Metodologia Cientifica

Metodologia Cientifica

(Parte 5 de 6)

3.2 Métodos

O termo método vem do grego methodos, que significa, literalmente, “caminho para chegar a um fim”, para se atingir um objetivo. Na terminologia científica, método pode ser definido como um conjunto de dados e regras que permite atingir os objetivos da pesquisa.

A definição apresentada por Lakatos e Marconi (2005, p. 83) apresenta o método como:

[...] o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo — conhecimentos válidos e verdadeiros —

A pesquisa científica 31 traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.

Segundo Lüdke e André (2003, p. 15), “[...] não existe um método que possa ser recomendado como o melhor ou mais efetivo [...] a natureza dos problemas é que determina o método, isto é, a escolha do método se faz em função do tipo de problema estudado”.

Apresentaremos, a seguir, alguns tipos de métodos discutidos na literatura.

3.3 Método indutivo

Consiste em observar fatos particulares e, a partir dessa observação, faz-se uma generalização dos fatos. Por meio do raciocínio indutivo, os dados percebidos na realidade investigada podem nos levar a uma realidade desconhecida, provavelmente verdadeira (VIANNA, 2001).

A indução, portanto, parte do particular para o geral, conforme você pode constatar no exemplo a seguir:

Maria gosta de ler (premissa particular). Maria é professora (premissa particular). Logo, todos os professores gostam de ler (conclusão).

Você pode observar que, no exemplo acima, partimos da premissa particular de que uma pessoa que é professora gosta de ler e estendemos esse conceito para todos os demais, ou seja, que todos os professores também gostam de ler.

Como você pode ver, a conclusão a que se chega na indução corresponde a uma verdade que não está nas premissas consideradas. Isso não ocorre na dedução, que será vista a seguir. Na dedução chega-se a conclusões verdadeiras, já que se baseia em premissas igualmente verdadeiras, enquanto por meio da indução chega-se a conclusões que são apenas prováveis, mas não necessariamente verdadeiras.

3.4 Método dedutivo

O método dedutivo parte de um conceito geral para o particular, pois utiliza um princípio reconhecido como verdadeiro e chega por intermédio da lógica a uma síntese particular como verdade (VIANNA, 2001).

O registro histórico do método dedutivo surgiu na obra de Aristóteles e tem sua base no silogismo.

No exemplo a seguir, procuramos mostrar como se dá o silogismo:

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Todos os professores gostam de ler (premissa particular). Maria é professora (premissa particular). Logo, Maria gosta de ler (conclusão).

Nesse exemplo, partimos de uma premissa que generaliza que todos os professores gostam de ler e conclui que, se Maria é professora, então, ela gosta de ler.

3.5 Método científico

Significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação científica. É o método usado nas ciências, que consiste em estudar um fenômeno da maneira mais racional possível, de modo a evitar enganos, sempre buscando evidências e provas para ideias, conclusões e afirmações. Utiliza o raciocínio lógico por meio de hipóteses e as organiza após a coleta de dados. É uma forma de investigação da natureza. Sendo assim, desconsidera superstições ou sentimentos religiosos e se prende à lógica e à observação sistemática dos fenômenos estudados.

3.6 Método de observação

É muito utilizado nas ciências sociais. Evidencia particularidades acerca do comportamento de grupos.

Gil (1995) chama a atenção para alguns aspectos curiosos deste método, pois, ao mesmo tempo que pode ser considerado como o método mais antigo e por isso impreciso, por outro lado, se aplicado de forma planejada e cuidadosa sob rígidos controles, seus resultados podem ser tão precisos quanto os resultados obtidos pela experimentação.

Portanto, somente terá validade científica se a observação for controlada e sistemática, e isso exige uma preparação cuidadosa do observador, que deve seguir rigorosamente a metodologia de aplicação da observação.

Conheça um pouco mais sobre o método da observação participante lendo o artigo “Os dez mandamentos da observação participante”, da autora Licia Valladares. Este artigo está disponível em: <http://w.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092007000100012>.

Para saber mais

A pesquisa científica 3

Espero que tenha ficado claro para vocês a importância da escolha do método que será utilizado na pesquisa. Porém, vamos ler na Seção 4 o que Barros e Lehfeld (2007) apresentam sobre o assunto?

Vamos parar aqui e refletir um pouco sobre a leitura que vocês acabaram de fazer: você saberia responder qual é a importância da escolha do método em uma pesquisa científica?

Questões para reflexão

1. Quando partimos da observação de fatos particulares e, a partir dessa observação, fazemos uma generalização dos fatos, qual método estamos aplicando?

2. Como apresentado por Vianna (2001), o método dedutivo parte de um conceito geral para o particular, pois utiliza um princípio reconhecido como verdadeiro e chega por intermédio da lógica a uma síntese particular como verdade. Cite um exemplo do método dedutivo.

Atividades de aprendizagem

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Seção 4 Técnicas de pesquisa e instrumentos de coleta de dados

As técnicas de pesquisa são os procedimentos que o pesquisador adota para realizar a coleta de dados.

Coleta de dados é a busca, junto aos sujeitos da pesquisa, das informações necessárias para proceder à análise dos dados, obtendo, assim, os resultados da pesquisa.

Na literatura sobre o assunto, os autores apresentam as várias modalidades de técnicas existentes. Entre elas, destacam-se a observação, a entrevista, o grupo de foco, entre outras. Cabe ao pesquisador escolher a técnica que melhor se adéque ao método e ao tipo de pesquisa escolhidos por ele; e também devem ser considerados os objetivos da pesquisa. A escolha correta da técnica é essencial para garantir a seriedade e credibilidade da pesquisa.

Os instrumentos de coleta de dados são elaborados e utilizados pelo pesquisador para obter os dados necessários para proceder à análise do problema investigado. A decisão do tipo de instrumento mais adequado deve estar estreitamente relacionada ao tipo de pesquisa que está sendo realizada.

Abordaremos, a seguir, a observação, o questionário e a entrevista.

4.1 Observação

É uma técnica muito importante e ocupa um lugar privilegiado nas pesquisas da área da educação. O pesquisador, ao escolher essa técnica de pesquisa, deve ter clareza de como vai lidar com os fatos que irá observar; ele precisa ter certa dose de imparcialidade para não deixar seus pontos de vista, preconceitos e conceitos interferirem na interpretação da situação observada, sem, contudo, desprezar sua intuição. Kaplan (1972, p. 138) chama a atenção para isso: “[...] vemos o que esperamos ver, o que acreditamos ter motivos para ver e, embora essa expectativa possa contribuir para erro da observação, é ela também responsável pela percepção verdadeira”.

Lüdke e André (2003) destacam a necessidade de certos cuidados que devem ser tomados pelo pesquisador para garantir a validade científica da pesquisa. O pesquisador deve estar atento ao controle sistemático da observação e, para isso, precisa fazer um planejamento cuidadoso da pesquisa e uma capacitação rigorosa do observador.

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A técnica da observação tem várias modalidades e a escolha do pesquisador deve considerar as circunstâncias da pesquisa para optar por uma ou outra modalidade.

Neste texto, iremos apresentar apenas a observação segundo o tipo de participação do observador: observação participante, observação participante ativa e observação não participante.

Observação participante — segundo Denzin, “[...] é uma estratégia de campo que combina simultaneamente a análise documental, a entrevista de respondentes e informantes, a participação e a observação direta e a introspecção” (apud LÜDKE; ANDRÉ, 2003, p. 28). Envolve, portanto, um conjunto de técnicas metodológicas que permitem um grande envolvimento do pesquisador com o objeto de sua pesquisa. Os sujeitos da pesquisa sabem que estão sendo observados, uma vez que o pesquisador se incorpora ao grupo e deixa clara a intenção da pesquisa revelando inclusive o objetivo.

Observação participante ativa — nessa condição, o observador, além de se identificar, também revela sua intenção e qual será a forma de participação com o grupo que será observado.

Observação não participante — nessa condição, o observador não se revela. Mantém sua identidade preservada, desenvolvendo sua atividade sem ser notado pelos sujeitos da pesquisa, ou seja, sem estabelecer relações interpessoais com o grupo.

4.2 Entrevista

A entrevista pode ser considerada um instrumento básico de coleta de dados.

Para a realização da entrevista, é necessário ter um roteiro pré-elaborado para que, no momento em que ele esteja sendo aplicado, não deixem de ser colhidas as informações necessárias, observando a mesma ordem, ou seja, não pode haver discrepância nos itens e na ordem em que eles se apresentam de um participante para o outro. Essa medida vai assegurar que, no momento da análise de dados, haja coerência nos resultados encontrados.

É possível estabelecer interação entre o entrevistado e o entrevistador, facilitando a captação imediata das informações desejadas, pois, para a coleta de dados, o pesquisador se apresenta pessoalmente aos sujeitos de sua pesquisa. A entrevista pode ser classificada em:

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Entrevista estruturada — para este tipo de entrevista, é elaborado um roteiro com perguntas previamente planejadas. Portanto, o entrevistador não tem a liberdade de incluir ou excluir perguntas. A vantagem é que esse procedimento facilita a comparação das respostas entre os participantes durante a análise dos dados.

A entrevista estruturada pode ser aplicada em pesquisa nas várias áreas do conhecimento. Na área de administração, poderia ser aplicada para uma pesquisa entre os gerentes de um determinado segmento para identificar as tendências de novos produtos.

Entrevista semiestruturada — este tipo de entrevista dá mais flexibilidade ao entrevistador, uma vez que ele não precisa se manter fiel ao roteiro, possibilitando, assim, que o entrevistado tenha mais espontaneidade nas suas respostas, podendo inclusive colaborar e influenciar o conteúdo da pesquisa.

A entrevista semiestruturada pode ser usada por uma equipe de planejamento de uma nova campanha de marketing junto aos seus clientes, possibilitando, assim, conhecer melhor a finalidade e os objetivos do cliente.

A entrevista semiestruturada, segundo Triviños (1994, p. 146):

[...] é a que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida adicionam-se a uma grande quantidade de interrogativas, fruto de novas hipóteses que surgem no transcorrer da entrevista.

Entrevista não estruturada — nesta entrevista, o pesquisador tem total liberdade, porque esta modalidade permite ao pesquisador perceber se as informações que o entrevistado está fornecendo são relevantes para o objetivo da sua pesquisa. Ao mesmo tempo, ele pode perceber que algum aspecto que ele não tinha incluído na pesquisa é importante e, então, enriquecer os resultados que irá encontrar.

Recomenda-se que os dados coletados sejam anotados imediatamente para que não se perca informações ou então que a entrevista seja gravada, desde que haja consentimento do entrevistado.

4.3 Questionário

O questionário também deve ser elaborado a partir dos objetivos propostos para a pesquisa. Ele deve ser respondido, por escrito, pelo participante da pesquisa.

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No momento da elaboração do questionário, o pesquisador deve ter clareza de necessidade de incluir um número suficiente de questões para obter os dados que ele precisará, ou seja, nem questões que deixem de fora algum dos objetivos propostos nem questões que não tenham sintonia com os objetivos.

No planejamento do questionário podem-se elencar as questões uma seguida da outra ou pode-se também dividir as questões por categorias. O importante é que não haja nenhuma interrupção abrupta de um assunto para o outro ou que as perguntas de categorias diferentes estejam misturadas.

As perguntas do questionário podem ser abertas ou fechadas.

Questão aberta: quando o entrevistado tem possibilidade de colocar sua preferência ou opinião pessoal. Ex.: Que gêneros de leitura você mais gosta?

Questão fechada: quando as possíveis respostas já estão especificadas, restando ao entrevistado escolher entre elas. Ex.: Qual é o gênero de leitura que você mais gosta? a) ficção b) terror c) romance

Para saber mais

A decisão do pesquisador por um ou outro tipo de pergunta que será utilizada na elaboração do questionário deve levar em conta vários aspectos: o tipo de público, o tamanho da amostra, o foco da pesquisa, entre outros. Para uma amostra grande, o uso da questão fechada facilita a tabulação de dados.

O questionário se caracteriza por ser respondido sem a presença do pesquisador, podendo, assim, ser utilizado para uma pesquisa que abrange uma população geográfica dispersa e numerosa.

O formulário também é constituído de perguntas abertas ou fechadas e deve ser aplicado pelo pesquisador. Em função disso, é recomendada sua utilização quando a população objeto da pesquisa é pequena.

Uma vez decidido pelo autor qual será o tipo, o método e a técnica de pesquisa que serão utilizados para a realização do projeto de pesquisa, ele irá estruturar e desenvolver a argumentação de seu trabalho. A estrutura do trabalho deverá seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Na próxima unidade, apresentaremos a estrutura segundo as várias normas que devem ser observadas.

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O questionário é um instrumento muito utilizado na coleta de dados, porém sua elaboração é complexa e exige muita atenção do pesquisador.

Agora que discutimos algumas técnicas de coleta de dados, reflita: de quantas pesquisas você já participou respondendo a questionários e formulários? Você é capaz de lembrar-se do que achou dessas abordagens? Use essas experiências quando precisar elaborar um questionário ou formulário de pesquisa.

Questões para reflexão

1. A observação é uma técnica muito importante e ocupa um lugar privilegiado nas pesquisas da área da educação. Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir e julgue-as verdadeiras ou falsas.

I. O pesquisador, ao escolher essa técnica de pesquisa, deve ter clareza de como vai lidar com os fatos que irá observar; ele precisa ter certa dose de imparcialidade para não deixar seus pontos de vista, preconceitos e conceitos interferirem na interpretação da situação observada, sem, contudo, desprezar sua intuição.

I. A Observação participante é uma estratégia de campo que combina simultaneamente a análise documental, a entrevista de respondentes e informantes, a participação e a observação direta e a introspecção.

I. Na Observação participante ativa o observador, além de se identificar, também revela sua intenção e qual será a forma de participação com o grupo que será observado.

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