POSITIVISMO

CONCEITO DE ANOMIA.

“Ao enfraquecimento das normas numa dada sociedade, Durkheim deu o nome de “anomia”. E considerava-a como sendo uma desorganização tal da sociedade que enfraqueceria a integração dos indivíduos que não sabem que normas devem seguir.

Numa sociedade ou grupo social em anomia "faltará uma regulamentação durante certo tempo. Não se sabe o que é possível e o que não é, o que é justo e o que é injusto, quais as reivindicações e esperanças legítimas, quais as que ultrapassam a medida" (Durkheim, 1974).

O conceito de anomia desempenha um papel importante na sociologia, principalmen­te no estudo das mudanças sociais e de suas conseqüências. Quando as regras sociais e os valores que guiam as condutas e legitimam as aspirações dos indivíduos se tornam in­certos, perdem o seu poder ou, ainda, tornam-se incoerentes ou contraditórios devido às rápidas transformações da sociedade; resulta daí um quadro de desarranjo social denomi­nado anomia.

Num mundo de constantes mudanças, onde as crenças e as instituições perdem sua ca­racterística de permanência e constância que possuíam nas sociedades tradicionais, as so­ciedades estão sujeitas a algum ripo de desarranjo nos regulamentos que servem para esta­bilizar o grupo.

Podemos denominar 'condutas anômicas' aquelas que o indivíduo adota quando se vê privado das referências e dos controles que organizam e limitam seus desejos e aspirações - são condutas marginais e, de um modo geral, ligadas à violência.

Numa sociedade em estado de anomia, as pessoas estão predispostas a seguir uma lide­rança carismática que lhes indique novos valores e que, de um modo geral, o líder personi­fica. Aqui, a anomia possui uma dimensão que pode ter um resultado positivo ou negativo. A sociedade alemã, no início da década de 1930, em profundo estado de anomia, com a economia desorganizada, as instituições políticas enfraquecidas e a disputa radical entre os valores da esquerda e da dIreita, tornou-se receptiva aos valores defendidos pelo Partido Nazista personificados no seu líder, Adolf Hitler.

Quando os indivíduos vivem uma situação de anomia, perdem o sentido de pertencer ao grupo. As normas do grupo não dirigem seu comportamento e, por algum tempo, não encontram nenhuma norma que as substitua. Não abandonam totalmente as normas da so­ciedade, mas afastam-se, e não se identificam com as demais normas.

Não podemos afirmar que anomia seja sinônimo de ausência de lei, embora aqueles que possuam uma conduta anômica possam violar a lei.

Nos campos de concentração nazistas, muitos prisioneiros viviam em condições de ano­mia, como mostra o Quadro abaixo era como se um indivíduo anômico tivesse perdido o pas­sado, não previsse qualquer futuro e vivesse somente no presente imediato, o qual parece ser nenhum lugar”.

CONFINAMENTO E ANOMIA.

As pessoas que sobreviveram aos campos de concentração nazistas testemunharam que, enquanto encarceradas, elas estavam em um estado que poderia ser considerado de extrema anomia. Ao entrarem nos campos, elas mantiveram os seus valores habituais, incluindo um sentimento de íntima identificação com seus camaradas sofredores. Elas se tratavam com compaixão, cooperavam para ­ tapear os guardas e não se roubavam uns aos outros. Pouco a pouco, porém, algumas delas mudavam. Impelidas pela privação, saúde precária, tortura e ameaça de exterminação, elas passavam a violar as normas que prezavam grandemente à época da admissão. Algumas roubavam dos seus camaradas; algumas informavam sobre os prisioneiros que tinham violado os regulamentos;­ outras buscavam privilégios especiais colaborando com os seus captores, de um modo ou de outro.

Estes desertores se afastaram dos seus colegas prisioneiros, não tanto física como espiritual e psiquicamente. Eles sabiam que não pertenciam àquele mundo, mas não tinham nenhum outro mundo participar. Eles abandonaram as normas às quais eles tinham anteriormente subscrito, mas eles não tinham nenhum sistema de normas substitutivas que fosse consistente, amplo ou consciente­mente organizado e aceito. Não mais eram compassíveis em relação aos seus colegas, mas também não os odiavam. Eles simplesmente não tinham nenhum sentimento, assim dizendo, para com eles ou a respeito deles. O comportamento atual não era nem "bom" nem "ruim", era simplesmente um comportamento de sobrevivência. Simplesmente era.”

Fonte: Dressler e Willis Jr. (1980, p.160).

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