Capitulo 13 Teorias Ambientais

Capitulo 13 Teorias Ambientais

Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE Unidade Acadêmica de Serra Talhada - UAST

Sistemas de Informação 2012.2 Wandersson Ferreira Saraiva

Resumo 13 - livro Teoria Geral da Administração “Motta”

Serra Talhada

2013

Teorias Ambientais

O meio ambiente corresponde ao conjunto de forças externas que influenciam o modo pelo qual as organizações funcionam e obtêm recursos. Entre os recursos mais importantes do meio ambiente estão as matérias-primas, a energia, a mão-de-obra qualificada, as informações e os recursos financeiros necessários a produção de bens. Os agentes econômicos, fornecedores, clientes e as outras organizações que atuam nesse setor constituem o ambiente de tarefas dessa organização. O ambiente de tarefa é aquele em que a organização atua diretamente e que tem maior impacto sobre a capacidade da organização em atingir seus objetivos imediatos.

Com relação à comparação feita por Machado da Silva e Fonseca, para a abordagem cognitiva, o ambiente é expresso pelo conceito do domínio cognitivo, ou seja, o ambiente é concebido como um repositório de padrões culturais e de significados criados por indivíduos e organizações ao interagirem.

A Teoria da Ecologia Populacional visa de maneira veemente os aspectos estruturais do ambiente. Há uma corrente que afirma que existem diversas formas organizacionais possíveis. Para essa corrente, o fit ou adequação das formas organizacionais ao ambiente não é importante no que se diz respeito à sobrevivência das organizações. Organizações não se adaptam ao ambiente, ao contrário, tendem a ser inertes e conservar suas formas organizacionais originais. É o ambiente que as selecionam.

Hannan e Freman publicaram o artigo “The population ecology of organizations”, no qual lançam os primeiros pressupostos de ecologia populacional. A Teoria da Ecologia Populacional não analisa o ambiente voltado propriamente para o âmbito populacional de uma organização, mas, ao contrário, sua unidade de análise são grupos de organizações com características estruturais parecidas, formando populações de certo tipo. Essa teoria procura estudar o ciclo de vida das organizações.

Segundo os autores, as organizações que melhor preservam suas rotinas e formas de procedimento originais são selecionadas pelo ambiente, dado seu alto grau de confiabilidade e estabilidade na prestação de serviços e fornecimento de produtos.

Diferentemente da Teoria Ecológica Populacional, focando o aspecto relacional do ambiente, encontramos o conceito de organizações e estrutura em rede. As organizações em rede ou network organizations são com frequência descrita como organizações sem fronteiras. Uma estrutura em rede é formada por um conjunto de diferentes organizações cujas atividades são coordenadas por contratos, acordos e relações interpessoais.

Para Nitin e Eccles existem três razões pelas quais as organizações em rede são um modelo que desponta atualmente:

O sucesso das organizações “ponto.com”.

O desenvolvimento recente da tecnologia de informação, permitindo novas formas de comunicação.

O conceito de network organization tem ganhado legitimidade como objeto de pesquisa acadêmica.

Esses mesmos autores definem também cinco premissas para o estudo das organizações em rede:

Todas as organizações podem ser consideradas redes sociais e devem ser analisadas dentro dessa perspectiva.

O ambiente é considerado também uma rede formada por organizações interconectadas entre si.

As decisões e os comportamentos dos atores sociais em organizações podem ser compreendidos com base no estudo do sistema de relações de poder e pressões aos quais esses indivíduos estão submetidos.

Modelos de coesão, equivalência, proeminência, alcance e influência são utilizados para explicar as relações sociais nas organizações.

Um sistema de contatos e interconexões entre grupos organizacionais exerce pressões sobre os membros desse sistema, induzindo certos tipos de comportamento e jogo de poder.

Ao comparar as organizações, devem-se considerar as características das networks  e redes mais amplas nas quais essas organizações estão inseridas.

De modo similar à Teoria dos Sistemas Abertos e à Teoria da Contingência Estrutural, a Teoria da Dependência de Recursos denota que as organizações são dependentes de seus ambientes no que se refere aos recursos de que necessitam para sobreviver e crescer.

As organizações desenvolvem dependências em dois níveis: em relação às organizações de outros setores e em relação às organizações de seu próprio setor. As organizações podem desenvolver interdependências simbióticas complementares, não competitivas. De modo geral, quanto maior o risco de ficar sem os recursos de que necessitam, mais formal será o acordo que a organização estabelecerá com a outra da qual depende.

Segundo a Teoria dos Custos de Transação, um dos principais objetivos das organizações é minimizar os custos envolvidos nas trocas de recursos com o meio ambiente e com as outras organizações, economizando tempo e recursos.

Custos de transação são imprescindíveis para negociar, monitorar e controlar as trocas entre organizações, indivíduos e agentes econômicos.

A Teoria Neo-institucionalista deriva do conceito de institucionalização e dos trabalhos institucionais de Selzick. Um conceito institucionalizado é algo “tomado como certo” para dado grupo social. Esse conceito torna-se uma “verdade” aceita naturalmente para os membros desse grupo social, inspirando suas ações e práticas sociais. A institucionalização é um processo composto de três momentos: a externalização, a objetivação e a internalização. Normas, regras e valores construídos pelo grupo social são transmitidos pelos processos de socialização primária e secundária para outros indivíduos desse grupo, reproduzindo esse imaginário social. A institucionalização consiste no processo pelo qual atores individuais transmitem o que é socialmente definido como real. O que corresponde a um processo de fabricação de “verdades”.

O neo-institucionalismo, dessa forma, considera as organizações como “atores sociais” que interagem o modelo e o ambiente. Os indivíduos e organizações adotam por serem esses modelos fontes de legitimidade, reconhecimento e recursos, permitindo aos atores sociais e organizacionais aumentar sua capacidade de sobrevivência em certo meio.

Powell e DiMaggio propuseram uma tipologia sobre os processos que conduzem uma organização a mudar sua estrutura e adotar os modelos cognitivo e normativo instituídos por certos grupos e por outras organizações em um dado setor institucional.

Alguns dirigentes adotam modelos normativos e estruturais por meio de quatro formas de institucionalização:

  • A coerção;

  • A normalização;

  • A indução;

  • O mimetismo organizacional.

Referente a essa última, resultam algumas consequências:

  • - A separação entre teoria e prática organizacional;

  • - A política de ignorar a infração à regra;

  • - A cerimonialização de controles e inspeções.

Esses estudos mostram que quanto maior for o grau de institucionalização de modelos e regras em dado ambiente ou organização, maior será a cerimonialização dos seus procedimentos.

A adoção dos sistemas integrados de gestão passou a ser também associada com as learning organizations e com o paradigma pós-industrial. Para ser atualizada, uma organização tinha de ter, de modo obrigatório, sistemas de informação atualizados. Independentemente de suas necessidades concretas, muitas organizações passaram, então, a adotar essa tecnologia.

Meyer e Rowan afirmam que são esses mecanismos de institucionalização que geram a mudança em dado setor, e não as trocas de organização com seu ambiente, como propõe a Teoria dos Sistemas Abertos. Segundo os autores, o fato de o ambiente ser simples ou complexo não influi sobre a dinâmica da mudança das organizações de determinado setor.

A adoção de tecnologia e estratégias consideradas superiores em certo meio preserva as posições de poder dos tomadores de decisão no caso de fracasso, uma vez que estes sempre podem defender suas escolhas com os clientes e os acionistas baseando-se nos argumentos e modelos aceitos pela maioria no setor produtivo.

Bibliografia

MOTTA, Fernando C. Prestes Motta e VASCONCELOS, Isabella F. Gouveia. Teoria Geral da Administração. 3ª Ed. Revista: Thomson, 2008.

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