Biodiversidade do Delta do Parnaíba - litoral piauiense (versão compacta)

Biodiversidade do Delta do Parnaíba - litoral piauiense (versão compacta)

(Parte 7 de 7)

XYLARIALES Diatrypaceae

Peroneutypa comosa (Speg.) Carmarán & A.I. Romero

Xylariaceae Daldinia concentrica (Bolton) Ces.& De Not.

Dentre os táxons de Agaricaceae (Tabela 2.1) registrados descam-se

Leucocoprinus birnbaumii, L. cepistipes e Lepiota tepeitensis, estas espécies são caracterizadas por possuírem corpos de frutificação frágeis e escamosos, crescendo em solo arenoso (terrícolas) úmido e/ou solo humoso (humícola) (Tabela 2.2). Leucocoprinus birnbaumii (Figura 2.3A) é comum nas regiões tropicais e subtropicais, sendo bastante conhecido por possuir um corpo de frutificação veneno, o qual ao ser ingerido provoca sérios problemas estomacais (HALL et al., 2003). Rother & Silveira (2008) descreveram Leucocoprinus birnbaumii como um cogumelo de coloração amarelada e margem plicada, reconhecendo registros do mesmo para região Sul e Sudeste do Brasil, portanto, a ocorrência dessa espécie para a região deltaica nordestina desponta como um primeiro registro do fungo para o Nordeste brasileiro.

Apesar de muitos taxonomistas ainda considerarem Marasmius Fr. e outros gêneros relacionados como pertencentes à família Tricholomataceae Roze, em classificações mais recentes, como a proposta por Kirk et al. (2008), esses táxons estão incluídos na família Marasmiaceae Roze ex Kühner a qual possui em média 54 gêneros e 1590 espécies descritas. Esta família mostrou-se bastante representativa na APA Delta do Parnaíba, possuindo representantes de ampla distribuição e elevada freqüência. O gênero Marasmius, representado por M. haematocephalus (Figura 2.3B), M. siccus (Figura 2.3C) e M. plicatulus (Tabela 2.1), constitui um grupo numeroso com cerca de 500 espécies descritas de ocorrência cosmopolita (KIRK et al. 2008).

De acordo com Singer (1986) os fungos que pertencem ao referido gênero ocorrem mais freqüentemente sobre a madeira ou folhas mortas ou vivas, mais raramente entre musgos ou gramíneas no solo. Algumas espécies formam endomicorrizas, outras são

Xylaria polymorpha (Persoon)Greville Xylaria sp.

sapróbias ou parasitas. Assim como proposto por Singer, as espécies de Marasmius supracitadas foram predominantemente encontradas nos mesmos substratos citados pelo autor, entretanto Marasmius haematocephalus foi registrado crescendo também sobre fezes de herbívoros (Tabela 2.2).

Psathyrellaceae que segundo Kirk et al. (2008) constitui-se de 12 gêneros e 746 espécies, aparece como a família mais bem representada na área de estudo, englobando 34% dos táxons citados para Agaricales (Figura 2.2). Esses táxons podem ser classificados quanto ao substrato em coprófilos facultativos, pois se desenvolvem tanto em fezes quanto em outros tipos de substratos; Panaeolus antillarum (Figura 2.3D), por exemplo, foi encontrado crescendo em solo humoso e também sobre fezes de herbívoros, concordando com Alves & Cavalcanti (1996) que também estudaram o táxon neste último substrato. Os demais representantes, Parasola plicatilis (Figura 2.3E), Coprinopsis radiata (Figura 2.4A), Parasola setulosa (Figura 2.4B), Coprinopsis nívea (Figura 2.4C), Parasola sp. (Figura 2.4D), Psathyrella sp.1 e Psathyrella sp. 2, foram encontrados exclusivamente crescendo sobre esterco de animais herbívoros. Alves e Cavalcanti (1996) citam Parasola plicatilis como Coprinus plicatilis (sinonímia) em fezes de herbívoros, Rosa & Capelari (2009) e Valenzuela et al. (2004) também descreveram Parasola plicatilis, no entanto, estes autores encontraram a espécie crescendo sobre a madeira, evidenciando o amplo espectro de substratos que esse táxon pode se desenvolver. Já Coprinopsis nivea foi citada por Azan (2003) como tendo modo de vida sapróbio, crescendo predominantemente em esterco, corroborando com este estudo.

As famílias Inocybaceae, Mycenaceae, Schizophyllaceae e Strophariaceae, contribuíram com apenas 20% do total de táxons descritos para a ordem (Figura 2.2). Apesar de menos representativas para região deltaica do Nordeste brasileiro, essas famílias contaram com espécies taxonomicamente importantes. Psilocybe coprophila (Strophariaceae) (Figura 2.5A), por exemplo, coletado na Ilhas das Canárias/MA, foi também registrado para o estado de São Paulo por Guzmán (1983); este autor argumentou que essa espécie não apresenta propriedades alucinógenas (propriedade comum em espécies do gênero Psilocybe), no entanto é provável que contenha pequenas quantidades de psilocibina (um alcalóide do grupo indólico e o principal componente psicoativo encontrado nos cogumelos do gênero Psilocybe). Mycena sp. (Figura 2.5C), Crepidotus variabilis (Persoon) P. Kummer (Figura 2.5E) e Schizophyllum commune Fries caracterizaram-se por serem espécies decompositoras freqüentes, todas de hábito lignícola (Tabela 2.2).

Os Polyporales representam a segunda ordem com o maior número de espécies dentre os basidiomicetes descritos para a APA Delta do Parnaíba, sendo suplantados apenas pela ordem Agaricales que possui uma representatividade em espécies de 56% (Figura 2.1). Como mostrado na Tabela 2.1, os fungos poliporóides descritos estão agrupados quase exclusivamente na família Polyporaceae, apenas a espécie Cymatoderma elegans Junghuhn (Figura 2.5D) foi descrita para a família Meruliaceae. Polyporaceae destaca-se por ser a maior e mais diversa família dentro da ordem, possuindo mais de 700 espécies que apresentam grande variação em termos de morfologia externa e microestruturas (ALEXOPOULOS et al., 1996)

As espécies pertencentes à Polyporaceae encontradas com maior freqüência foram

Hexagonia hydnoides (Figura 2.5B), Pycnosporus sanguineus e Lentinus crinitus (Figura 2.6A) corroborando com os estudos de Campos et al. (2005), Oliveira et al. (2005) e Silva & Gibertoni (2006), os quais registraram essas espécies como fungos lignícolas de ampla distribuição, sendo importantes agentes na decomposição de substratos vegetais. O gênero Polyporus P. Micheli ex Adans. apresentou a maior diversidade de espécies para a já referida família, este gênero é compostos por espécies amplamente distribuídas, com a maioria delas apresentando hábito exclusivamente lignícola. Polyporus badius (Persoon) Schweinitz (Figura 2.6B) foi a espécie mais freqüentemente coletada para o

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