ESPÉCIES ARBÓREAS DE USO ESTRATÉGICO PARA AGRICULTURA FAMILIAR

ESPÉCIES ARBÓREAS DE USO ESTRATÉGICO PARA AGRICULTURA FAMILIAR

(Parte 1 de 7)

(lista preliminar, agosto 2011, inédito)

Paulo Brack, Martin Grings, Valdely Kinupp, Gustavo Lisboa, Ingrid Barros .

CAMBOATÁ-BRANCOMatayba guyanensis Aubl.
CANJERANACabralea canjerana (Vell.) Mart.
CAROBINHAJacaranda puberula Cham.

AÇOITA-CAVALOLuehea divaricata Mart. ANGICO-VERMELHOParapitadenia rigida (Benth.) Brenan ARAÇAZEIROPsidium cattleyanum Sabine AROEIRA-VERMELHA Schinus terebinthifolius Raddi BICUÍBAVirola bicuhyba (Schott) Warb. BUTIAZEIROButia capitata (Mart.) Becc CAIXETASchefflera morototonii (Aubl.) Mag., Steyerm. et Frod CANELA- AMARELA Nectandra lanceolata Nees CANELA -FERRUGEM Nectandra oppositifolia Nees CANELA-GUAICÁOcotea puberula Nees CAROBAJacaranda micrantha Cham. CEREJEIRA-DO-MATOEugenia involucrata DC. CEDRO-ROSACedrela fissilis Vell. COQUEIRO-JERIVÁSyagrus romanzoffiana (Cham.) Glassm CORTICEIRA-DO-BANHADO Erythrina cristagalli L. EMBIRUÇUPseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns GRINDIÚVA Trema micrantha (L.) Blume INGÁ-FERRADURAInga sessilis (Vell.) Mart. INGÁ-FEIJÃO Inga marginata Willd. IPÊ – AMARELO-DA-PRAIAHandroanthus pulcherrimus (Sandwith) Mattos IPÊ-ROXO Handroanthus heptaphyllus (Vell.) Mattos.

LICURANAHieronyma alchorneoides Freire Allemão

LOURO-PARDOCordia trichotoma (Vellozo) Arrabida ex Steudel MARICÁ Mimosa bimucronata (DC.) O. K. MAMOEIRO-DO-MATO Vasconcella quercifolia A.St.-Hil. PALMEIRA-JUÇARAEuterpe edulis Mart. PAU DE MALHOMachaerium stipitatum (DC.) Vog. PAU-RIPA Ormosia arborea (Vell.) Harms. PITANGUEIRA Eugenia uniflora L. RABO-DE-BUGIOLonchocarpus nitidus (Vogel) Benth. SOBRAJI Colubrina glandulosa Perkins TANHEIROAlchornea triplinervea (Spreng.) M. Arg TIMBAÚVA Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Mor. TIMBÓ Ateleia glazioviana Baillon.

Nome científico: Luehea divaricata Família: Malvaceae

Características Gerais: Árvore de 15 a 25 m de altura, com tronco de até 1 m de diâmetro. Folhas simples, alternas, dísticas, com estípulas, irregularmente serreadas, com três nervuras longitudinais típicas, discolores, ásperas na face ventral e tomentosas na face dorsal, com lâmina foliar de 4,5 a 15cm de comprimento e 2 a 6,5cm de largura; pecíolo ferruginoso, com até 1cm de comprimento.

Características do fruto: cápsula lobada de valvas lenhosas, do tamanho de um dedal, oblonga, pentalocular, de coloração castanha, com densa pilosidade ferrugínea cobrindo inteiramente o tegumento e o pedicelo do fruto, com 2 a 3cm de comprimento, abrindo-se em cinco fendas. Apresenta deiscência loculicida na sua extremidade, apresentando cinco a quinze sementes por fruto.

Ocorrência natural: Latitude: 9º 15’ S (Alagoas) e 31º 30’ S (Rio Grande do Sul). Altitude: de 10 m, no Rio Grande do Sul até 1.400 m de altitude, em Minas Gerais. Habitat: matas ciliares ou de encostas de morro. Distribuição geográfica: nordeste da Argentina, leste do Paraguai, Uruguai e no Brasil, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.

Características da semente: pequenas, providas de alas agudas, de coloração douradabrilhante, com núcleo seminal pequeno na extremidade da asa, coloração marrom-clara.

Semeadura: em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20cm de altura e 7cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno grande. Recomenda-se efetuar a repicagem quatro a oito semanas após a germinação.

Germinação: epígea, com início entre 8 a 74 dias após a semeadura. O poder germinativo é variável e irregular, entre 20 a 85%. As mudas atingem porte adequado para plantio em cerca de seis meses após a semeadura. Contudo, mudas com mais de 50cm de altura, em sacos de polietileno, apresentam pegamento baixo no campo.

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Nome científico: Paraptadenia rigida (Benth.) Brenan Família: Fabaceae-Mimosoideae

Características Gerais: Árvore de 20-30 m, com tronco de 60-110 cm de diâmetro. Casca castanho-acinzentada, descamente em placas retangulares que se abrem de cima para baixo. Folhas bipinadas com 3-6 pares de pinas. Folíolos estreitos de 1 cm de comprimento. Distribuição: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo até o Rio Grande do Sul, porém muito mais freqüente nos três estados sulinos, na mata estacional decídua e semidecídua da bacia dos rio Paraná, Uruguai e Jacuí. É típica de matas de encosta e matas ciliares. Obtenção de sementes: Colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a abertura espontânea (maio, junho). Em seguida levá-los ao sol para completar a abertura e liberação das sementes. Um quilograma contém aproximadamente 38.600 sementes. Sua viabilidade em armazenamento é superior a 3 meses.

Germinação: Colocara s sementes para a germinação, logo que colhidas e sem nenhum tratamento, em canteiros ou diretamente em recipientes individuais contendo substrato organoargiloso e mantidos em ambiente semi-sombreado. A emergência demora 5-10 dias e, a germinação é abundante. O desenvolvimento das plantas no campo é rápido, alcançando facilmente 3 m aos 2 anos.

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Nome científico: Psidium cattleianum Sabine Família Myrtaceae

Características Gerais: Arvoreta de folhas perenes, de tronco liso, geralmente tortuoso, de cor castanho-avermelhada. copa densa e arredondada, de folhagem verde-escura, luzente. Folhas opostas, simples, meio endurecidas. Floresce de agosto a dezembro. As flores são brancas, vistosas, hermafroditas, pentâmeras, solitárias. O fruto é uma baga arredondada, de cor amarela ou avermelhada, quando maduro, sendo levemente ácido e muito saboroso. A frutificação acontece entre fevereiro e abril. As sementes são disseminadas pelas aves e fauna em geral.

No Brasil ocorre desde a Bahia até o Rio Grande do Sul. Espécie de luz plena, preferindo solos muito úmidos, sendo característica da Mata Atlântica de planícies junto à lagoas.

Utilidades: A madeira é pesada e elástica, de longa durabilidade quando em locais secos. É utilizada na fabricação de cabos de ferramentas, esteios, obras de torno. As flores são muito procuradas pelas abelhas. Espécie frutífera para a fauna em geral e para o homem. Seus frutos podem ser consumidos naturalmente ou em forma de compotas, geléias e doces em pastas (araçazadas). A casca é rica em tanino. As folhas e raízes são utilizadas em tratamentos de diarréias. O chá das folhas e da casca é utilizado contra hemorragias intestinais. Espécie muito ornamental, sobretudo na época da frutificação, pode ser utilizada na arborização de ruas, calçadas e áreas particulares. Indispensável para o reflorestamento misto de bosques degradados, necessitando de ambientes abertos e iluminados.

Produção e cultivo: Cada fruto possui entre 15 e 30 sementes pequenas e duras. As sementes podem ser armazenadas por um ano. A germinação ocorre entre 20 e 30 dias. Seu crescimento é moderado, podendo atingir meio metro no primeiro ano.

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Nome científico: Schinus terebinthifolius Raddi Família: Anacardiaceae

Características Gerais: Árvore baixa (3-10 m), de 10 a 30 cm de diâmetro. Tronco tortuoso, curto e esgalhado. Casca grossa, sulcada, e ramos longos, às vezes pendentes. Possui folhagem perene, densa, verde-clara e verde-escura de folhas alternas, compostas, imparipenadas. Flores pequenas, brancas, em cachos muito vistosos, abrindo-se no outono, atraindo abelhas. Os frutos aparecem no inverno e são arredondados, vermelhos, do tamanho de uma ervilha. É também conhecida como aroeira-mansa por não apresentar efeito alérgico acentuado em comparação com a aroeira-brava. O nome provém de araroeira, árvore da arara.

Distribuição: Ocorre desde Pernambuco até o RS. Ocorre à beira de matas de restingas, capoeiras e encostas, principalmente em solos úmidos ou rasos do Litoral. Planta pioneira, de pleno sol. Foi introduzida na Flórida (EUA), tornando-se espécie invasora muito agressiva.

Utilidades: A madeira é muito resistente, de boa durabilidade, utilizada na costrução de moirões de cerca, lenha e carvão de boa qualidade. Espécie procurada pela avifauna. Pode ser usada para reflorestamento em áreas de inundação periódica. Também pode ser utilizada como ornamental na arborização urbana. A casca é rica em tanino, podendo ser aplicada em curtumes, também sendo utilizada para tingir e fortalecer redes de pesca. Da semente se extrai óleo com ação inseticida. Atua contra doenças das vias respiratórias e urinárias. É adstrigente, sendo usada como anti-diarréica, depurativa, febrífuga e contra afecções uterinas em geral, bronquites e doenças urinárias. Fornece lenha de boa qualidade, através do manejo de suas várias ramificações da base tronco. Forrageira, principalmente para caprinos.

Produção e cultivo: Os frutos devem ser secos em local ventilado e após retiradas as sementes por maceração e peneiragem. A viabilidade da semente é de até 12 meses, pelo menos parcial (CARVALHO, 1994). A germinação ocorre após 10 dias. Pode ser feita a multiplicação por estacas de raízes e de galhos. O crescimento é muito rápido.

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Nome Científico: Virola bicuhyba (Schott) Warb. Sin. Virola oleífera (Schott) A. C. Smith Famíla Miristicaceae

Outros nomes populares: bocuva Características Gerais: Árvore alto porte ( 20- 30 m), semiperenifólia, de tronco cilíndrico, reto (DAP de 40 a 100 cm), com ramos longos e mais ou menos horizontais. Casca externa parda, levemente áspera. Folhas simples, alternas, nitidamente dísticas, longas, de bordos lisos e paralelos, base arredondada, bordo inferior puberulento. Possui de 20 a 30 pares de nervuras secundárias. Floresce de dezembro a abril. As flores são muito pequenas (perianto de 2-3 m de comprimento), trilobadas. Flores masculinas e femininas em inflorescências distintas. O fruto é uma baga-drupácea, ovalada, de até 9 cm de diâmetro. Contém uma semente com forma elipsóide-ovoidal, de cerca de 2 cm de comprimento e 1,5 cm de largura. A frutificação acontece de setembro a dezembro. A semente é envolta por um arilo carnoso róseo-avermelhado.

Quanto ao porte e a folhagem é semelhante ao cedro, porém possui folhas simples e dísticas e não compostas como pode parecer a primeira vista.

Espécie que ocorre na parte inferior da Encosta Atlântica (Serra Geral), em solos profundos, em florestas maduras. É pouco comum na Mata da Planície Costeira, sendo também freqüente ao longo dos rios e terrenos íngremes. No Brasil, ocorre desde o sul da BA, MG, até o Litoral Norte do RS. Utilidades: A madeira é moderadamente pesada (peso específico de 0,57) sendo suscetível ao ataque de fungos e insetos, forte, utilizada na construção civil. Sua folhagem é bastante ornamental. Já foi considerada a espécie mais procurada da Mata Atlântica para a fabricação de laminados. As sementes, quando secas, contêm 6% de óleo combustível. Segundo Reitz (1954), a casca possui bicuibina, matéria aromática e taninos. Tem uso medicinal como adstringente, antidiarréico e estomáquico, em leucorréia. Pode ser extraída da semente a chamada manteiga de bocuva, usada em inflamações, erisipelas e reumatismo. Produção e cultivo: Produz poucas sementes – uma semente por fruto- e a floração é pouco intensa. Para a produção de mudas em viveiros é recomendada a semeadura de uma semente por recipiente com sombreamento parcial. O crescimento é rápido.

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Nome científico: Butia capitata (Mart.) Becc

BUTIAZEIRO Família: Arecaceae

Características Gerais: Palmeira de caule cilíndrico, grosso, escamoso, coberto de cicatrizes foliares, sem ramificacões. Possui folhagem verde-acinzentada de folhas penadas, de até 4 m de comprimento.. A planta tem flores amarelas, trímeras, pequenas, reunidas em inflorescências amplas (1- 1,5 m de comprimento), protegidas por uma espata. Floresce nos meses de setembro a novembro. Os frutos são ovais carnosos, de coloração laranja, de cerca de 2 a 3 cm de diâmetro. A frutificação, nos meses de dezembro a fevereiro.

Distribuição: Ocorre principalmente em campos de solos secos e arenosos. sendo tolerante à seca e à geada. Necessita muita luz. No Brasil é encontrada desde Minas Gerais até o RS, sendo mais comum neste Estado.

Utilidades: Planta ornamental e melífera. Espécie ameaçada de extinção devido a dificuldade de regeneração das mudas novas, as quais são consumidas por bovinos. Frutífera para a fauna e para o homem, que produz licores e vinagre. A amêndoa é comestível e fornece óleo alimentar, tido como vermífugo. As folhas são utilizadas ainda para cobertura de ranchos, confecção de chapéus de palha, cestas, fibras, colchões e estofaria em geral.

Produção e cultivo: A semeadura deve ser feita logo após o amadurecimento dos frutos. A seleção se sementes é importante pois muitas delas apresentam ataque por larvas de insetos. As sementes levam de 3 a 6 meses para germinar. A germinação é de cerca de 50%.

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Nome científico: Schefflera morototonii (Aubl.) Mag., Steyerm. et Frod Familia: Araliaceae Outros nomes populares: mandioca, pau-mandioca, pau-caxeta.

Características gerais: Árvore perenefoliada, de 15 a 20 m de altura, com DAP de 30 a 50 cm. Tronco cilíndrico, reto, um pouco tortuoso. Fuste de até 15 m. Casca cinza-clara, lisa e áspera com cicatrizes transersais do despreendimento das folhas. Copa em forma de guarda-chuva, pequena e pouco ramificada. Folhas alternas, compostas, digitadas como a folha da mandioca – daí o nome de mandiocão- , com 7 a 15 folíolos. As flores são pequenas, pentâmeras e reunidas em panículas de umbelas, de 20 a 30 cm de comprimento. Os frutos são drupas carnosas, pretasazuladas quando maduras, de 4 a 6 m de comprimento, encerrando de 3 a 4 sementes. A dispersão é zoocórica (aves e mamíferos, principalmente macacos). Floresce em novembro a fevereiro e frutifica entre janeiro e março(RS).

Distribuição: Ocorre desde o México até o nordeste do Rio Grande do Sul. No RS, é encontrada em clareiras de matas maduras, principalmente na Encosta da Serra Geral e Alto Uruguai.

Utilidades: A madeira é blanda, mas pode ser utilizada em caixotaria, compensados, molduras. Produz celulose de boa qualidade. É espécie muito ornamental em decorrência de sua copa esbelta em forma de guarda-chuva e suas folhas discolores e brilhantes. O gênero Schefflera é representado por vários arbustos e árvores ornamentais.

Propagação: Os frutos podem ser semeados como fossem sementes ou podem ser despolpados e colocados em substrato organo-argiloso, em local semi-sombreado. A emergência demora entre 2 a 3 meses, sendo a taxa de germinação baixa. O crescimento da muda é relativamente rápido.

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Nome Científico: Matayba guianensis Aublet. Família: Sapindaceae

Características botânicas: Árvore perenefolia de 12 a 20 m de altura, e 30 a 60 cm de DAP. Tronco reto, ou levemente inclinado e tortuoso. Casca externa cinza-clara. Folhas alternas, compostas, penadas, com folíolos de 5 a 13 cm de comprimento e 2,5 a 5 cm de largura. As flores são pequenas (pétalas de 2 m de comprimento), brancas, pentâmeras. O fruto é uma cápsula triangular-globosa, de 1 a 2 cm de comprimento. As sementes são arredondadas e de 0,5 a 0,8 cm de comprimento. No RS, ocorre com baixíssima freqüência, em matas de grande porte, em meia sombra, preferindo solos arenosos e de baixa fertilidade. Pode surgir entre fendas de rochas, ao redor de olhos d’água, em capoeiras e areias do litoral. O desenvolvimento das plantas no campo é lento.

Distribuição: No Brasil ocorre desde o Amazonas e Ceará até o Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul ocorre somente na porção oriental norte, ao contrário de outra espécie de camboatá-branco (Matayba elaeagnoides) encontrado em quase todo o Estado.

Fenologia: Floresce entre outubro e dezembro e frutifica entre novembro e janeiro.

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