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ANÁLISE DO SERVIÇO DE ENFERMAGEM NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM HOSPITAL VER:P.5;6;7-MATERIAL DIDÁTICO

RESUMO O Planejamento Estratégico (PE) tem sido adotado em instituições hospitalares como uma atividade de melhoria da competitividade e com impacto nas mais diversas atividades de trabalho e processos de negócios. O serviço de enfermagem representa a maior parcela do corpo funcional de instituições hospitalares, é responsável pela assistência contínua e integral aos pacientes e possui uma forte relação com os resultados decorrentes da aplicação do PE. Este trabalho tem o objetivo de analisar a atuação do corpo de enfermeiros no processo de implantação do Planejamento Estratégico (PE) em um dos grandes hospitais da cidade de Porto Alegre (Hospital São Lucas da PUCRS). Esta análise foi realizada a partir da percepção dos gestores do serviço.

1. INTRODUÇÃO Em razão da evolução tecnológica e das novas necessidades de assistência à saúde, as instituições hospitalares passaram a ser gerenciadas como empresas complexas, usando modernas técnicas de gestão e buscando maior competitividade no mercado.

A estrutura do atendimento à saúde no Brasil sofreu transformações ao longo da história do país, adaptando-se à realidade política e econômica. Atualmente, vigora o Sistema Único de Saúde (SUS), que gerencia os recursos e integra as ações de saúde no país (KUAZAQUI; TANAKA, 2008). Nesse contexto situa-se o hospital, considerado como o ambiente mais complexo do sistema de atendimento à saúde, o maior consumidor de recursos e o local onde se apresentam os novos avanços no atendimento (KURCGANT, 2005; JCR, 2008; MALAGUTTI; CAETANO, 2009). 2. ESTRATÉGIA E GESTÃO HOSPITALAR A tendência no setor da saúde tem sido adotar cada vez mais sistemas de gestão que garantam a qualidade, porque existe uma concorrência cada vez mais acirrada, associada a uma forte regulamentação do setor, em um cenário de economia globalizada (COUTO; PEDROSA, 2007). O setor hospitalar caracteriza-se por mudanças constantes, com impactos sociais e econômicos que devem ser considerados nas tomadas de decisão de negócios. Segundo Malagón-Londoño, Morera e Laverde (2003), “o hospital é o ponto focal das promessas mais comprometedoras do sistema de saúde”. É o local onde são resolvidos os problemas de maior complexidade e também o meio de avaliação de todos os resultados de projetos para melhorias do sistema de g i n a saúde. O ambiente hospitalar é constituído por diferentes organismos que interagem com empresas e profissionais do mercado de saúde e os influenciam. É um segmento com características distintas, com variáveis controláveis, tal como o gerenciamento dos colaboradores, e variáveis incontroláveis, como a situação política e econômica do país, que interferem na qualidade dosO hospital é uma instituição com características peculiares, cuja concepção como empresa é recente. O desafio de implantar o planejamento estratégico implica definir que posição ser quer atingir no mercado, identificar recursos internos, suas competências e deficiências, e conhecer seus concorrentes (PORTER; TEISBERG, 2004). A unidade de análise deste estudo é a área de enfermagem de um hospital universitário de grande complexidade em Porto Alegre. A escolha fundamenta-se no fato de esse hospital ter implantado o Planejamento Estratégico como instrumento de gestão e ser referência para diversas especialidades na assistência à saúde. A opção pela área de enfermagem deu-se em função de esta constituir um segmento significativo do hospital em termos de representatividade numérica e perfil de atuação. Além disso, o HSL, como Hospital Universitário da PUCRS, é o principal centro de formação dos alunos da

Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da PUCRS (FAENFI), o que significa que há um forte vínculo entre ensino e assistência (SCHILLING, 2005). A população deste estudo é constituída por enfermeiros, que correspondem à totalidade dos gestores do serviço de enfermagem do HSL. Desses, cinco são Coordenadores de Macrounidades Funcionais (MUFs), dois são Supervisores Noturnos e 15 são Chefias de Unidades Funcionais (UFs). A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com os gestores da área de enfermagem, responsáveis pela implantação do planejamento estratégico, com o objetivo de permitir conhecer a atuação do enfermeiro nesse processo. As entrevistas foram agendadas previamente e ocorreram no HSL, em local que possibilitou privacidade aos entrevistados. Todas as entrevistas foram gravadas com a permissão dos participantes. As questões do instrumento foram elaboradas para possibilitar respostas qualitativas e quantitativas. As questões quantitativas oferecem 6 opções de resposta, que indicam a participação do enfermeiro nas atividades do PE: (5) Muito Forte; (4) Forte; (3) Regular; (2) Fraco; (1) Muito Fraco e (0) Não se Aplica. A opção Não se Aplica significa que o respondente não atua com a atividade questionada ou não tem conhecimento da resposta.

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A 1escala do tipo Likert foi adotada por permitir que os respondentes expressem sua posição em relação ao item de análise (COOPER; SCHINDLER, 2003). Os dados decorrentes das respostas quantitativas foram utilizados para identificar as atividades propostas e praticadas pelos profissionais enfermeiros, assim como para permitir conhecer os fatores críticos para o sucesso do PE. Os dados provenientes das respostas abertas permitiram vislumbrar a justificativa às respostas quantitativas, indicando possibilidades de melhorias nos diversos fatores avaliados. Segundo Minayo (1994:2) “o conjunto de dados quantitativos e qualitativos não se opõem. Ao contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia”. Em relação à percepção dos gestores sobre a participação dos enfermeiros assistenciais no PE do HSL, o trabalho destaca as seguintes conclusões: os enfermeiros não conhecem o

PE na íntegra e apenas participaram de algumas fases de

11Escala Likert ou escala de Likert é um tipo de escala de resposta psicométrica usada habitualmente em questionários, e é a escala mais usada em pesquisas de opinião. Ao responderem a um questionário baseado nesta escala, os perguntados especificam seu nível de concordância com uma afirmação.

implementação de projetos específicos;

A participação dos enfermeiros deu-se principalmente na fase de desenvolvimento, que priorizou a área assistencial, onde ocorre a maioria das atividades do enfermeiro no cenário hospitalar;

As atividades praticadas pelos enfermeiros assistenciais relacionadas ao PE não correspondem às esperadas pelos gestores, o que pode ser atribuído à restrita participação dos enfermeiros nas demais fases do PE;

Os enfermeiros utilizam ferramentas de gestão com o objetivo de qualificar a assistência e racionalizar recursos, estabelecendo metas, criando indicadores e avaliando resultados, embora nem sempre associem essas práticas ao PE;

Houve interferência do PE na prática profissional dos enfermeiros, principalmente nas atividades de gerenciamento da unidade e de assistência ao paciente.

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