Capitulo 7 O Sistema e a Contingência Teoria das Organizações e Tecnologia

Capitulo 7 O Sistema e a Contingência Teoria das Organizações e Tecnologia

Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE Unidade Acadêmica de Serra Talhada - UAST

Sistemas de Informação 2012.2 Wandersson Ferreira Saraiva

Resumo 07 - Livro Teoria Geral da Administração “Motta”

Serra Talhada

2013

O Sistema e a Contingência: Teoria das Organizações e Tecnologia

A Teoria contingencial surgiu a partir de uma série de pesquisas feitas para verificar quais os modelos de estrutura organizacionais mais eficazes em determinados tipos de indústrias. Essas pesquisas e estudos foram contingentes na medida em que procuravam compreender e explicar o modo pelo qual as empresas funcionavam em diferentes condições. Estas condições variam de acordo com o ambiente ou contexto que as empresas escolheram como seu domínio de operações, ou seja, essas condições são ditadas de acordo com o seu ambiente externo. Essas contingências externas podem ser consideradas como oportunidades ou como restrições que influenciam a estrutura e os processos internos das organizações. Joan Woodward organizou uma pesquisa para saber se os princípios de administração propostos pelas teorias administrativas se relacionavam com o êxito do negócio quando colocados em prática. A pesquisa envolveu uma amostra de 100 firmas de vários tipos de negócios, cujo tamanho oscilava de 100 a 8.000 empregados, situados no sul da Inglaterra, essas firmas foram classificadas em três grupos de tecnologia de produção, cada uma envolvendo uma diferente maneira de produzir:

[1] Produção unitária ou oficina – a produção é feita por unidades ou pequenas quantidades, cada produto, a seu tempo, sendo modificado à medida que é feito. Os trabalhadores utilizam uma variedade de instrumentos e ferramentas. O processo produtivo é menos padronizado e menos automatizado. É o caso da produção de navios, geradores e motores de grande porte, aviões comerciais, locomotivas e confecções sob medida.[2] Produção em massa ou mecanizada – a produção é feita em grande quantidade. Os operários trabalham em linha de montagem ou operando máquinas que podem desempenhar uma ou mais operações sobre o produto. É o caso da produção que requer máquinas operadas pelo homem e linhas de produção ou montagem padronizadas, como as empresas montadoras de automóveis.[3] Produção em processo ou automatizada – produção em processamento contínuo em que um ou poucos operários monitorizam um processo total ou parcialmente automático de produção. A participação humana é mínima, é o caso do processo de produção empregado nas refinarias de petróleo, produção química ou petroquímica, siderúrgica, etc. Os três tipos de tecnologia – produção unitária, massiva e em processamento contínuo – envolvem diferentes abordagens na manufatura dos produtos. Woodward verificou que a tecnologia extrapola a produção e influencia toda a organização empresarial.Conclusões de woodward são as seguintes[1] O desenho organizacional é afetado pela tecnologia usada pela organização: as firmas de produção em massa bem-sucedidas tendiam a ser organizada em linhas clássicas, com deveres e responsabilidades claramente definidos, unidade de comando, clara distinção entre linhas e staff e estreita amplitude de controle (5 a 6 subordinados para cada executivo). Na tecnologia de produção em massa, a forma burocrática de organização mostra-se associada ao sucesso. Porém, nos outros tipos de tecnologias – produção unitária e produção contínua – a forma organizacional mais viável nada tem a ver com os princípios clássicos.[2] Há uma forte correlação entre estrutura organizacional e previsibilidade das técnicas de produção – a previsão de resultados é alta para a produção por processamento contínuo e baixa para a produção unitária (oficina). A previsibilidade dos resultados afeta o número de níveis hierárquicos da organização, fazendo com que haja forte correlação entre ambas as variáveis: quanto menos à previsibilidade dos resultados, menor a necessidade de aumentar os níveis hierárquicos, e quanto maior a previsibilidade, maior o número de níveis hierárquicos da organização.[3] As empresas com operações estáveis necessitam de estruturas diferentes das organizações com tecnologia mutável – Organizações estruturadas e burocráticas com um sistema mecanístico de administração são mais apropriadas para operações estáveis, enquanto a organização inovativa com tecnologia mutável requer um sistema "orgânico" e adaptativo.[4] Há um predomínio das funções na empresa – a importância de cada função, como vendas, produção e engenharia (ou Pesquisa e Desenvolvimento – P&D) na empresa depende da tecnologia utilizada. Essas quatro pesquisas mostram a dependência da organização em relação ao seu ambiente e à tecnologia adotada. As características da organização não dependem dela própria, mas das circunstâncias ambientais e da tecnologia que ela utiliza. A Teoria da Contingência mostra que as características da organização são variáveis dependentes e contingentes em relação ao ambiente e à tecnologia, isto explica a importância do estudo do ambiente e da tecnologia. A hipótese básica da teoria de Woodward é que as empresas que mais se aproximam da estrutura adequada para suas tecnologias, deveriam ser as de maior sucesso. O sucesso é função de uma adequada adaptação tecnologia-estrutura, que pode ser conscientemente planejada para se tornar produção de grande quantidade e em massa, o que pode ocorrer de modo espontâneo em muitos casos.

Tom Burns foi um dos mais importantes homens das teorias administrativas, isso se deu por conta de seus trabalhos em relação aos sistemas hierárquicos e orgânicos, a obra de maior destaque dele é o livro The manangement of innovation, que teve colaboração do psicólogo G.M. Stalker. O seu modelo mecânico se adapta as situações do mercado tecnológico, já o orgânico, seria mais apto às turbulentas mudanças desse meio. Para Lawrence e Lorsh a organização como um todo, para conseguir trabalhar com um meio ambiente não unificado, tem de se desenvolver setores especializados em diferentes tarefas, para que a diferença entre elas se estabilize. O grupo de Aston mostra empiricamente como existe diversos tipos de burocracia, cada uma adaptada a uma configuração do ambiente. Também pretendeu demonstrar empiricamente que burocracia constitui um conceito pluridimensional, ao contrário daquilo que o tipo Ideal de Max Weber teria sugerido. O grupo entendeu que seus itens deveriam tratar do que deveria ser feito na organização e não ao que era realmente feito. Apoiaram-se na análise de documentos cinco dimensões burocráticas tendo acontecido o abandono de outra anteriormente. Essas dimensões consideradas foram formalização, centralização, especialização, padronização e configuração. O esquema conceitual do grupo de Aston utiliza como variáveis independentes para o estudo da estrutura e das atividades organizacionais aquilo chamavam variáveis de contexto, que incluem origem e história das organizações, propriedade e controle, tamanho plano (charter), tecnologia, localização, recursos e interdependência. Com referência às variáveis de contexto, o grupo concluiu que o tamanho era a principal variável de explicação e previsão de estrutura organizacional, seguido da tecnologia e da interdependência. Sete conjuntos de tipos de estrutura organizacional foram identificados, são eles a Burocracia Plena, Burocracia Plena nascente, Burocracia de fluxo de trabalho, Burocracia nascente do fluxo de trabalho, Burocracia pré-fluxo de trabalho, Burocracia de pessoal, Organização implicitamente estruturada, é importante salientar que Woodward distinguiu três modos de produção: Produção por projeto ou produto unitário, Produção de massa e Produção de fluxo contínuo.

Cusomano é um importante autor que, com base nos trabalhos de Woordward de software e modos de organização, permitiu visualizar as ligações entre modos de produção, tecnologia e modos de organização.Como nos mostra Cusomano, no seu estudo Shifting economies: From craft production to flexible systems and “software factories”, de 1992, existiam no início dos anos 1990 três modelos de produção predominantes no mercado de “software e serviços”, variando o tipo de produto oferecido: Job-shop organizations; Sistema flexivel de projeto e produção; e Fábrica convencional de projeto de produção.

Outros modelos que relacionam organização e tecnologia são os dos seguintes autores: James Thompson (1967), que propôs um método para classificar os tipos de tecnologia usados para fábricas e empresas de serviço, sendo elas Tecnologias longas e lineares, Tecnologias de medição e Tecnologia intensivas. Charles Perrow propôs em 1967 um modelo de tecnologia organizacional, ele analisa duas dimensões: a variabilidade das tarefas e o grau de formação do sistema para lidar com situações que estão previstas, podemos notar que a tecnologia e organização são mutuamente dependentes e estão interligados de modo claro.Em outra linha de análise, Henry Mintzberg elaborou sua teoria das configurações, classificando vários tipos de organização dotados de formas e modelos diferentes, cada qual visando resolver determinado problema organizacional, além de Mintzberg, outros autores desenvolvem mais tarde um modelo que leva em conta os aspectos políticos das organizações com o meio ambiente.

Bibliografia

MOTTA, Fernando C. Prestes Motta e VASCONCELOS, Isabella F. Gouveia. Teoria Geral da Administração. 3ª Ed. Revista: Thomson, 2008.

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