002Artigo Pós Comunicação Empreendedorismo e Midias Digitais

002Artigo Pós Comunicação Empreendedorismo e Midias Digitais

(Parte 1 de 3)

Aluno: Ronaldo Guerrero Rico

Orientação: Professor Carlos Alberto Silva da Silva

"Tocar a alma de outro ser humano é andar em solo sagrado" - Stephen Covey

Esse artigo investiga a transparência na economia digital como um fator relevante para os negócios na internet, sendo esta, um meio vulnerável a golpes e de pouco controle, faz-se necessário que as empresas que utilizam a web para seus negócios, trabalhem para inspirar confiança. A partir desta realidade, surgem novas estratégias do marketing para se adequar as mídias digitais e trabalhar o conceito de valores. A hiperconectividade faz com que o consumidor tenha poder e influência na divulgação das marcas. As redes sociais se tornam um grande veículo de comunicação para divulgação de produtos e serviços, onde são compartilhadas as verdadeiras experiências. As empresas começam a ver o consumidor como um ser humano pleno, com coração, mente e espírito. No marketing das empresas o escopo, reunindo a missão, visão e valores na construção da integridade corporativa, dentro e fora das empresas.

Palavra Chave: Internet. Transparência. Consumidor. Comércio Eletrônico.

This paper investigates transparency in the digital economy as a key factor for business on the internet, which is a vulnerable amid blows and little control, it is necessary that companies that use the web for business, work to inspire confidence . From this fact, there are new marketing strategies to suit the digital media and work the concept of values. The hyper makes the consumer has power and influence in the dissemination of brands. Social networking has become a major communication vehicle for promotion of products and services where the true experiences are shared. Companies are beginning to see the consumer as a full human being, with heart, mind and spirit. In marketing businesses scope, bringing together the mission, vision and values in the construction of corporate integrity, both inside and outside the enterprise.

Keyword: Internet. Transparency. Consumer. Electronic Commerce.

A internet reinventou a maneira de se comunicar, na web se faz pesquisas para compras, obtém informações do produto e da reputação da empresa, em uma velocidade superior a qualquer outro meio de comunicação. Ela tem se posicionado como a nova economia. Passou a ser uma rede de pessoas em uma era de relacionamento direto com o mercado. Uma nova mídia pede mudanças nas estratégias de vendas; o marketing de interrupção e a comunicação em massa e sem identidade, agora dá lugar ao marketing de relacionamento voltado aos valores e reconhecimento do poder dos consumidores. A web com sua natureza revolucionária e democrática abriu espaço para que o indivíduo seja ouvido. Os meios digitais potencializam suas atitudes ao extremo, sendo que uma conversa é para muitos. As marcas buscam autenticidade diante do boca a boca on-line. Nas mídias sociais, uma marca é como um participante na rede e as empresas não tem controle aos comentários.

Cada vez mais na internet, cresce e o número de empresas que se utilizam do comércio eletrônico, tem como regra básica, o respeito ao consumidor, que compartilha os bons serviços e a qualidade dos produtos em suas reais experiências.

práticas, fortalecendo e beneficiando as comunidades dentro e fora dela

No processo de transparência e integridade, as empresas estão se envolvendo e praticando as boas ações na cultura corporativa. Fundamentadas na missão, para refletir o propósito básico da própria existência; na visão, o que a empresa deseja para o futuro e o que realizar; e nos valores que articulam um conjunto de prioridades corporativas e tentativas de gestão para incluí-las em suas A WEB COM SUAS TRANSFORMAÇÕES

Muitas transformações aconteceram desde meados de 1990, o mundo se conectava de forma tímida; uma web estática onde as pessoas apenas navegavam. Segundo O’ Reilly Media ( 2009 apud Gabriel, 2010 p. 79 ) as transformações da web e do consumidor e as novas tecnologias foram divididas em 3 ondas: a Web 1.0, Web 2.0 e a Web 3.0, uma divisão didática das fases da web, essas mudanças estão relacionadas ao comportamento dos usuários e as facilidades das conexões. A Web 1.0 chamada de web estática as pessoas consumiam informações, uma web de leitura de páginas e discursos. A web 2.0 é chamada de web da participação, com plataformas para todo tipo de interação: blogs, vídeos, fotos e redes sociais. Da estática passou para a dinâmica, da web de leitura para a web de participação, das páginas para as plataformas, deixando de ser uma web de discurso para uma web da conversação. A web 2.0 marca um tempo da explosão de conteúdo, a busca pelo nicho, fenômeno da cauda longa ( Anderson, 2006 ). A grande difusão das redes sociais on-line, computação ubíqua on-line e a era da busca, com destaque para o uso do Google. Torres (2009) enfatiza que:

[...] “as mídias e redes sociais, os blogs, os sites colaborativos surgiram por iniciativa e necessidade dos próprios consumidores, que assumiram o controle da rede após o fracasso das empresas ponto.com na virada do milênio”.

A Web 3.0, ou web semântica, a internet das coisas que além das informações em si, o contexto e as ligações referentes a essa informação permitirão encontrar um significado que auxilie no uso da web. (GABRIEL, 2010 P. 79).

O termo Web 3.0 foi usado pela primeira vez em 2006 pelo jornalista John Markoff, em um artigo do New York Times, anunciou como a terceira onda da Internet, e que projetava estruturar todo o conteúdo disponível na rede mundial de computadores dentro dos conceitos de [...] “compreensão das máquinas e semântica das redes”. “Pressupõe-se que para que ocorra o compartilhamento de significado, faz-se necessário que a compreensão seja consensual e inteligível para todos os que compartilham da informação” (Markoff, 2006, p. 2).

Web 3.0 terá a proposta de ser um ambiente cada vez mais humano para facilitar a vida de quem busca uma informação na internet. O volume de informações na web cresceu de tal forma que acabou poluindo os resultados, tornando a navegação cada vez mais confusa e dispersa. A web semântica tem a finalidade de aplicar conceitos inteligentes na internet atual, uma maneira organizada. As máquinas e seus novos motores de busca e interface inovadoras compreenderão toda ação de busca, incorporando significados mais precisos sobre determinado assunto.

Quadro 1 – Web 0.1, 0.2 e 0.3

A humanidade incorporou a internet em suas vidas.

A Internet é o tecido de nossas vidas. Se a tecnologia da informação é hoje o que a eletricidade foi na Era Industrial, em nossa época a Internet poderia ser equiparada tanto a uma rede elétrica quanto motor elétrico, em razão de sua capacidade de distribuir a força da informação por todo o domínio da atividade humana (CASTELLS, 2003, p.7).

Para Cappo (2004), a internet reinventou a maneira como nos comunicamos, compramos, vendemos, investimos, namoramos, enviamos cartões de felicitações e marcamos uma viagem. Para ele, entre as principais características da Internet, vale ressaltar a adaptabilidade, atributo que até então não era possuído por nenhum outro meio de comunicação. A Internet é flexível e rápida: tem a capacidade de se transformar de acordo com a demanda dos próprios usuários e faz isso em uma velocidade superior a de qualquer outro meio de comunicação.

Conrado (2011) vê a internet marcando uma era do relacionamento direto com o mercado. Uma rede de pessoas e não de computadores. A internet é a nova economia digital, afirma o autor, que o marketing de interrupção dá lugar ao marketing de relacionamento, o corporativo ao flexível e orgânico. O relacionamento passa a fazer parte nas comunicações e transações, não se trata de uma massa sem identidade, como a mídia tradicional atingia e sim de um indivíduo, um ser humano pleno a ser respeitado. A internet é a mídia principal e não de apoio. Mais do que provado que a internet está se consolidando no maior canal de comunicação graças às facilidades de conexão e as novas tecnologias para acesso. Segundo TELEBRASIL em seu balanço de banda larga total, somando acessos móveis e fixos: o Brasil registrou 140 milhões de conexões banda larga no mês passado ( fev. 2014 ), crescimento de 50% em relação ao mesmo período em 2013. Segundo a associação, foram 46,9 milhões de novos acessos nesses 12 meses, ritmo de 1,5 nova conexão por segundo.

A maioria é de linhas móveis. A Telebrasil considera nessa categoria, além dos acessos 3G, 4G e de terminais (modems e tablets), as conexões máquina-amáquina (M2M), ainda que a maioria seja por meio de rede GSM. Assim, a soma da entidade é de 118 milhões de conexões, crescimento de 62% em relação ao ano passado.

A cobertura móvel foi ampliada, com 185 novos municípios no período de 12 meses encerrado em fevereiro. As redes 3G estão presentes em 3.500 municípios, ou seja, 90% da população brasileira. Por sua vez, o 4G chega a 9 cidades, concentrando 36% da população. Na banda larga fixa os acessos somaram 2,4 milhões em fevereiro, crescimento de 1% (ou 1,6 milhão de conexões) em 12 meses. De acordo com a associação, 39% dos domicílios brasileiros urbanos contam com a banda larga, e a infraestrutura para esse serviço está disponível em todos os municípios brasileiros. As concessionárias atendem 6 mil instituições públicas de ensino fundamental e médio pelo programa Banda Larga nas Escolas. O brasileiro segundo pesquisas da EBC (2014), gasta em média 4 horas e 59 minutos por dia na internet durante a semana e 4 horas e 24 minutos nos finais de semana. A internet conforme pesquisa, ocupa o terceiro lugar em comunicação mais usada no Brasil, atrás da TV e do rádio.

As empresas terão que se adaptarem a essa nova mídia para que sejam relevantes aos meios digitais, os profissionais de marketing e as agências de propaganda estão diante de uma nova economia que dita regras ao mercado; consumidores interligados, expressando seus desejos a respeito das marcas, produtos e serviços a toda hora e conectados com o mundo.

O marketing teve que se ajustar a nova realidade. Segundo o livro de Philip Kotler – Marketing 3.0 – apresenta um marketing horizontal para o futuro. Os gráficos 1, 2 e 3 apresentam a comparação das fases do marketing.

Gráfico 1

Gráfico 2

Gráfico 3

Um novo marketing surge para uma mudança de abordagem na qual as empresas começam a entender o poder do consumidor e saber que se trata de um ser humano pleno que dá valor a uma empresa responsável para fazer seus negócios e divulgar suas experiências. (KOTLER. 2010). “O marketing não é apenas algo que seus profissionais fazem com os consumidores. Os consumidores também estão fazendo marketing para outros consumidores”. Marketing 3.0 diz respeito a uma era da participação, um marketing colaborativo, emocional que oferece esperança em uma época de turbulências. Os profissionais de marketing devem tocar os consumidores em um nível superior para se manterem relevantes.

O marketing precisará evoluir para um terceiro estágio no qual se dirija ao espírito dos consumidores. Os profissionais de marketing terão de tentar entender as ansiedades e os desejos dos consumidores e fazer o que Stephen Covey chama de “decifrar o código da alma” para se manterem relevantes. As empresas devem alcançar os consumidores como seres humanos plenos, feitos de alma, coração e espírito. O objetivo é não negligenciar o espírito. ( KOTLER, 2010 p. 40 )

Decifrar o código da alma é ter uma compreensão maior do ser. É respeitar, valorizar e ter empatia. O objetivo do marketing 3.0 é fazer do mundo um lugar melhor e no olhar das empresas, ver um ser humano pleno, com coração, mente e espírito; algo sagrado.

Estamos em um mundo horizontal dos consumidores, se a marca apenas articula o seu posicionamento será inútil. Kotler (2010), adverte que o posicionamento tornará os consumidores mais cautelosos a respeito da marca não autêntica, a diferenciação será o DNA da marca onde reflete sua verdadeira integridade. O DNA corporativo torna a marca diferente e autêntica. Um triângulo do gráfico extraído do livro Marketing 3.0 de Philip Kotler mostra os 3 Is da identidade, integridade e imagem da marca para o posicionamento no mercado.

Gráfico 4

Fonte: O modelo dos 3 Is – Marketing 3.0 – KOTLER p.41

Em seu novo livro, Autenticidade, Pine e Gilmore (2007) argumentam que hoje, quando os consumidores veem uma marca, avaliam imediatamente se ela é falsa ou verdadeira.

O controle vertical não funcionará no mundo horizontal dos consumidores, perder credibilidade significa perder toda a rede de possíveis compradores.

As empresas devem sempre tentar ser verdadeiras e proporcionar experiências que representem de fato suas alegações. Não devem tentar aparentar uma falsa realidade apenas na propaganda; caso o façam, perderão instantaneamente a credibilidade.

Segundo Conrado (2011). vivemos na era da transparência, com a internet, nada pode ser escondido por muito tempo. É mais fácil ter a ética como um valor acima de todos os outros.

O consumidor busca por autenticidade, tem procurado se relacionar com as marcas, uma empresa com comportamento ético passa credibilidade ao consumidor.

Alerta Felipini (2011) que o mandamento número um para o e-commerce é: “respeitarás o consumidor”. A satisfação do consumidor é algo imprescindível para o sucesso comercial.

Os novos negócios da internet são marcados pela transparência nas transações para que a empresa, produto ou serviços continuem crescendo. Segundo Doty (2009) “O nome e a reputação da empresa e dos produtos são o maior patrimônio da sua companhia, pois todas as vendas são influenciadas pela imagem que construiu. [...] tudo que está ligado a uma empresa e a seus produtos ou serviços contribui para a imagem, inclusive as pessoas.”

A web com sua natureza revolucionária e democrática abriu espaço para que o indivíduo seja ouvido. Se suas reivindicações forem pertinentes agregará uma multidão que antes não tinham meios de se expressarem (CONRADO, 2011 p.42 ).

Os consumidores são muito mais ativos e descobriram por diversos canais da internet que tem o apoio em grupo e podem mudar a sociedade a seu favor.

A hiperconectividade que significa o uso de vários meios de comunicação, estão a favor dos consumidores, eles pesquisam no Google, se manifestam em sites de relacionamento ou nas redes sociais com suas reclamações, postam no Twitter, gravam um vídeo sobre o produto no Youtube e outras ações horizontais sem cortes, os tornam tão poderosos. São esses consumidores que decidem muitas vezes o destino da marca (CONRADO 2011 p. 123 ). Eles vivem uma crise de tempo. Vivem se relacionando em comunidade, um mundo em rede, cercado de pessoas interagindo o tempo todo. “Os meios digitais potencializam suas atitudes ao extremo, uma conversa para muitos. Se um consumidor fala mal de um produto na internet para 2 ou 3 pessoas, na internet ele fala para 5 mil”. (CONRADO, 2011 p. 185).

O consumidor sabe que manda no mercado e os consumidores de duas décadas atrás, não é o mesmo no cenário digital. Os consumidores podem apontar problemas e sugerir solução.

As mídias sociais potencializando o boca a boca.

Não há chance de sobrevivência de marcas sem autenticidade quando o boca a boca se torna o novo meio de propaganda e os consumidores acreditam mais em estranhos de sua comunidade do que nas empresas. Existem mentiras e fraudes nas mídias sociais, mas elas acabam sendo rapidamente expostas pela sabedoria coletiva da comunidade de consumidores. Nas mídias sociais, uma marca é como um participante da rede. A identidade da marca (ou seja, seu avatar) é classificada de acordo com o acúmulo de experiência dentro da comunidade. Uma experiência ruim prejudicará a integridade da marca e destruirá sua imagem na comunidade. Todo usuário de mídias sociais sabe disso. (KOTLER 2010 p.4)

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