Biodiversidade do Delta do Parnaíba - litoral piauiense (versão compacta)

Biodiversidade do Delta do Parnaíba - litoral piauiense (versão compacta)

(Parte 3 de 7)

Parnaíba com destaque para o município de Ilha Grande/PI367

Figura 1.2. Representação esquemática da técnica de bola de neve (snowball), com os informantes (A – M), tendo o informante “C” como especialista nativo, devido ao número

de citações que recebeu370

Figura 1.3: Paisagem com lagoa pluvial (utilizada como habitat pelo jacaré), vegetação

típica de restinga, carnaúbas e dunas, no município de Ilha Grande, PI373

Figura 1.4: Igarapé com vegetação típica de mangue (utilizada como habitat pelo

jacaré), no município de Ilha Grande, PI374

Figura 1.5. Caiman crocodilus nas margens do Rio Parnaíba, no município de Ilha

Grande, PI375

Figura 1.6. Gráfico das espécies animais (caças) citadas entre os entrevistados como as

preferidas do município de Ilha Grande, PI386

CAPÍTULO 12. ANÁLISE SOCIOAMBIENTAL DA APA DELTA DO PARNAÍBA

Tabela 12.1. Caracterização da população da APA Delta do Parnaíba415

Tabela 12.2. Caracterização do IDH e Renda Per Capita da APA Delta do Parnaíba...416

CAPÍTULO 13. CONSERVAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UMA PROPOSTA DO PROJETO TARTARUGAS DO DELTA (PI/MA)

Tartarugas do Delta447

Tabela 13.1. Escolas em que foram desenvolvidas ações de EA, em 2011, pelo projeto

com docentes no litoral do Piauí451

Tabela 13.2. Resumo das atividades em EA do Projeto Tartarugas do Delta, realizadas

Figura 13.1. Atividades de EZ realizadas em 2011: A e B – Oficinas com docentes; C e D – Atividades com discentes do Ensino Fundamental; E e F – Palestras com estudantes do

Ensino Médio; G e H – Ações no espaço temático do SESC Praia em Luis Correia/PI..454

Figura 13.2. Comparativo dos estudantes de escolas do ensino fundamental (5 série) da APA Delta do Parnaíba sobre a importância de áreas que protejam a

natureza458

Figura 13.3. Comparativo dos estudantes de cinco escolas do ensino fundamental (5ª ano), da APA Delta do Parnaíba, relacionados ao saber de uma Unidade de

Conservação458
APA Delta do Parnaíba, relacionados à moradia em uma UC459

Figura 13.4. Comparativo dos estudantes de cinco escolas do ensino fundamental, da

Figura 13.5. Mapas mentais: A – Escola Municipal Dom Paulo, do Município de Ilha Grande (PI); B – Escola Municipal João Silva Filho em Parnaíba (PI); C – Unidade Escola Manoel Rodrigues Vieira, Luis Correia (PI); D e E – Unidade Escolar José Adrião de Araújo, em Cajueiro da Praia (PI); F – Unidade Escolar Silvio Freitas Diniz, da

comunidade Canárias, Araioses (MA)460

Figura 13. 6. Número de ilustrações de cinco escolas dos municípios de Araioses (Canárias - MA/U. E. Silvio F. Diniz); Cajueiro da Praia (U. E. José A. Araújo); Luis Correia (U. E. Manoel R. Vieira); Parnaíba (Pedra do Sal/ E. M. João S. Filho) e Ilha Grande (E.

Maria Helena Alves 1

Larissa Micaele de Oliveira Carvalho 2

1 Bióloga, Mestre em Criptógamas - Micologia (UFPE) e Doutora em

Ciências Biológicas - Botânica (USP), Brasil. Professora, UniversidadeFederal do Piauí, Brasil. e-mail: malves@ufpi.edu.br

2 Bióloga (UFPI), Especialista em Gerenciamento de Recursos

Ambientais (IFPI), Brasil. Email: larissamicaele@hotmail.com

1.1. INTRODUÇÃO

Chlorophyta constitui um grupo bastante complexo tendo em vista o grande número de espécies e as variações morfológicas externas e internas. Apresenta também grande diversidade ao nível de organização do talo e histórico de vida de seus representantes. É o grupo que mais se assemelha às plantas superiores, por apresentar clolofilas a e b como principais pigmentos fotossintetizantes, armazenar amido dentro de plastídeos, possuir pigmentos acessórios, tais como xantofila, luteína, zeaxantina, violaxantina e neoxantina e apresentar os tilacóides dos cloroplastos agrupados em lamelas (Hock et al. 1997).

Wynne (2005), baseando-se nas características morfo-anatômicas, divide

Chlorophyta nas seguintes classes: Chlorophyceae, Trebouxiophyceae, Ulvophyceae e Charophyceae. Dentre estas todos os táxons incluídos nesta pesquisa pertencem a Ulvophyceae.

No nordeste brasileiro, alguns trabalhos envolvendo as clorofíceas foram realizados, porém, no que diz respeito ao estudo das algas verdes no litoral piauiense, pouco ou quase nada existe, podendo ser citado Ferreira-Correia et al. (1974) que trabalhou com três espécies de Caulerpa (Caulerpa cupressoides var. lycopodium f. elegans, Caulerpa cupressoides var. serrata e Caulerpa prolifera). Táxons estes confirmados pelo trabalho de Oliveira et al. (1999), que citaram uma espécie a mais: Caulerpa scalpelliformis. Copertino & Mai (2010) citaram oito algas verdes, com acréscimo para a flora piauiense dos seguintes táxons: Caulerpa mexicana, C. racemosa, C. sertularioides, Acetabularia calyculus, Codium isthmocladum e Ulva sp.

Diante do exposto este trabalho teve por objetivo a realização de um estudo para preparação de um checklist sobre as algas verdes em três praias do litoral do Piauí.

1.2. MATERIAL E MÉTODOS

O Piauí situa-se na Região Nordeste do Brasil, no hemisfério Sul e Ocidental e possui zona climática Intertropical. Seu litoral abrange uma área correspondente a 6 km, no extremo norte do estado. Nesse contexto existem áreas de afloramentos rochosos, onde geralmente nas zonas entremarés é encontrada uma grande diversidade de algas. Dentre as nove praias do litoral piauiense foram selecionadas as praias de: Coqueiro da Praia (02°30’40’’ S e 40°20’40’’ O), Barra Grande (02°56’01’’ S e 41°26’30’’ O) e Cajueiro da Praia (02°52’4’’ S e 41°40’01’’ O) para a realização das coletas.

1.2.2. Coleta e processamento de material ficológico

O material estudado foi coletado ao acaso, contabilizando 15 coletas em cada ponto de amostragem. As expedições ao campo foram realizadas de agosto de 2008 a novembro de 2010, durante as marés de sizígias. As coletas foram feitas com base na metodologia rotineira, retirando as macroalgas da região entremarés com auxílio de espátulas/facas, tendo-se o cuidado de retirar exemplares inteiros do substrato. As algas coletadas foram mantidas úmidas e acondicionadas em frascos ou sacos plásticos escuros, a fim de proteger da iluminação solar e do calor intenso, sendo as mesmas etiquetadas com informações sobre local, data de coleta, coletor, altura da maré e substrato.

Posteriormente, as algas foram fixadas com formalina a 4%. No Laboratório de

Botânica UFPI/Campus Universitário de Parnaíba, foi realizada a triagem das amostras e em seguida o estudo das mesmas, tomando por base a morfologia externa e interna das estruturas vegetativas. Utilizou-se para isso o microscópio estereoscópico (lupa) e o microscópio óptico. Em alguns exemplares, foram feitos cortes transversais (com o auxílio de uma lâmina de barbear) e, quando necessário, utilizou-se lugol acético para auxiliar na visualização de pirenóides.

Para a identificação teve-se como apoio os trabalhos de Joly (1965), .Aciolly (1989), Dantas (1994), Brayner (2007), Coto (2007), Alves (2008) e Barata (2008). Também foram feitas visitas aos herbários: ASE (Universidade Federal de Sergipe) e PEUFR (Universidade Federal Rural de Pernambuco) para a confirmação de alguns táxons.

A classificação adotada neste estudo segue a proposta por Wynne (2005). Para a confirmação de dados foram utilizadas informações do site Algaebase. As exsicatas foram confeccionadas segundo Cordeiro-Marinho et al. (1989) e incorporadas no Herbário Graziela Barroso (TEPB), do Campus Ministro Petrônio Portela da Universidade Federal do Piauí.

1.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As ulvofíceas bentônicas do litoral do estado do Piauí estão representadas por 23 táxons, distribuídos entre oito famílias, conforme Tabela 1.1 e as características principais dos táxons estão contidas na chave de identificação, a seguir:

Chave de identificação para os táxons estudados

tubos ou sifões; cloroplastos com ou sem pirenóides, com citoplasma2
cloroplastos com pirenóides, sem citoplasma fluindo dentro das células17

1a Algas cenocíticas; uma única grande célula multinucleada ou simples ramificações de 1b Algas unicelulares ou multicelulares; células uninucleadas ou multinucleadas;

verticilos; cloroplastos sem pirenóidesAcetabularia calyculus
3a Reprodução sexuada por meio de isogametas4
3b Reprodução sexuada por meio de anisogametas15
pirenóideBryopsis hypnoides
pirenóides5

4a Algas apenas com porção ereta; cloroplastos pequenos discóides com um 4b Algas com porção ereta e outra rastejante; cloroplastos pequenos discóides sem

presença de rizóides na primeiraCaulerpa fastigiata
5b Porção estolonífera distinta da porção ereta6
6a Ramos assimiladores planos apresentando margem inteiraCaulerpa prolifera
6b Ramos assimiladores divididos em râmulos de formas variadas7
7a Râmulos achatados8
7b Râmulos cilíndricos9

5a Porção estolonífera semelhante morfologicamente à porção ereta, exceto pela

râmulosCaulerpa scalpelliformis
8b Râmulos falciformes de margem lisaCaulerpa mexicana
9a Ápice dos râmulos afilados10
9b Ápice dos râmulos dilatados13

8a Constrição na base e presença de dentículos no ápice dos

constricçãoCaulerpa sertularioides
10b Râmulos curtos com pínulas mucronadas e mamiliforme na base1
11a Ramos com escassos râmulos serreadosCaulerpa cupressoides var serrata
11b Râmulos distribuídos por todo o ramo assimilador12

10a Râmulos longos com pínulas filiformes, recurvadas sem

12b Râmulos com distribuição dísticaCaulerpa cupressoides var. lycopodium f. elegans
13a Disposição dística dos râmulosCaulerpa ashmeadii
ápiceCaulerpa racemosa var. racemosa
ápiceCaulerpa racemosa var. occidentalis

14a Râmulos apresentando comprimento aproximadamente igual ao diâmetro do 14b Râmulos apresentando comprimento aproximadamente igual ao dobro do diâmetro do

holocárpicaAvrainvillea longicaulis
holocárpica16
16a Hábito crostoso fortemente aderido ao substratoCodium intertextum
16b Hábito ereto fixo ao substrato por apressório discóideCodium isthmocladum

15a Talo com incrustação de carbonato de cálcio; apresenta reprodução 15b Talo sem incrustação de carbonato de cálcio; não apresenta reprodução

pirenóide por cloroplasto18
pirenóides20

17a Células multinucleadas, com numerosos cloroplastos, em muitos existe um único 17b Células uninucleadas, contendo apenas um único cloroplasto parietal, com 1 ou vários

formados no interior de vesículasValonia aegagropila
célula terminal19

18a Crescimento por divisão celular lenticular, na qual segmentos lenticulares são 18b Crescimento por divisões transversais das células superiores dos filamentos ou pela

densos emaranhadosRhizoclonium africanum
19b Ramificações abundantes, dicotômicas a unilateraisCladophora vagabunda
20a Talo tubular21
20b Talo laminar2

19a Filamento unisseriado com ramificação ausente ou raramente freqüente, formando

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