Metodologia Cientifica

Metodologia Cientifica

(Parte 4 de 6)

Para saber mais

A pesquisa científica 23

2.5.3 Pesquisa exploratória

A pesquisa exploratória tem como principais finalidades desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias objetivando a elaboração de problemas mais exatos para pesquisas posteriores, promovendo familiaridade com o problema, e requer levantamento bibliográfico e documental, além de entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado.

Este tipo de pesquisa é recomendado quando o tema escolhido não é muito explorado, dificultando a formulação de hipóteses precisas. Com a sua realização, fica mais fácil estabelecer a delimitação do tema facilitando, assim, procedimentos mais sistematizados para a realização da pesquisa, ou seja, o pesquisador terá mais elementos para o planejamento e realização da pesquisa.

2.5.4 Pesquisa descritiva

Descreve as características de determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Sua principal característica está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, como questionário e observação sistemática.

Seu objetivo principal é estudar as características de determinados grupos, ou seja, a distribuição por faixa etária, sexo, nível de escolaridade, classe social. Esse tipo de pesquisa também se aplica ao levantamento de opiniões, atitudes e crenças de uma população ou segmento dela. Podemos, então, afirmar que, na área de administração, esse tipo de pesquisa pode ser utilizado, uma vez que contempla o estudo de situações próprias dessa área de conhecimento.

2.5.5 Pesquisa explicativa

Na pesquisa explicativa, procuravam-se identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da realidade, pois explica a razão, o “por quê” das coisas. Quando empregada nas ciências naturais, requer o uso do método experimental, e nas ciências sociais requer o uso do método de observação.

Como a pesquisa explicativa tem por base as pesquisas descritivas e exploratórias, pode-se considerar que ela é uma continuação, pois, para sua realização, há necessidade de que o fenômeno a ser estudado esteja suficientemente descrito e detalhado (GIL, 1999).

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2.5.6 Pesquisa documental

A pesquisa documental é realizada através da coleta, classificação, seleção e utilização de documentos primários (cartas, atas, registros etc.), ou seja, documentos que não sofreram nenhum tratamento científico e servirão de fonte para a coleta de dados.

A classificação dos documentos apresentada por Gil (1999) difere um pouco da citada no parágrafo anterior. São apresentados como documentos de primeira mão (documentos oficiais, reportagens de jornais, cartas, contratos, filmes, fotografias, gravações) aqueles que ainda não tiveram nenhum tratamento científico. Enquanto os documentos de segunda mão (relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.) são aqueles que de alguma forma já foram analisados.

A pesquisa documental, no entendimento de Fachin (2006, p. 146), “[...] inclui também a informação oral ou visualizada independentemente do suporte, podendo ser sob a forma de textos, imagens, sons, sinais em papel/madeira/ pedra, gravações, pinturas”.

Você pode utilizar esse tipo de pesquisa, por exemplo, para fazer um estudo sobre a série histórica da aceitação de um produto lançado no mercado, pois será necessário buscar os documentos que registram esses dados.

2.5.7 Pesquisa experimental

Implica recriar, em laboratório, porções da realidade colocando-se sob controle todas as condições importantes, assegurando-se estímulos e avaliando- -se os efeitos e, desse modo, passando-se a repetir esse procedimento com as modificações pertinentes. Portanto, a experimentação permite ao pesquisador estudar um fenômeno modificado, na tentativa de descobrir algo não revelado pela natureza.

Quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo e definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produziria no objeto. Mesmo que o pesquisador queira apenas controlar uma variável, para obter esse resultado, ele precisaria manter o controle sobre todas variáveis que fazem parte do fenômeno.

A pesquisa experimental tanto pode ser aplicada em laboratórios como em experiência de campo, embora esses dois tipos sejam bastante distintos entre si. Segundo Beuren (2003), na pesquisa de laboratórios cria-se um ce-

A pesquisa científica 25 nário desejado, no qual as variáveis são controladas e manipuladas de forma independente (causa) e dependentes (efeito). Na pesquisa de campo, apesar de haver a manipulação das variáveis, o tipo de experimento é diferente do experimento do laboratório, pois o cenário é real.

2.5.8 Pesquisa participante

Esse tipo de pesquisa se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações a serem investigadas.

Pode-se afirmar que a pesquisa participante é um processo no qual a comunidade participa da análise de sua própria realidade, com vistas a promover uma transformação social em benefício dos participantes dessa mesma comunidade, porém não é realizado, pelo pesquisador, nenhum tipo de intervenção na realidade.

É de vital importância que o pesquisador mergulhe na cultura e no mundo das pessoas que serão sujeitos de sua pesquisa, com o objetivo de se inteirar completamente do cotidiano dessas pessoas e, assim, absorver todas as informações de que precisa para fazer seu estudo.

2.5.9 Pesquisa-ação

A pesquisa-ação originou-se na psicologia social, na década de 1940, e sua principal característica é a participação ativa do pesquisador.

No entendimento de Thiollent (2000, p. 14), a pesquisa-ação:

[...] é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.

É concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Podemos dizer que consiste em ciclos de planejamento, ação, reflexão ou avaliação, e, mais adiante, ação novamente (TRIPP, 2005).

Nessa direção, encontramos também o entendimento de Franco (2005, p. 483), quando afirma que a pesquisa-ação é:

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[...] eminentemente pedagógica, dentro da perspectiva de ser o exercício pedagógico, configurado com uma ação que cientificiza a prática educativa, a partir de princípios éticos que visualizam a contínua formação e emancipação de todos os sujeitos na prática.

Seguindo esse raciocínio, Tripp (2005, p. 445) aborda também a pesquisa- -ação na linha pedagógica, enfatizando que:

A pesquisa-ação educacional é principalmente uma estratégia para o desenvolvimento de professores e pesquisadores de modo que eles possam utilizar suas pesquisas para aprimorar seu ensino e, em decorrência, o aprendizado de seus alunos.

Amplie seu conhecimento sobre pesquisa-ação consultando o artigo de David Tripp “Pesquisa-ação: uma introdução metodológica”, publicado no periódico Educação e Pesquisa (v. 31, n. 3, set./ dez. 2005), acessível pelo seguinte link: <http://w.scielo.br/pdf/ep/v31n3/a09v31n3.pdf>.

Para saber mais

Como características da pesquisa-ação há uma grande e explícita interação entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa. A prioridade dos problemas a serem estudados é definida pelos atores envolvidos no processo de pesquisa e o foco da investigação recai sobre a situação social e os problemas que são identificados. No processo do desenvolvimento da pesquisa-ação, existe a preocupação com o acompanhamento das decisões, ações e atividades desenvolvidas pelos envolvidos na pesquisa (FRANCO, 2005; MARTINS; THEÓPHILO, 2007).

2.5.10 Etnográfica

A etnografia é definida nos dicionários como um estudo dos povos e de sua cultura. Foi desenvolvida por antropólogos e tem por objeto os modos de vida dos grupos sociais.

Segundo André (2001), ocorreu uma adaptação da etnografia à educação, uma vez que a preocupação dos educadores é com o processo educativo, diferentemente dos antropólogos, que se interessam pela descrição cultural de um povo. A autora defende que os pesquisadores da área da educação fazem estudos do tipo etnográfico, mas não no sentido exato da palavra. Na realidade, apesar de utilizarem as técnicas de pesquisa, como a observação participante,

A pesquisa científica 27 a entrevista e análise de documentos, que são técnicas tradicionalmente associadas à etnografia, têm outros objetivos.

Para a realização da pesquisa etnográfica, o pesquisador precisa saber ouvir, observar, buscar as informações no campo onde acontecerá a pesquisa, precisa saber o momento certo para interferir, ou seja, perguntar, dialogar e, ao mesmo tempo, ter uma grande responsabilidade sobre a interpretação correta dos dados sobre os grupos investigados (MARTINS; THEÓPHILO; 2007).

A observação participante e a entrevista semiestruturada são as técnicas de pesquisa mais indicadas para a coleta de dados da pesquisa etnográfica.

2.5.1 Método Delphi

O Método Delphi tem por princípio que as prospecções realizadas por um grupo de especialistas devidamente estruturados, ou seja, organizados em conjunto, têm maior precisão do que os resultados alcançados por grupos não estruturados. É claro que um grupo de especialistas é mais caro que outros grupos, mas os resultados devem ser estimados para ver se o fim justifica os gastos.

O nome Método Delphi é uma referência ao oráculo da cidade de Delfos, na antiga Grécia,em que se predizia o futuro.

Para saber mais

Este método passou a ser disseminado no começo dos anos 1960, através de pesquisadores da Rand Corporation, com o objetivo de desenvolver um método para aprimorar o uso da opinião de especialistas na previsão tecnológica e, com a sua evolução, foi se estendendo para outras áreas. Recomenda-se sua utilização quando se dispõe de dados não mensuráveis a respeito de um problema que se investiga ou em pesquisas sobre temas recentes (WRIGHT; GIOVINAZZO, 2001).

Os autores Grisi e Britto (2003), sintetizam o Método Delphi como um processo estruturado de comunicação coletiva, que permite a um grupo de indivíduos lidar com um problema complexo.

A principal característica do Método Delphi é a busca progressiva de consenso em áreas do conhecimento ainda não consolidadas ou, ainda, em pesquisas em que o tema é complexo. Sua realização ocorre mediante sucessivos

28 METODOLOGIA CIENTÍFICA questionamentos a um grupo de especialistas cujas respostas são cumulativamente analisadas.

Este método é reconhecido como um dos melhores instrumentos de previsão qualitativa. Sua área de aplicação mais corrente é a previsão tecnológica, mas, aos poucos, vem sendo estendida a outras áreas, como a administração, principalmente, no campo do planejamento estratégico.

Agora reflita: qual método de pesquisa você acha mais adequado para as investigações em sua área de atuação?

Questões para reflexão

1. Quando recriamos em laboratório porções da realidade, colocando-se sob controle todas as condições importantes, assegurando-se estímulos e avaliando-se os efeitos e, desse modo, passando-se a repetir este procedimento com as modificações pertinentes, que tipo de pesquisa estamos realizando?

2. É possível, na mesma pesquisa, utilizarmos as abordagens quantitativa e qualitativa?

Atividades de aprendizagem

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Seção 3 Métodos

A escolha correta dos métodos de pesquisa é fundamental na realização da pesquisa científica e precisa estar em harmonia com as abordagens e tipos de pesquisa.

Como você já pôde refletir, na seção anterior, sobre a importância da escolha do tipo de pesquisa mais adequado ao projeto que será desenvolvido, iremos então estudar os métodos e as técnicas de pesquisa. O planejamento da metodologia do projeto exige muita atenção por parte do pesquisador, pois é nessa etapa que será estabelecido o “caminho” a ser percorrido durante sua execução.

A realização de todas as pesquisas científicas envolve a metodologia, o método e as técnicas de pesquisa. Não é possível desenvolver uma pesquisa sem que se estabeleça em detalhes qual será a metodologia adotada, o método escolhido e as técnicas utilizadas para a coleta de dados. Essas três etapas estão imbricadas e, a partir da definição do objetivo do projeto, elas deverão ser definidas.

Metodologia é um termo que tem diferentes significados e, sendo assim, pode ser empregado em diferentes contextos. De modo geral, ela é utilizada, segundo Kaplan (apud MARTINS; THEÓPHILO, 2007, p. 37), “[...] para fazer referência a uma disciplina e ao seu objeto, identificando tanto o estudo dos métodos, quanto o método ou métodos empregados por uma determinada ciência”.

Para o pleno desenvolvimento de qualquer investigação, o pesquisador precisa definir a metodologia, o método e a técnica de pesquisa que melhor se adéqua ao objetivo que ele pretende alcançar com a realização do estudo. Não há como empregar de forma dissociada esses elementos determinantes para seu pleno desenvolvimento.

Nessa mesma perspectiva, Crotty (apud CRESWELL, 2007, p. 23) destaca quatro questões que precisam ser previstas na elaboração de um projeto e que devem ser estabelecidas a priori.

1. Que epistemologia — teoria do conhecimento embutida na perspectiva teórica — instrui a pesquisa (por exemplo, objetividade, subjetividade etc.)?

2. Que perspectiva teórica — postura filosófica — está por trás da metodologia das questões (por exemplo, positivismo e pós-positivismo, interpretativismo, teoria crítica etc.)?

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3. Que metodologia — estratégia ou plano de ação que associa métodos a resultados — governa nossa escolha e nosso uso de métodos (por exemplo, pesquisa experimental, pesquisa de levantamento, etnográfica etc.)?

4. Que métodos — técnicas e procedimentos — propomos usar (por exemplo questionários, entrevistas, grupos focais etc.)?

Discutiremos, a seguir, cada um desses elementos.

3.1 Metodologia

O termo metodologia tem significados diversos: “[...] para fazer referência a uma disciplina e ao seu objeto, identificando tanto o estudo dos métodos quanto o método ou métodos empregados por uma dada ciência” (MARTINS; THEÓPHILO, 2007, p. 37).

A metodologia é apresentada como o estudo dos métodos, da forma ou dos instrumentos usados para a realização de uma pesquisa científica; é o conhecimento dos métodos que auxiliam o pesquisador na elaboração do trabalho científico. Na descrição da metodologia, é necessário que fique estabelecido como a pesquisa será desenvolvida.

Trata-se de explicitar aqui se se trata de pesquisa empírica, com trabalho de campo ou de laboratório, de pesquisa teórica ou de pesquisa histórica ou se de um trabalho que combinará, e até que ponto, as várias formas de pesquisa. Diretamente relacionados com o tipo de pesquisa serão os métodos e técnicas a serem adotados (SEVERINO, 1996, p. 130).

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