Monografia - A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM FRENTE ÀS TENDÊNCIAS ATUAIS DE EDUCAÇÃO PARA O ENSINO SUPERIOR.

Monografia - A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM FRENTE ÀS TENDÊNCIAS ATUAIS DE EDUCAÇÃO...

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METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR
JUCILENE FELTRIN
ATUAIS DE EDUCAÇÃO PARA O ENSINO SUPERIOR

A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM FRENTE ÀS TENDÊNCIAS CRICIÚMA, ABRIL DE 2008.

ATUAIS DE EDUCAÇÃO PARA O ENSINO SUPERIOR

Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, para a obtenção do título de especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior.

Orientadora:

. M.Sc.Vera Maria Silvestri Cruz

Profa CRICIÚMA, ABRIL DE 2008.

Dedico este trabalho à minha filha Yasmin, razão da minha vida, que me dá forças para nunca desistir do meu caminho.

Agradeço primeiramente a Deus, que sempre me guiou dando-me forças para alcançar os objetivos e ultrapassar as barreiras que surgiram no decorrer do caminho.

Aos meus pais Zulma e Zulino, que sempre me incentivaram, devo a eles tudo o que sou e sei.

À professora Vera Maria Silvestri Cruz por me ajudar na elaboração desta monografia.

À Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina e ao Curso de Pós Graduação que oportunizaram a realização deste trabalho.

“[...] insucesso e erro, em si, não são necessários para o crescimento, porém, uma vez que ocorram, não devemos fazer deles fontes de culpa e de castigo, mas trampolins para o salto em direção a uma vida consciente, sadia e feliz.” Cipriano C. Luckesi

A avaliação é um processo que direciona toda a atividade pedagógica do professor e da Universidade. Muitos professores ainda sofrem reflexos de uma avaliação tradicional em que a nota é relevante e não o processo de aprendizagem. Estudar esse tema complexo nos permite aperfeiçoá-lo diante das atuais metodologias de ensino aprendizagem. Se a avaliação não for suficiente de nada adianta todo o processo e esforço na mediação do conhecimento. Nesse trabalho se discutiu questões voltadas à avaliação do processo de ensino – aprendizagem no Ensino Superior. Buscou-se ampliar os conhecimentos acerca do assunto, por meio de estudos teóricos, com ênfase na avaliação processual, bem como seu contexto histórico na educação brasileira. Esse estudo foi desenvolvido adotando-se a metodologia de pesquisa qualitativa tipo exploratória e descritiva. Buscou-se direcionar o olhar investigativo sobre a condução do processo de avaliação pelos professores de universidades privadas dos municípios de Criciúma e Tubarão/SC e seus resultados sobre a aprendizagem dos alunos. O instrumento utilizado foi o questionário com questões abertas com o objetivo de desvelar as concepções teóricas e práticas dos professores que permeiam seu cotidiano. Os dados coletados foram organizados em categorias e analisados a partir do referencial teórico estudado. Observou-se que a maioria dos professores não conhece a avaliação como um processo e utilizam o formato tradicional com seus alunos, sendo esta isolada, não fazendo parte do contexto. Não há um modelo específico para se avaliar, a teoria é rica em experiências, que nos auxiliam na construção de novas formas de avaliar conforme o contexto atual, a regra é: propor situações de melhoria contínua. Concluímos que para que a avaliação seja realizada de forma plena é preciso que o professor saiba compreender o aprendizado do aluno, interpretar suas respostas e considerar seus erros como passos para acertos.

. Palavras-chave: Avaliação; Ensino Superior; Aprendizagem.

Figura 1 – Fotografia da Universidade do Sul de Santa Catarina5

LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 2 – Fotografia do Senai CTC Mat....................................................................56

1 INTRODUÇÃO1
2 A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: PERCURSO HISTÓRICO14
3 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: TENDÊNCIAS ATUAIS16
4 PROCESSO DE AVALIAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR2
5 METODOLOGIA26
6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS28
CONCLUSÃO42
REFERÊNCIAS4
APÊNDICE A – Questionário Aplicado na Pesquisa de Campo46
1 INTRODUÇÃO
um autoritarismo que não deve mais fazer parte da metodologia de ensinoAo

Atualmente quando analisamos qualquer sistema de avaliação utilizado pelo professor, percebemos que suas determinações são adotadas como reflexo de adotar esta prática de “poder” o professor está inibindo o desenvolvimento da autonomia desses jovens e crianças.

Esse autoritarismo deve ser controlado, é de suma importância que sua postura seja revista e transformada numa atitude em que os professores sejam capazes de avaliar seus alunos em todas as situações de aprendizagem, ou seja, que a avaliação seja um processo.

É por meio das respostas dos alunos que descobrimos como ocorre sua elaboração conceitual, elas revelam, muitas vezes soluções curiosas. Nem sempre podemos encontrar explicações em todas as ocasiões, mas sobre estas, podemos refletir sobre as diversas possibilidades do educando ser levado a formular a resposta daquela maneira.

Nesse contexto, está situado nosso problema de pesquisa, assim definido: Como é desenvolvida a avaliação da aprendizagem no ensino superior, frente às tendências atuais de educação?

Com base nele, nosso objetivo principal é: Analisar qual a compreensão pessoal, do professor universitário sobre o processo de avaliação da aprendizagem.

Os objetivos específicos são: Conhecer as atitudes dos professores do ensino superior no processo de avaliação da aprendizagem, frente às tendências atuais da educação.

Analisar as diversas formas empregadas para desenvolver a avaliação tendo em vista a aprendizagem significativa dos acadêmicos;

É, pois necessário, em nosso entendimento que o professor possa adotar metodologias adequadas para a construção de uma avaliação inovadora, propondo modelos a serem utilizados para ajudar os alunos a melhor compreender o processo de avaliação da aprendizagem.

Dessa forma deve instrumentalizar-se utilizando adequadamente a prova ou qualquer outro instrumento avaliativo, pois se o aluno apenas responder questões cujas respostas são sempre sugeridas pelo professor ou ainda se são textos lidos, tais respostas não significarão um entendimento próprio, não representa desenvolvimento do conhecimento.

A forma de correção dos testes e tarefas avaliativas sugere desde cedo, que se deve agir em direção à aprendizagem dos alunos onde possam expor suas idéias e reflexões.

A metodologia tradicional induz os jovens à elaboração de respostas que o professor espera que sejam elaboradas, por eles. Assim, tornam-se absolutamente passivos diante de posturas autoritárias de correção dos professores. Dificilmente há discussão diante de uma resposta que considerem erroneamente retificadas, de uma idéia que lhes pareça lógica e aprendem a “decorar” linha por linha do texto indicado. Ou pior, rebelam-se em silêncio, cumprindo as regras, para sobreviver ao sistema de controle.

a)A formação acadêmica lhe permitiu ser conhecedor dos processos de

Visando o detalhamento deste problema, apresentamos como questões norteadoras: avaliação incluindo: o respeito pelo saber elaborado pelo aluno, partindo de ações desencadeadoras de reflexão sobre tal saber, desafiando-o a evoluir, encontrando novas e diferentes soluções as tarefas sucessivamente apresentadas? b) De que forma o professor oportuniza os seus alunos em muitos momentos de sua aula em expressar suas idéias? c) O material bibliográfico na entidade apresenta informações referentes ao ato de avaliar? d) O professor possui um feed back do seu trabalho acadêmico?

Para alcançar os objetivos e responder às questões norteadoras, buscamos embasamento teórico a partir dos autores: Hadji(2001), Esteban (2002), Hoffmann (1991), Moretto (2005), Luckesi (2001), Masetto (2001).

A idéia para a realização desta pesquisa surgiu a partir de uma série de questionamentos sobre avaliação, levantados em sala de aula, mais especificamente na disciplina de Avaliação no Ensino Superior.

O tema escolhido foi considerado de importância fundamental para que possamos desempenhar com competência o papel de educadoras e também contribuir para que outros colegas consigam compreender melhor qual o sentido da avaliação e sua função no processo de aprendizagem.

Nesse estudo sintetizamos na primeira parte a revisão bibliográfica: o percurso histórico da aprendizagem e as tendências atuais. Este último tema será muito valorizado, pois muitos professores difundem que as atividades devem ser entendidas simplesmente na “prática” e a teoria fica oculta.

Na segunda parte desenvolvemos nossa pesquisa de campo tendo como público os professores do nível superior. Na terceira e última parte relacionamos as conclusões/sugestões.

14 2 A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: PERCURSO HISTÓRICO

O tema Avaliação tem sido objeto de muitas pesquisas, todos buscando melhorar a qualidade de nossa educação. Essa revisão bibliográfica busca dar suporte ao nosso estudo e estará dividida em três partes: A avaliação da aprendizagem: percurso histórico; tendências atuais e educação para o ensino superior.

Para estudar o tema “Avaliação” se faz necessário entender sua evolução durante os anos e os contextos em que cada modelo está inserido.

A tradição dos exames escolares, tem suas raízes, segundo Luckesi (1998) nas atividades pedagógicas produzidas pelos padres Jesuítas (século XVI) e por Comênio (século XVII). As regras para realização dos exames são bem definidas e seus traços se propagam até hoje, podemos assim exemplificar: “todos terão que ter seu próprio material, não poderão emprestar aos colegas, após entregar a prova deverão sair imediatamente da sala e não terão o direito de receber as provas após a correção do mestre”, no rigor e no cerimonial que envolve o momento da prova.

Em 1657, Comênio, alega que as provas são condições necessárias para que o aluno estude. Atribui ao poder público a nomeação de um Escolarca, para avaliar as escolas.Segundo Luckesi (1998), destas duas pedagogias, surge o que hoje chamamos de Pedagogia Tradicional.

O questionamento sobre o porquê continua assim até hoje, tem como resposta o modelo Burguês de sociedade, cujo poder é centralizado e hierarquizado.

Em 1789, com a Revolução Francesa, a sociedade se organiza em torno da economia de capital, apresenta uma organização política dominante que favorece seus interesses com a exclusão das maiorias populacionais. O Bonapartismo é o modelo burguês de organização política da sociedade. Relacionando com a prática escolar de avaliação, o professor está no poder, toma as decisões no momento da avaliação, e aprova ou reprova. O educando está submisso e teme a exclusão, tal qual o que ocorre no sistema de governo.

Nos primeiros anos da década de 20, surge nos Estados Unidos os exames – testes padronizados - movimento que influenciou o Brasil. Os testes passaram a enfatizar a medida do comportamento humano, resultando em avaliações padronizadas para medir habilidades e aptidões dos alunos.

No início dos anos 60, a educação se volta para o mercado de trabalho, visando a formação profissional para suprir o mercado, aplica-se a pedagogia tecnicista.

Em 1978 a “avaliação por objetivos” desenvolvida por Tyler se caracteriza como método que permite verificar se os objetivos estão sendo atingidos pelo sistema de ensino. Nessa direção é que se desenvolveram no Brasil estudos referentes à avaliação da aprendizagem.

Nos anos 80, surge no Brasil um movimento de valorização do conhecimento sobre o funcionamento interno da escola (Sousa, 1997). Este estudo permitiu uma reflexão sobre a avaliação e seus objetivos. A literatura evidencia que é função da avaliação diagnosticar e estimular o avanço do conhecimento. Em 1979, o retorno ao Brasil dos exilados políticos aponta para um novo quadro. Na área educacional, Paulo Freire, destaca com sua contribuição por meio da Pedagogia Libertadora, cujos componentes essenciais são: consciência, diálogo e ideologia. A ênfase deste educador está no diálogo, na curiosidade e no estímulo permanente aos questionamentos.

16 3 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: TENDÊNCIAS ATUAIS

A avaliação não é uma tarefa simples, pois entende-se que deva subsidiar o processo de construção do conhecimento dos educandos e de seus próprios valores. Nesse entendimento, o conceito de avaliação como medida de conhecimento e classificação necessita ser revisto e substituído por outro. Essa prática é possível de ser vivenciada por meio das discussões em sala de aula, do diálogo entre professores e alunos, para que se possa atingir concretizar a relação da leitura da palavra e a leitura do mundo.

“Quando questionamos os modelos de avaliação a serem adotados, não poderemos ser influenciados pela nossa história de vida”, (HOFFMANN, p.12, 1991) afirma a autora. Observa-se que grande parte dos professores age assim, pois as marcas de um passado que trazem e normas já estabelecidas são reflexos até nos dias de hoje na questão avaliação.

Segundo Hoffmann (1991), é preciso que o educador questione as tarefas a serem propostas ao aluno “centena de vezes”. Estes questionamentos se fazem necessários que sejam citados em nosso texto:

Em que medida a tarefa proposta possibilita ao aluno a organização de idéias de forma própria, individual? O questionamento realizado permite a construção de variadas alternativas de solução?Qual relação que a tarefa sugere com estas outras áreas do conhecimento?As ordens dos exercícios são suficientemente claras, esclarecedoras ao aluno em termos das possibilidades de respostas?(HOFFMANN,1991, p.57).

deste fluxo

Sendo assim, o processo de avaliação orienta os alunos à produção de um saber por meio de leituras, visitas a campo, dessa forma é possível ter o aprofundamento ao tema exposto e o fechamento se dará com a concreticidade

Hoffmann (1991), fundamenta seu trabalho na abordagem construtivista de Piaget. Denomina de avaliação mediadora, aquela que considera cada aluno em sua individualidade, utiliza–se de pareceres descritivos, por meio de relatórios com as informações sobre o crescimento de cada aluno. Considera a avaliação como parte essencial na educação permeando todos os momentos em sala de aula. A autora também relata que a avaliação é essencial à educação, e que deve fazer parte de todos os momentos em sala de aula e não ser isolada. Defende o posicionamento que, além de servir para conhecer os alunos e os professores:

Mais especificamente, uma avaliação mediadora envolveria um complexo de processos educativos (que se desenvolveram a partir da análise das hipóteses formuladas pelo educando, de suas ações e manifestações) visando essencialmente o entendimento. Tais processos mediadores objetivariam encorajar e orientar os alunos à produção de um saber qualitativamente superior, pelo aprofundamento às questões propostas pela oportunização de novas vivências, leituras ou quaisquer procedimentos enriquecedores ao tema em estudo. (HOFFMANN, 1991, p.72.)

Quando falamos em erros e acertos, Hoffmann (1991) considera que deve ser feita a inversão da hierarquia uma vez que os acertos são valorizados e os erros, punidos. Para iniciar uma avaliação mediadora este aspecto deverá ser enfatizado e superado.

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