Transporte em São Paulo

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Miguel Mendes Ruiz

13 de junho de 2013

O prefeito se disse favorável a manifestações desde que ocorram de modo pacífico, dizendo que não iria dialogar em uma situação de violência, que “a renúncia à violência é pressuposto ao diálogo”. Muito bonito.

O governador não se mostrou tão simpático, foi curto e disse ser intolerável a ação dos baderneiros. Tom seguido toscamente por Jabor em mais uma divagação gagá para o Jornal Nacional da Globo.

Ser conciso e coerente em seus objetivos é parte central para o sucesso de uma reivindicação, acredito. Fico confuso quando o Movimento do Passe Livre reivindica não um passe livre, mas o não aumento da passagem.

É claro que não é sobre os 20 centavos.

Agora, objetivamente, são 20 centavos o preço para acabar com o protesto, se este for bem sucedido. Incomoda-me esta incoerência conceitual, mas entendo que é um objetivo mais facilmente alcançável e dá força política ao movimento.

Já a violência e a depredação que ocorreu me parecem de uma incoerência injustificável. Elas foram motivo da impopularidade do movimento em seu primeiro ato.

Em entrevista à rádio CBN1 o prefeito rebateu as declarações do Movimento Passe Livre que afirmou não incentivar a violência, mas que é impossível controlar a frustração e a revolta de milhares de pessoas com o poder público e com a violência da Polícia Militar. “É fácil lavar as mãos depois que aconteceu. Você promove um movimento e não tem capacidade de liderança e aí lava as mãos. Isso não é próprio da democracia. Democracia é assumir responsabilidades.”

Com medo de ser mal interpretado o governador disse em entrevista para a mesma rádio2 : “Sempre os governos, inclusive o do estado, estão abertos ao diálogo.” Veja bem, inclusive o do estado. Jurou de pé junto. Continuou: “Defende a livre manifestação, isso não é novidade para nós.”

Quem defende? A falta de prática no exercício da primeira pessoa numa frase com as palavras “livre” e “manifestação” ficou evidente.

Concordo que o movimento deve se responsabilizar pelos atos de violência e vandalismo. Não confundindo a livre expressão com vandalismo: uma comunica, outra agride. Quando um ato de livre expressão for taxado de depredação e violência deve ser clara a resposta: não houve violência.

Do outro lado, deveriam ser expurgados os indivíduos e organizações que agissem com violência em meio a protestos bem organizados. Com denúncias e boletins de ocorrência relatando essas atitudes criminosas, todas partindo de dentro do próprio movimento, firmando uma postura bem clara para todos os manifestantes.

Aparentemente houve uma evolução nesse sentido: o segundo ato foi considerado pacífico, mas a evolução não foi o suficiente uma vez que o terceiro ato voltou a ter confrontos.

Um PM atuando na segurança do prédio da Justiça, que, enfrentando um manifestante que pichava a parede do prédio, acabou se envolvendo em um confronto com muitos manifestantes e foi ferido. Vale dizer que o enfrentamento partiu do policial, mas a agressão do manifestantes.

Agora fazemos uma pausa em um ponto de inflexão.

Na quarta manifestação a vontade de manter uma manifestação pacífica parece ter sido melhor orquestrada. Orquestração ensurdecida pela polícia militar do estado de São Paulo.

Está muito delicada a posição do prefeito e do governador agora que está claro que violência, cujas ausencia é pressuposto ao diálogo, está partindo da Polícia Militar. A situação fica evidente pois não houve respeito sequer com os jornalistas que cobriam os acontecimentos, mais uma sagaz atitude da grandiosa antítese que é a Inteligência Militar. Quem vocês acham que vai transmitir notícias amanhã?

Quem vai assumir as responsabilidades nessa nossa “democracia”, antes definida como “assumir responsabilidades”?

Não é de hoje que eu não fico a vontade pela cidade. E não tenho tanto medo de bandido, de assaltante, quanto tenho de policial e de motorista de automóvel.

Apesar dos pesares ainda me parece muito sensata a posição do prefeito.

Espero que as investigações da Secretaria de Segurança do Estado quanto ao excesso no uso da força por parte da policia tenha algum desdobramento para fortalecer nossa recém-nascida democracia.

1'Não vou dialogar em situação de violência', diz Haddad após protesto - G1 (12/06/2013)

2Alckmin diz ser 'intolerável ação de baderneiros' durante protestos em SP - G1 (12/06/2013)

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