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PROTOCOLO CLÍNICO DE SAÚDEDACriança

LONDRINA-2006 1ª EDIÇÃO

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Prefeito Nedson Luiz Micheleti

Secretário Sílvio Fernandes da Silva 2001–Junho/2006 Josemari S. de Arruda Campos Julho/2006

Diretor Brígida Gimenez de Carvalho 2001 – 2005 Marcelo Viana de CastroJan/2005 – Junho/2006 Sonia Regina Nery Julho/2006

Coordenador Marilda Kohatsu

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Produção, distribuição e informações:

SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE LONDRINA Superintendência Municipal: Josemari S. de Arruda Diretoria de Ações em Saúde: Sonia Regina Nery

Endereço: Rua Jorge Casoni, 2350. CEP: 86010-250 Telefone (43)3376-1800 FAX (43)3376-1804 E-mail: das@asms.londrina.pr.gov.br Site: w.londrina.pr.gov.br/saude 1ª Edição. 2006

CAPA/CONTRACAPA:Marcelo RibeiroMáximo - Artes Gráficas/Informática/AMS/PML PROJETO GRÁFICO:Visualitá Programação Visual

CATALOGAÇÃO:Sueli Alves da Silva CRB 9/1040

LONDRINA. Prefeitura do Município. Autarquia Municipal de Saúde.

Saúde da Criança:protocolo/. Prefeitura do Município. Autarquia Municipal de

Saúde-- 1. ed.-- Londrina, PR: [s.n], 2006. 70 p. : il. color.--

Vários colaboradores. Bibliografia.

1. Saúde da criança – Protocolo. 2. Saúde Coletiva – Londrina. I. Título.

CDU: 616-053.2

L838s

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Cybele Renata Trevisan SilvaMédicaPediatria US Santiago Luci Keiko Kuromoto de Castro Médica Pediatria US Jardim do Sol Rosana V. Lopes Sampaio Enfermeira Saúde Coletiva US Guanabara Sílvia M. Teixeira Crippa Enfermeira Saúde da Família US Tókio

Gerson Zanetta de LimaMédico Pediatria Hospital Universitário Ligian Terezinha M. Pelegrino Fisioterapia AMS Luci T. E. HirataPediatria Saúde da Família US União da Vitória Mara Lúcia Rocha Ramos Enfermeira Saúde Coletiva GECAP Sandra Maria Rodrigues FernandesNutricionistaUNOPAR Sandra Ribeiro Enfermeira UNIFIL Valentina Simioni RodriguesFonaldiologaAMS

CONSULTORA Maria Emi Shimazaki

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Oestabelecimento da missão da Autarquia Municipal de Saúde pressupõe a promoção da saúde equalidade de vida da população, por meio de ações integrais e intersetoriais, confere centralidade à política de qualidade como um dos maiores desafios a serem alcançados. Acredita-se que oalcance desse objetivo envolva a ampliação da satisfação dos usuários com os serviços. Entretanto, na área pública, o conceito de qualidade deve ser ampliado à aplicação dos recursos públicos de forma eficiente, eficaz e efetiva. É neste contexto que se insere a utilização adequada da tecnologia disponível, visando ao aprimoramento da qualidade técnico-científica, sendo a proposição de protocolos uma das ferramentas fundamentais neste processo. Os protocolos, sob aforma de uma documentação sistematizada, normatizam o padrão de atendimento à saúde. Na rede municipal de saúde de Londrina, sentiu-se a necessidade de um instrumento que orientasse aatuação, estabelecendo fluxos integrados na rede de assistência e medidas de suporte, definindo competência e responsabilidade dos serviços, das equipes e dos diversos profissionais que compõem as Equipes de saúde da família. Para a elaboração desses protocolos, foram identificadas as principais demandas para atenção primária à saúde e instituídos grupos-tarefa para a elaboração dos mesmos. As áreas priorizadas foram:

Livro 1 – Saúde da Criança

Livro 2 – Saúde da Mulher-Protocolo de atenção integral à gestante de baixo risco e puérpera;

-Protocolo de detecção e controle do câncer de colo de útero e de mama; -Protocolo de Planejamento familiar.

Livro 3 – Saúde do Adulto-Protocolo de Hipertensão Arterial; -Protocolo de Diabetes Mellitus;

-Protocolo de Dislipidemias

Livro 4 – Fitoterapia

Livro 5 – Cuidados de Enfermagem

Livro 6 – Asma Livro 7 - Imunização

Sendo assim, espera-se que na continuidade do empenho do grupo tarefa na produção deste material, ocorra a incorporação pelos atores no cotidiano da gestão clínica do cuidado, a se traduzir na melhoria das condições de saúde e de vida das populações sob nossa responsabilidade.

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Para a implantação dos protocolos foram seguidas as seguintes etapas: - validação externa realizada por experts de cada área, Sociedades e Associações de classe e Instituições de Ensino e validação interna – por meio de seleção de algumas unidades – com reorganização dos processos de trabalho, capacitação dos profissionais e monitoramento das ações para avaliar necessidades de adequações. Para a validação externa, foram encaminhadas cópias dos protocolos para apreciação e formulação de sugestões, às seguintes entidades e seus representantes:

-Sandra Maria Rodrigues Fernandes – Depto de Nutrição – UNOPAR -Sandra Ribeiro – Depto de Enfermagem – UNIFIL

-Gerson Zanetta de Lima – Pediatria – HURNPR

-Conselho Regional de Enfermagem

-Conselho Regional de Medicina

-Associação Médica de Londrina

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Este protocolo é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos dois anos no município de Londrina. Vários profissionais participaram em diferentes momentos deste processo, colaborando com sua experiência e conhecimento. Agradecemos a todos os profissionais que colaboraram, em especial à Enfermeira Brígida Gimenez Carvalho pelo seu empenho e determinação enquanto Diretora da DAS, na realização deste material técnico-científico

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INTRODUÇÃO 13

1. ASDIRETRIZES

1.1 População alvo15 1.2 População de risco15 1.3 Metas16

1.4.1 Atribuições do (a) Enfermeiro18

1.4 Atribuições da Equipe de Saúde18 1.4.2 Atribuições do (a) Auxiliar de Enfermagem18 1.4.3 Atribuições do (a) Pediatra e Clínico Geral do

Programa Saúde da Família 19 1.4.4Atribuições do Agente Comunitário de Saúde19

1.5 Cronograma de atendimento das Crianças 0 a 10 anos20

2. A AVALIAÇÃO DA CRIANÇA

2.3Avaliação do Crescimento e Desenvolvimento28 2.3.1 Peso28 2.3.2 Estatura31 2.3.3 Desenvolvimento Neuro Psicomotor31

2.5Verificação de Sinais Vitais em Pediatria40 2.5.1 Freqüência Respiratória40 2.5.2 Frequência Cardíaca41 2.5.3 Temperatura 42 2.5.4 Pressão Arterial42

SUMÁRIO Protoloco Criança 1/04/07 14:24 Page 10

3. OS CUIDADOS BÁSICOS

4. AS AÇÕES PREVENTIVAS

ANEXO 69 Bibliografia 70

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Uma criança para crescer saudável - e preparada para enfrentar todas as transformações que ocorrem em seu organismo durante a infância - deve receber determinados cuidados, no sentido de promover seu bem estar físico e prevenir problemas que possam interferir em seu desenvolvimento neuropsicomotor.

No Município de Londrina, o índice de mortalidade infantil em 2002 foi de 10,86 e, em 2003, foi de12,09 (em 2003, houve uma gestação de quadrigêmeos que foram a óbito elevando o índice neste ano). Ações foram desenvolvidas no sentido de reduzir esse índice, tais como:

-Implantação do programa de vigilância aos recém-nascidos de risco em 1994, que faz o monitoramento das crianças que nascem com algum risco, notificando imediatamente a unidade básica para realizar precocemente visita à criança;

-Notificação à Unidade Básica das crianças que tiveram altas hospitalares para que as mesmas sejam acompanhadas pelas equipes do Programa Saúde da Família;

-Adoção das crianças para realização de puericultura nas Unidades Básicas de Saúde.

Para que se garanta a melhoria da qualidade na assistência à saúde da criança londrinense é imprescindível que haja a intensificação do acolhimento, do vínculo, da facilidade de acesso, prioridade e continuidade no atendimento, impactando, assim, na redução da morbi-mortalidade infantil no município.

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1. ASDIRETRIZES

1.1 POPULAÇÃO ALVO Crianças de 0 a 10 anos residentes na zona urbana e rural de Londrina.

1.2 POPULAÇÃO DE RISCO

Em 2003, de acordo com o Departamento de Informações em Saúde, o Programa de Vigilância ao Recém-nascido de Risco registraram os seguintes dados:

-Baixo peso correspondeu a 64,5% dos casos; -Idade materna menor ou igual a 18 anos: 23,2%;

-Critério médico: 6,0%;

-Idade gestacional menor ou igual a 36 semanas: 4,6%, dos casos.

Critérios estabelecidos no Programa de Vigilância ao recém-nascido de risco do Município de Londrina com o objetivo de monitorar as crianças com os seguintes riscos ao nascer:

-Peso ao nascer menor ou igual a 2700 g; -Apgar ao 5º minuto menor ou igual a 07;

-Idade gestacional menor ou igual a 36 semanas;

-Idade materna menor que 18 anos;

-Critério médico.

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-Crianças de 0 a 10 anos com atraso de desenvolvimento neuropsicomotor, risco nutricional e/ou doenças crônicas (Asma, Cardiopatias, Diabetes Melitus e outras).

1.3 METAS

-Monitorar o crescimento pondero-estatural de 100% dessas crianças.

-Estimular a prática do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida a 100% das crianças.

-Oferecer orientações básicas de saúde a 100% da população atendida, prevenindo as doenças infecto-contagiosas e doenças carências.

-Realizar a busca ativa de 100% dos recém-nascidos de risco da área de abrangência.

-Através de orientações, reduzir em 100% os acidentes mais comuns na infância.

-Garantir atendimento odontológico a 100% dos recém-nascidos.

-Acompanhar 100% das crianças residentes na área de abrangência da unidade através de visitas domiciliares das equipes do Programa Saúde da Família.

-Manter atualizado o esquema vacinal, de 100% das crianças da área de abrangência da unidade.

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Protocolo Saúde da Criança -1. As DIRETRIZES

1.4 ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE SAUDE -Acolher a mãe, esclarecendo as dúvidas.

-Realizar avaliação minuciosa avaliando e detectando riscos.

-Realizar o 1º atendimento de puericultura, de preferência, nos primeiros 15 dias após o nascimento.

-Identificar dúvidas e dificuldades da mãe procurando esclarecê-las.

-Identificar dificuldades no aleitamento materno.

-Realizar visita domiciliar para acompanhamento dos recém-nascidos e consulta puerperal.

-Avaliar a criança, identificando riscos, e agendar primeira consulta com pediatra.

-Fornecer a relação dos nascidos vivos para os agentes comunitários de saúde e equipe da microárea correspondente.

-Identificar os faltosos do programa e solicitar a busca ativa pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS).

-Administrar as vacinas conforme o calendário.

-Calcular cobertura vacinal e cobertura do programa.

-Conferir se a mãe realizou ou agendou consulta de revisão puerperal.

-Verificar se foi realizado o teste do pézinho, se não, proceder a coleta.

-Preencher o gráfico de peso e estatura nos cartões da criança.

-Encaminhar a criança para o serviço de odontologia da unidade.

-Acolher a mãe, esclarecendo as suas dúvidas. -Administrar as vacinas conforme calendário.

-Colher o Teste do Pézinho.

-Avaliar aleitamento materno, incentivando e detectando dificuldades.

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Protocolo Saúde da Criança -1. As DIRETRIZES

-Realizar a puericultura e o atendimento conforme o protocolo. -Identificar os faltosos e solicitar convocação pelo ACS.

-Preencher o gráfico de peso e estatura nos cartões da criança.

-Encaminhar a criança para o serviço de odontologia da unidade

1.4.3ATRIBUIÇÕES DO(A) PEDIATRA E CLÍNICO GERAL DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

-Acolher a mãe estabelecendo vínculo com a mesma. -Incentivar aleitamento materno exclusivo até o 6º mês, sempre que possível.

-Detectar risco de desmame precoce.

-Solicitar agendamento de retornos conforme risco da criança e de acordo com o protocolo.

-Preencher o gráfico de peso e estatura nos cartões da criança.

-Encaminhar a criança para o serviço de odontologia da unidade

-Conferir a relação dos nascidos vivos de sua área realizando visita domiciliar para conhecer, cadastrar e encaminhar para a unidade todas as crianças;

-Realizar as visitas mensais conferindo a carteira de vacina e o estado geral da mãe e da criança;

-Identificar dificuldades com o aleitamento materno e avisar a equipe de sua área;

-Realizar a busca dos faltosos ao programa;

-Preencher o cartão sombra para acompanhamento do peso e imunização.

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Protocolo Saúde da Criança -1. As DIRETRIZES

RN sem RISCORN de RISCO 1.5 CRONOGRAMA DE ATENDIMENTO DAS CRIANÇAS DE 0 -10 ANOS

Obs: Os RN de risco serão acompanhados pelo enfermeiroda microárea, com retornos precoces, dependendo da gravidade do caso.

PEDIATRIACRITÉRIO MÉDICOENFERMEIRA 1 MÊS

Aux. Enferm. e/ou Enfermeira

2 MESES

4 MESES 6 MESES

1 ANO 1 ANO e 6 M

PEDIATRIA 15 DIAS

3 MESES 9 MESES

1 ANO e 6 M

4 MESES 7 ANO

10 ANOS

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2. A AVALIAÇÃODACRIANÇA

2.1 ANAMNESE

-A anamnese inicia-se desde o momento em que a família entra na sala de atendimento, quando se pode observar alguns dados, como quem traz a criança, a maneira como é carregada e sua relação com seus cuidadores.

-É importante que a equipe conheça o nome das pessoas que trazem a criança.

-Referências como "mãe", "mãezinha" "tia" ou outras afins pecam pela impessoalidade, não levando em conta a subjetividade do acompanhante, a qual é fundamental para o estabelecimento de um vínculo adequado entre a equipe de saúde e a família da criança.

-Na Pediatria, como nas demais áreas de atendimento, não há acompanhantes, mas participantes da consulta.

-No atendimento pediátrico, além dos dados obtidos tradicionalmente em outras faixas etárias, é fundamental a obtenção dos seguintes dados.

-Realização de pré-natal, idade gestacional de início, número de consultas, intercorrências gestacionais, uso de medicações, álcool ou drogas durante a gestação.

-Tipo de parto (indicação e intercorrências), idade gestacional, peso de nascimento e intercorrências neonatais.

-Agravos pregressos ao longo da vida da criança, idade de aparecimento, evolução e tratamento.

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Protocolo Saúde da Criança - 2. A AVALIAÇÃODACRIANÇA

-Duração do aleitamento materno, motivo do desmame, idade de introdução de outros alimentos, história de intolerância e/ou alergia alimentar.

-Registro da alimentação atual, com horários, modo de preparo dos alimentos, quantidades oferecidas e aceitas pela criança.

-Averiguação do cartão de vacina, anotando-se as datas de aplicação e a presença de eventos adversos.

-A avaliação do desenvolvimento da criança deve ser realizada durante todo o período de consulta, quando se observa sua atitude, interação com a mãe ou cuidadora e a reação às outras pessoas.

-Em locais onde crianças são atendidas, é importante a presença de brinquedos ou outros objetos que chamem a sua atenção. É importante registrar as idades em que se iniciaram as principais aquisições e a percepção dos pais quanto ao desenvolvimento global de sua criança (motor, linguagem, socialização, habilidades).

-Características do domicílio: se urbano ou rural, ventilação, insolação, número de cômodos, número de pessoas, presença de saneamento básico, luz elétrica e coleta de lixo.

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