Apostilas do ensino médio telecurso - por2g64

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64 AULA

Esta casa Ø minha 64

Na Cenatexto desta aula veremos como

Eduardo se arrumou. SerÆ que ele conseguiu reunir os documentos e o dinheiro necessÆrios para garantir a tªo sonhada casa? Eduardo nªo estava disposto a deixar de lado seu projeto, assim tªo facilmente. Confira.

A caminho do serviço, enquanto viajava aqueles bons quilômetros de ônibus,

Eduardo ia sonhando com sua casinha. AtrÆs, no quintal, vou separar um pedaço do lote para fazer mais um cômodo. No resto do terreno, faço minha horta. É chegar do serviço e ir mexer com a terra, uma coisa de que sempre gostei. A Meire jÆ disse que quer um jardim. A gente pode fazer uma cerca viva na divisa do terreno e um jardim do portªo de entrada atØ perto da porta da sala.

Eduardo ia assim distraído e pensativo em direçªo à fÆbrica, sonhando, quando se lembrou das obrigaçıes que o esperavam naquele dia. Tinha de cumprir mais uma maratona em busca dos documentos. Ia ter de descobrir, ainda, como arrumar o resto do dinheiro para a compra da casa e, no final da tarde, tinha prometido a Meire ir atØ onde estava sendo construído o conjunto para, mais uma vez, darem uma olhada no local.

Antes disso tudo, porØm, havia um dia de trabalho que mal começava. -Bom dia, Eduardo. E daí? JÆ arrumou o dinheiro pra casa? - perguntou

Antônio assim que avistou o amigo.

-Que nada. Nesta noite nem dormi direito, pensando em como arrumar o resto.

E foi aí que fiquei me lembrando, com muita raiva, do Paulo Roberto, que numa hora dessas tira o corpo fora. Mas, tive uma idØia: logo mais, vou estar com um compadre que veio do interior.

Eduardo trabalhou naquele dia na maior expectativa. Nªo via a hora de estar lÆ, em frente ao terreno onde jÆ estavam sendo feitas as obras de terraplanagem para a construçªo de mais casas do conjunto habitacional. Na hora marcada, ele estava lÆ no ponto de ônibus, esperando pela mulher.

-Oi, Eduardo! JÆ chegou hÆ muito tempo? O meu ônibus custou a passar - disse Meire. -Nªo, acabei de chegar, mas vamos logo que ainda quero aproveitar a luz do dia.

-Eu nem acredito que a gente vai mesmo comprar esta casa - comentou Meire.

-Eu nªo sei, nªo. Às vezes pintam dœvidas, pois atØ agora nªo temos todo o dinheiro. -Mas, Eduardo, porque nªo fala vocŒ mesmo com os diretores lÆ na fÆbrica?

MÓDULO 19 Cenatexto

AULA-É difícil, sabe? A gente nem conhece ninguØm. Acho que nem seria recebido por eles. Mas hoje me lembrei de procurar o compadre Zeca, para ver se ele me ajuda.

Afinal, sempre o ajudei muito e ele nunca foi de negar fogo.

-Olha, Eduardo, que lugar tranqüilo. Os meninos vªo correr e brincar à vontade, entusiasmou-se Meire, ao avistar o conjunto.

-É perfeito! É o lugar com que sonhei! JÆ sei onde quero a horta e o jardim. Sei atØ como vou puxar mais um cômodo, na parte de trÆs da casa.

Os dois pararam em frente a uma rua que mal começava a ser aberta e que, pelos cÆlculos de Eduardo, era justamente a rua que passaria em frente a casa de nœmero 8, a escolhida por ele e sua mulher. Por uns bons momentos, os dois ficaram ali abraçados, contemplando aquela rua, idealizando a casa e deixando para mais tarde a soluçªo dos problemas.

Releia este trecho da Cenatexto:

No caminho do serviço, enquanto viajava aqueles bons quilômetros de ônibus, Eduardo ia sonhando com sua casinha.

Repare que o narrador falou em bons quilômetros. O que significa bons quilômetros? Serªo quilômetros bondosos? É claro que nªo. O adjetivo bons nesse caso tem outro sentido, veja como o dicionÆrio registra essa palavra:

bom. [Do lat. bonu.] adj. 1. Que tem todas as qualidades adequadas à sua natureza ou funçªo: bom carro, boa vaca. 2. BenØvolo, bondoso, benigno: Tem bom coraçªo. 3. Misericordioso, caritativo. 4. Rigoroso no cumprimento de suas obrigaçıes: bom pai de família. 5. Eficiente, competente, hÆbil: bom mØdico; bom pintor. 6. Digno de crØdito, seguro, garantido: bom investimento. 7. Próprio, adequado: Ægua boa para se beber. 8. Em palavras ou expressıes relativas a tempo, pode ser usado com intensivo, reforçando a idØia nelas contida: Fiquei um bom quarto de hora à sua espera . ser bom de. bras. Ser muito apto, muito capaz, muito hÆbil em (alguma coisa): É bom de briga; É bom de bola. ser bom em. bras. Ser muito competente, ser profundo em (determinado ramo do conhecimento): O homem Ø bom em PortuguŒs.

DicionÆrio

AULA1.Indique em que sentido o adjetivo bom foi usado na frase transcrita da Cenatexto.

a) Sentido 8:
b) Sentido 1:

2.Escreva frases com a palavra bom, de acordo com o sentido indicado:

3.Observe outro trecho da Cenatexto:

JÆ sei onde quero a horta e o jardim. Sei atØ como vou puxar mais um cômodo, na parte de trÆs da casa.

Consulte o dicionÆrio e indique o que a palavra cômodo significa nessa frase dita por Eduardo.

4.A palavra cômodo, no sentido em que foi empregada no exercício anterior,

Ø um substantivo. Veja agora uma frase que poderia ter sido dita por Eduardo numa conversa com Antônio.

Quero comprar a casa para ter uma vida mais cômoda.

a)O que significa a palavra cômoda na frase mencionada?
b)A que classe gramatical pertence essa palavra?

Volte ao dicionÆrio e responda:

1.Considere esta passagem da Cenatexto:

-Que nada. Nesta noite nem dormi direito, pensando em como arrumar o resto. E foi aí que fiquei me lembrando, com muita raiva, do Paulo Roberto, que, numa hora dessas, tira o corpo fora. Mas tive uma idØia: logo mais, vou estar com um compadre que veio comigo do interior.

Qual seria o assunto da conversa com o compadre?

2.Indique um motivo apresentado por Eduardo para nªo conversar diretamente com os diretores.

3.Diga, resumidamente, que tarefas Eduardo teria de cumprir para realizar a compra da casa?

4.Quais eram os planos que o casal tinha para a futura casa?

Entendimento

AULAAprofundandoEm aulas anteriores, vocŒ viu algumas figuras de linguagem como a metÆfora, a metonímia e comparaçªo.

Nesta aula, vocŒ conhecerÆ a hipØrbole, uma figura de linguagem que consiste em dar realce ao pensamento por meio do emprego de uma expressªo exagerada. A característica mais importante da hipØrbole Ø o exagero. A fala do dia-a-dia estÆ repleta de hipØrboles. A todo momento, as pessoas dizem frases como:

Estava morrendo de vontade de... Eles cantaram mais de mil mœsicas... Quase comi um boi inteiro de tanta fome.

É evidente que ninguØm interpreta essas falas ao pØ da letra. O que se pretende, nesses casos, Ø realçar e enfatizar o pensamento. Note que Ø muito comum o uso de hipØrboles em períodos que contŒm oraçıes subordinadas adverbiais consecutivas, que vocŒ tambØm jÆ aprendeu. Veja:

A casa Ø tªo longe, que nem Deus sabe onde ela fica. A prestaçªo da casa estava tªo alta, que nem um milionÆrio conseguiria pagÆ-la.

1.A seguir, vocŒ tem alguns períodos incompletos. Complete-os com oraçıes subordinadas adverbiais consecutivas que apresentem hipØrboles.

a)A prestaçªo da casa estava tªo alta,
b) A comida era tªo pouca ,
c)Ele tinha de preparar tantos documentos,
d) O serviço era tanto,

Conferir vida, açªo, voz e movimento a seres que nªo tŒm vida, isto Ø, a seres inanimados, Ø fazer uso de uma figura de linguagem chamada prosopopØia. Pelo fato de animar seres inanimados, essa figura de linguagem tambØm Ø chamada de personificaçªo.

Observe a letra da conhecida mœsica Barracªo. Repare como os compositores se referem ao barracªo como se ele fosse uma pessoa.

Barracªo Luiz Antônio e Oldemar Magalhªes

Ah, Barracªo pendurado no morro e pedindo socorro à cidade aos seus pØs

2.Destaque nessa letra, os versos em que ocorre a prosopopØia.

Ah, Barracªo tua voz eu escuto nªo te esqueço um minuto porque sei quem tu Øs. Barraçªo de zinco, pobre e tªo infeliz.

AULANa Cenatexto, Eduardo idealiza a casa que pretende comprar. Segundo ele, terÆ uma horta, um jardim com algumas plantas, uma cerca viva. Dessa forma, a personagem faz uma descriçªo da casa em sua mente.

Quando Eduardo procurava a casa, ele consultou anœncios de jornal.

Como vocŒ sabe, os anœncios tambØm sªo uma espØcie de descriçªo do imóvel, mas bem resumida e sobretudo mostrando os espaços. Observe a descriçªo de uma casa, transcrita da seçªo de classificados de um dos jornais consultados por Eduardo:

Vendo excelente casa, ampla sala, 2 quartos, 1 bonito banheiro com piso em cerâmica, ótima dependŒncia, 1 vaga na garagem. Próxima a colØgio e a supermercado. Rua 8 conjunto X. Venha conferir. Preço a combinar. Tel. contato: 2-01234

Repare que, mesmo que de maneira resumida, o jornal dÆ as características da casa que anuncia. As descriçıes de casas, evidentemente, nªo aparecem somente em textos que retratam a realidade objetiva.

VÆrios escritores se utilizam desse tema, a casa, para produzirem textos descritivos literÆrios. VocŒ mesmo jÆ viu uma descriçªo de casa feita por JosØ de Alencar no seu livro O guarani e outros poemas e mœsicas sobre a casa, como Barracªo. Leia, agora, uma descriçªo da casa materna feita por Vinícius de Moraes.

A casa materna

É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mªos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem.

HÆ um tradicional silŒncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltrona.

O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma de cachorrinha preta, guarda as mesma mancha e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as mªos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmªos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mutuamente.

O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mªos maternas careciam sonhar.

A casa materna Ø o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo que tudo era belo: O licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor de cujo teto Æ noite pende luz morta, com negras aberturas para quartos cheios de sombras.

Na estante junto a escada hÆ um Tesouro da Juventude com o grosso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma grÆfica de algo que passaria a ser para ele a forma suprema da beleza: o verso.

Fonte: Vinícius de Moraes. A casa materna . Em PortuguŒs atravØs de exercícios . Fernando dos Santos Costa e Telmo Correia Arraes.16“ ed. Sªo Paulo, Ed. `tica, 1979. PÆg. 256.

Redaçªo no ar

AULAVocŒ notou que o autor fala das características da casa, mas fala tambØm dos sentimentos, das emoçıes que a casa desperta. HÆ, desde a entrada, um

sentimento que se relaciona a uma circunstância de tempo na casa materna. Rostos irmªos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mutuamente. A descriçªo de Vinícius de Moraes Ø de fato uma descriçªo subjetiva. Nela o autor deixa transparecer suas opiniıes sobre os objetos que descreve: o absurdo bibelô, a bandeja triste.

Note tambØm como o autor descreve, primeiramente, a parte externa da casa: as grades do portªo, o jardim pequeno, as palmas, as samambaias. Depois, ele começa a descrever o interior da casa: fala do assoalho, do piano, das poltronas, dos livros, dos quartos.

Sua tarefa, nesta Redaçªo no ar serÆ a seguinte: VocŒ vai se colocar no lugar de Eduardo e imaginar que jÆ estÆ morando na casa nova hÆ algum tempo. Assim, deverÆ descrever a casa para os amigos que estªo reunidos no bar do NenØm.

Fale primeiro da parte externa (jardim - horta) e depois da parte interna (cômodos - paredes - teto - piso - móveis); fale tambØm dos sentimentos, das emoçıes que a casa desperta em vocŒ. Procure usar as figuras de linguagem que aprendeu nesta aula - a prosopopØia e a hipØrbole - no seu texto descritivo. Lembre-se de que as figuras de linguagem quando bem empregadas sªo um ótimo recurso para bem caracterizar o que se pretende.

AULANa aula passada, vocŒ estudou o Romantismo, estilo de Øpoca que contou com escritores e poetas atØ hoje festejados e reconhecidos pelos brasileiros.

Agora, vocŒ vai ler um dos mais conhecidos poemas dessa estØtica literÆria. Ele retrata importantes características românticas: o saudosismo, a idealizaçªo da infância e o culto à natureza. Trata-se do conhecidíssimo poema Meus oito anos, de Casimiro de Abreu, aquele poeta do qual vocŒ ouviu falar na aula anterior.

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos nªo trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tarde fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!

Como sªo belos os dias Do despontar da existŒncia! - Respira alma inocŒncia Como perfumes a flor;

O mar Ø - lago sereno, O cØu - um manto azulado, O mundo - um sonho dourado, A vida - um hino d amor!

Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingŒnuo folgar! O cØu bordado d estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar! Oh! dias da minha infância! Oh! meu cØu de primavera! Que doce a vida nªo era Nessa risonha manhª! Em vez das mÆgoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mªe as carícias E beijos de minha irmª!

Fonte: "Meus oito anos". Em Poesia. 9“ ediçªo. Rio de Janeiro, Ed. Agir, 1979, pÆg. 41.

Arte e vida

AULAVeja aqui alguns dados sobre a vida desse poeta.

Casimiro JosØ Marques de Abreu nasceu em Barra de Sªo Joªo (Rio de Janeiro), em 1839, e faleceu no mesmo local em 1860. Filho de um comerciante portuguŒs, foi enviado pelo pai a Portugal para exercer atividades de comØrcio. É muito restrita a obra do poeta, que morreu de tuberculose aos 21 anos. Sua produçªo literÆria encontra-se num œnico livro chamaddo Primaveras (1859) publicado um ano antes de sua morte.

`lvares de Azevedo Ø outro poeta do Romantismo brasileiro, cujos poemas falam de amor, de mocinhas ingŒnuas e puras, de mulheres misteriosas, da morte, do sofrimento e da dor. Leia alguns trechos de um conhecido poema desse autor.

Lembrança de morrer (fragmento)

É pela virgem que sonheique nunca

Eu deixo a vida como deixa o tØdio Do deserto, o poento caminheiro -Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobro de um sineiro (...) Só levo uma saudade Ø dessas sombras Que eu sentia velar nas noites minhas... De ti, ó minha mªe, pobre coitada Que por minhas tristezas te definhas!... (...) Se uma lÆgrima as pÆlpebras me inundam Se um suspiro nos seios treme ainda Aos lÆbios me encostou a face linda! (...) Descansem o meu leito solitÆrio Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela: - Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Fonte: lvares de Azevedo. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro, Aguilar/MEC, 1971. PÆg. 107-8.

Manuel Antônio lvares de Azevedo nasceu na cidade de Sªo Paulo, em 1831, e faleceu no Rio de Janeiro em 1852. A morte foi um tema constante na obra deste poeta que, aos 20 anos, morreu vítima de um tumor na fossa ilíaca (ocasionado pela queda de um cavalo). Nªo publicou nada em vida, mas deixou uma grande produçªo poØtica, alØm de importantes obras em prosa. Destacamos algumas de suas obras mais conhecidas: Lira dos vinte anos (poesia); O Conde Lopo (poesia); MacÆrio (prosa); Noite na taverna (prosa).

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