Biodiversidade do Delta do Parnaíba - litoral piauiense (versão compacta)

Biodiversidade do Delta do Parnaíba - litoral piauiense (versão compacta)

(Parte 4 de 7)

parede celular espessaUlva compressa
celular finaUlva intestinalis
22a Lâmina largamente expandidaUlva lactuca

Avrainvillea longicaulis, Bryopsis hypnoides, Caulerpa ashmeadii, C. cupressoides var lycopodium f. lycopodium, C. fastigiata, C. racemosa var. occidentalis, C. racemosa var. racemosa, Cladophora vagabunda, Codium intertextum, Rhizoclonium africanum, Ulva compressa, U. fasciata, U. intestinalis, U. lactuca e Valonia aegagropila, estão sendo citados pela primeira vez para a costa piauiense, alguns dos táxons estão sendo mostrados nas Figuras 1.1 a 1.12. Copertino & Mai (2010) citaram C. racemosa, entretanto, os mesmos autores não enfatizam as variedades desta, sendo que neste estudo foram identificadas C. racemosa var. racemosa, C. racemosa var. occidentalis ou seja, uma espécie e duas variedades.

Tabela 1.1. Distribuição dos táxons por local de amostragem, no período de 2009-2010

TÁXONS Locais de Amostragem

CHLOROPHYTA
Acetabulariaceae
Bryopsidaceae

Acetabularia calyculus Quoy et Gaimard + + +

Caulerpaceae

Bryopsis pennata J. V. Lamour. + - +

Caulerpa ashmeadii Harvey + + - C. cupressoides var. elegans + + - C. cupressoides var. lycopodium f. lycopodium (J. Agardh) Weber-van Bosse + - -

C. cupressoides var. serrata (Kütz.) Weber Bosse + + - C. mexicana Sonder ex Kützing + + - C. prolifera (Forsskal) Lamouroux + + + C. racemosa var. occidentalis (J. Agardh) Börgesen + + +

C. racemosa var. uvifera Weber-van Bosse + - + C. sertularioides (Gmelin) Howe + + +

Legenda: BG= Barra Grande, CJP=Cajueiro da Praia, CQP=Coqueiro da Praia; + para presença e – ausência do táxon no local

A praia que apresentou o maior número de táxons identificados foi Barra Grande (19), seguido por Cajueiro da Praia (16) e Coqueiro da Praia (14). Entre os 23 táxons, dez foram comuns a todos os pontos de amostragem (Acetabularia calyculus, Caulerpa prolifera, C. racemosa var. occidentalis, C. scalpelliformis, C. sertularioides, Cladophora vagabunda, Codium isthmocladum, Ulva compressa, U. fasciata e U. lactuca), e sete não apresentam intersecção com relação ao ponto de coleta, destacando-se Barra Grande onde foram encontrados três táxons exclusivos: C. cupressoides var. lycopodium f. lycopodium, Codium intertextum e Valonia aegagropila (Tabela 1.1).

A partir dos resultados obtidos, pode ser verificado que a variedade de macroalgas verdes se mostra diferente nas praias observadas. Alguns fatores podem explicar essa discordância; segundo Oliveira et al. (1999), a distribuição de algas ao longo da costa do Brasil é o resultado de uma interação complexa entre fatores históricos, biogeográficos;

Cladophoraceae

C. scalpelliformis (R. Br. Ex Turner) C. Agardh. + + +

Codiaceae

Cladophora fascicularis (Mert) Kützing + + + Cladophora vagabunda (Linnaeus) Van den Hock + + + Rhizoclonium africanum Kütz + - +

Udoteaceae

Codium intertextum Collins et Hervey + - - C. taylorii P. C. Silva + + +

Ulvaceae

Avrainvillea longicaulis (Kützing) Murray & Boodle - + -

Ulva compressa (L.) Nees + + + Ulva fasciata Delile + + + Ulva intestinalis (L.) Nees - + + U. lactuca Linnaeus + + + características das massas de água; disponibilidade de substrato consolidado; presença de curso de água doce e de interações bióticas. Os pontos de amostragem, desde trabalho, estão inclusos no trecho que se estende da foz do rio Timonha, no limite com o Estado do Ceará até a localidade de Coqueiro da Praia, no município de Luís Correia, Piauí. Neste trecho, algumas pontas mantidas por promontórios se projetam para o mar e se intercalam com enseadas e planícies flúvio-marinhas, destacando-se a ponta localizada em Barra Grande (CEPRO 1996), ou seja, há uma variação de salinidade, turbidez da água e outros fatores entre as praias estudadas.

Além da variedade de macroalgas verdes se mostrar distinta entre as praias estudadas, observa-se que as ulvofíceas encontradas na costa piauiense possuem uma menor diversidade específica quando comparada a algumas localidades do nordeste brasileiro, como pode ser verificado em Oliveira et al. (1999). Acredita-se que seja pelo fato do litoral piauiense ser uma área estuarina e possuir formações rochosas, não contínuas, disponibilizando menos substrato para a fixação das algas marinhas bentônicas. Diferentemente do estado de Pernambuco, que apresenta substratos consolidados representados predominantemente pelos recifes de franja (Pereira et al. 2002) e, do litoral Bahia que é considerado região prioritária para levantamentos florísticos, apresentando riqueza e diversidade de substratos (Nunes 2005).

Observa-se na Tabela 1.2 que, com relação ao substrato, houve uma maior variedade de espécies epilíticas, sendo encontrados 13 táxons crescendo exclusivamente sobre rochas e, apenas uma restrita ao substrato arenoso (episâmica). Cinco espécies foram encontradas tanto em substrato rochoso quanto arenoso: C. cupressoides var. serrata, C. mexicana, C. prolifera, C. sertularioides e C. scalpelliformis. C. mexicana foram encontradas crescendo além dos substratos acima (rocha e areia) também sobre poríferos (epizóica).

Tabela 1.2. Distribuição dos táxons por substrato.

A n im ais

Areia A rtifi ciais m a

A ren ito s

Ramos d e p lan a s

Bryopsis hypnoides+
Caulerpa ashmeadii +

C. cupressoides var. lycopodium f. elegans +

C. cupressoides var. lycopodium f. lycopodium +

C. cupressoides var. serrata ++
C. fastigiata+
C. mexicana + ++
C. prolifera ++
C. racemosa var. occidentalis+
C. racemosa var. racemosa+
C. scalpelliformis ++
C. sertularioides+ +
Cladophora vagabunda+
Rhizoclonium africanum+ +
Codium intertextum+
Codium isthmocladum+
Acetabularia calyculus ++
Avrainvillea longicaulis + +
Ulva compressa+
U. fasciata+
U. intestinalis+ +
U. lactuca+
Valonia aegagropila+

TOTAL: 02 07 01 01 21 01 Legenda: + para presença

Dentre as famílias de algas verdes conhecidas, oito constituem as ulvofíceas do litoral piauiense e, dentre estas, Caulerpaceae apresentou a maior diversidade específica, representando 48% das algas estudadas. Seguida por Codiaceae e Cladophoraceae (9%) e, as famílias Bryopsidaceae, Polyphysaceae, Udoteaceae e Valoniaceae que denotam 4% cada.

Como pode ser observado, Caulerpaceae possui uma quantidade significativa de táxons, contribuindo com oito espécies: Caulerpa ashmeadii, C. cupressoides, C. fastigiata, C. mexicana, C. prolifera, C. racemosa, C. scalpelliformis e C. sertularioides. Caulerpa cupressoides está representada no Piauí pelas variedades lycopodium e serrata, sendo que a variedade lycopodium apresentou duas formas: lycopodium e elegans. As variedades occidentalis e racemosa estão representando Caulerpa racemosa.

Com relação à frequência do gênero Caulerpa, foram encontrados nove táxons em

Barra Grande, oito em Cajueiro da Praia e seis em Coqueiro da Praia. Verificou-se que C. fastigiata e C. racemosa var. racemosa, estiveram presentes apenas em um ponto de amostragem, CQP; assim como, C. cupressoides var. lycopodium f. lycopodium em Barra Grande.

A família Codiaceae é exclusivamente marinha (Pedroche 2001) e, possui um único gênero Codium Stack. (Wynne 2005). Apesar de o gênero Codium ocorrer com uma grande variedade de espécies no litoral brasileiro, na área estudada foram encontradas apenas duas espécies Codium intertextum e C. isthmocladum, sendo que, C. intertextum esteve restrito apenas a praia de Barra Grande. Acredita-se que este fato esteja relacionado com a redução de substrato duro para a fixação.

Pode-se ressaltar que o número de táxons apresentado neste trabalho é significativo, quando comparado aos trabalhos citados, pois estão sendo acrescidas à flora do Piauí 16 novas citações, elevando para 23 espécies de algas verdes.

À Universidade Federal do Piauí, Campus Universitário de Parnaíba por disponibilizar transporte para a realização das coletas e permitir a utilização de suas instalações e equipamentos necessários à realização deste trabalho. Ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e aos órgãos financiadores: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e UFPI pelas bolsas concedidas ao projeto “Levantamento da Ficoflora do Litoral Piauiense”, do qual este trabalho faz parte.

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