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Volume 05 HISTÓRIA

2Coleção Estudo Sumário - História

Frente A

Frente B

Autor: Edriano Abreu

2089 Período Liberal-democrático: carisma, concessões e controle político

Autor: Edriano Abreu

3Editora Bernoulli

O imperialismo foi a causa principal da Primeira Guerra, pois as nações industrializadas da Europa disputavam áreas de influência e mercados nos continentes africano e asiático. O aumento das rivalidades e o fortalecimento do nacionalismo culminaram em um conflito armado que atingiu, direta ou indiretamente, todo o planeta.

Um exemplo do aumento das rivalidades foi o fim do equilíbrio europeu, quando Itália e Alemanha realizaram seu processo de unificação e passaram a disputar mercados com as duas principais potências europeias até então – França e Inglaterra. O processo de unificação da Alemanha foi concretizado por meio de uma guerra contra a França, a chamada Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), na qual a Alemanha, vitoriosa, tomou da França as regiões da Alsácia e Lorena, ricas em minério de ferro e carvão, prejudicando a economia francesa e gerando um sentimento de revanchismo francês. A aquisição dessas regiões favoreceu também a rivalidade anglo-germânica, afinal, ao adquirir as matérias-primas necessárias ao seu desenvolvimento industrial, a Alemanha passou a disputar mercados com a Inglaterra.

Diante, portanto, de um cenário político tenso, as principais nações europeias passaram a adotar uma política de alianças, e, assim, dois grupos antagônicos se formaram: a Tríplice Aliança (1882), formada por Alemanha, Áustria e Itália, e a Tríplice Entente (1907), formada por Inglaterra, França e Rússia. A aliança entre Alemanha e Áustria era natural, já que os dois povos têm a mesma origem étnica e traços culturais semelhantes; já a Itália possuía uma ligação mais forte com a Alemanha, uma vez que as duas nações entraram atrasadas na corrida imperialista. Por outro lado, a aliança entre Inglaterra e França se deu pela concorrência que ambas enfrentavam com as novas nações. A entrada da Rússia na Entente tem uma importante explicação econômica: o seu desenvolvimento industrial era completamente dependente do capital estrangeiro, principalmente francês e inglês.

Alianças europeias no início do século X

Tríplice Entente Tríplice Aliança Tríplice Entente Tríplice Aliança

0900 km

BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do século X. São Paulo: Editora Fundamento, 2008 (Adaptação).

Um outro ponto de divergência entre as potências foi a chamada questão balcânica. A Península Balcânica era disputada pela Rússia, que defendia o pan-eslavismo – união dos povos eslavos, habitantes da região (sérvios, bósnios, romenos, eslovenos e croatas) – com o objetivo de conquistar uma saída para o Mediterrâneo. O interesse russo na região batia de frente com o da Alemanha e do Império Turco-Otomano, que pretendiam construir a estrada de ferro Berlim-Bagdá, permitindo, assim, que a Alemanha tivesse acesso às reservas de petróleo do Golfo Pérsico. Além disso, havia o domínio da Áustria no norte da Península, o que desagradava a Sérvia, que pretendia construir a Grande Sérvia, mais tarde surgida como Iugoslávia, o que também lhe daria uma saída para o Mediterrâneo.

4Coleção Estudo

Diante das tensões geradas nos primeiros anos do século X, os países optaram por manter uma política de paz armada. Assim, enquanto se mantinham aparentemente inofensivos, esses países desenvolviam uma postura militarista, belicosa, como forma de se prepararem para uma possível guerra. Como as principais potências europeias, além de estarem organizadas em alianças, assumiram essa postura, isso também favoreceu a eclosão do conflito. Os gráficos a seguir revelam a dimensão da belicosidade das principais forças mundiais às vésperas de 1914.

132ml

158ml 205ml

288ml 397ml

Gastos militares das grandes potências (Alemanha, Áustria-Hungria, Grã-Bretanha, Rússia, Itália e França) – 1880-1914 (ml = milhões de libras esterlinas).

THE TIMES ATLAS OF WORLD HISTORY. Londres, 1978. p. 250.

Efetivos militares e navais das potências, 1880-1914

Rússia791 0677 01 162 01 285 01 352 0 França543 0542 0715 0769 0910 0

Alemanha426 0504 0524 0694 0891 0

Grã- Bretanha367 0420 0624 0571 0532 0

Áustria-Hungria246 0346 0385 0425 04 0 Itália216 0284 0255 0322 0345 0

Japão71 084 0234 0271 0306 0

Estados Unidos34 039 096 0127 0164 0

HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios. 1815-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1988.

A causa imediata da Guerra, no entanto, foi o assassinato de

Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, região fronteiriça à disputada Península Balcânica. Francisco Ferdinando tinha como projeto político, após se tornar imperador, anexar a Sérvia ao território austro-húngaro, formando uma monarquia tríplice. No dia 28 de junho de 1914, em visita a Sarajevo, capital da Bósnia – que, apesar de pertencer ao Império Austro-Húngaro, situava-se próxima à fronteira com a Sérvia –, Francisco Ferdinando e sua esposa foram assassinados por um jovem estudante, Gravilo Princip, membro da organização secreta antiaustríaca da Sérvia, Mão Negra.

Imediatamente após o atentado, a Áustria exigiu, entre outras ações, que jornais antiaustríacos fossem fechados, que seus oficiais participassem das investigações acerca do assassinato e que todos os responsáveis fossem julgados pelas suas próprias cortes. A Sérvia, no intuito de evitar um confronto direto, atendeu parte das exigências, o que não foi suficiente para impedir uma declaração formal de guerra por parte da Áustria. No dia 28 de julho de 1914, portanto, iniciava-se o primeiro conflito de dimensões efetivamente mundiais.

Após o Império Austro-Húngaro ter declarado guerra à

Sérvia, os nacionalismos, já exacerbados desde o final do século XIX, vieram à tona. Assim, visando aumentar sua influência na Península Balcânica, a Alemanha apoiou os austríacos, haja vista que estes eram seus parceiros na Tríplice Aliança. A Rússia, por sua vez, não hesitou e logo prestou apoio aos sérvios, com o objetivo de cumprir o pan-eslavismo, além de conter a expansão germânica naquela região estratégica. Posteriormente, tanto a França quanto a Inglaterra – que já haviam reunido seus esforços na Tríplice Entente – se uniram aos russos e aos sérvios com o claro intuito de conter o avanço da Alemanha.

1914: Do conflito local ao conflito europeu

23 de julho: A Áustria envia um ultimato à Sérvia. 25 de julho: A Rússia declara apoio à Sérvia. 28 de julho: A Áustria ataca a Sérvia. 30 de julho: Os russos mobilizam suas tropas. 1º de agosto: A Alemanha declara guerra à Rússia. 2 de agosto: A França mobiliza suas tropas.

3 de agosto: A Alemanha invade a Bélgica (neutra) e declara guerra à França.

4 de agosto: A Inglaterra declara guerra à Alemanha.

PAZZINATO, Alceu L.; SENISE, Maria Helena Valente. História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Ática, 1997. p. 242.

Frente AMódulo 21

HISTÓRIA 5Editora Bernoulli

Em 1914, divididas as forças, as ações bélicas tiveram início. Naquele primeiro momento, impulsionados pelos nacionalismos e também pelos armamentos que já vinham sendo acumulados desde o início do século X, os principais países envolvidos na Guerra se lançaram aos combates diretos. É importante ressaltar que, até então, os europeus estavam acostumados com as batalhas tradicionais, favoráveis à arte da guerra, em que a cavalaria e a destreza do combatente eram fundamentais para o resultado do conflito.

Ao contrário do que esperavam os que se postavam a favor das ações bélicas, a Primeira Guerra colocou as tecnologias desenvolvidas pela Revolução Industrial a seu favor. Assim, durante a Guerra de Movimentos, como ficou conhecida essa primeira fase do conflito, diversos artefatos modernos, como metralhadoras e aviões, foram utilizados nos combates, o que provocou uma destruição nunca antes vista pelos europeus.

Assustados com os estragos provocados pelo primeiro ano da Guerra, os Exércitos iniciaram, a partir de 1915, a chamada Guerra de Trincheiras. As trincheiras eram longas valas no solo, protegidas por escoras de madeira e cercadas por arame farpado. A vida nas trincheiras era terrível: quando chovia, os túneis inundavam com lama, atingindo, muitas vezes, o peito dos soldados; os feridos ficavam até a noite, ou às vezes por dias, esperando resgates, que chegavam, normalmente, tarde demais; havia, ainda, diversos animais nocivos à saúde, como piolhos e ratos. Mesmo assim, usadas por ambos os lados, as trincheiras garantiram certo equilíbrio entre os combatentes.

Soldados entrincheirados durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1915, a Itália, que até então se mantinha neutra, entrou na Guerra, curiosamente, do lado da Entente, após promessas da Inglaterra e da França de que receberia várias possessões alemãs ao final do conflito. Devemos nos lembrar, ainda, de que, apesar de pertencer inicialmente à Tríplice Aliança, a Itália tinha relações frágeis com a Áustria, afinal, em 1870, durante a unificação italiana, três pequenas regiões habitadas por italianos continuaram sob domínio austríaco, a chamada Itália Irredenta.

Em 1917, ocorreram duas novas alterações significativas para a Guerra: a entrada dos Estados Unidos, em 6 de abril, e a saída da Rússia, em 17 de dezembro. Os Estados Unidos entraram na Guerra após alguns de seus navios terem sido afundados, como é o caso do famoso navio Lusitânia, alvejado no dia 7 de maio de 1915. Além disso, a pressão da opinião pública do país, tradicional parceiro comercial dos ingleses, levou o presidente Woodrow Wilson a declarar guerra aos alemães. Existe ainda uma leitura histórica que defende a entrada dos Estados Unidos como uma forma de garantir seus interesses econômicos, afinal, se a França e a Inglaterra perdessem a Guerra, elas não teriam condições de pagar os empréstimos e vendas contraídos junto aos Estados Unidos durante o conflito.

Entrada dos países na Guerra EntenteImpérios centrais

Sérvia Rússia França Bélgica Inglaterra Japão

Áustria-Hungria

Alemanha Império Turco-Otomano

1917 Grécia

Estados Unidos _

PAZZINATO, Alceu L.; SENISE, Maria Helena Valente. História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Ática, 1997. p. 242.

Ainda em 1917, devido aos acontecimentos internos da

Rússia que levaram à implantação do socialismo naquele país, Lênin, que havia assumido o poder, retirou as tropas russas da Guerra. Dessa forma, no dia 17 de dezembro, a Rússia assinou o armistício com a Alemanha, fato que não gerou grandes perdas para a Tríplice Entente em virtude das sucessivas vitórias obtidas com o auxílio dos Estados Unidos.

Atuando nos campos de batalha, os Estados Unidos utilizaram uma estratégia brilhante, que consistia em sobrevoar a Alemanha jogando panfletos que defendiam os 14 Pontos de Wilson, um conjunto de medidas cujo lema principal era a paz sem vencedores, propondo o fim da Guerra sem uma política de punições aos vencidos. Cansados da Guerra, muitos soldados alemães aderiram à campanha dos estadunidenses e abandonaram os campos de batalha.

Primeira Guerra Mundial

6Coleção Estudo

Em 1918, após quatro anos do início do conflito e diante do fortalecimento da Tríplice Entente, a Alemanha resistia à Guerra praticamente sozinha, afinal, seus principais aliados já haviam abandonado os campos de batalha. Somado a isso, vale ressaltar que as elites alemãs temiam uma revolução socialista, igual à ocorrida na Rússia, devido à insatisfação dos trabalhadores e dos soldados.

Diante da iminente derrota no conflito, o kaiser Guilherme I fugiu para a Holanda e o novo governo estabelecido na Alemanha, a República de Weimar, assinou a rendição do país em um vagão ferroviário em Compiègne, na França. No dia 1 de novembro de 1918, portanto, chegava ao fim a Primeira Guerra Mundial.

Apesar de o fim da Primeira Guerra ter sido firmado apenas em 1918, várias propostas envolvendo o cessar-fogo já haviam sido realizadas. A principal delas foi idealizada pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, e foi chamada de os 14 Pontos de Wilson. A proposta estadunidense previa o fim da guerra sem a responsabilização de nenhum dos países pelos anos de conflitos decorridos. Vale ressaltar que, entre os pontos previstos, existiam aqueles necessários à pacificação da Europa, como a devolução das regiões da Alsácia e Lorena, por exemplo. Mesmo assim, a intenção de Wilson era a de não gerar um novo sentimento de revanche por parte dos perdedores, pois tal situação poderia desencadear um novo conflito.

Aos membros europeus da Tríplice Entente, no entanto, não interessava uma guerra sem vencedores, afinal, países como a França haviam entrado na Primeira Guerra exatamente para destruir as estruturas alemãs e, logo, para consolidar o seu posto de potência no continente europeu. Assim, contrariando os 14 Pontos de Wilson, a partir de 1918, foram assinados alguns tratados prejudiciais aos derrotados.

Tratado de Versalhes

Mesmo diante da oposição dos Estados Unidos no que se refere à imposição de retaliações aos perdedores, o Tratado de Versalhes considerava a Alemanha culpada pela Primeira Guerra. A Inglaterra e a França não perderam a oportunidade de humilhar a Alemanha e, por isso, o Tratado foi assinado no Palácio de Versalhes, na Sala dos Espelhos, mesmo lugar em que Guilherme I havia sido coroado imperador de toda a Alemanha no século XIX, após ter vencido uma guerra contra os franceses.

A charge apresenta o presidente dos Estados Unidos, Wilson, acompanhado do seu tratado de paz, após este ter sido rejeitado.

Os principais pontos do Tratado de Versalhes previam diversas sanções à Alemanha, tais como:

• a devolução das regiões da Alsácia e Lorena à França;

• a cessão das minas de carvão do Sarre à França;

• a redução do contingente militar alemão a 100 0 homens, incluindo oficiais;

• a extinção da marinha e da aviação de guerra alemã;

• o pagamento de indenização de guerra aos vencedores;

• a perda de suas colônias;

• a proibição de militarização da região da Renânia, fronteiriça com a França;

• a proibição do Anschluss, união com a Áustria.

Tratado de Saint-Germain

Também considerado um dos responsáveis pelos prejuízos causados pela Guerra, o Império Austro-Húngaro foi desmembrado, uma vez que o Tratado de Saint-Germain determinava a perda de territórios austríacos para a constituição dos Estados da Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Iugoslávia e Polônia, além de proibir o Anschluss, união com a Alemanha.

Tratado de Neuilly

De acordo com o Tratado de Neuilly, a Bulgária, que havia lutado ao lado da Tríplice Aliança, foi obrigada a ceder territórios à Romênia, à Iugoslávia e à Grécia.

Tratado de Trianon

A Hungria, além de ter sido afetada pelo Tratado de

Saint-Germain, foi diretamente punida pelo Tratado de Trianon, tendo seu território reduzido em mais de um terço.

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HISTÓRIA 7Editora Bernoulli

Tratados de Sèvres e Lausanne

O Império Turco-Otomano, já decadente, também foi desmantelado, afinal, os tratados de Sèvres e Lausanne fizeram com que a

Turquia perdesse parte de seu território europeu para a Grécia. Mesmo assim, não houve interesse em enfraquecer demais o país, já que este era um grande rival da Rússia, a qual havia se tornado socialista e representava uma ameaça maior às potência s capitalistas.

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