Apostila Vestibulando Digital Literatura

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PROFª Edna Prado

AULA 01 – LITERATURA

INTRODUÇÃO Periodização da Literatura em Portugal e no Brasil:

A história da literatura portuguesa, tal qual conhecemos hoje, tem início em meados do século XII, quando Portugal se constitui como um estado independente.

Os mais de oito séculos de produção literária portuguesa são divididos em três grandes eras:

Em função dos estilos individuais dos artistas (maneira particular de utilizar a língua), do contexto histórico e das tendências de cada período, estas eras literárias foram subdivididas em fases menores, chamadas Estilos de Época ou Escolas Literárias, conforme vemos no quadro abaixo:

PORTUGALBRASIL
TROVADORISMO1189
HUMANISMO 1418
1500TEXTOS INFORMATIVOS
CLASSICISMO 1527
BARROCO1580
1601BARROCO L
ARCADISMO1756
1768ARCADISMO
ROMANTISMO1825
1836ROMANTISMO
REALISMO/NATURALISMO 1865
1881REALISMO/NATURALISMO/
PARNASIANISMO
SIMBOLISMO1890
1893 SIMBOLISMO
1902 PRÉ-MODERNISMO
MODERNISMO1915
1922 MODERNISMO

A história da literatura brasileira, como não podia deixar de ser, está intimamente ligada à história literária de Portugal e também dividise em eras histórico-literárias, tendo como marco de separação a independência da colônia:

Esta delimitação cronológica, recurso puramente didático, não deve ser entendida de forma rígida, como se as Escolas fossem compartimentos estanques presos a certas datas arbitrariarmente estabelecidas. Ao contrário, um mesmo autor pode apresentar características de várias escolas, independentemente da época e, as datas representam apenas marcos históricos, isto porque, sempre há um período de transição entre a ascensão de um Estilo e o declínio de outro.

ERA
ERA
MODERNA
ERA COLONIAL

O início das chamadas literaturas de línguas modernas ocorre com a produção dos poetas da Idade Média, conhecidos como trovadores. O termo trovador origina-se de trobadour, que significava “achar”, “encontrar”. Cabia ao poeta “encontrar” a música e adequá-la aos versos. Neste período as composições eram basicamente compostas para serem cantadas ao som de instrumentos como a lira, a cítara, harpa ou viola, daí serem chamadas de cantigas.

Os artistas medievais eram classificados em:

• Trovador – geralmente nobre, possuidor de uma cultura erudita, não recebia por suas composições;

• Jogral – compositor, saltimbanco ou ator que recebia por suas apresentações;

• Segrel – fidalgo decaído que apresentava-se nas cortes, em troca de dinheiro, juntamente com seu jogral. Pode ser considerado um trovador profissional; • Menestrel – artista que servia a uma determinada corte;

• Jogralesa ou soldadeira – moça que acompanhava os artistas dançando, cantando e tocando castanholas.

O primeiro texto literário português que se tem registro é a

“Cantiga da Guarvaia” ou “Cantiga da Ribeirinha” (1189 ou 1198), cantiga de amor de autoria de Paio Soares de Taveirós.

O séculos XI e XII são marcados pelo feudalismo, no plano político-econômico e pelo espírito teocêntrico (deus como o centro de todas as coisas), no plano religioso. A sociedade medieval, composta basicamente pelo clero, nobreza e camponeses, estava estruturada numa relação de suserania e vassalagem, através da qual os vassalos (povo) serviam e obedeciam ao suserano (senhor feudal) em troca de proteção e assistência econômica. Tal estrutura era mantida graças ao teocentrismo, que difundia a idéia de destino, fazendo com que o povo aceitasse sua posição subalterna sem contestação, uma vez que esta era ordem divina.

Este dois traços histórico-culturais irão influenciar toda a produção literária trovadoresca, não só na poesia mas também na prosa.

2.1 – CANTIGAS

O que conhecemos da poesia trovadoresca, anterior ao aparecimento da escrita, está contido em obras conhecidas como cancioneiros, manuscritos antigos encontrados a partir do final do século XVIII. Os três mais importantes são:

• Cancioneiro da Ajuda ou do Real Colégio dos Nobres – reúne 310 composições, das quais 304 são cantigas de amor , foi organizado por D. Dinis e é o mais antigo de todos. Encontra-se na Biblioteca da Ajuda, em Portugal.

• Cancioneiro da Vaticana – reúne 1205 poesias, de autoria de 163 trovadores. Conserva-se ainda hoje na Biblioteca do Vaticano, em Roma.

• Cancioneiro da Biblioteca Nacional – também conhecido por Cancioneiro de Colocci-Brancuti, em homenagem a um de seus antigos possuidores. É o mais completo de todos, contendo 1647 cantigas de todos os gêneros. Encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, em Portugal.

Há ainda, segundo alguns estudiosos, as Cantigas de Santa

Maria, um cancioneiro de poesias religiosas composto por 426 produções acompanhadas das respectivas músicas.

Toda esta produção poética dividi-se em:

De amor

Líricas De amigo

Cantigas

De escárnio

Satíricas De maldizer

Nas Cantigas de Amor, de origem provençal (Provença região sul da França), o trovador, posicionando-se num plano inferior – como um vassalo, canta o sofrimento pelo amor não correspondido e as qualidades de uma mulher idealizada e inatingível, a quem chama de “minha senhor”.

“Senhor fremosa, pois me non queredes creer a coita en que me tem amor, por meu mal é que tan bem parecedes por meu mal vos filhei por senhor e por meu mal tan muito bem oí dizer de vós, por meu mal vos vi pois meu mal é quanto bem vós havedes.”

(Martim Soares, século XIII)

Originárias da Península Ibérica, as Cantigas de Amigo apresentam um eu-lírico feminino, embora fossem produzidas por homens. Nelas a mulher canta a ausência do “amigo” que está afastado, geralmente a serviço do rei ou em guerras. Ao contrário das primeiras, que refletiam a corte, as Cantigas de Amigo descrevem um ambiente pastoril, a moça ao cantar seus sentimentos dialoga com a mãe, a amiga e elementos da natureza.

“Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo! e ai deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado, se vistes meu amado! e ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro! e ai Deus, se verrá cedo!...” ( Martim Codax, século XIII)

Produzidas com o objetivo de satirizar as pessoas e os costumes da época, as Cantigas de Escárnio continham uma sátira indireta, marcada por ambigüidades e sutilezas, dificultando a identificação da pessoa atacada.

“Ua dona, nom digu’eu qual, non agoirou ogano mal polas oitavas de Natal: ia por as missa oir e ouv’un corvo carnaçal, e non quis da casa sair...”

(Joan Airas de santiago, século XIII)

Já as Cantigas de Maldizer continham ataques diretos, sem a preocupação de ocultar a identidade da pessoa satirizada, apresentando muitas vezes expressões de baixo nível e obscenidades.

“Ai, don fea! Fostes-vos queixar porque vos nunca louv’en meu trobar; mais ora quero fazer un cantar en que vos loarei toda via; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandía...”

(Joan Garcia de Guilhade, século XIII)

Quadros comparativos entre as cantigas:

Cantigas de AmorCantigas de Amigo

- origem provençal- origem galego-portuguesa - eu-lírico masculino- eu-lírico feminino

- objeto desejado: a dama, a“senhor” - objeto desejado: o amigo

- o homem presta a vassalagem amorosa; sofre pelo amor não correspondido – “coita”

- a mulher sofre pelo amante, namorado ausente

- mulher idealizada, superior- mulher real, mais concreta - ambiente palaciano (aristocrático)- ambiente rural (popular)

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