Dicas e Truques na Captação de Instrumentos Musicais [Musika Nova]

Dicas e Truques na Captação de Instrumentos Musicais [Musika Nova]

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eBook Dicas&Truques Gravação

Um eBook gratuito oferecido pelo Palco Principal http://palcoprincipal.com

Dicas & Truques na captação e gravação de instrumentos musicais

eBook Dicas&Truques Gravação

Sobre

Bem-vindo ao maravilhoso mundo do áudio e da gravação digital!

É com enorme prazer que o Palco Principal disponibiliza este eBook gratuito, no âmbito do tema, dando especial enfoque na captação e gravação de instrumentos, fornecendo algumas dicas de como melhorar o trabalho de um músico.

Boas gravações! http://palcoprincipal.com

Sobre 2
Índice 2
Sala de captação de som 3
Como gravar guitarras elétricas 14
Como gravar guitarras acústicas 15
Como gravar um baixo elétrico 23
Como gravar vozes 30
Captar e gravar uma bateria 34
Masterização / Pós-produção 45
Como funcionam os microfones 47
Uma introdução aos compressores áudio 54
Amplificadores - Algumas Noções 61

Índice http://palcoprincipal.com 2 eBook Dicas&Truques Gravação

Sala de captação de som

É muito comum uma pessoa querer transformar uma sala ou quarto da sua casa num estúdio e achar que, para isso, basta forrar as paredes com carpete, cortiça ou até mesmo embalagens de ovos. Infelizmente, nem todos compreendem que as soluções acústicas podem até ser simples, mas é preciso entender os fenómenos, de modo a encontrar as formas mais adequadas de resolver os problemas.

O objectivo desta secção é apresentar alguns conceitos básicos e mostrar novas formas de melhorar a acústica de um estúdio. Para questões mais complexas, recomendamos consultar profissionais qualificados.

Em termos de acústica, o ideal é ter uma sala o mais "neutra" possível, isto é, que não disperse o som em demasia, mas também que não o abafe por completo. Evite gravar seja o que for numa casa de banho (!) ou num outro local com material que reflita o som em demasia e de forma pouco controlada, por exemplo: pedra, azulejo, vidro, entre outros.

A forma da sala e o seu tamanho são aspetos igualmente importantes, mas só com um estudo completo de acústica se chega à tão desejada "sala ideal". Todas estas teorias são válidas e funcionam, partindo do princípio que o que queremos é gravar um som o mais próximo da realidade possível, para

eBook Dicas&Truques Gravação no fim lhe aplicarmos o "ambiente" sonoro desejado, como reverb, delay, chorus, equalização, entre outros. É certo que haverá salas especializadas, já com reverb's controlados, materiais próximos dos "ideais" e completamente isoladas, mas, lembrando mais uma vez, é de um homestudio que falamos.

Tente em qualquer gravação, quer sejam vozes, guitarras, samples, gravar um som o mais neutro possível, isto é, evite aplicar equalizações ou efeitos em demasia, pois, posteriormente, no caso de se vir a arrepender, será mais difícil modificar esse mesmo som. Se possível, utilize um compressor e um limitador para evitar flutuações e picos de distorção no som captado.

As dimensões de uma sala de captação

Este é um aspeto muito importante, diz respeito às dimensões físicas de uma sala de captação. Geralmente existem frequências do espectro de áudio que podem produzir "ondas estacionárias" no ambiente, quando os comprimentos das ondas sonoras coincidem com as distâncias entre paredes, teto e

“O ideal é ter uma sala o mais "neutra" possível, isto é, que não disperse o som em demasia, mas também que não o abafe por completo”

eBook Dicas&Truques Gravação chão. A primeira solução para evitar esse fenómeno indesejável é projetar o estúdio com dimensões que dificultem o aparecimento das ondas estacionárias (alguns projetistas preferem até criar estúdios com paredes e tectos não paralelos).

Deve-se evitar recintos com distâncias iguais (ou múltiplas) entre paredes e entre piso e teto, uma vez que isso facilita a ocorrência de ondas estacionárias. Além disso, a maior dimensão (digamos, o comprimento do estúdio) não deve ser mais de quatro vezes maior do que a menor dimensão (digamos, a altura do teto). Por outro lado, um recinto muito pequeno poderá tornar difícil o tratamento acústico para corrigir as "colorações" criadas no som pelas diversas reflexões. Salas maiores são, em geral, mais fáceis de ser tratadas acusticamente.

É recomendável fazer uma análise do comportamento acústico mais provável de acontecer no recinto, baseando-se nas distâncias entre paredes e altura do teto. A partir das conclusões dessa análise, pode saber-se se as dimensões são críticas ou viáveis. Se são críticas, devem ser redefinidas. E como nem sempre é possível determinar as dimensões do recinto mudando as paredes de lugar, muitas vezes a solução é construir uma nova parede à frente da original, ou rebaixar o teto. Se as dimensões do recinto são viáveis, é necessário então avaliar quais os materiais a utilizar e de que maneira deverão ser usados, para que se possa eliminar as imperfeições acústicas que possivelmente ainda poderão ocorrer.

“Deve-se evitar recintos com distâncias iguais (ou múltiplas) entre paredes e entre piso e tecto, uma vez que isso facilita a ocorrência de ondas estacionárias.”

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A importância da acústica na sua sala de captação.

A sala de gravação é um dos parâmetros mais importantes de uma gravação acústica de estúdio. Todos os sons gravados acusticamente numa dada sala adquirem características próprias desta. As características dos sons variam com o tamanho, a composição, a forma da sala e com a localização da fonte do som e do ouvinte. Uma forma simples e bastante eficaz de testar uma sala é a de samplar (gravar) um simples bater de palmas:

Através da análise da figura apresentada podemos ter uma noção do que se passa na sala ao nível das reflexões do som ao embaterem nas paredes e serem progressivamente absorvidas pelos materiais que as revestem, assim como o tempo de reverbação total (de notar que o som direto do bater de palmas corresponde à porção de onda de maior intensidade, situada mais à esquerda. O que se vê em seguida são as suas reflexões).

O objetivo de uma sala de gravação analógica num estúdio é o de não permitir a esta que interfira no som do instrumento, para que seja possível captar o verdadeiro registo deste (por exemplo: numa gravação de voz, não se quer captar as reflexões nas paredes, mas apenas o som da voz, para que

eBook Dicas&Truques Gravação mais tarde esta possa ser trabalhada livremente). A forma mais fácil de

ajustar o reverb de uma sala é o de acrescentar mobília à sala, ou mais pessoas - claro que esta última não é uma boa hipótese.

Analisando a tabela nº1, podemos concluir que uma boa opção para ajustar a reverbação de uma sala é a de a revestir a alcatifa, visto que esta tem um bom coeficiente de absorção e quase uniforme a todas as frequências. É claro que está longe de ser perfeita, mas torna-se bastante melhor do que uma sala vulgar. A anulação total das reflexões só é possível através de construções muito caras, em que estão envolvidos cálculos matemáticos extensos, onde se entra não só com os materiais de revestimento, fazendo parte dos cálculos ângulos das paredes, tamanho da sala e temperatura do ar. Para obter um melhor resultado na sua sala, experimente colocar (armadilhas) pequenos colchões nos ângulos das paredes, de forma a quebrar a forma cúbica da sala.

http://palcoprincipal.com 7 Tabela 1 - breve lista de coeficientes de absorção de alguns materiais em metros quadrados.

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Analisando novamente a tabela, e a título de exemplo, o cimento pintado tem um coeficiente de absorção baixo, refletindo muito o som, ao contrário do cimento normal; concluiu-se, assim, que a ausência de pintura (neste caso) influenciou em muito os resultados.

Isolamento acústico

Cada tipo de material possui uma característica própria, no que se refere a isolamento acústico, dependente da sua densidade e também da sua espessura. O parâmetro chamado de classe de transmissão sonora (STC) é um valor numérico de classificação que mostra a redução da transferência do som através de um determinado material, ou combinação de materiais. Essa classificação geralmente aplica-se a materiais duros, como o tijolo, o concreto ou a massa de parede, entre outros. É verdade que qualquer material bloqueia uma porção da transmissão do som, mas, efectivamente, os materiais de alta densidade são melhores nesse aspeto do que os materiais leves. A solução mais comum para reduzir a transferência do som de um ambiente para outro é o uso de parede dupla, com um espaço entre elas, que pode ter apenas ar ou um material mais absorvente (ex: lã-devidro). Quanto maior for o coeficiente, melhor será o isolamento. A tabela abaixo mostra alguns exemplos de materiais:

Não esquecer que o isolamento deve ser eficaz nos dois sentidos, isto é, não deve permitir a passagem do ruído ambiente (tráfego, por ex.) para dentro do estúdio, bem como evitar que o som do estúdio seja ouvido no exterior. Em alguns casos, é fácil isolar o som externo, mas torna-se muito difícil evitar que o som produzido no estúdio incomode os vizinhos!

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Infelizmente, a maioria das paredes de construções comuns não possui densidade e espessura suficientes para abafar, efetivamente, o som (tanto de dentro para fora como de fora para dentro). Além disso, geralmente as casas ou imóveis comerciais possuem janelas e portas sem qualquer tratamento especial, através das quais o som pode passar com facilidade.

No caso de janelas voltadas para o exterior, a melhor solução é eliminá-las definitivamente, fechando-as com alvenaria. Caso isso não seja possível, então é necessário transformá-las em janelas especiais, com vidros mais espessos (preferencialmente duplos) e vedações eficientes. Tenha sempre em mente que a janela poderá sempre ser um ponto fraco no isolamento acústico, além de ser uma fonte potencial de infiltração de água de chuva, por exemplo. No caso de estúdios de gravação que precisam de uma janela interna entre a sala técnica e a sala de gravação, esta deverá possuir vidro duplo, montado de tal forma que não haja contacto directo entre a estrutura de fixação de cada um (veja figura).

Revestir simplesmente as paredes com carpete ou outro material comum não trará qualquer resultado prático, pois o som precisa de "massa" para ser bloqueado. Dessa forma, ainda que eventualmente possa melhorar a acústica interna, diminuindo reflexões, a camada fina da carpete não oferecerá qualquer resistência à transmissão do som.

No caso de paredes já existentes, uma solução é criar uma outra "parede" de gesso, afastada por alguns centímetros da parede original. O espaço entre a parede original e a nova parede pode ser preenchido com material absorvente, como lã-de-vidro, por exemplo. É importante estar atento aos detalhes de fixação das placas de gesso, para que não haja um contacto

eBook Dicas&Truques Gravação direto entre as paredes que permita a transferência mecânica do som de uma a outra. Também é preciso eliminar todas as fendas e quaisquer tipos de frestas, através das quais o som poderá vazar.

O teto e o piso originais do recinto também deverão ser avaliados dentro do mesmo objetivo de criar barreiras para a transferência do som. O mesmo princípio da parede dupla pode ser aplicado ao teto, devidamente adequado às condições físicas (estrutura suspensa). Uma atenção maior deverá ser dada quanto à vedação de frestas e furos, uma vez que o teto rebaixado geralmente é usado para a instalação de iluminação, passagem de cabos e tubos de ar condicionado.

O piso pode ser uma parte crítica, pois é nele que ocorrem os maiores níveis de ruído de impacto, sobretudo no caso de bateria e percussão (pedal de bombo, tambores colocados no chão, etc). Colocar um tapete grosso não resolve esse tipo de problema, embora possa atenuar o barulho de passos, por exemplo. Assim como no caso das paredes e do teto, a solução mais indicada é criar um piso acima do original, e isolado deste por meio de algum tipo de suspensão (blocos de borracha, por exemplo).

Além da preocupação com o isolamento do ruído ambiente externo, é preciso avaliar também o ruído que será produzido pelo sistema de ar condicionado a ser instalado no estúdio. Além do barulho junto à máquina, deve ter-se em conta ainda a possível transferência desse ruído através do tubo de ar e também por transmissão mecânica, provocado pela vibração da estrutura dos tubos e contacto destes com as paredes e teto do estúdio. Uma das soluções para reduzir o barulho vindo por dentro dos tubos de ar é revesti-los internamente com material absorvente. E, para evitar a transferência da vibração da máquina pelos tubos, é comum fazer um desacoplamento mecânico do mesmo,

“Infelizmente, a maioria das paredes de construções comuns não possui densidade e espessura suficientes para abafar efetivamente o som”

eBook Dicas&Truques Gravação secionando-o e unindo as partes com uma peça flexível. Tais providências em geral causam perda de eficiência da máquina, o que deve ser também considerado.

Tratamento acústico

Uma vez construídas as paredes e o teto do estúdio (nas dimensões otimizadas e dentro dos critérios adequados de isolamento), é necessário fazer um tratamento interno das superfícies, procurando-se as condições ideais para a aplicação que se deseja.

Antes de se definir qual o tipo de material a ser usado no tratamento acústico, é importante conhecer o coeficiente de redução de ruído (NRC). Trata-se de um valor numérico de classificação que permite quantificar a capacidade de um determinado material em absorver o som. Esse coeficiente, em geral, aplica-se mais a materiais macios, como espuma acústica, lã-de-vidro, carpete, etc, embora também possa ser aplicado a materiais "duros", como tijolo e massa de parede. O NRC de um material é a média de absorção de várias frequências centrais entre 125 Hz e 4 kHz. Quanto maior for o coeficiente, melhor será absorção do material. A tabela abaixo mostra alguns exemplos de materiais:

Mesmo com um estúdio construído dentro de dimensões otimizadas, muito provavelmente ainda será necessário fazer algumas correções, devido às reflexões do som que ocorrerão nas superfícies. O tipo de solução no

eBook Dicas&Truques Gravação tratamento acústico vai depender da resposta que o recinto estiver a produzir. Existem soluções orientadas para cada tipo de problema.

Há algumas décadas, muitos estúdios eram construídos com revestimento acústico extremamente absorvente, de maneira a "matar" totalmente as reflexões. Isso, no entanto, tornava muito débil o ambiente acústico do estúdio, se comparado aos locais onde normalmente se ouve música.

Hoje, os estúdios costumam ter uma acústica "neutra", geralmente com uma parede mais reflexiva e outra mais absorvente. Para se conseguir essa situação, utilizam-se painéis de materiais adequados presos às paredes do estúdio, de forma a absorver energia das ondas sonoras que atingem as paredes. O tipo de recurso a ser usado vai depender da faixa de frequências do espectro do som que se queira absorver.

Os materiais porosos (espuma, carpete, etc) são, em geral, eficientes para absorver agudos, pelo facto destes possuírem comprimentos de onda pequenos e, assim, qualquer pequena irregularidade do material é capaz de diminuir a energia da onda sonora. Já no caso dos graves, é preciso criar dispositivos compatíveis com os comprimentos de onda grandes, o que é feito com painéis especiais de amortecimento (chamados de "bass-traps"), que vibram com os graves e, ao mesmo tempo, absorvem a energia dessa vibração, não devolvendo a onda ao ambiente. Em algumas situações, pode ser necessário reduzir a sustentação de apenas uma determinada faixa de frequências do espectro e, para isso, são usados painéis sintonizados, devidamente calculados.

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