Trabalho de economia

Trabalho de economia

UNIVERSISADE ANHANGUERA - UNIDERP | CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

ADIMINISTRAÇÃO

387120 - FRANCISCO MARIO DE SOUSA

383578 - JOSÉ RODINELLE SOARES FERNANDES

375201 - ANTONIO RENAN GOMES LIMA

386700 – MARCIO VINÍCIO DE S. OLIVEIRA

385341 - SANDRA HELENA N. CARNEIRO

ECONOMIA

PROF. MA. RENATA M. G. DALPIAZ

SOBRAL, SETEMBRO DE 2012

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1. ETAPA 1

2. ETAPA 2

3. ETAPA 3

4. ETAPA 4

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

6. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

INTRODUÇÃO

No mundo há economias de todas as formas e tamanhos. Há países ricos e muito pobres e os que ficam entre os dois extremos. Algumas economias crescem rapidamente enquanto outras simplesmente não crescem ou encolhem ao longo do tempo provocando grandes disparidades de renda. Há uma grande variação entre as rendas per capita dos países.

A proposta do presente trabalho é apresentar um panorama da indústria calçadista nacional, destacando a importância do setor para a economia brasileira, devido não apenas ao seu excepcional desempenho no mercado externo, como pela sua capacidade de geração de empregos. Mais especificamente, procura-se compreender como um segmento de consumidores estrangeiros avalia os calçados brasileiros ou, colocado de outra forma, qual é a atitude desses consumidores com relação ao produto. Para tanto, é empreendida uma pesquisa empírica com um segmento de consumidores estrangeiros, de modo a coletar as suas avaliações e impressões sobre os calçados brasileiros.

O presente trabalho tem o intuito de explanar o tema relacionado com o crescimento econômico, trazendo uma revisão da literatura nacional, e uma análise da influência de algumas despesas por função sobre o crescimento econômico brasileiro.

1. ETAPA

O Estado do Rio Grande do Sul é um dos principais Pólos Calçadistas do Brasil. A intensa produção de calçados e artigos de couro, aliada à oferta de componentes, máquinas e instituições de ensino e de desenvolvimento, fez com que este Estado seja considerado o maior cluster calçadista do mundo. Estima-se que abriga em torno de 60% das indústrias de componentes e 80% da indústria brasileira de máquinas para couros e calçados. Há indústrias espalhadas em diversas localidades, que abrigam de uma a dezenas de unidades, que também se transformam pólos calçadistas devido a suas peculiaridades. Segundo dados de 2010, o Estado gaúcho tem cerca de 2.9 mil empresas de calçados, que geram mais de 110 mil empregos diretos. Cerca de 20% (em pares) da exportação brasileira de calçados em 2011 saiu do Rio Grande do Sul. Em 2011, os embarques somaram 22,5 milhões de pares e geraram uma receita de US$ 712 milhões. Apesar da pulverização de unidades produtivas em vários municípios, o Rio Grande do Sul concentra seus principais pólos calçadistas em cidades localizadas no Vale do Rio dos Sinos; Vale do Paranhana, Vale do Taquari e Serra Gaúcha. A razão deste status vem do século 19, quando os primeiros imigrantes alemães, em 1825, e italianos, por volta de 1890, instalaram-se nestes Vales, trazendo consigo a arte do processamento do couro. Em princípios do século 20, já havia indústrias completas atuando na região e vendendo calçados para todo o Brasil e alguns países vizinhos.

A cadeia coureiro-calçadista possui relevante importância para a economia brasileira, não apenas pelo volume de exportações, que somaram 163 milhões de pares e um ingresso de divisas das ordens, como pela geração de empregos, em torno de 550 mil postos de trabalho, considerados os empregos diretos na indústria de calçados, curtumes, fabricantes de máquinas e equipamentos, componentes e artigos de couro. Essa cadeia produtiva era composta por aproximadamente 450 curtumes, 6000 mil fabricantes de calçados, 110 fabricantes de máquinas e equipamentos, 1100 produtores de componentes para calçados e 2300 fabricantes de artefatos de couro.

Gráfico 8 – Principais Estados Exportadores do Setor Calçados

300.000.000

250.000.000

200.000.000

150.000.000

100.000.000

2012

2011

50.000.000

0

Rio Grande do Sul

Ceará São Paulo Paraíba Bahia

Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Ceará - FIEC

O Brasil é o principal produtor de calçados das Américas, fabricando diferentes tipos de calçados, pretendendo atender a demanda interna e exportações. O país tem conquistado espaço no mercado externo, mas ainda tem poucas empresas capazes de atuar internacionalmente como OBM (Original Brand Manufacturer).A indústria brasileira tem participado ativamente dessa cadeia global desde a década de 70. A partir do estabelecimento dos escritórios de exportação no Brasil, os produtores domésticos passaram a ocupar uma parcela importante e crescente do mercado internacional. No entanto, as empresas brasileiras não foram capazes de apresentar avanços significativos nas esferas comercial, por meio da construção de canais de comercialização e distribuição no exterior e da fixação internacional demarcas ou estilos próprios, ou na esfera tecnológica, através de esforços próprios dedesenvolvimento de produto e design.

A indústria brasileira tem participado ativamente dessa cadeia global desde a década de 70. A partir do estabelecimento dos escritórios de exportação no Brasil, os produtores domésticos passaram a ocupar uma parcela importante e crescente do mercado internacional. No entanto, as empresas brasileiras não foram capazes de apresentar avanços significativos nas esferas comercial, por meio da construção de canais de comercialização e distribuição no exterior e da fixação internacional demarcas ou estilos próprios, ou na esfera tecnológica, através de esforços próprios dedesenvolvimento de produto e design. A inserção da indústria brasileira no mercado internacional de calçados proporcionou um dinamismo maior ao setor, como é percebido pela expansão da 74 indústria calçadista pelo país. Esse crescimento do setor somado ao aumento dasexportações promoveu a consolidação de empresas líderes e, conseqüentemente, de regiões que se destacam tanto nas exportações quanto na presença marcante no mercado doméstico.

A crescente sofisticação e educação do consumidor global tem tornado a competição internacional entre os produtos cada vez mais intensa, tanto no mercado doméstico, quanto no mercado internacional. A atividade de comércio internacional está se tornando uma parte central da economia mundial, acarretando em uma maior necessidade para mensurar as atitudes dos consumidores com relação a produtos domésticos e estrangeiros. Dessa forma, muitos governos, associações de comércio, empresas e organizações públicas têm demonstrado bastante interesse nas atitudes dos consumidores com relação a produtos estrangeiros e aos problemas advindos da competição internacional.

As atitudes dos consumidores com relação a produtos constituem importantes considerações para delinear decisões estratégicas para os negócios, especialmente nas áreas de localização internacional de fábricas e de marketing. Tais atitudes podem ser um indicativo dos problemas de marketing enfrentados pelos produtos, em duas importantes formas. Em primeiro lugar, a preferência por produtos importados é considerada uma inimiga dos produtos fabricados domesticamente e da economia local. Em segundo lugar, a discriminação contra produtos importados em determinados países pode criar barreiras invisíveis para a globalização de uma empresa.

No Brasil existem históricos problemas relacionados ao fornecimento do couro. Como o couro é um subproduto da produção de gado para corte, realizada de maneira extensiva, essa prática gera a perda da qualidade do couro, em virtude das marcas das cercas de arame farpado, principalmente. Muitas vezes, até a marcação do gado indicando o proprietário é aplicada em local inadequado. Além disso, o setor de curtumes, responsável pelo tratamento do couro, também apresenta problemas de defasagem tecnológica, o que acaba se refletindo na qualidade da matéria-prima o calçado é constituído de uma parte superior denominada cabedal, e outra inferior, o solado. O cabedal, que cobre e protege a porção superior do pé, divide-se em três partes: gás peã (frente), lateral e traseiro. O solado é parte do calçado que se interpõe entre o pé e o solo. Complementam o cabedal e o solado vários outros componentes: contrafortes, palmilhas, biqueiras, tacões, saltos, almas-de-alço, calcanheiras, cadarços, lingüetas, ilho sés etc., os quais variam de acordo com o tipo, uso, modelo e o sistema de fabricação do calçado (SEBRAE, 2009).

Durante muitos anos os calçados foram feitos de couros, no entanto, atualmente, existem distintas matérias-primas que podem ser utilizadas na fabricação de calçados. Ruppenthal (2001) apresenta em seu trabalho alguns materiais utilizados na fabricação de calçados:

Couro - é considerado um material nobre, pode ser utilizado praticamente em todas as partes do calçado, mas normalmente sua utilização é no cabedal. As principais vantagens são a capacidade de amoldar-se, boa resistência ao atrito e maior vida útil. O couro de boi, devido sua maior oferta, é o mais empregado (cerca de 70% do total).

Materiais têxteis - tanto os tecidos naturais como os sintéticos são usados no cabedal e forros, além de possuírem preço mais atrativo, possuem características como leveza e flexibilidade. São empregados principalmente em calçados infanto-juvenis e em tênis.

Laminados sintéticos - são materiais construídos a partir de um suporte (tecido, malha) sobre o qual é aplicada uma camada de material plástico (PVC ou poliuretano). Materiais injetados - são utilizados na injeção de solados e saltos. O PVC (policloreto de vinila) é empregado na sola tem custo relativamente baixo. O Poliuretano (PU) é empregado em solas e entres solas, é durável, flexível e leve. O ABS (Acrylonitrile- Butadiene- Styrene) é utilizado especificamente na fabricação de saltos, por possuir ótima resistência ao impacto e à quebra. O TR (borracha termoplástica) é utilizado na produção de solas e saltos baixos.

Materiais vulcanizados - um desses materiais é a borracha natural, que possui excelente resistência ao desgaste, boa aderência ao solo, é leve e flexível. A EVA (copolímero de etileno e acetato de vinila) é um dos materiais mais utilizados no Brasil, é um material mais leve e macio para solas, podendo ser produzido em várias cores.

A indústria brasileira de calçados está distribuída espacialmente por todo o território nacional e a produção nacional aponta para a existência de aglomerações produtivas importantes, como as localizadas no Rio Grande do Sul e São Paulo, que são responsáveis por parcela considerável das exportações e dos empregos gerados no setor.

No entanto, recentemente, a região nordeste vem apresentando um desempenho de destaque na participação das exportações nacionais. Este fato se deve, principalmente, à quantidade maior de empresas instaladas na região. Por isso, é importante investigar como se dá a inserção destes produtores de calçados nas cadeias produtivas globais do setor.

Tabela 1 Exportações Brasileiras

Setor Histórico das Exportações Brasileiras

Período: Janeiro a Junho de 2003 a 2012

Valores em U$$ FBO

ANO

VALOR EXPORTADO

VAR. (%)

2003

772.540.786

*

2004

884.641.661

14,5%

2005

969.691.437

9,6%

2006

959.228.409

-1,1%

2007

998.089.599

4,1%

2008

1.018.399.050

2,0%

2009

728.672.382

-28,4%

2010

818.878.318

12,4%

2011

754.738.595

-7,8%

2012

627.026.341

-16,9%

Fonte: Secex/MDIC.

Elaboração: Centro Internacional de Negócios/FIEC.

Gráfico 4 – Evolução das Exportações Brasileiras do Setor Calçadista de 2003 a 2012

1.200.000.000

1.000.000.000

800.000.000

600.000.000

400.000.000

200.000.000

0

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Ceará - FIEC

2. ETAPA

A fabricação de calçados é uma típica indústria de bens de consumo, que utiliza muita mão-de-obra, em um mercado bastante concorrido. Baixas barreiras à participação de novas empresas na indústria de calçados tornam este setor permeável a um intenso ritmo de entradas e saídas. Por causa desta mobilidade, empresários com idéias novas encontram, no setor de calçados, um ambiente propício para o investimento. O setor vem mudando bastante, tanto por causa do ritmo da moda que dita tendências do mercado, como devido à evolução da tecnologia, que abre oportunidades para modificações no produto e seu design. Estas e outras características são apresentadas neste texto, que procura trazer informações úteis para as empresas estabelecidas e para potenciais empresários.

Analisando os dados, torna-se claro que a mão-de-obra e a matéria-prima são os principais itens na composição do custo dos produtos (o couro, o solado e a mão-de-obra representam mais de 60% dos custos de um sapato). Consideramos, portanto, acertada a escolha do método de custeio variável por essas empresas.

Sem dúvida, a mão-de-obra mais barata e abundante é um dos fatores que mais contribuíram para forçar a migração das unidades produtivas do Vale do Rio dos Sinos para o Nordeste. A indústria de calçados, principalmente aquela que se dedica aos calçados de baixo e médio valor unitário, como é o caso da região do Vale dos Sinos, por ser intensiva em trabalho, tem sua competitividade relativa afetada quando o fator salário é relativamente alto. A diferença de salários entre a média do Nordeste e o pago no Vale dos Sinos é muito grande. Enquanto na indústria de calçados do Nordeste, se paga, em média, um salário mínimo para cada trabalhador, no Vale, se paga de dois a dois salários e meio.

Todas as informações de custo utilizadas na análise têm como base as cotações de custo apresentadas pelas fábricas brasileiras para a empresa que está servindo de base para este estudo de caso. Essas cotações são, na verdade, trabalhos de pré-cálculo de custos, porque todas essas indústrias trabalham sob encomenda. Dessa maneira, é essencial elaborar procedimentos de cálculo que possibilitem determinar com antecedência o preço dos trabalhos a serem executados. Em geral são aproveitados da melhor forma possível os dados históricos que, projetados no futuro, possam oferecer soluções satisfatórias para o pré-cálculo, isto é, o cálculo antecipado do preço de venda de determinado calçado encomendado.

3. ETAPA

Os dados da contagem da população realizada pelo IBGE em 2007 informam que a população de Viçosa é de 52.770 habitantes, sendo a sua maioria, 68,13%, residente na zona rural, o que corresponde a 35.952 habitantes enquanto apenas 31,87% ou seja, 16.818 pessoas encontram-se na zona urbana. Em relação ao sexo há uma leve predominância masculina, com 50,70%, do total, e 49,30% do contingente da população é formada de mulheres.

População total por sexo

População total por Distrito

Masculino

Feminino

Distrito

Urbano

Rural

Total

26.754

26.016

______

16.818

35.952

52.770

50,70%

49,30%

______

31,87%

68,13%

100%

Fonte: IBGE/2007

Apesar de atual, a contagem da população não apresenta a sua distribuição desagregada por faixa etária e por município o que dificulta uma analise mais acurada dos demais aspectos sócio demográficos. Assim, a analise da população do Município de Viçosa, no âmbito deste plano, tem como referencia os dados do censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –IBGE e Instituto de Pesquisa do Ceará – IPECE/2003 De acordo com o censo 2000 tem-se que a população total de Viçosa é de 45.427 habitantes, sendo 31,87% na zona urbana e 68,13% na rural, com 50,70% do sexo masculino, e 49,30% do sexo feminino.

A migração de áreas rurais para urbanas é um fenômeno que também caracteriza o Brasil nas ultimas décadas, atingindo todas as regiões e unidades da federação. No caso de Viçosa, o seu início é registrado mais marcadamente nos anos 70, conseqüência da pobreza e da falta de infra-estrutura no campo e que adquire velocidade sem que o atendimento de infra-estruturar acompanhe esse crescimento resultando na ocupação urbana desordenada da sede do Município, em especial das áreas localizadas em sua periferia, gerando uma demanda reprimida por trabalho e serviços básicos de saúde, educação, moradia dentre outras. Esse cenário, aliado ao desemprego, contribuiu para a agudização da situação de vulnerabilidade das famílias residentes na cidade, em termos econômicos e sociais, pondo em risco a unidade desta instituição, com repercussões na sua dinâmica de funcionamento, com o esgarçamento de laços e vínculos, além da desestruturação e desestabilização de relações.

Por outro lado, a maioria da população, que permaneceu na zona rural, convive com as vicissitudes e dificuldades próprias da vida no campo, oriundas de questões estruturais relacionadas aos aspectos econômicos e sociais e às políticas públicas – nacionais, estaduais e municipais ainda insuficientes para enfrentar os desafios que se apresentam no âmbito da melhoria de vida das populações, e dos indicadores econômicos e sociais, em especial num município que se insere numa região e num estado com alto índice de pobreza, apesar do crescimento da economia local observado nos últimos anos e dos esforços nos investimentos no campo das políticas púbicas para mudar essa realidade.

O crescimento do PIB e da renda per capita municipal, na década de 90, ocorreu principalmente na sua segunda metade, quando a economia de Viçosa do Ceará cresceu acima da média estadual. Apesar disto, o PIB per capita municipal ainda encontra-se bem abaixo da média estadual. Em termos de segmentação, o setor terciário é o mais representativo, correspondendo, em 1998, a 73,15% do PIB total, enquanto o setor primário correspondia a 25,21% e o setor secundário a apenas 1,64% do PIB total.

Os dados do IPECE, através do Perfil Básico Municipal, informam que o PIB total do município corresponde a R$90.307,00 e o PIB per capita continua muito inferior ao do Estado.

No entanto é importante salientar que Viçosa integra o grupo dos quinze municípios com maiores taxas de crescimento nominal e que mais aumentou sua participação no PIB estadual, no período 2002-2005, passando de R$66.521, ou seja, 0,26% em 2002 para 0,30%, em 2005, o que corresponde a R$ 108.698,00, de acordo com estudo publicado em 2007 pelo IPECE, sobre o PIB dos municípios cearenses, dado que espelha um aumento de 63,40%, conforme a tabela abaixo, e o incremento dos setores básicos da economia local – a agricultura, indústria e serviços. A atual estruturação do PIB no município é baseada na produção de hortifrutigranjeiros, pecuária extensiva, atividades comerciais varejistas de pequeno a médio porte e serviços turísticos.

Na agricultura, destaca-se a hortifruticultura irrigada, resultado da reorganização do setor a partir da articulação de novos sistemas de produção, compatíveis com as peculiaridades geográficas, vocação e necessidades do mercado. Na pecuária, os plantéis pararam de crescer, com exceção do plantel de frangos que evolui bem no passado recente, assim como a produção de ovos. Destacam-se a bovinocultura de corte e leite, a piscicultura, a apicultura fixa e migratória, a avicultura de corte e postura, a caprinocultura de corte e leite, a ovinocultura e a suinocultura. Já o segmento extrativista vegetal é pouco representativo, fato justificado pela necessidade ecológica e legislação ambiental, ocorrendo ainda a exploração da lenha, cera, palha ou fibra de carnaúba, carvão vegetal e babaçu em amêndoa.

No setor industrial, encontram-se as indústrias de transformação, com destaque para os segmentos de bebidas e alimentos, no entanto sua contribuição no PIB local é o menos representativo. O maior potencial está na agroindústria (produção de laticínios, aguardentes e rapaduras, beneficiamento de carnes de aves, mel de abelhas e óleos vegetais em estado bruto).

No setor terciário, além do comércio, importante indutor na geração de empregos e caracterizado, em sua maioria, por micro-empresas, vislumbra-se o turismo como o grande potencial econômico municipal. Os Governos Estaduais e Municipais vêm envidando esforços na implantação de serviços de suporte ao turismo como alimentação, artesanato, receptivo e estabelecimentos hoteleiros, bem como a requalificação de serviços já existentes, representado por pequenos hotéis e pousado.

O setor terciário é o setor mais representativo no Município de Viçosa do Ceará, respondendo por 73,15% do PIB total do ano de 1998. Além do comércio, caracterizado por 6 empresas atacadistas e 446 estabelecimentos varejistas em 2000, conforme Tabela a seguir , destaca-se o turismo como o grande potencial econômico municipal.

Dentre os serviços, o turismo, especialmente o ecológico, esportivo e o cultural é estacadamente uma das atividades mais promissoras e que vem contribuindo para a melhoria dos indicadores econômicos locais com a implantação de serviços de suporte a turismo como alimentação (restaurantes, bares e lanchonetes), incremento do artesanato (areia, argila, cerâmica, corda e palha), os receptivos e estabelecimentos hoteleiros.

A existência de riquezas naturais no município como Pedra do Itagurussú, a Fonte do Caranguejo, a Pedra do Machado, a Fonte do Itacaranha, Lajes, a Cascata do Pirapora, o Poço a Princesa, a Cachoeira do Itarumã, entre outros, e a presença de mirantes, quedas d'água, trilhas, encostas estimulam o desenvolvimento do turismo ecológico e esportivo. A riqueza histórica e arquitetônica, a presença de inscrições rupestres no distrito de Manhoso, o artesanato e o casario preservado e tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional - IPHAN incentivam o turismo cultural do município, incrementado ainda pelo sabor da culinária artesanal dos doces, licores e pela beleza do artesanato local.

Localizado na Ibiapaba, região turística do Ceará, o turismo de Viçosa é incrementado pela existência da Rede Integrada de Turismo da Ibiapaba, integrada por membros da Cadeia Produtiva do Turismo, importante iniciativa na consolidação das estratégias locais para o setor. Dos estabelecimentos que compõem o setor produtivo de Viçosa, 83% são microempresas e dentre aqueles criados entre 1999 e 2000, 93% são classificados nessa categoria, com base no recolhimento tributário da receita federal.

Apesar do registro de crescimento da economia local, os indicadores sociais de Viçosa não apresentam resultados satisfatórios e apontam para sérios problemas do ponto de vista da renda e qualidade de vida das famílias. Segundo o IBGE /2000, 35,50% da população economicamente ativa, percebe ate um salário mínimo enquanto 54,85% declararam não ter renda, conforme detalhamento na tabela abaixo, o que expõe a situação de pobreza e vulnerabilidade das famílias do município.

Distribuição da Renda da População acima de 10 anos de idade

Renda

População

%

ATÉ 1 SM

11.716

35,50

1 à 2 S M

1.990

6,02

2 à 3 S M

391

1,18

3 à 5 S M

365

1,10

5 à 10 S M

315

0,95

10 à 20 S M

106

0,32

+ 20 S M

28

0,08

Sem Renda

18.149

54,85

Total

32.725

100,00

Fonte: IBGE /2000

Quanto às contas municipais, sua análise permite concluir que o município de Viçosa do Ceará apresenta pequeno nível de endividamento e boas condições de investimento. O crescimento na arrecadação tributário e no item transferências corrente representa um potencial a ser considerado, e revela um esforço no desenvolvimento de importantes estratégias tanto voltadas para melhoria de infra- estrutura (água, luz, estradas, incremento na economia, como no âmbito de implementação de políticas públicas, com capacidade de gerar resultados positivos para a população.

4. ETAPA

O setor calçadista brasileiro tem um forte impacto social no País. Esta é uma das conclusões do Brasil Calçados 2012 – Relatório Setorial da Indústria de Calçados do Brasil, lançado, durante coletiva de Imprensa realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. A publicação, que está na sua terceira edição, foi elaborada pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), com o apoio institucional da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e patrocínio do Sebrae Nacional, apontou que 3,3% dos trabalhadores alocados na produção industrial em 2011 foram procedentes do setor de calçados. Os empregos diretos somaram 335,5 mil postos de trabalho no ano passado. Contudo, este saldo foi 3,2% menor em relação a 2010, quando a indústria calçadista empregou 348 mil trabalhadores.

A pesquisa também indicou que o setor calçadista nacional reduziu 8,4% o volume de calçados produzidos em 2011 em comparação com o ano anterior. Os 8,2 mil estabelecimentos voltados para a fabricação de calçados produziram no ano passado 819 milhões de pares, contra os 894 milhões de 2010. Em valores monetários, a produção calçadista gerou divisas de R$ 21,8 bilhões, o que equivale a 1,09% do valor total da produção da indústria brasileira de transformação (excluindo a extração mineral e a construção civil).

Os investimentos realizados em 2011 somaram R$ 521 milhões e foram destinados para a modernização do parque industrial, principalmente através da aquisição de máquinas e equipamentos (58%) e em P&D (31%). Segundo Heitor Klein, diretor executivo da Abicalçados, este relatório é estratégico, pois comprova a importância da adoção de políticas de desenvolvimento que impeçam a desindustrialização do setor, hoje estimulada pelo desequilíbrio cambial e pela entrada acentuada de calçados importados. Para Marcelo Prado, diretor do IEMI, o Brasil Calçados ajuda a compor um panorama do destaque econômico e social do setor na indústria de transformação do País.

O Brasil Calçados 2012 evidencia também a diversificação da produção nacional. Couro, borracha, tecidos e artigos exóticos são componentes utilizados pelo setor, que atua em todos os segmentos de produtos.

A pauta da produção brasileira é dominada pela linha de calçados de plástico/borracha, na qual se inserem chinelos e sandálias, detendo 53% da produção nacional. Dos 819 milhões de pares produzidos no ano passado, 434 milhões foram neste segmento. Os calçados em couro representaram 29% da produção nacional, isto é, 237,5 milhões de pares, seguidos pela linha de esportivos, com 10%. As fábricas voltadas para esta área produziram 81 milhões de pares. Calçados produzidos com outros materiais participam com 8%.

A pesquisa deste ano contém um dado inédito, que é o da distribuição da produção por gênero. Os modelos femininos responderam por 56% do total fabricado no País em 2011, enquanto os sapatos masculinos detiveram uma participação de 21%. Os calçados infantis e bebês apresentaram um percentual de 20,5%, enquanto os calçados considerados unissex ficaram com uma fatia de 3%.

O Brasil é considerado o oitavo maior exportador de calçados do mundo. Porém, as empresas exportadoras vêm enfrentado problemas de competitividade no mercado exterior devido à excessiva valorização da moeda nacional. O relatório Brasil Calçados 2012 revela que em 2011 foram exportados 113 milhões de pares, uma queda de 21% sobre o ano anterior. O faturamento reduziu 13% em comparação com o ano anterior e as divisas ficaram em US$ 1,3 bilhão.

Dentre os principais compradores de calçados brasileiros em valores monetários, os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar, com 18,2% de participação sobre o total faturado pelo Brasil. A Argentina ficou em segundo lugar, com 15% e o Reino Unido em terceiro, com 7,5%. Já em volume, o ranking ficou alterado. Argentina e Paraguai praticamente empataram, com 12,2% e 12,1% de participação, respectivamente, sobre o total dos 113 milhões de pares exportados no ano passado. Os Estados Unidos, por sua vez, foi o terceiro maior importador, com 11,6 milhões de pares.

Em 2011, o Brasil elevou em 40% o pagamento e em 19% a quantidade em calçados importados em comparação com o ano anterior. Conforme o relatório, os importadores trouxeram do exterior 34 milhões de pares e pagaram US$ 427,7 milhões. Os principais fornecedores em pares foram o Vietnã e China, que empataram com 30,7% de participação sobre o total. O terceiro lugar ficou com a Indonésia, com 16,3% de participação.

Em volume financeiro, a posição do ranking se altera. O Vietnã continua em primeiro lugar, mas a Indonésia foi para o segundo lugar e a China em terceiro, respectivamente com 22,5% e 16,4% de participação.

Dólar em baixa, carga tributária excessiva, juros em ascensão. Estes são alguns dos motivos que empresários e líderes do setor coureiro-calçadista apontam como causa da preocupação que ronda o segmento em relação aos negócios o. "O Brasil está indo para um caminho diferente do que o setor produtivo esperava. O País está propício à especulação e não ao desenvolvimento", lamenta o presidente da Abrameq, Raul Ludwig, que se diz incrédulo diante da decisão do Conselho de Política Monetária (Copom), anunciada dia 20, de manter a política de elevação da Selic. A taxa básica de juros, ao contrário do que se esperava, foi elevada para 19,5% ao ano. "Pelo menos somos os primeiros do mundo em alguma coisa", ironiza Ludwig, referindo-se ao fato de que a taxa Selic brasileira é a mais alta do planeta. Pior que isso, a pontam empresários, é que os problemas não param por aí. Enxugar custos, investir em qualidade e produtividade, além de se unir para reivindicar melhores condições aos governos, são as soluções apontadas para manter-se competitivo. Tantos fatores desfavoráveis, no entanto, não ofuscaram os bons resultados da 29ª Fimec, que inclusive deve contribuir para o melhor desempenho do setor no próximo semestre.

"Tivemos um resultado 15% abaixo do esperado no primeiro trimestre deste ano", revela o gerente para América Latina da Divisão Couro da Clariant, José Fernando Belo. O aumento do petróleo, que reflete nos insumos; o dólar baixo, a precariedade de serviços como o transporte e o excesso de tributos são os fatores mais preocupantes hoje no Brasil. "O empresariado tem feito verdadeiros milagres. Tecnologia nós temos, trabalhadores todos somos, mas a conjuntura não ajuda", desabafa. Para ele, o investimento em produtividade e a busca constante de redução de custos são as medidas que os empresários podem tomar para reduzir seus problemas.

Quanto aos problemas que o setor vem enfrentando, Kunst diz que "devemos fazer tudo que depende de nós". Ele se refere a buscar apelos de venda que não tenham como base o preço, mas sim a qualidade e o valor agregado, além de enxugar custos. "Mas isso pode não ser suficiente, e se a situação atual se mantiver por muito tempo realmente não será. E aí o que vai acontecer é uma queda grande nas exportações e outros prejuízos ao setor".

Empresáriosdo setor calçadista projetam crescimento de apenas 1,6% na produção de calçados em relação a 2008, devido à crise financeira mundial. Nem mesmo a elevação do valor do dólar em relação ao Real ajuda porque muitos insumos são importados e cotados na moeda norte-americana.

As constantes oscilações do dólar, geradas pela crise financeira norte-americana, têm preocupado empresários do setor calçadista. Se a sobrevalorização do real frente à moeda era o problema para o setor, agora a história mudou. Com a alta do dólar, ocorre a elevação dos insumos, cuja maior parte ainda é importada, além da ameaça de inflação.

Marcelo Sobrinho, diretor de comércio exterior de uma das maiores produtoras de calçados de Jaú, afirma que é inevitável, para o setor calçadista, ser afetado pela crise financeira dos EUA, já que a economia atual é globalizada. “Apesar de vendermos para países da América do Sul, o mercado mundial está retraído, portanto é óbvia uma queda nas exportações do setor”, explica Sobrinho. “Além disso, importamos serviços de outros países; a crise também vai custar para nós”, acrescenta o diretor.

Segundo Emilena Lorenzon, coordenadora de Gestão de Informação e Conhecimento do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú (Sindicalçados), é projetada uma queda no crescimento da produção do setor em 2008 pelos economistas; em 2007, o registro de aumento foi de 7,3%; este ano não deve passar de 1,6%. Ela também destaca que o preço do produto no mercado interno deve sofrer um pequeno aumento nas próximas coleções, como forma de compensação de perdas.

Lorenzon diz que o momento do mercado mundial é favorável para empresas do setor calçadista que não fecharam contratos de exportações, pois podem beneficiar-se de uma moeda valorizada assim que o mercado voltar a consumir nos padrões anteriores.

“Há uma preocupação em relação aos mercados do hemisfério norte, que são os compradores ais representativos dos calçados brasileiros”, diz Klein. E menciona a crise na zona do euro, região que compra em torno de 35% do valor exportado em calçados pelo Brasil. Para ele, ainda é incerto o impacto que essa crise terá na demanda européia. “As feiras internacionais começam na segunda quinzena de janeiro e somente a partir daí teremos idéia do que deve acontecer.

O setor calçadista brasileiro formou-se ao longo dos séculos XIX e XX, conseqüência do processo de colonização alemã, da oferta de matéria-prima oriunda da criação de gado (e produção de charque), no caso do Rio Grande do Sul, e do rápido processo de industrialização brasileiro. Ao longo de décadas ganhou a feição de um cluster, ou seja, uma estrutura produtiva setorial que estabelece relações entre si e com o entorno a partir de uma base regional, ao mesmo tempo em que alcançou o mercado externo a partir dos anos 1960-70. Os subsídios governamentais e o baixo custo de mão de obra e dos insumos deram vantagem competitiva ao Brasil. Este fato e o dinamismo da economia nacional das décadas seguintes fizeram as exportações brasileiras, segundo a Abicalçados, saltar de 4 milhões de pares em 1970 para 201 milhões em 1993, antes do Plano Real.

Entretanto, a política econômica liberalizante dos anos 1990 imprimiu dificuldades ao parque produtivo brasileiro, especialmente ao setor calçadista. Apesar do controle da inflação, o período preservou o desequilíbrio fiscal, gerou uma quase estagnação do comércio exterior (que passou de 96,4 para apenas 107,6 bilhões de dólares entre 1995 e 2002). Era o resultado de uma combinação nociva de altos juros (com picos de mais de 45% e média de 21%), abertura comercial sem contrapartidas e planejamento (ou seja, com reforço do protecionismo e apoio às indústrias nacionais nos países centrais), elevação da carga tributária, valorização cambial, restrição do crédito e baixos investimentos em logística. Além do endividamento (de 30% para cerca de 60% do PIB), da redução da taxa de investimento (em torno de 17%), do crescimento do desemprego, o país apresentou déficit nas transações correntes acumulado de quase 190 bilhões de dólares e déficits comerciais de cerca de 24,5 bilhões no período da paridade cambial (1995-2000). Além de baixo crescimento econômico, o resultado foi à crise em 1999, que fez o Brasil recorrer ao FMI para obter 41 bilhões de dólares e manter-se estável (BRESSER-PEREIRA, 2007).

No caso do setor calçadista, a combinação de abertura comercial e valorização cambial prejudicaram o desempenho da indústria (SILVESTRIN; TRICHES, 2008). As exportações declinaram durante o período de paridade cambial, chegando a 131 milhões em 1998, nível inferior a 1984 (144 milhões). Na verdade, os 201 milhões de pares exportados em 1993 foram ultrapassados somente em 2004, quando alcançou 212 milhões de pares (ABICALÇADOS, 2009). Entre 1993 e 1998 houve uma redução também no número de empregados diretos de 72,9 mil (passando de 257,6 mil para 184,7 mil trabalhadores ocupados) e de estabelecimentos de 2.030 (passando de 8.066 para 6.036), sobretudo de pequenas empresas, conforme informou o RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). Somente depois de 2000 o setor passou a ter uma recuperação no número de empresas e no total de empregados.

Como conseqüência, as respostas foram, de um lado, a modernização produtiva, o aprimoramento dos produtos e a diversificação dos mercados e, de outro, a busca de redução de custos em outros estados da federação (Ceará, Bahia, etc.), o que incluía linhas de crédito para a exportação, isenções tributárias (ICMS) e vantagens infraestruturais (terrenos, energia, etc.), terceirização da mão de obra (cooperativas de trabalho).

No caso da terceirização, foi recorrente a precarização das condições de trabalho, sem necessariamente devolver o dinamismo e a competitividade ao setor. Cabe questionar se esta é uma boa estratégia para o setor e para o desenvolvimento do País, afinal a trajetória dos países desenvolvidos revela, historicamente, a combinação de melhora da produtividade com elevação das condições salariais e sociais. E nos países asiáticos não tem sido diferente.

A produção de calçados do Brasil vem diminuindo nesse quadro de instabilidade e crise. Em 2003, foram produzidos 897 milhões de pares e exportados 189 milhões, já em 2008 o total produzido recuou para 804 milhões, com exportação de 166 milhões de pares (ABICALÇADOS, 2009). Nem mesmo as transformações produtivas do setor, o fim da paridade cambial e a imposição de restrições aos calçados chineses (sobretaxas de US$ 13,85 o par) foram suficientes para devolver o dinamismo anterior à produção calçadista.

As dificuldades brasileiras somaram-se ao enorme dinamismo das economias asiáticas, sobretudo a China e o Vietnã. No caso da China, o volume de produção é elevado: em 2005 o país produziu 9 bilhões de pares e, em 2007, mais de 10,2 bilhões. O crescimento chinês nesses 2 anos é uma vez e meia a produção calçadista atual do Brasil, construída ao longo de um século e meio. Enquanto a produção e as exportações brasileiras mantiveram-se estagnadas, as importações cresceram de 5 milhões de pares, em 2003, para 39 milhões, em 2008.

Com efeito, a China não somente tornou-se o principal fornecedor, como passou a exercer papel principal em mercados onde o Brasil tinha vantagens competitivas. A origem das importações brasileiras tem a China como fornecedora de mais de 85% dos pares, seguido do Vietnã com mais de 8% em 2008. Os Estados Unidos, por exemplo, representavam mais de 70% das exportações brasileiras em 1990 e, em 2008, representavam cerca de 22%.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em face do cenário macroeconômico prospectado, pode-se depreender que o crescimento da economia brasileira dependerá mais fortemente, neste e nos próximos quatro anos, do dinamismo do mercado interno. Embora o país continue exportando calçados, os preços desse produto tendem a arrefecer, em função do desaquecimento da economia global.

Conforme foi possível constatar, a economia dos Estados Unidos vem se recuperando lenta e gradativamente da crise de 2008, pouco contribuindo para o crescimento mundial. Além disso, percebe-se também certa desaceleração do ritmo de crescimento da economia chinesa e continuidade da crise na Zona do Euro, que pode se intensificar, a depender do processo de implementação dos programas de austeridade fiscal, elaborados para os países com elevadas dívidas soberanas, uma eventual ruptura do Euro, a depender da evolução da crise, certamente causaria sérios impactos à economia mundial, tanto nas transações comerciais quanto no mercado financeiro, gerando retração na liquidez e conseqüente escassez (e encarecimento) do crédito, prejudicando os países emergentes, como o Brasil.

Diante desse quadro, as perspectivas para as empresas exportadoras brasileiras não são tão otimistas quanto se desejaria, em que pese à recente desvalorização cambial (real mais desvalorizado em relação ao dólar) e os esforços do governo, com a implementação do Plano Brasil Maior, por exemplo, objetivando aumentar a competitividade dessas empresas e das que vem enfrentando forte concorrência com os produtos importados.

Já no mercado interno, a expectativa é de que os aumentos, em termos reais, da renda do trabalhador e do salário mínimo, aliados ao crescimento do mercado de trabalho, embora em ritmo menor que o observado nos anos anteriores, continue a dar sustentação ao crescimento do PIB, da ordem de 4,0% a. a., nos próximos quatro anos, puxando as micro e pequenas empresas que atuam, principalmente, neste setor.

6. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

ABICALÇADOS - Associação Brasileira da Indústria de Calçados - Resenha estatística via Internet. Disponível em: <http://www.abicalcados.com.br/>. Acesso em 14 mar. 2005.

ABICALÇADOS. Resenha Estatística. 2009. Disponível em: http://www.abicalcados. com.br/documentos/resenha_estatistica/Resenha%20Estatistica%202009%20 -%20Final%20Site.pdf Acesso em: 18 de abril de 2010.

CORRÊA, A. R. O complexo coureiro-calçadista brasileiro. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 14, 2001.

BRESSER-PEREIRA, Luiz. Macroeconomia da estagnação. São Paulo: Ed. 34, 2007.

WATANABE, MARTA, Valor Econômico, Setor calçadista aguarda as anunciadas medidas de apoio à exportação Ed.2012

ASSINTECAL (s.d.) Quantificação da produção da indústria calçadista. Novo Hamburgo:

Associação Brasileira de Indústria de Componentes para Couro e Calçado.

VASCONCELOS, Marco Antonio S.; GARCIA, Manuel E. Economia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

Garcia, Renato de Castro - "AGLOMERAÇÕES SETORIAIS OU DISTRITOS INDUSTRIAIS: UM ESTUDO DAS INDÚSTRIAS TÊXTIL E DE CALÇADOS NO BRASIL", Campinas 1996.

SEBRAE - SP, Análise Setorial das Indústrias de Calçados

Soárez, Veridiana, Coordenadora de Inteligência Comercial, Estudo Setorial, Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC.

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