telecurso 2000 - volume 3 - processos de fabricação - 52proc3

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52 AULA

Na aula passada, vocŒ aprendeu como fresar segundo um processo especial, o Renânia. Nesta aula, vocŒ vai ver outro processo especial de fresagem, o processo Fellows, que Ø utilizado na indœstria mecânica, principalmente em empresas fabricantes de mÆquinas, por permitir a construçªo de engrenagens externas e internas helicoidais com rapidez e exatidªo.

Estude bem e, se necessÆrio, recorra a aulas passadas para rever conceitos jÆ aprendidos.

O processo Fellows

Veja abaixo a figura de uma fresa Fellows usinando uma peça. Como vocŒ pode perceber, trata-se de uma fresa muito parecida com uma engrenagem cilíndrica com dentes retos. A diferença Ø que a fresa Fellows apresenta em seus dentes uma cunha de corte que faz a usinagem do material.

O aspecto construtivo da fresa mais os movimentos que ela executa constituem uma das vantagens do processo Fellows de fresagem. Sªo eles que permitem fresar engrenagens com dentes escalonados em um mesmo eixo e em grande escala de produçªo. Veja, a seguir, alguns tipos de engrenagens produzidas pelo processo Fellows.

Fresando pelo processo Fellows

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Nossa aula

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engrenagens diversas

Um dos movimentos da fresa Ø o de rotaçªo, que Ø dado pelo cabeçote onde ela se encontra fixada. AlØm desse movimento, a fresa Fellows executa tambØm um movimento alternado de sobe e desce, o qual Ø dado por um sistema de alavancas que trabalham em sincronia com o movimento da mesa. Trata-se de um movimento semelhante ao movimento do torpedo da plaina vertical, que vocŒ jÆ conhece. É o movimento de sobe e desce da fresa que executa a fresagem propriamente dita do material.

Ainda hÆ um terceiro movimento efetuado pela fresa, o qual Ø dado pelo movimento horizontal do cabeçote porta-fresa. Trata-se de um movimento responsÆvel pela penetraçªo gradativa da fresa no blanque.

A penetraçªo aumenta gradativamente graças a um came que se liga ao cabeçote. Este excŒntrico funciona como o comando de vÆlvulas de um automóvel. Quando sua parte mais distante do centro do eixo estÆ em contato com a vÆlvula, esta se abre. Caso contrÆrio, isto Ø, quando a parte mais proxima do eixo estÆ em contato com a vÆlvula, esta se fecha.

O mesmo ocorre com o cabeçote porta-fresa. Quando a parte mais distante do centro do eixo estÆ em contato com a mesa, maior Ø a profundidade de corte, isto Ø, mais a fresa penetra no blanque. Inversamente, quando a parte mais próxima do centro do eixo estiver em contato com a mesa, menor serÆ a profundidade de corte da fresa.

detalhe do came

AULAAssim, como jÆ dissemos, sªo os movimentos da fresa Fellows mais seu aspecto construtivo que fazem do processo Fellows um processo especial de fresagem.

Mas nªo Ø só a fresa que executa movimentos diferenciados com relaçªo a outros processos de fresagem. TambØm a mesa executa movimentos específicos como o movimento de rotaçªo, graças a uma grade de engrenagens que faz a funçªo do cabeçote divisor, tal como ocorre no processo Renânia. Veja a figura.

A mesa executa tambØm um movimento horizontal. O movimento horizontal da mesa faz com que durante o processo de usinagem ela seja aproximada da fresa no momento de descida desta e afastada dela no momento de subida. Em outras palavras, nªo hÆ contato entre peça e ferramenta no momento de subida desta. Nªo havendo este contato, nªo hÆ o risco de a aresta da cunha de corte se quebrar e, com isso, provocar danos à superfície da peça.

Assim, o contato entre peça e ferramenta nªo ocorre porque mesa e fresa trabalham sincronizadas. A sincronia de movimentos entre mesa e ferramenta Ø o que caracteriza processos especiais de fresagem como o processo Fellows e lhe confere vantagens nªo encontradas nos processos convencionais de fresagem.

Agora que vocΠentendeu como funciona o processo Fellows de fresagem, podemos ver como usinar por este processo.

Usinando pelo processo Fellows

Vamos supor que vocΠrecebe a tarefa de fresar uma engrenagem de dentes retos, em que:

Por onde começar?

•Escolha a fresa.

Observaçªo: Observaçªo: Observaçªo: Observaçªo: Observaçªo: Pode-se escolher entre dois tipos de fresa. Veja a tabela a seguir.

grade de engrenagens

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No nosso caso vamos utilizar a fresa B.

•Fixe o blanque à mesa. Utilize um mandril apropriado. •Fixe o cortador no eixo-Ærvore, por meio de um mandril apropriado.

•Monte a grade divisória. Para isso, utilize a tabela do fabricante ou calcule as engrenagens que irªo compor a grade.

Dica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológica O cÆlculo da grade de engrenagens Ø feito por meio da fórmula:

em que:

Zn=nœmero de dentes da fresa A=engrenagem motriz

B, C=engrenagens intermediÆrias D = engrenagem conduzida

No nosso caso, escolhemos trabalhar com a tabela do fabricante. Veja detalhe.

•Determine a altura do dente. Para isso, utilize a fórmula: h = 2,25 · M em que:

Cortador 3” Cortador 4”

Nœmero de dentes

Nœmero de dentes

Zn CDA B

AULADica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológica

VocŒ aprendeu que a altura do dente Ø dada pela fórmula: h = 2,166 · M. Mas na fresagem pelo sistema Fellows, Ø necessÆrio aumentar essa altura de 2,2 a 2,25 · M. O valor 2,25 Ø o mais usado.

Substituindo vem:

h = 2,25 · 2,5 h = 5,625

Com este resultado, tem-se que a altura do dente Ø igual a 5,625.

•Regule o curso de subida e descida da ferramenta. Este deve ser de 2 a 3 m maior que a largura do dente.

•Determine o nœmero de golpes da ferramenta. Para isto, utilize tabela do fabricante. No nosso caso, este nœmero Ø de 436 golpes/min, conforme detalhe de tabela.

•Monte o came. Para isso, considere o grau de usinagem exigido no desenho.

No nosso caso, a usinagem serÆ feita em um só passe.

•Tangencie o blanque com a fresa. Para isso: a)a)a)a)a)posicione o came em seu ponto mais alto; b)b)b)b)b)zere o anel graduado do cabeçote porta-fresa; c)c)c)c)c)gire manualmente o came atØ que a fresa se afaste da peça em todo o curso dele; d)d)d)d)d)posicione o came em seu ponto mais baixo. •Usine a engrenagem.

velocidade de corte em m/ min.

largura da engrenagem curso de subida e descida da ferramenta

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