissional, sua rela o com eventos desencadeantes, fatores e circunst ncias relacionados com o in cio, exist ncia de epis dios semelhantes em outros per odos da vida, tratamentos realizados e resultados obtidos. Para se obter uma HDA simples, deve-se lembrar de algumas regras fundamentais a seguir:

Determinar o sintoma-guia (del rios, alucina es, fobias, etc.); Explore: in cio do sintoma ( poca, modo, fator desencadeante), dura o, caracter sticas do sintoma na poca em que teve in cio, evolu o, repercuss es do problema sobre a vida social do paciente, importante considerar a descri o detalhada dos sintomas, a frequ ncia, dura o e flutua es dos mesmos.

Ainda, deve-se observar a sequ ncia cronol gica dos sintomas e eventos relacionados desde as primeiras manifesta es at a situa o atual. As perguntasformuladas devem ser simples, acess veis e de acordo com o n vel cultural de cada doente;

As informa es prestadas devem ser transcritas preferentemente em termos t cnicos(m dicos), mas, em certas ocasi es, ser l cito transcrever para a HDA as palavras leigas (entre aspas), especialmente se elas referirem a um sintoma permanentemente enfatizado pelo paciente; Anote tamb m nomes e resultados de exameslaboratoriais realizados no decurso da doen a;

Quando poss vel, permita que o paciente conte sua hist ria como deseja e saliente os aspectos que ele considera importante. Evite perguntas sugestivas, que fornecem as respostas para as perguntas. A hist ria deve ser narrada pelo pr prio doente, sempre que poss vel, ou por interm dio de um respons vel, no caso de doentes impossibilitados de falar, fato esse que dever ser anotado.

A investiga o dos antecedentes fundamental para a entrevista psiqui trica e n o pode ser esquematizada rigorosamente. poss vel e til, uma sistematiza o que sirva como roteiro e diretriz de pesquisa.Os seguintes aspectos s o particularmente importantes para a anamnese psiqui tricae, atrav s deles, poss vel caracterizar poss veis personalidades pr -morbidas: Condi es de gesta o e parto, inf ncia, adolesc ncia e idade adulta;

Desenvolvimento neuropsicomotor(andar–at 14 meses;falare montar pequenas frases –24 meses;etc.),

Hist rico na escola e desempenho acad mico,

Hist rico de relacionamentos interpessoais, particularmentecom pai, m e, irm os;

Eventos de vida de grande impacto(mortes de entes queridos, assaltos, doen as j vividas ou em curso, demiss es, etc.),

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