Capitulo 14 Psicanálise Organizacional e Psicodinâmica, Pós-Modernidade e Tendências Futuras nos Estudos Organizacionais

Capitulo 14 Psicanálise Organizacional e Psicodinâmica, Pós-Modernidade e Tendências...

Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE Unidade Acadêmica de Serra Talhada - UAST

Sistemas de Informação 2012.2 Wandersson Ferreira Saraiva

Resumo 14 - livro Teoria Geral da Administração “Motta”

Serra Talhada

2013

Psicanálise Organizacional e Psicodinâmica, Pós-Modernidade e Tendências Futuras nos Estudos Organizacionais

O livro de Motta e Vasconcelos, no último capítulo, relata que os pesquisadores do Instituto Tavistock de Londres, no período da segunda Guerra Mundial até meados de 1960, criaram as bases do conhecimento da psicanálise organizacional e da psicodinâmica. Eric Trist, Chiristophe Dejours e outros tantos outros pesquisadores famosos foram os pioneiros nesse tipo de pesquisa. Atualmente, autores como Kets de Vries, Peter Frost, e diversos outros, fundaram a International Society for the Psychoanalytic Study of Organizations, no qual vêm desenvolvendo importantes estudos em psicodinâmica organizacional, revalorizando essa disciplina.

Os trabalhos de Linda Smircich sobre metodologia e cultura, bem como os estudos de Yiannis Gabriel, oferecem perspectivas interessantes de pesquisa para os cientistas dessa área.

Burrel e Morgan propõem uma classificação detalhada dos principais paradigmas vigentes em sociologia das organizações.

Quando o trabalho do indivíduo e os seus conhecimentos não são mais considerados “importantes”, existe uma perda de autoestima e aumento de sua insegurança e do seu nível de ansiedade. Nesse momento, seus mecanismos de defesa (self-defense mechanisms) entram em ação.

Pode-se dizer que segundo o estudo da psicanálise freudiana, o aparelho psíquico compõe-se de três elementos: o id, o ego e o superego.

  • id: Busca sempre a satisfação imediata atuando de acordo com o princípio do prazer.

  •  ego: É responsável pelo contato da psique com a realidade externa e contém elementos conscientes e inconscientes.

  • superego: Representa as regras morais, a ética, o que é definido como certo ou errado em uma sociedade.

Alguns dos principais eixos da psicanálise:

  1. A ligação entre a realidade psíquica e a realidade histórica;

  2. O jogo de duas pulsões antagônicas e intrincadas: a pulsão da vida (Eros) e a pulsão da morte (Thanatos);

  3. O papel determinante do ser humano no edifício social;

  4. A civilização e a organização como renúncia à satisfação das pulsões.

Eliot Jacques baseado nos estudos de Melanie Klein sobre a relação da mãe com o recém-nascido estudou os sistemas sociais como forma de defesa contra a ansiedade depressiva e o medo. O autor mostrou que as organizações e estruturas sociais oferecem regras e um conjunto de valores aos indivíduos, com base nos quais estruturam seu cotidiano de forma segura, encontrando sentido na vida deles. Com a introjeção, as representações dos objetivos e das pessoas que fazem parte da realidade externa ao indivíduo são incorporadas por este e se torna parte de sua vida interior. Simultaneamente ocorre a identificação por projeção, quando o indivíduo atribui às pessoas e aos objetivos externos sentimentos diversos, principalmente sentimentos de amor e ódio.

Klein em pesquisas feitas com bebês relatou que a criança desenvolve um elemento de força ligado ao seu ego e introjeta uma imagem positiva de si que será útil em suas futuras identificações, ajudando-a a sobreviver mais tarde em situações difíceis que atravessará em sua vida adulta. Com base nos estudos de Melanie Klein, Elliot Jacques mostra que os adultos também introjetam sentimentos ambíguos com relação a um mesmo objeto externo, separando suas pulsões positivas e negativas e apegando-se às pulsões positivas para sobreviver em certo meio.

Os mecanismos de defesa são:

  • Regressão;

  • Formação de reação;

  • Projeção;

  • Introjeção ou identificação;

  • Negação (denial);

  • Isolamento;

  • Clivagem;

  • Racionalização;

  • Sublimação.

Os mecanismos de defesa não são estratégias conscientes para lidar-se com situações difíceis, contudo estratégias conscientes para lidar-se com situações difíceis. São expressões inconscientes que podem ser avaliadas a posteriori pela psicanálise, que por meio de um longo processo permite a descoberta e o entendimento desses processos complexos.

Com visão nos estudos de Klein e Jacques, a psicodinâmica organizacional considera as regras burocráticas como um conjunto estruturado de defesas psicológicas. Os indivíduos escondem-se atrás de regras e normas, procurando estruturar seu tempo e suas relações com os outros indivíduos a fim de viver a espontaneidade e a pessoalidade nas relações com os outros.

Certo conjunto de regras e estruturas burocráticas ajuda os indivíduos a organizar seu cotidiano, suas relações interpessoais e seu tempo, fornecendo-lhes um caminho “seguro” no qual eles se apoiam e baseiam sua vida. Conceitualiza-se paradoxo como realidades socialmente construídas com base em percepções simplificadas dos atores sociais, que, ao tentarem atribuir sentido à sua experiência, representam os sistemas complexos nos quais estão inseridos em torno de duas percepções contraditórias que passam a orientar sua ação.

O “metamodelo” transformacional de gestão afirma a ambivalência e a contradição interna, os aspectos psíquicos, a complexidade dos processos de socialização, os fenômenos simbióticos e inconscientes.

Um estudo de caso feito em uma empresa de informática francesa mostrava que a fábrica passava por um processo de downsizing elaborado por um escritório de consultoria internacional, especializado nesses procedimentos. Essa fábrica possuía como base duas tecnologias: a bipolar, antiga e tradicional, e a FET/CMOS, pela qual se fabricavam circuitos de alta densidade.

Os empregados da linha ACL trabalhavam em turnos de “2 x 8”, o que significava trabalhar uma semana durante o período da manhã, depois uma a semana durante o período da noite voltando a trabalhar depois no período da manhã e novamente no período da noite, alternamente. Todo dia, ao chegar para o trabalho, os funcionários cumpriam o ritual da mudança de roupa e da “ducha de descontaminação”. Cumprindo de oito horas dispunham de 45 minutos de almoço e duas pausas de 15 minutos.

Problemas como a rotina rígida de trabalho, a falta de liberdade, as roupas pesadas, entre outras coisas, fizeram o nível da produtividade começar a cair. Por meio de um conjunto de entrevistas e testes, chegou-se à conclusão de que os operadores “não aguentavam” a pressão de passar horas a fio em um ambiente tão diferente. O grupo de seis mulheres manifestou, no entanto, uma característica diferenciada do grupo de homens: o uso do uniforme, que limitava seus movimentos e deixava-as pesadas, deformadas, com dificuldade de locomoção, foi apontado por elas como o principal problema do grupo.

Após essas constatações, foram feitas modificações na organização do trabalho. Os operadores foram autorizados a almoçar e jantar no restaurante comum às outras unidades. Eles foram autorizados a colocar suas roupas de “civis” e a frequentar o mesmo ambiente que os operadores das outras unidades, não ficando mais isolados na hora do almoço, podendo sentar e conversar com quem desejassem.

Bentham desenvolveu a arquitetura de uma instalação penitenciária bastante especial, o panóptico que tratava de um princípio apropriado tanto para prisões como pra outras organizações. O panóptico consiste no projeto de uma prisão, uma construção em anel, em cujo centro se encontra a cadeira do “inspetor” cuja periferia é destinada às celas, apartadas entre si, dos presos ou dos alunos.

Os estudos seguem diversas linhas de análise, esses servem para ilustra algumas tendências de pesquisa: Organizações “teatrais” e espetaculares, estudos sobre identidade organizacional e universos de significação e legitimação simbólicos; Estética organizacional, tempo, filosofia, poder, religiosidade e estudos críticos; Análise do discurso, ambivalências e paradoxos; Estudos de gênero, diversidade e pós-modernidade; Estudos ligados ao poder.

Conclui-se que a Teoria Psicodinâmica nos mostra que o pensado não se opõe necessariamente ao futuro. Ele pode ser à base de sua construção. E esse processo nunca acaba. Sempre há o surgimento de novos questionamentos: Começamos uma nova era ou continuamos a mesma história?

Bibliografia

MOTTA, Fernando C. Prestes Motta e VASCONCELOS, Isabella F. Gouveia. Teoria Geral da Administração. 3ª Ed. Revista: Thomson, 2008.

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