Histologia e Embriologia Animal aula 3

Histologia e Embriologia Animal aula 3

Histologia e Embriologia Animal Aula 3

Desenvolvimento Embrionário Inicial Tipos de óvulos (ovos): classificação e ocorrência

Em 1923, o embriólogo E. B. Wilson reflectiu sobre o que sabemos sobre a clivagem ou segmentação (1º fase do desenvolvimento embrionário): “ Para a nossa inteligência limitada, parceria uma tarefa simples dividir um núcleo em partes iguais. A célula tem manifestamente uma opinião bem diferente”. De facto, organismos diferentes sofrem clivagem de formas notoriamente diferentes. O padrão de clivagem embrionária característico da espécie é determinado por dois parâmetros fundamentais: (1) a quantidade e distribuição das proteínas do vitelo no citoplasma; (2) os factores no citoplasma do ovo que influenciam o ângulo e o momento da formação do fuso mitótico.

A quantidade e distribuição do vitelo determina onde pode ocorrer clivagem e qual o tamanho relativo dos blastómeros. Quando um dos pólos do ovo tem relativamente pouco vitelo, a divisão celular ocorre aí a uma velocidade maior do que no pólo oposto. O pólo rico em vitelo é referido como pólo vegetativo; a concentração do vitelo no pólo animal é relativamente baixa. O núcleo do zigoto esta frequentemente deslocado em direcção ao pólo animal. Geralmente, o vitelo inibe a clivagem.

Num dos extremos encontram-se os ovos dos ouriços-do-mar, mamíferos e caracóis. Estes ovos têm um vitelo esparso, distribuído equitativamente, sendo por isso isolecitais ou isolécitos (Fig.1.). Nestas espécies, a clivagem é holoblástica, o que significa que o sulco de clivagem se estende ao longo de todo o ovo. Tendo pouco vitelo, estes embriões têm de possuir outras formas de obter alimento. A maioria gera uma forma larvar voraz, ao passo que os mamíferos obtêm os seus nutrientes através da placenta materna.

Fig.1. Ovos isolécitos

No outro extremo encontram-se os ovos de alguns peixes, dos répteis e das aves. A maior parte do volume celular é composto por vitelo (gema)- ovos telolécitos (Fig.2). o vitelo tem que ser suficiente para nutrir estes animais ao longo do desenvolvimento embrionário. Os zigotos que contêm grandes acumulações de vitelo sofrem clivagem meroblástica, em que é clivada, apenas uma parte do citoplasma. Uma vez que as placas vitelínicas impedem a formação da membrana na parte vitelina do citoplasma, o sulco de clivagem não penetra aí.

Fig.2. Ovos telolécitos

A maioria dos ovos dos insectos têm um vitelo no centro – ovos centrolécitos (Fig. 3). As divisões ocorrem apenas na margem do citoplasma em torno da periferia da célula – clivagem superficial.

Fig. 3- Ovo centrolécito

Existem ainda os ovos denominados heterolécitos (Fig.4), que apresentam nítida polaridade, distinguindo-se o pólo animal com pequena quantidade de vitelo e o pólo vegetativo com abundante quantidade de vitelo, permitindo a nutrição do embrião durante algum tempo. São característicos de alguns moluscos, anelídeos e anfíbios.

Fig. 4- Ovos heterolécitos

O vitelo é contudo apenas um dos factores que influenciam o padrão de clivagem de uma espécie. Existem também padrões de divisão celular hereditários que se sobrepõem aos constrangimentos do vitelo. Esses padrões podem ser facilmente observados em ovos isolécitos, nos quais está presente muito pouco vitelo.

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