Relatorio de microalgas

Relatorio de microalgas

1.Introdução

As algas são organismos ancestrais extremamente diversos que podem ser encontrados em todos ecossistemas da biosfera. O seu tamanho varia desde pequenas espécies unicelulares com 1 μm de diâmetro, sendo denominadas de microalgas, até grandes macroalgas que podem atingir mais de 50m de comprimento (Martins e Costa, 2009).

As microalgas são um grupo de microorganismos muito diversificado. Têm sido tradicionalmente classificados quanto aos tipos de pigmentos, a natureza química dos produtos de reserva e pela constituição da parede celular ( Comin e Giroldo, ).

São organismos predominantemente aquáticos, fotossintécticos, autrotróficos, estruturalmente menos complexos do que as plantas terrestres. No habitat aquático, tanto na água doce como marinha, as microalgas constituem as comunidades flutuantes de fitoplâncton (Martins e Costa, 2009).

Alem da classificação baseadosnos aspectos citados anteriormente, também têm sido considerados aspectos citológicos e morfológicos, tais como a ocorrência de células flageladas, a estrutura dos flagelos, os processos de formação do núcleo e da divisão celular, a presença e a caracterização de envoltório dos cloroplastos e a possível conexão entre o retículo endoplasmático e a membrana nuclear (Derner, 2006).

Segundo Barata & Crispino, (2006), as microalgas Inclui organismos com dois tipos de estrutura celular: procariótica, com representantes nas divisões Cyanophyta e Prochlorophyta; e eucariótica, com representantes nas divisões Chlorophyta, Euglenophyta, Rhodophyta, Haptophyta, Heterokontophyta , Cryptophyta e Dinophyta.

Ocupam todos os tipos de habitats da biosfera: água doce, salgada, solos, rochas e cascas de árvores, ocorrendo também nos ambientes mais extremos como regiões polares e desérticas. E graças as suas eficientes adaptações morfo-fisiológicas permite a habiblidade de viver em locais diversificados como por exemplo nas regiões polares e deserticas (Derner, 2006).

O crescimento de uma população de microalgas é resultado da interacção entre factores biológicos, químicos e físicos (Raven et al., 2005; citado por Schmitz et al., 2012). Os factores biológicos referem-se às próprias taxas metabólicas da espécie, quanto aos factores físico-químicos, os principais que afectam o crescimento das microalgas são luz, temperatura, pH, salinidade e disponibilidade de nutrients (Schmitz et al., 2012).

As microalgas realizam a fotossíntese para sintetizar carbohidratos que são importantes para o seu crescimento. Em adição à uma certa quantidade de luz, este processo também requer sais ricos em nutrientes, trazidos pelos rios ou mistura de camadas de água. Por isso, o fitoplâncton é mais abundante perto da costa do que no mar aberto (Balleydier, 2004) (Schmitz et al., 2012).

Contudo, dois processos podem promover a dispersão das microalgas para ambientes novos (bioinvasão). O primeiro refere-se às alterações das condições ambientais, como eventos climatológicos anómalos e mudanças nas correntes marinhas superficiais que decorre das introduções antrópicas, como a navegação marítima e a maricultura (Oliveira et al., 2010).

As microalgas exercem um importante papel ecológico em ecossistemas aquáticos, entre eles, a contribuição na produtividade primária de lagoas, reservatórios e rios, sendo indispensáveis à vida aquática e apesar de serem microscópias, as microalgas são grandes produtoras de oxigénio (Gouvêa, 2008).

Elas são também utilizadas em vários procedimentos, como em lagoas de estabilização nas estações de tratamento de esgoto, e no desenvolvimento de metodologias como bioindicadoras da qualidade de água (Gouvêa, 2008).

A morte ou desaparecimento das microalgas, pode levar a quebra da cadeia alimentar, provocando o desaparecimento de toda ou uma parte da fauna e flora levando a morte do curso de água, uma vez que estas são a base da cadeia alimentar aquática, os produtores primários (Martins e Costa, 2009).

Contudo, as microalgas também têm constituido grande problema ecológico, devido ao crescimento excessivo de algumas populações (eutrofização). Esse fenómeno que ocasiona mudanças na coloração e no odor da água denomina-se bloom (De Oliveira, 2012).

2.MATERIAIS

  • Rede de plâncton de tamanho de malha de 25 μm;

  • Frascos de vidro de 100ml;

  • Microscópio óptico;

  • Lâminas escavadas;

  • Água destilada;

  • Esguincho;

  • Papel higiénico;

  • Pipeta pláscticas;

  • Lápis;

  • Papel A4;

  • Livros de identificação.

Soluções:

  • Solução de formol a 10%;

  • Solução de lugol .

3.Metodologia.

Colheita de amostra de microalgas

Para obtencao de amostras concentradas de fitiplacton foi necessario a utilizacao uma rede de plâncton de tamanho de 15μm a 25μm que permitiu recolher todos organismos planctónicos com tamanho que se pretendia reter.

Para recolher-se o fictoplâncton mergulhou-se a rede na água deixando deslizar a uma certa profundidade. Deixou-se a água entrar pela boca da rede, retirando-se de vez em quando, permitindo que ela escorresse pela rede de modo que o plâncton ficasse retido na malha da rede e continuamente levava-se para a parte inferior da rede.

Para retirar as amostras dentro da rede foi aberta a parte inferior da rede e despejou-se o conteúdo para dentro de um frasco de vidro de 100ml, seguido da preservação

em que, foram colocadas algumas gotas de solução de lugol a 10% ou formol para que estas fossem preservadas. Como ilustra tabela abaixo.

Tabela 1. Local de colheita das amostras de microalgas e a preservação

Amostra

Preservante

Local de colheita

Observação

BS

Formol e Lugol

Banco de Sofala (2/2015)

TRB 3

Lugol

Banco de Sofala (05/2014)

TRB 6

Lugol

Banco de Sofala (10/2013)

TRB 12

Lugol

Banco de Sofala

Massingir

Lugol

Barragem de Massingir, Gaza (2014)

Bloom

Massingir

Formol

Barragem de Massingir, Gaza (2015)

Bloom

Corumane

Formol

Albufeira de Corumane, Maputo (15/8/2012)

Bloom

AP Monapo

Lugol

Rio Monapo, Nampula (11/2011)

St1 R3 lugol

Lugol

Banco de Nacala, Nampula (18/7/2012)

TRB 8

Lugol

Banco de Sofala (2012)

Observação das microalgas ao microscópio

Para observação ao microscópico, tirou-se uma gota da amostra preservada e fez-se preparaçao temporaria;

Observou-se a preparação ao microscópio respeitando as regras de focagem do microscópio;

Fez-se os desenhos das especimes observadas em cada amostra;

O reconhecimento das especies foi necessario estar familiarizado com as especies e um pouco de experiencia ,uma das estrategias usadas para pelo menos conseguir se observar e identificar a nivel de genero foi atraves da comparação dos especimes observados com as figuras da bibliografia que nos fornecido.

4.Resultados

A partir das amostras observadas, identificou-se os espécimens encontrados nos diferentes locais de amostragem, como mostra a tabela 2 e fez-se o desenho das características distintivas e classificação taxonómica em (anexo 1).

Na tabela (1) pode-se observar que o Banco de Sofala apresentou maior diversidade de espécies, tanto em 2013 como em 2015 seguido do banco de nacala 2012 do que os outros locais de amostragem, e a Albufeira de Massingir, o local com menor diversidade de espécies.

Tabela 1: Géneros de microalgas identificados nas diferentes amostras.

Gênero (sp.)

Banco de sofala

2015

Albuf. De Corrumane

Barragem De Massingir

Banco de sofala

2013

Banco de sofala

2014

Rio Monapo 2011

Baia Nacala/12

Barragem De Massingir

2015

Xinavane

Chicumbana

Actinocyclus

Anabaena

Asterionella

Bitrichia

Ceratium

Chlamydomonas

Cymbella

Cryptomonas

Cyclotella

Choricystis

Eudorina

Euglena

Navicula

Phormidium

Pseudanabaena

Schroederia

Snowella

Scoliopleura

Stephanodiscus

Tabellaria

Microcystis

Thalassiosira

Amphiprora

Skeletonema

Zygnema

5.DISCUSSÃO

Segundo Azevedo (1998) citado por Oliveira et al.,(2010)Em águas epicontinentais, as florações de cianobactérias são preocupantes, em especial as dos gêneros Microcystis, Oscillatoria, Anabaena e Cyllindrospermopsis. Esta imformacao tem alguama relacao ou vai de acordo com os resultados obtidos no que concerne ao Microcystis sp pois, foi o género encontrado como causador de bloom nas Barragem de Massingir e Corumane.

Segundo Yunes (2013) citado por Oliveira et al.,(2010), as cianobactérias de Anabaena sp são típicas de águas paradas e barragens, o que não vai de acordo com os resultados obtidos pois, apesar de observar-se a presença de Anabaena sp na Barragem de Massingir , uma barragem, também pôde-se observar espécimens de Anabaena em locais movimentados como Rio Monapo e Baia de Nacala, provavelmente porque, de acordo com Lee (2008) as cianobactérias no geral têm distribuição cosmopolita, podendo ser encontradas em ambientes diversificados.

Devido às suas grandes adaptações, as cianobactérias são mais susceptíveis à formação de blooms, pois estas tem uma grande habilidade na captação de luz, presença de acinetos e heterocistos dando uma grande afinidade com o Nitrogénio e Fósforo, presença de vacúolos gasosos para regular a posição na coluna de água, o que lhes permite chegar a zonas de maior concentração de nutrientes e luz para uma optmização da fotossíntese (Lee, 2008), o que sustenta os resultados encontrados.

No Banco de Sofala, a dominância é de Dinoflagelados, sem grande diferença em relacao as diferentes datas no que conserne abundancia, notam-se também alguns géneros de Clorofitas e Cianobactérias sendo que algumas especies presentes nas amostras de 2013 diferem das presentes nas amostras de 2014 e 2015 respetivamente.

Os Dinoflagelados são um grupo essencialmente dos trópicos e mais presentes em águas quentes que frias, maior variedade de géneros deste grupo é encontrada em águas marinhas (Lee, 2008). Daí a provável razão de se ter encontrado dominância deste grupo no Banco de Sofala e Baia de Nacala.

Na Baia de Nacala pôde-se observar um aumento na diversidade de espécies, pois em 2012 havia apenas um género dominante, Bitrichia sp, e na amostra de 2013 observou-se 5 géneros incluindo Cryptomonas sp e Choricystis sp, podendo ser devido a melhor e maior disponibilidade de nutrientes nesse local, o que reflecte numa maior produtividade do Porto.

6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Balleydier, A.L. (2004). Life in the Oceans : Life in Mid-Water. In : Rockwood, C.. Seas and Oceans. English Language Edition, pp 69-128.Edinburgh, Chambers World Library.

  • Cardoso, A. da S.(s/d). Avaliação do Potencial das Macroalgas Residuais como uma Alternativa à Cadeia Produtiva do Biodiesel.30pp. Palmas, Brasil, Universidade Federal do Tocantins.

  • De Oliveira, H.S.B. (2012). Efeitos Alelopáticos de Microcistinas sobre o Crescimento de duas Linhagens de Microalgas Verdes (Chlorococcales, Chlorophyta) em Condições Controladas. Tese de Mestrado.51pp. Recife, Brasil, Universidade Federal Rural de Pernambuco.

  • Gouvêa, S.P.(2008). Microalgas do Parque Ecológico de São Carlos, SP como Base para Materiais de Educação Ambiental: Sensibilização para a Preservação de Ambientes Aquáticos.Multiciência-Publicação do Centro Universitário Central Paulista, 9: 28-37.

  • Guiry, M.D. e G.M. Guiry, 2014. AlgaeBase. Algae Taxonomic Classification. World-wide electronic publication, National University of Ireland, Galway. [http://www.algaebase.org]; acessado aos 31 de Maio de 2014.

  • Lee, R. E. (2008). Phycology. 4a edição. 561 pp. New York, Cambridge University Press.

  • Martins, J.C. e J.C. Costa. (2009). As Microalgas no Ensino da Biologia. 20pp. União Europeia. Centro de Formação da Associação de Escolas do Mar do Zererere.

  • Oliveira, M.M; M.V.S. Filho; J. DA C.Bastos; M.H.C.B. Neves. (2010). Toxinas de Cianobactérias e Microalgas Marinhas: Um Desafio para a Ecotoxicologia Aquática. Boletim do Observatório Ambiental Alberto Ribeiro Lamego, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. V.4 (1): 57-80.

  • Silva, I.B. (2010). Diversidade de Algas Marinhas. Programa de Pós-Graduação em BiodiversidaVegetal e Meio Ambiente. 11pp. São Paulo, Instituto de Botânica.

  • Schmitz, R.; C.D. Magro; L.M. Colla. (2012).Aplicações Ambientais de Microalgas. Revista CIATEC-UPF. V. 4(1):48-60.

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