O Livro Dida?tico e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro - Carla Portugal

O Livro Dida?tico e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro - Carla Portugal

(Parte 1 de 5)

Universidade do Estado do Rio de Janeiro Faculdade de Formação de Professores

Carla Portugal O Livro Didático e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro

Rio de Janeiro 2014

Carla Portugal O Livro Didático e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção de licenciatura, ao programa de Graduação em Licenciatura em História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: História.

Orientador(a): Prof.ª. Helenice Rocha

Rio de Janeiro 2014

Carla Portugal O Livro Didático e o Objeto Digital uma Parceria de Futuro

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção de licenciatura, ao programa de Graduação em Licenciatura em História da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração: História.

Aprovado em

Avaliadores(as):

Rio de Janeiro 2014 iv

DEDICATÓRIA A minha mãe, pelo seu carinho e dedicação comigo. Te amo.

Agradeço primeiramente a Deus que esteve presente comigo nos momentos felizes deste curso, durante as aulas, nas amizades que fiz e em tudo que aprendi. Não faltou, principalmente, nos momentos de maior dificuldade, mostrou seu amor, fidelidade e misericórdia para comigo, tirou os meus medos, me deu calma, me inspirou e me ajudou a concluir este curso quando eu achei que não mais conseguiria.

Agradeço a minha mãe que me animou e esteve ao meu lado nos dias que precisei de um ouvinte e de um leitor.

A meu irmão Fabrício, que mesmo em silêncio, sei que torceu por mim. A meus irmãos em Cristo, membros da Igreja Batista Oceânica, que oraram por mim e sempre me sorriem com carinho.

A minha professora e orientadora Helenice Rocha que é um exemplo de carinho e dedicação ao magistério, jamais esquecerei sua ajuda.

As minhas amigas e companheiras que sempre me incentivaram. A todos que direta e indiretamente estiveram comigo e me ajudaram. A Deus toda honra e toda glória! vi

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir e instruir em justiça.”

Apóstolo Paulo em I Timóteo 3.16 vii

O Ministério da Educação e Cultura em 2012 lança um edital convocando editoras e empresas nacionais e internacionais interessadas em firmar parcerias para a produção de material multimídia complementar ao livro didático para o ensino fundamental e médio da rede pública de ensino. Este estudo busca conhecer como as principais editoras fornecedoras de livros didáticos responderam a esta nova exigência do MEC analisando os objetos digitais oferecidos juntos ao livro didático no PNLD/2013. Através de análises do tipo de leitura e do uso que o livro didático possui no universo escolar, o estudo procura entender se o objeto digital é passível das mesmas leituras e uso por professores e alunos. O presente trabalho busca contribuir para um melhor conhecimento e aproveitamento do objeto digital junto ao livro didático e do seu impacto no universo escolar.

Palavras-chaves: leitura, livro didático e objeto digital.

viii

FIGURA 1 – A tela inicial com opção de escolha de disciplina, aluno ou professor39
FIGURA 2 – Projeto Jornadas – A opção Sumário disponibiliza os títulos da unidade40
opções para escolha de atividades41
FIGURA 4 – Projeto Jornadas - Neste slide há informação extra42

FIGURA 3 – Projeto Jornadas - Após a escolha do título da unidade, no canto superior esquerdo,

texto do livro digital43

FIGURA 5 – Projeto Jornadas - Ferramenta Estojo no canto esquerdo, opção de anotações no

separadamente4

FIGURA 6 – Projeto Jornadas - Ferramenta para comparação de documento, pode-se arrastar elementos do texto para dentro da caixa e depois compara-los

apresenta o material disponível45

FIGURA 7 – Conteúdo digital - Nesta página há ama opção de escolha do ano a ser trabalhado, o assunto e o tema, além de umas busca mais detalhada onde o programa

disponíveis para uso em aula46
FIGURA 9 – Conteúdo digital - A atividade é corrigida durante o exercício47

FIGURA 8 – Conteúdo digital - Nesta figura há uma tela em Power Point com todos os slides

para a construção da prova48

FIGURA 10 – Construtor de provas - Basta clicar na questão escolhida e esta será selecionada

slides49

FIGURA 1 – Sequência de aulas - Nesta figura encontra-se a lista de slides com os principais assuntos de cada disciplina e ainda a opção de salvar ou apenas abrir os

FIGURA 12 – Planos de aula – Possibilidade de escolher dois projetos diferentes: Projeto

Radix do autor Cláudio Vicentino da editora Scipione e Projeto Teláris dos autores Gislane Azevedo e Reinaldo Seriacopi da editora Ática ...........................................................................................................................50 ix

avaliação51

FIGURA 13 – Planos de aula - A figura mostra Projeto Teláris – plano de aula para o professor contendo tema, sugestão de números de aulas, objetivos, estratégias e recursos e

avaliação52

FIGURA 14 – Planos de aula - A figura mostra Projeto Radix – plano de aula para o professor contendo tema, sugestão de números de aulas, objetivos, estratégias e recursos e

texto no computador53
FIGURA 16 – Projeto Estudar História - Ferramenta de busca54

FIGURA 15 – Projeto Estudar História - Ferramenta que permite abrir e salvar a página do

página do texto5

FIGURA 17 – Projeto Estudar História - Ferramenta que permite destacar apenas uma parte da

caixa de acesso a arquivos no computador56

FIGURA 18 – Projeto Estudar História - Ferramenta chamada Vínculo Interno que abre uma

acesso a link da web, arquivo externo ou um recurso do livro digital57

FIGURA 19 – Projeto Estudar História - Ferramenta chamada Vínculo Externo que permite

e página58

FIGURA 20 – Projeto Araribá - Recurso que abre animações no DVD disponibilizando título

miniatura59

FIGURA 21 – Projeto Araribá - Recurso que permite ver todas as páginas do livro em

miniatura no canto superior direito60
FIGURA 23 – Projeto Araribá - Exemplo de mudança de página61
FIGURA 24 – Projeto Araribá - Botão de ajuda com a navegação62

FIGURA 2 – Projeto Araribá - Recurso que permite aproximar o texto, nota-se as páginas em FIGURA 25 – Projeto Araribá – Botão de ajuda para usar as ferramentas................................63

QUADRO 1 – Quantidade de Exemplares de Livros Didáticos Adquiridos por Editora64
QUADRO 2 – Lista Das Editoras E Valores Negociados65

LISTA DE QUADROS QUADRO 3 – Valores Negociados Para Livros Impressos E Conteúdos Multimídia.............64 xi

CNLD – Comissão Nacional do Livro Didático COLTED – Comissão do Livro Técnico FAE – Fundação de Assistência ao Estudante FENAME – Fundação Nacional do Material Escolar FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação GLD - Guia do Livro Didático INL – Instituto Nacional do Livro LDBN – Lei de Diretrizes e Base Nacional MEC – Ministério da Educação e Cultura PLIDEF – Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental PNBE – Programa Nacional da Biblioteca Escola PNLD – Plano Nacional do Livro Didático PNLEM - Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura USAID – Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional xii

INTRODUÇÃO13
1REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................14
1.1 Leitura do Livro Didático15
1.2 O Mercado Editorial e o Livro Didático17
1.3 Adaptação do Livro Didático19
1.3.1 Durante o Regime Militar19
1.3.2 Após o Regime Militar20
1.4 Políticas Públicas Para o Livro Didático2
2 AVALIAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO25
3 CONHECENDO O OBJETO DIGITAL26
3.1 Adaptação ao Objeto Digital26
3.2 Políticas Públicas Para o Objeto Digital27
3.3 O Mercado Editorial e o Objeto Digital29
3.3.1Editora Saraiva...................................................................................................29
3.3.2Ática e Scipione.................................................................................................30
3.3.3Moderna.............................................................................................................32
4 O LIVRO DIDÁTICO E O OBJETO DIGITAL3
CONCLUSÃO35
REFERÊNCIAS36

SUMÁRIO ANEXOS...........................................................................................................38

A tecnologia, hoje em dia, está presente nas indústrias, na agricultura, nas comunicações e cada vez mais na educação. Na escola ela se manifesta na segurança dos alunos, professores e servidores, nas manifestações culturais, através da sala de multimídia, do teatro e da dança como também nas relações de ensino e aprendizagem.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) junto ao Fundo Nacional de

Desenvolvimento da Educação (FNDE), através de políticas educacionais, publicou em 2012 um edital convocando editoras interessadas em participar de um processo de parcerias para estruturar e operacionalizar serviços digitais para o ensino fundamental e médio da rede pública de ensino em nível nacional.

O presente estudo busca conhecer como estes serviços digitais se realizaram nas coleções submetidas ao edital de convocação do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) 2013, sua contribuição e sua adaptação ao livro didático. Através de análises de textos e dos objetos digitais, este trabalho apresenta as diversas possibilidades de leitura do livro didático e do objeto digital e como o mercado editorial se adequou, em uma primeira tentativa, às políticas públicas para a produção do objeto digital.

O estudo aqui desenvolvido procura apontar uma possibilidade de mudança na relação formada entre o aluno e o conteúdo escolar uma vez que surge um novo tipo de leitura, diferente da leitura do livro didático.

O objetivo principal deste trabalho é contribuir para as pesquisas educacionais e familiarizar os professores de História sobre discussões acerca da presença de novas tecnologias em sala de aula.

1 REFERENCIAL TEÓRICO.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), entre os 53 países que não atingiram os objetivos do programa Educação para

Todos 1, o Brasil ocupa a 8ª posição em relação aos países com o maior número de adultos analfabetos, apesar da redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos nos últimos anos.

O termo analfabetismo2 vai além da capacidade de ler, escrever e calcular, muitos jovens e adultos são chamados de analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que não possuem capacidade de associar a leitura, a escrita e o cálculo com tarefas simples do cotidiano que necessitam de alguma habilidade especial. Pela leitura podemos perceber se uma pessoa foi bem ou mal alfabetizada, ela pode ser alfabetizada e não ser letrada e vice-versa. Pode dominar a prática da leitura, mas não consegue associa-la a sua realidade social. A escola deve apresentar uma proposta de ensino de qualidade para que os alunos sejam alfabetizados e letrados3. Segundo Magda Becker Soares:

“O letramento compreende tanto a apropriação das técnicas para a alfabetização quanto esse aspecto de convívio e hábito de utilização da leitura e da escrita.”. (Magda Becker Soares, 2003)

O problema do aumento do iletrismo também atinge os países mais ricos. Debates na

França e nos Estados Unidos foram realizados há dezenas de anos, em ocasião de testes para a incorporação no exército. Percebeu-se que 12,5% dos jovens foram considerados iletrados, 1% não liam e não escreviam e 1,5% só conseguiam ler em voz alta e escreviam soletrando. Segundo Chartier isso nem sempre foi um problema, pois algumas pessoas consideradas letradas possuíam os mesmos costumes de leituras, mas, com o passar do tempo, a sociedade se tornou mais exigente e alguns comportamentos aceitáveis passaram a ser considerados inaceitáveis.

“Do ponto de vista histórico, é interessante ver como, aumentando as exigências que definem a alfabetização, transforma-se o valor, negativo ou positivo, de certos comportamentos e de certas práticas”. (Roger Chartier, 2002 p.100 e 101)

1 Para saber mais sobre o programa Educação para Todos da Unesco, ver em Relatório de Monitoramento Global de EPT 2013/14, 2014

2 Para saber mais sobre analfabetismo no Brasil, ver em Mapa do Analfabetismo no Brasil, 2003 3 SOARES 2003, sobre letramento e analfabetismo no Brasil

Para Munakata a leitura é uma designação genérica de práticas bem diversificadas. Estas práticas variam num quadro de determinações (sociais, econômicas, políticas e culturais, linguísticas, etc.) que estabelecem limites ao que se denomina leitura, mas que, em um universo delimitado, são possíveis escolhas múltiplas, resultando em diferentes significações e que essa leitura só é possível através da mediação de um objeto material, o livro.

1.1 Leitura Do Livro Didático.

A prática da leitura do livro didático envolve dois leitores permanentes: o aluno e o professor. Cabe ao professor ser o principal agente mediador entre o conteúdo disponível no livro didático e o aluno, o aluno por sua vez, é orientado pelo professor de como ler e utilizar o livro didático. Por envolver diversas práticas de leitura, Munakata aponta não mais o termo “leitura do livro didático” e sim o termo “uso do livro didático” como mais apropriado.

Batista destaca a importância do livro didático na escolarização e letramento no país, uma vez que ele alcança professores e alunos, como também no campo da produção editorial e nos processos sociais, culturais e econômicos, desta maneira o livro assume um papel de objeto cultural, presente e importante na sociedade brasileira4.

“Os livros didáticos parecem ser, assim, para parte significativa da população brasileira, o principal impresso em torno do qual sua escolarização e letramento são organizados e constituídos”. (Antônio Augusto Gomes Batista, 2002 p.531)

O livro didático é aquele que contém matéria das disciplinas constantes dos programas escolares. As exigências do MEC para os livros didáticos estão de acordo com a Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN) que é prover ao aluno um material didático-escolar de qualidade.

Art. 2º Para os efeitos da presente lei, são considerados livros didáticos os compêndios e os livros de leitura de classe. § 1º Compêndio são os livros que exponham, total ou parcialmente, a matéria das disciplinas constantes dos programas escolares. § 2º Livros de leitura de classe são os livros usados para leitura dos alunos em aula.

Batista aponta indicadores sociais negativos no livro didático, chamado de livro “menor”, de “autores” e não escritores, objeto de “colecionadores” e não bibliófilos de

4 BATISTA 2002 p.534, sobre o livro enquanto objeto cultural

“usuários” e não leitores e do desprestígio entre os pesquisadores, para ele, o pequeno valor dado ao livro didático não se justifica5.

“[...] Embora esses livros tendam a despertar o interesse acalorado de órgãos governamentais, da imprensa e das editoras, assim como de professores [...] parece não ser compartilhado, permanentemente, pela pesquisa educacional, assim como pela investigação histórica e sociológica sobre o livro brasileiro”. (Antônio Augusto Gomes Batista, 2002 p.530)

É natural que a produção do livro didático leve em conta as diversidades desses leitores.

O modelo do livro didático é dirigido ao aluno, o prefácio, a apresentação, as instruções, os textos, as atividades e os exercícios, todo o conteúdo é voltado para fins educacionais. Apesar do livro didático ser destinado ao aluno, ele é utilizado com a mediação do professor6. É o professor que seleciona e escolhe o livro que será adotado e como ele será usado em sala de aula. De acordo com o MEC na Lei 9394-96:

Art. 6º É livre ao professor a escolha do processo de utilização dos livros adotados, desde que seja observada a orientação didática dos programas escolares, ficando vedado, porém, o ditado de lições constantes dos compêndios ou o de notas relativas a pontos dos programas.

Além do livro didático, outros materiais são usados como complemento na educação brasileira, uma vez que o livro didático é o principal objeto usado em sala de aula e transpor esta barreira física do livro implica reestruturar a educação como a conhecemos hoje. Entre a variedade de materiais complementares usados em sala de aula temos como exemplos: cartazes, fichas, cadernos, música, teatro, filmes, softwares, e outros, são indicadores de diferentes formas e uso dos textos escolares e de suas múltiplas leituras7.

Batista aponta a existência de uma imprensa especializada em textos voltados para a área educacional. O termo impresso escolar8 pode ser usado para designar o conjunto de textos que circulam ou circulavam na escola, de acordo com o processo de sua reprodução, seja na escola ou para a escola ou resultante de um processo editorial, como o livro didático.

Entretanto, a utilização desse termo torna-se problemática tendo em vista os fenômenos de natureza histórica, entre eles, o aparecimento da reprodução gráfica como o mimeógrafo, a

5 BATISTA 2002 p.530, sobre os indicadores do livro didático 6 BATISTA 2002 p.565, sobre a mediação do professor

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