Prova do Concurso Público da Polícia Federal - Escrivão

Prova do Concurso Público da Polícia Federal - Escrivão

(Parte 1 de 5)

Cargo 20: Escrivão de Polícia Federal – 1 –– CADERNO BRANCO –

UnB / CESPE – DPF / DGP – Concurso Público Nacional – Aplicação: 10/10/2004É permitida a reprodução apenas para fins didáticos, desde que citada a fonte.

•De acordo com o comando a que cada um dos itens de 1 a 120 se refira, marque, na folha de respostas, para cada item: o campo designado com o código C, caso julgue o item CERTO; ou o campo designado com o código E, caso julgue o item ERRADO. A ausência de marcação ou a marcação de ambos os campos não serão apenadas, ou seja, a elas não será atribuída pontuação negativa. Para as devidas marcações, use a folha de rascunho e, posteriormente, a folha de respostas, único documento válido para a correção das suas provas. •Nos itens que avaliam Conhecimentos de Informática, a menos que seja explicitamente informado o contrário, considere que todos os programas mencionados estão em configuração-padrão, em português, que o mouse está configurado para pessoas destras e que expressões como clicar, clique simples e clique duplo referem-se a cliques com o botão esquerdo do mouse. Considere também que não há restrições de proteção, de funcionamento e de uso em relação aos programas, arquivos, diretórios e equipamentos mencionados.

CONHECIMENTOS BÁSICOS Tolerância e perversão

A primeira vez que li O Retrato de Dorian Gray, de1

Oscar Wilde, era ainda pré-adolescente. Fiquei apavorado com a história do rapaz que fez um pacto com o diabo, para manter a beleza e a juventude, e cujo retrato vai registrando as marcas4 viciosas de sua vida. Mantinha a aparência e apodrecia por dentro.

Lembrei-me dele por um processo tortuoso de associações. Conversava sobre Leonel Brizola e sua luta pela7 educação. Cheguei a Darcy Ribeiro e ao sonho da educação que se moderniza para ser modernizante. As escolhas de Brizola refletiam o aprendizado, em sua própria vida, do valor da10 educação e da dificuldade de acesso a ela quando se é pobre e se está na periferia da sociedade dominante. Sua melhor decisão, no governo do Rio, foi pedir a Darcy Ribeiro que pensasse a política13 de educação.

Darcy era um doido do bem. Sua inteligência vertiginosa ia produzindo idéias e, na vertigem criativa, desconsiderava os16 aspectos terrenos de sua viabilidade. Mas é dessas loucuras que os povos precisam para evoluir. (...)19

Fui beneficiário do desenho que Darcy Ribeiro sonhou para a Universidade de Brasília. Tudo era avançado para a época.

A estrutura integrada. O campus articulado. Na UnB, conheci22 primeiro a extensão universitária, os cursos avulsos. Eles faziam a universidade ferver, depois das aulas. Formava-se uma comunidade, que extravasava a sala de aula e invadia nossa25 própria vida. Essa vida, pulsando de inteligência, essa sede de conhecer e fazer, aprender e criticar faziam daquela universidade, ainda fisicamente em construção, a expressão do sonho louco de28

Darcy.

O leitor, impaciente, pergunta-se, com razão, sobre a relação com Dorian Gray. O monstro de Wilde tem a ver com a31 escola de hoje, tão longe da minha própria experiência de estudante e que me faz devedor da sociedade brasileira. Com a universidade de hoje, tão distante dos planos de Darcy. Mas o34

Dorian Gray, agora, é um monstro coletivo, somos nós, que aceitamos esse descalabro.

A sociedade não é o retrato apenas de seus governantes,37 é o retrato de seus cidadãos, em destaque, de suas elites. É o nosso retrato, do Brasil todo, de todos nós, que está lá, debaixo do pano, mostrando seu rosto monstruoso. Dorian Gray não era capaz de40 lidar com as implicações de suas escolhas: era um suicida. E nós?

Sérgio Abranches. Tolerância e perversão. In: Veja, 30/6/2004 (com adaptações).

Julgue os seguintes itens, referentes ao texto ao lado e aos múltiplos aspectos relativos ao tema por ele abordado.

Na linha 4, por anteceder a segunda ocorrência da conjunção “e”, a vírgula poderia ser retirada, sem prejuízo da organização da argumentação e da correção gramatical.

Pelo desenvolvimento das idéias no texto e pela pessoa verbal empregada, depreende-se que o sujeito de “Mantinha” (R.5) é “cujo retrato” (R.4).

Preservam-se a coerência textual e a correção gramatical se o espaço “(...)”, na linha 19, for preenchido com o seguinte parágrafo: Comparando a sociedade com esse pacto com o diabo, registrando que se corrompe profunda e aceleradamente, numa mesma maneira de esconder o “mau” retrato por baixo do pano.

Na linha 37, preservam-se a correção gramatical e o sentido original do texto ao se deslocar “apenas” para antes de “o retrato”.

O sinal de dois-pontos depois de “escolhas” (R.41) introduz um esclarecimento ou explicação para o que foi expresso na oração anterior a respeito de Dorian Gray.

Leonel Brizola, uma das figuras centrais do regime nascido com a queda do Estado Novo, faleceu neste ano e teve sua carreira política marcada por preocupações de natureza trabalhista.

A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de educação superior federal a implantar o sistema de cotas para negros em seu processo seletivo de ingresso em cursos de graduação, concretizando proposta de Darcy Ribeiro apresentada no projeto de criação da UnB, reflexo da força do movimento em prol de políticas afirmativas àquela época.

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Cargo 20: Escrivão de Polícia Federal – 2 –– CADERNO BRANCO –

UnB / CESPE – DPF / DGP – Concurso Público Nacional – Aplicação: 10/10/2004É permitida a reprodução apenas para fins didáticos, desde que citada a fonte.

Quando acompanhamos a história das idéias éticas, desde1 a Antiguidade clássica até nossos dias, podemos perceber que, em seu centro, encontra-se o problema da violência e dos meios para evitá-la, diminuí-la, controlá-la. 4

Diferentes formações sociais e culturais instituíram conjuntos de valores éticos como padrões de conduta, de relações intersubjetivas e interpessoais, de comportamentos sociais que7 pudessem garantir a integridade física e psíquica de seus membros e a conservação do grupo social.

Evidentemente, as várias culturas e sociedades não10 definiram nem definem a violência da mesma maneira, mas, ao contrário, dão-lhe conteúdos diferentes, segundo os tempos e os lugares. No entanto, malgrado as diferenças, certos aspectos da13 violência são percebidos da mesma maneira, formando o fundo comum contra o qual os valores éticos são erguidos.

Marilena Chaui. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995. In: Internet: <www2.uol.com.br/aprendiz> (com adaptações).

A respeito das idéias e das estruturas lingüísticas do texto acima, julgue os itens a seguir.

Depreende-se do texto que, apesar de diferenças culturais e sociais, é por meio dos valores éticos estabelecidos em cada sociedade que se conserva o grupo social e se protegem seus membros contra a violência.

De acordo com a argumentação textual, o pronome em “seu centro” (R.3) refere-se a “Antiguidade clássica” (R.2).

O emprego da preposição em “dos meios” (R.3) indica que o complemento do núcleo nominal “problema” (R.3) é composto por dois núcleos.

A repetição no emprego do verbo definir em “não definiram nem definem” (R.10-1) reforça, na argumentação do texto, a dimensão temporal associada à significação de violência.

Com a omissão da expressão “ao contrário” (R.12), seria mantida a coerência de argumentação no texto, mas se enfraqueceria a idéia de oposição.

A substituição da flexão de plural pela de singular na expressão “segundo os tempos e os lugares” (R.12-13) provocaria incoerência textual, uma vez que a expressão refere-se a “várias culturas” (R.10).

No terceiro parágrafo, a significação do verbo definir corresponde a atribuir conteúdo.

Considerando a figura acima, que ilustra uma janela do Excel 2000 contendo uma planilha em processo de elaboração, julgue os itens 15 e 16.

Sabendo que as células B1 e C1 estão mescladas, considere a realização das seguintes ações: clicar o cabeçalho da linha 1 ; clicar . Nessa situação, é correto afirmar que, como resultado da primeira ação, as células A1, B1 e C1 serão selecionadas e, como resultado da segunda ação, estas células ficarão mescladas após confirmação dessa ação e terão o conteúdo Indiciados Lei n.o 6.368/1976.

Sabendo que a célula A4 está com formatação do tipo geral, considere a realização do seguinte procedimento: clicar a célula A4; digitar =C3/A3*100 e, em seguida, teclar . Após esse procedimento, a célula A4 conterá um número cujo valor é superior a 1, se os conteúdos das células A3 e C3 estiverem formatados para número.

Os jovens brasileiros têm fé em seu potencial1 de mudar o mundo. Nada menos que 58% acreditam, e muito, nesse ideal — é o que mostra uma pesquisa recém-concluída com 3.500 pessoas de 15 a 24 anos de4 idade, em 198 cidades.

O que se pode afirmar com certeza é que se está diante de uma geração que trocou a utopia pelo7 pragmatismo. Os jovens não são mais arrebatados por grandes questões de ordem, na linha capitalismo versus comunismo ou rebeldia versus caretice. De olho no10 futuro, estão mais interessados naquilo que pode afetar sua felicidade de forma concreta. Não à toa, acham que educação é muito importante. E preocupam-se com os13 fatores que podem ameaçar seus sonhos: a violência, da qual são as maiores vítimas, e o desemprego, capaz de minar a conquista da autonomia.16

O fantasma que mais assusta é mesmo a violência. O problema atinge principalmente os garotos.

Embora as camadas de menor poder aquisitivo sejam19 mais afetadas pelos efeitos da violência, é claro que os jovens das classes A e B também não estão livres dessa ameaça. Na ânsia de dar um basta à situação, a maioria22 deles defende medidas como a redução da idade penal para menos de 18 anos e a proibição da venda de armas.

VEJA Especial Jovens, jun./2004, p.13-4 (com adaptações).

Julgue os itens que se seguem, a respeito do texto acima.

No primeiro parágrafo, o emprego das expressões “Nada menos que” e “e muito” é adequado ao texto jornalístico, mas não o seria caso esse parágrafo compusesse um texto de comunicação oficial, como um relatório, por exemplo.

Na linha 6, ao se eliminar “O que” e “é”, fazendo-se os ajustes necessários nas iniciais maiúsculas, retira-se a ênfase no argumento, mas preservam-se a coerência textual e o respeito às regras da norma culta.

Na linha 8, o advérbio “mais” deixa subentendido algum outro termo de comparação com “Os jovens”.

Preservam-se a correção gramatical e a coerência textual ao se retirar o ponto logo depois de “importante” (R.13), desde que feitos os necessários ajustes no emprego de letra maiúscula e minúscula.

Nas linhas 17 e 18, os termos “O fantasma”, “a violência” e “O problema” estabelecem uma seqüência de denominações para o mesmo referente.

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