telecurso 2000 - volume 3 - processos de fabricação - 55proc3

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A retificaçªo Ø um dos processos de usinagem por abrasªo. Basicamente, a retificaçªo visa corrigir as irregularidades de superfícies de peças ou materiais submetidos a operaçıes antecedentes.

Mas, seja qual for o objetivo da retificaçªo, Ø preciso preparar a retificadora antes de iniciar a operaçªo. É o que vamos estudar nesta aula.

Procedimentos de preparaçªo da mÆquina retificadora

Esses procedimentos referem-se à escolha e balanceamento do rebolo, sua montagem na mÆquina retificadora, à dressagem e medidas de segurança, que devem ser tomadas pelo operador.

Escolha e preparaçªo de rebolosEscolha e preparaçªo de rebolosEscolha e preparaçªo de rebolosEscolha e preparaçªo de rebolosEscolha e preparaçªo de rebolos

Os fabricantes de rebolos adotam um código internacional, constituído de letras e nœmeros para indicar as especificaçıes do rebolo, conforme ilustraçªo a seguir.

Preparaçªo de mÆquina Nossa aula

AULAPara a escolha do rebolo sªo levados em conta: abrasivos, grªos, dureza, estrutura e aglomerantes.

Tipos de abrasivos

Atualmente, sªo utilizados para confecçªo de rebolos grªos abrasivos obtidos artificialmente, jÆ que os de origem natural deixaram de ser aplicados pelo seu alto custo. Os principais sªo:

Óxido de alumínioÓxido de alumínioÓxido de alumínioÓxido de alumínioÓxido de alumínio (Al2O3) - Obtido a partir do mineral denominado “bauxita” por um processo de reduçªo, apresenta-se em duas qualidades segundo o critØrio de pureza conseguida na sua elaboraçªo:

•Óxido de alumínio comum (A) - De cor acinzentada, com pureza química em torno de 96-97%, e tendo como principal característica a sua alta tenacidade, a qual se presta nos casos de retificaçªo de materiais que tenham elevada resistŒncia à traçªo.

•Óxido de alumínio branco (A) - Com 9% de pureza, distingue-se pela sua cor, geralmente branca, e com propriedades semelhantes ao óxido de alumínio comum, porØm devido a sua pureza e forma de obtençªo (cristalizado) torna-se mais quebradiço. Por isso, Ø empregado em retificaçıes que requerem nível baixo de calor, gerado entre o rebolo e a peça, e ao mesmo tempo boa qualidade de acabamento em superfície com menor tempo de execuçªo. Como exemplo podemos citar aços-ligas em geral.

Carbeto de silício Carbeto de silício Carbeto de silício Carbeto de silício Carbeto de silício (SIC) - Obtido indiretamente por meio da reaçªo química de sílica pura com carvªo coque em fornos elØtricos. Este tipo de abrasivo apresenta maior dureza que os óxidos de alumínio, sendo conseqüentemente mais quebradiço. É empregado em materiais de baixa resistŒncia à traçªo, porØm, de elevada dureza. Como exemplo temos: vidros, porcelanas, ferros fundidos (tratados ou nªo superficialmente), plÆsticos, alumínio e carbonetos (metal duro).

Esses abrasivos podem ser reconhecíveis, tambØm, pela coloraçªo: pretospretospretospretospretos e verdes,verdes,verdes,verdes,verdes, sendo este œltimo empregado nas afiaçıes de ferramentas de metal duro; por serem mais quebradiços que os pretos nªo alteram a constituiçªo do metal duro.

Carbeto de boroCarbeto de boroCarbeto de boroCarbeto de boroCarbeto de boro (B4C) - Com características superiores aos anteriores, Ø pouco empregado na fabricaçªo de rebolo. É utilizado mais comumente em forma de bastonetes para retificaçªo de ferramentas, devido ao seu alto custo.

DiamanteDiamanteDiamanteDiamanteDiamante - Material mais duro encontrado na natureza, Ø utilizado em estado natural ou sintØtico na elaboraçªo de rebolos para lapidaçªo.

Classificaçªo do abrasivo quanto ao tamanho e simbologia

O tamanho do grªo (grana) Ø determinado por meio do peneiramento.

O peneiramento Ø feito atravØs de peneiras sucessivas, com um certo nœmero de malhas por polegada linear.

AULA Exemplo:

- Tamanho de grªo 80 Significa que foi obtido atravØs de uma peneira cujo lado tem 1/80 de polegada (aproximadamente 0,32 m). A tabela a seguir mostra os tipos de grana empregado no mercado:

ObservaçªoObservaçªoObservaçªoObservaçªoObservaçªo: Qualquer outro símbolo anexado aos mencionados determinam aperfeiçoamento das fÆbricas produtoras de grªo ou rebolo.

Aglomerante ou liga

Como jÆ citamos, o elemento aglomerante do abrasivo permite que a ferramenta mantenha a sua forma e resistŒncia, dando-lhe condiçıes de fazer o trabalho desejado e desprender o grªo quando ele perder suas características de corte. A proporçªo e qualidade da liga bem como o abrasivo determinam dureza e grau de porosidade, exigidos pelo tipo de retificaçªo.

As ligas mais empregadas sªo:

•Vitrificadas (V): feitas à base de mistura de feldspato e argila, sªo as mais utilizadas, pois nªo sofrem ataque ou reaçªo química pela Ægua, óleo ou Æcidos. Sªo usadas nas mÆquinas retificadoras com velocidade perifØrica de no mÆximo 35 m/s.

•Resinóides (R): sªo feitos com base em resinas sintØticas (fenólicas) e permitem a construçªo de rebolos para serviços pesados com cortes frios e em alta velocidade, que nunca deve superar 80 m/s.

•Borracha (R): utilizada em aglomerante de ferramentas abrasivas para corte de metais e em rebolos transportadores das retificadoras sem centro (center less).

•Goma-laca (E) e Oxicloretos (O): atualmente em desuso e só aplicada em trabalhos que exijam cortes extremamente frios em peças desgastadas.

Muito grossoGrossoMØdioFinoMuito finoPó

AULASimbologia das principais ligas: V = Vitrificadas

Grau de dureza

O grau de dureza de um rebolo Ø a medida do poder de retençªo dos grªos abrasivos pelo aglomerante. Um rebolo muito duro retØm seus grªos atØ depois de estes terem perdido a capacidade de corte. Um rebolo muito mole perde seus grªos antes de estes terem executado inteiramente o trabalho. No caso de usinagem de materiais que tendem a empastar o rebolo, deve-se usar um rebolo mole, que solte os grªos com mais facilidade.

Estrutura

Estrutura Ø o grau de compactaçªo dos grªos abrasivos no rebolo e referese tambØm à porosidade do rebolo.

Exercício 1Exercício 1Exercício 1Exercício 1Exercício 1

Complete as lacunas com as características do rebolo representado pela figura.

Pare! Estude! Responda!

AULABalanceamento do rebolo

Depois de escolher o rebolo, Ø preciso balanceÆ-lo e dressÆ-lo. Assim, ele fica bem equilibrado, evita vibraçıes na retificadora e permite a obtençªo de superfícies de acabamento fino.

Vamos ver, de modo geral, como se balanceia um rebolo.

Primeiro, Ø preciso verificar se o rebolo estÆ trincado. Para isso, Ø preciso suspender o rebolo pelo furo e submetŒ-lo a pequenos e suaves golpes, dados com um macete ou cabo de chave de fenda.

Se o rebolo nªo estiver trincado, ele produzirÆ um leve som “metÆlico”.

Se tiver trincas, o som serÆ “apagado”. Neste caso, o rebolo deve ser substituído por outro em bom estado.

Os rebolos possuem um “rótulo”“rótulo”“rótulo”“rótulo”“rótulo” de papel em suas laterais. Esses “rótulos”“rótulos”“rótulos”“rótulos”“rótulos” nªo devem ser retirados, pois servem para melhorar o assentamento dos flanges, visto que no processo de fabricaçªo do rebolo, as superfícies ficam irregulares. No momento do aperto dos flanges, sem o rótulo pode ocorrer mÆ fixaçªo ou atØ mesmo a quebra do rebolo.

Em seguida, o rebolo deve ser montado sobre o flange. Coloca-se o flange superior de maneira que os dois flanges sejam unidos com parafusos de fixaçªo.

O rebolo, assim preparado, Ø colocado sobre o eixo de balanceamento e o conjunto rebolo-eixo Ø assentado sobre as rØguas do dispositivo de balanceamento.

O dispositivo de balanceamento deve estar nivelado, para que a inclinaçªo das rØguas de apoio nªo influencie no balanceamento do rebolo.

rebolo sobre o eixo de balanceamento

AULAOs flanges possuem ranhuras onde sªo colocados contrapesos para balancear o re-

bolo. É como balancear a roda de um carro em que sªo colocados pequenos pesos.

Esses pequenos pesos podem ser movimentados dentro da ranhura. Se um lado do rebolo estiver mais pesado, ele vai girar ao se colocar o rebolo com o eixo de balanceamento sobre as rØguas do dispositivo.

Movimentamos os trŒs contrapesos a fim de equilibrÆ-los. Quando o peso estiver equilibrado, o rebolo ficarÆ parado em trŒs posiçıes diferentes, a 120°, uma em relaçªo à outra. Nesse momento, o balanceamento estÆ concluído.

Antes de iniciar uma retificaçªo de peças Ø necessÆrio retificar o rebolo para melhorar as seguintes características: planicidade, concentricidade e superfície cortante. Esta operaçªo de retificaçªo do rebolo tambØm Ø chamada dressagemdressagemdressagemdressagemdressagem.

O primeiro passo Ø fixar bem o rebolo no eixo da retificadora da mÆquina.

Neste momento, deve-se observar tambØm a folga radialradialradialradialradial, que nªo deve ultrapassar 0,005 m, e a folga axial, axial, axial, axial, axial, a qual nªo deve ser maior que 0,02 m. Em seguida, fixamos o diamante de retificaçªo na mesa da retificadora, geralmente com uma placa magnØtica.

Liga-se o rebolo e faz-se com que ele tangencie o diamante. Nesse momento,

Ø preciso ter muito cuidado, pois a posiçªo do diamante em relaçªo ao rebolo nªo deve permitir que o rebolo “puxe” o diamante para baixo de si. Caso contrÆrio, isso pode provocar a quebra do rebolo e trazer riscos para o operador.

dispositivo de balanceamento

AULAA dressagem consiste em passar o rebolo inœmeras vezes pelo diamante, com pequenas profundidades de corte e com movimentos lentos de avanços

transversais da mesa. As profundidades sªo de aproximadamente 0,02 m para o desbaste e 0,05 m para o acabamento.

Para evitar aquecimento excessivo das peças submetidas à operaçªo, devese usar fluido de corte em abundância sobre o diamante e o rebolo.

Dica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológicaDica tecnológica

Nªo ligue o refrigerante antes de ligar o rebolo para evitar que ele se encharque e prejudique o balanceamento.

Outro fator importante a ser considerado na preparaçªo da retificadora consiste na determinaçªo da velocidade de corte do rebolo e do movimento da mÆquina.

A velocidade de corte do rebolo Ø de grande importância e depende do tipo do aglomerante. Numa velocidade muito baixa, haverÆ desperdício de abrasivo e pouco rendimento do trabalho. Uma velocidade muito alta pode causar rompimento do rebolo.

Geralmente, as mÆquinas tŒm rotaçıes fixas que correspondem à velocidade de corte ideal. De modo geral, na prÆtica, sªo adotadas as seguintes velocidades, segundo o aglomerante:

Quanto à velocidade do rebolo, tambØm deve ser considerado o seguinte:

•quanto mais alta a velocidade do rebolo em relaçªo à velocidade da peça, menor deve ser o grau do aglomerante;

•os aglomerantes orgânicos (resinóide, borracha, goma-laca) devem ser empregados para velocidades mais altas.

Para manter um rebolo na velocidade perifØrica, e se sua mÆquina permitir, aumente progressivamente a rotaçªo por minuto (rpm). Com isso vocŒ evita o desgaste excessivo do rebolo.

Deve-se empregar sempre a velocidade indicada pelo fabricante para cada tipo de rebolo.

AGLOMERANTEAGLOMERANTEAGLOMERANTEAGLOMERANTEAGLOMERANTEVELOCIDADEVELOCIDADEVELOCIDADEVELOCIDADEVELOCIDADEDEDEDEDEDE CORTECORTECORTECORTECORTE

Vitrificado

Resina Borracha MetÆlico atØ 3 m/s atØ 45 m/s atØ 35 m/s atØ 30 a 35 m/s

AULAPrevençªo de acidentes

Na usinagem por abrasªo os acidentes sªo, em geral, causados pela quebra dos rebolos. Este fato se deve a vÆrias causas: ocorrŒncia de trincas durante o transporte ou armazenamento dos rebolos, montagens defeituosas; excesso de velocidade no trabalho, pressªo demasiada em rebolo de pouca espessura, contato muito brusco do rebolo com a peça a retificar, uso do rebolo muito duro etc.

Por isso, sªo necessÆrias as seguintes medidas preventivas: antes de qualquer operaçªo, verificar se o rebolo estÆ em bom estado e se ele Ø adequado ao serviço a ser feito; limpar bem o rebolo e evitar choques e pressıes excessivas sobre sua superfície para ele nªo estourar.

Para prevenir ferimentos, o operador deve observar os seguintes procedimentos:

•ao iniciar a rotaçªo, ficar de lado e nªo em frente do rebolo;

•usar óculos de proteçªo;

•em caso de usinagem a seco, ajustar um coletor de aspiraçªo de pó junto ao protetor e usar mÆscara contra pó, para evitar inalaçªo de poeira, prejudicial ao aparelho respiratório;

•usar luvas durante trabalhos em que a peça for guiada manualmente. O atrito do rebolo produz aquecimento da peça que pode queimar a mªo;

•com relaçªo à mÆquina: dobrar o volante antes de ligar o movimento automÆtico de avanço; nªo usar roupas soltas; no caso de aparelhagem elØtrica, usar um estrado de madeira para isolar o operador.

continua

AULA•nªo empilhar rebolos, pois eles podem empenar ou quebrar. AlØm disso, o armazenamento deve ser em local apropriado. Veja a figura.

Em caso de acidente, o operador deve proceder do seguinte modo:

•declarar o acidente, relatando como ele ocorreu, o movimento, o lugar e as testemunhas;

•somente permitir a retirada de ciscos dos olhos por pessoa competente, de preferŒncia, mØdico;

•no caso de queimaduras, limpar a ferida com Ægua oxigenada ou com Ælcool, fazer um penso œmido e consultar logo o mØdico.

Veja se aprendeu. Faça os exercícios a seguir e confira suas respostas com as apresentadas no gabarito.

Marque com X a œnica resposta correta.

Exercício 2Exercício 2Exercício 2Exercício 2Exercício 2

A operaçªo de retificaçªo requer, em primeiro lugar, a seguinte providŒncia: a)a)a)a)a)()retificar a peça; b)b)b)b)b)()preparar a mÆquina; c)c)c)c)c)()desbastar a peça; d)d)d)d)d)()preparar o diamante.

continuação

Pare! Estude! Responda!

AULAExercício 3Exercício 3Exercício 3Exercício 3Exercício 3 A escolha do rebolo deve basear-se em especificaçıes estabelecidas pelos:

a)a)a)a)a) ( ) vendedores; b)b)b)b)b) ( ) clientes; c)c)c)c)c) ( ) supervisores; d)d)d)d)d) ( ) fabricantes.

Exercício 4Exercício 4Exercício 4Exercício 4Exercício 4

Os rebolos podem se apresentar nas seguintes formas: a)a)a)a)a)()retos, prato, anel, copo; b)b)b)b)b)()inclinados, anel, círculo, copo; c)c)c)c)c)()copo, verticais, círculo, aro; d)d)d)d)d)()prato, aro, retos, inclinados.

Exercício 5Exercício 5Exercício 5Exercício 5Exercício 5 O rebolo se constitui de:

a)a)a)a)a)()pedra e cristal; b)b)b)b)b)()abrasivo e aglomerante; c)c)c)c)c)()pós e cola; d)d)d)d)d)()pedregulhos e goma.

Exercício 6Exercício 6Exercício 6Exercício 6Exercício 6 O material que une os grªos abrasivos denomina-se:

a)a)a)a)a) ( ) cola; b)b)b)b)b) ( ) cera; c)c)c)c)c) ( ) aglomerante; d)d)d)d)d) ( ) goma.

Exercício 7Exercício 7Exercício 7Exercício 7Exercício 7 A preparaçªo do rebolo consta de:

a)a)a)a)a)()balanceamento, retificaçªo ou dressagem; b)b)b)b)b)()tratamento tØrmico e torneamento; c)c)c)c)c)()fresagem e trefilaçªo; d)d)d)d)d)()fixaçªo e verificaçªo dos grªos.

Exercício 8Exercício 8Exercício 8Exercício 8Exercício 8

Durante a retificaçªo ou dressagem do rebolo, Ø necessÆrio reduzir o aquecimento do diamante e do rebolo com abundante: a)a)a)a)a) ( ) Ægua; b)b)b)b)b) ( ) óleo; c)c)c)c)c)()fluido de corte; d)d)d)d)d)()fluido de aquecimento.

Exercício 9Exercício 9Exercício 9Exercício 9Exercício 9

A velocidade de corte do rebolo deve ser adequada ao tipo de: a)a)a)a)a) ( ) corte; b)b)b)b)b) ( ) aglomerante; c)c)c)c)c) ( ) abrasivo; d)d)d)d)d) ( ) retificadora.

Exercício 10Exercício 10Exercício 10Exercício 10Exercício 10 Para rebolo em alta velocidade, deve-se usar aglomerado:

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