Apostilas do ensino médio telecurso - por2g65

Apostilas do ensino médio telecurso - por2g65

(Parte 1 de 2)

65 AULA

Devo e nªo nego 65

Hoje vocŒ vai ver como anda o nosso personagem Eduardo, que jÆ estÆ hÆ algum tempo morando na casa com a qual tanto sonhou.

O trabalho, a família e os sonhos fazem parte do dia-a-dia de Eduardo, que, junto com sua esposa, administra a pequena empresa domØstica . Cuidar das compras, olhar a alimentaçªo e a educaçªo das crianças, arrumar e manter as pequenas coisas - um trilho da cortina que se solta da parede, um vazamento na pia, um esgoto entupido - e pagar as contas que vencem em todos os meses. Em si nªo hÆ razªo alguma para preocupaçıes.

É um corre-corre que deixa Eduardo e sua mulher ocupados o dia inteiro, chegando, às vezes, a tirar o fôlego do casal. Eduardo estÆ sempre atento ao cumprimento de suas obrigaçıes, mas muitas vezes esquece a realidade e foge para um mundo de sonhos e fantasias. Ele gosta da simplicidade e prefere ouvir mais seu coraçªo. Os sonhos, o amor à natureza e o sentimentalismo sªo traços fortes de sua personalidade.

Meire, sua mulher, Ø mais prÆtica e realista. A racionalidade Ø uma de suas principais características e, algumas vezes, Ø tambØm o ponto de conflito entre ela e seu marido. Por isso, muitas vezes ela finge que nªo vŒ o sonhador Eduardo esquecido de partir para a soluçªo dos problemas. Mas, em alguns momentos, acaba perdendo a paciŒncia e inicia mais uma discussªo.

Naquele dia, ela estava visivelmente preocupada. -Eduardo, a gente nªo tÆ pagando as contas nos dias certos e isto Ø prejuízo, vocŒ sabe, jÆ que no mŒs seguinte a gente paga multa por causa do atraso.

-Meire, pelo amor de Deus, nªo comece com mais uma ladainha. Sei que devo e nªo nego. Nªo paguei a conta de luz ontem. Eu sei que era o œltimo dia, mas saí tarde porque tinha trabalho extra. Mais prejuízo seria eu perder o dia de trabalho!

MÓDULO 20 Cenatexto

AULA-VocŒ podia me dar o dinheiro todo mŒs, assim eu cuidava disso. Afinal, nªo sªo tantas as contas: Ø a luz, a Ægua, o IPTU - que eu nªo entendo bem por

que a gente paga - e agora o telefone e a prestaçªo da casa. AlØm disso, tem a caderneta da mercearia do ZezØ.

Eduardo pôs-se a pensar, tentando identificar a melhor saída para o problema. E por alguma razªo concluiu que talvez fosse mais complicado sua mulher se responsabilizar pelos pagamentos.

Indagou ele, voltando ao diÆlogo.

-Isso nªo Ø problema. Eu estou falando das contas de todo mŒs. VocŒ deixa de pagar muita coisa em dia, sonhando em ajuntar dinheiro pra comprar as tais das ferramentas para mexer no quintal e no jardim. VocŒ nªo pagou a conta de Ægua, que vence no dia 10. E o que aconteceu? A gente nªo comprou o que vocŒ queria, o dinheiro nªo deu e neste mŒs, a conta veio com multa pelo atraso.

Saindo pela tangente, Eduardo desconversou: -Olha, vocŒ tem razªo, mas eu acho que as coisas podiam ser mais fÆceis.

É muita conta vencendo, a gente nªo tem tempo pra ficar nas filas dos bancos. Um dia pra pagar a Ægua, outro pra pagar a luz, depois o tal do IPTU. A gente acaba se atrapalhando.

-VocŒ me fez lembrar de uma coisa que ouvi esses dias e que pode ser boa pra nós. JÆ ouvi dizer que a gente pode autorizar os bancos a pagarem as contas direto. Assim a gente evitava as filas nos bancos e o atraso no pagamento. O que vocŒ acha?

-Estou pra conversar sobre esse negócio lÆ no posto da fÆbrica. Tem colega meu que jÆ faz isso. O Antônio Ø um deles. Ele explicou que isso Ø o dØbito automÆtico . Agora, preciso ver Ø se vai ser vantagem porque se a gente pagar todas as contas em dia pode faltar dinheiro no final do mŒs pra outras coisas.

A conversa do casal foi interrompida pela chegada das crianças que entraram alvoraçadas com uma nova brincadeira. Meire continuou preocupada, mas Eduardo entrou logo na brincadeira dos filhos.

AULASegundo a Cenatexto desta aula, a racionalidade Ø uma das características da esposa de Eduardo. Por outro lado, uma das características de Edudardo Ø o

sentimentalismo. Se formos ao dicionÆrio, vamos ver que a racionalidade Ø uma qualidade de quem raciocina, de quem usa a razªo; e o sentimentalismo Ø uma qualidade de quem se emociona com facilidade e se deixa levar pelos sentimentos. Veja como o dicionÆrio registra alguns verbetes ligados a racionalidade:

racional. [Do lat. rationale] adj. 1. Que usa da razªo; que raciocina. 2. Que se deduz pela razªo. 3. Conforme à razªo. 4. filos. Diz-se de conhecimento resultante de princípios da razªo.

razªo. [Do lat. ratione] s.f. 1. Faculdade que tem o ser humano de avaliar, julgar, ponderar idØias; raciocínio, juízo. 2. Faculdade que tem o homem de estabelecer relaçıes lógicas, de conhecer, de compreender, de raciocinar; raciocínio, inteligŒncia. 3. Bom senso; juízo; prudŒncia. 4. A lei moral; o direito natural; justiça, direito. 5. Causa, motivo; fundamento ou causa justificativa de uma açªo, atitude, ponto de vista etc. 6. Relaçªo entre grandezas da mesma espØcie. 7. mat. Quociente de dois nœmeros.

raciocínio. [Do lat. ratiociniu.] s.m. 1. Ato ou efeito de raciocinar. 2. Encadeamento, aparentemente lógico, de juízos ou pensamentos. 3. Capacidade de raciocinar; juízo, razªo; racionabilidade. 4. filos. Processo discursivo pelo qual de proposiçıes conhecidas ou assumidas se chega a outras proposiçıes a que se atribuem graus variados de verdade.

raciocínio por analogia. filos. 1. Raciocínio pelo qual se determina o quarto termo de uma proporçªo, uma vez conhecidos os trŒs outros. 2. Processo de generalizaçªo fundado em semelhança de relaçªo apresentada por elementos de totalidades diferentes, e que consiste em passar, de uma ou mais propriedades jÆ observadas em um dos elementos, à atribuiçªo das mesmas propriedades a outro elemento de outra totalidade no qual ainda nªo tenham sido observadas.

1.Considerando essas explicaçıes, diga qual a diferença do uso da palavra razªo nessas duas passagens da Cenatexto:

a)Olha, vocŒ tem razªo, mas eu acho que as coisas podiam ser mais fÆceis. b)Em si nªo hÆ razªo alguma para preocupaçıes.

2.Observando as explicaçıes sobre os verbetes racional e razªo, tal como aparecem no dicionÆrio, nªo Ø fÆcil entender por que a racionalidade Ø um dos traços da personalidade de Meire. Afinal, ela Ø uma pessoa prÆtica. Explique em que sentido esse termo foi usado para caracterizar sua personalidade.

3.Nªo comece com mais uma ladainha disse Eduardo para Meire, quando ela quis discutir o assunto dos pagamentos mensais. Explique em que sentido a palavra ladainha foi usada na Cenatexto. DicionÆrio

AULA4.Saindo pela tangente, Eduardo desconversou. Explique o uso da palavra destacada nesta frase da Cenatexto.

1.Logo no começo da Cenatexto Ø dito que Eduardo, junto com sua esposa, administra a pequena empresa domØstica. Em relaçªo a esse trecho, responda:

a)Que empresa Ø essa? b)Por que o narrador usou a palavra empresa para denominar aquilo que vocŒ apontou na resposta anterior.

2.VocŒ viu que Meire e Eduardo sªo dois tipos bem diferentes. Meire Ø uma pessoa prÆtica, que age sempre pensando na melhor forma de resolver o problema. JÆ Eduardo Ø um sujeito sonhador, que nªo liga muito para certas coisas. Aponte alguns fatos e idØias que justificam essas afirmaçıes.

a)Fatos e idØias em relaçªo a Meire. b)Fatos e idØias em relaçªo a Eduardo.

3.Observe esta passagem da Cenatexto: Meire Ø mais prÆtica e realista. A racionalidade Ø uma de suas principais características e, algumas vezes, Ø tambØm o ponto de conflito entre ela e seu marido. Explique por que a racionalidade de Meire poderia ser um motivo de conflito com o seu marido.

4.Por que Eduardo nªo aceitou a proposta feita por Meire para que ela assumisse o controle do pagamento das contas? Comente essa decisªo de Eduardo.

5.Quando Meire apontou os sonhos de Eduardo como uma das causas do atraso do pagamento, ele desconversou e apontou outra causa. Indique-a e comente.

6.Ao analisar um pouco mais a vida do casal desta Cenatexto, vocŒ vai observar que eles estªo envolvidos numa sØrie de tarefas cotidianas. Quais sªo os principais problemas enfrentados por eles? Os problemas podem ser financeiros, de relacionamento pessoal, da educaçªo dos filhos, da distribuiçªo das tarefas na vida familiar ou mesmo da diferença de mentalidade.Apresente seu ponto de vista com relaçªo a cada um dos dois itens levantados.

Entendimento

AULARepare que a maior parte da Cenatexto Ø formada pelo diÆlogo entre Meire e Eduardo. HÆ apenas algumas partes contadas pelo narrador.

Sua tarefa nesta aula serÆ a reescritura das partes contadas pelo narrador, como se fossem ditas por um dos dois personagens. Lembre-se de que quando o texto apresenta a fala, esta deve ter as características do personagem que a produziu. TambØm deve mudar da terceira pessoa (ele/ela) para a primeira pessoa (eu). Veja um exemplo:

O narrador escreve: Meire Ø mais prÆtica e realista que o marido. Meire diria isso assim: Ah, eu sou muito mais pØ-no-chªo que meu marido.

1.Ao mudar a pessoa do verbo, algumas palavras tambØm mudam. Do mesmo modo, vocŒ tambØm pode deixar de lado algumas informaçıes e acrescentrar outras que vocŒ achar mais interessantes. Só nªo pode mudar demais porque senªo o conteœdo serÆ diferente do original. Siga o exemplo jÆ iniciado:

Meire: Eu nªo agüento esse jeito do Eduardo! Nesse ponto nós somos bem diferentes. Eu sou muito mais pØ-no-chªo que ele, porque sonho nªo enche barriga...

2.Assim como no exercício anterior, faça o mesmo com este trecho em que o narrador fala de Eduardo.

Narrador: Eduardo pôs-se a pensar, tentando identificar a melhor saída para o problema. E por alguma razªo concluiu que talvez fosse mais complicado sua mulher se responsabilizar pelos pagamentos. -Como Ø que ficariam as compras extras, como os livros dos meninos? - Indagou ele, voltando ao diÆlogo.

Eduardo: Preciso resolver logo esta questªo, para que a Meire pare de reclamar. Se eu deixar que ela se responsabilize por estes pagamentos, com certeza...

Reescritura 1

AULAObserve o título deste módulo: Devo e nªo nego. Como Ø uma frase que apresenta dois verbos (dever, negar) dizemos que esse

Ø um período composto de duas oraçıes.

1.(Eu) devo 2.(Eu) nªo nego (isso)

Repare que as duas oraçıes tŒm natureza semelhante e que nªo hÆ dependŒncia sintÆtica entre elas. Uma nªo funciona como termo da outra, ambas sªo independentes. Quando duas oraçıes vŒm juntas e nªo mantŒm nenhuma relaçªo de dependŒncia sintÆtica sªo chamadas de oraçıes coordenadas.

As oraçıes coordenadas podem ou nªo ser introduzidas por conjunçªo coordenativa (os conectivos mais comuns sªo: e, mas, ou, porque, jÆ que, portanto etc.).

Quando sªo introduzidas por um conectivo, as oraçıes coordenadas sªo classificadas como sindØticas; quando nªo sªo introduzidas por conectivo, as oraçıes coordenadas sªo classificadas como assindØticas.

Observe:

Devoe nªo nego æ oraçªo coordenadaoraçªo coordenada assindØtica sindØtica

Observe que a segunda oraçªo foi classificada como sindØtica porque foi introduzida pelo conetivo e.

1.Retire da Cenatexto alguns períodos com oraçıes coordenadas e diga se sªo oraçıes coordenadas sindØticas ou assindØticas:

VocŒ viu que Eduardo e Meire, personagens da Cenatexto, encaram a vida de maneira diferente. Eduardo Ø um sonhador meio desligado da realidade. Meire, ao contrÆrio, tem o pØ no chªo e prefere encarar a vida como ela Ø. O casal faz lembrar algumas características de dois estilos de Øpoca: o Romantismo e o Realismo.

VocŒ estudou nas aulas anteriores o Romantismo, em que se destacavam, como importantes características, o sonho, o culto à natureza, a idealizaçªo da mulher, a supervalorizaçªo do amor e o sentimentalismo.

Nesta aula vocŒ verÆ um estilo de Øpoca conhecido como Realismo, que predominou no Brasil na segunda metade do sØculo XIX. Esse estilo apresenta características semelhantes às de Meire. Veja um pouco mais sobre ele.

Aprofundando Arte e vida

AULA Realismo

Em literatura, o termo Realismo designa obras literÆrias que retiram da vida real os seus assuntos e os reproduzem de maneira objetiva, procurando retratar a vida sem enfeitÆ-la.

Machado de Assis, considerado por muitos como o maior escritor brasileiro, cultivou o romance realista. Esse romance Ø um tipo de obra literÆria que critica a sociedade a partir do comportamento de determinadas personagens.

Veja um trecho do romance realista Quincas Borba, de Machado de Assis. Note como o autor nªo idealiza, nªo enfeita a realidade.

Ao vencedor, as batatas

(...) Daí o carÆter conservador e benØfico da guerra. Supıe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde hÆ batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, nªo chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inaniçªo. A paz, nesse caso, Ø a destruiçªo; a guerra Ø a conservaçªo. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamaçıes, recompensas pœblicas e todos os demais efeitos da açıes bØlicas. Ao vencido, ódio ou compaixªo; ao vencedor, as batatas.

Fonte: Joaquim Maria Machado de Assis. Quincas Borba. Sªo Paulo, `tica, 1977. PÆg. 18-19.

Veja a seguir algumas informaçıes sobre a vida daquele que Ø considerado por muitos como o melhor escritor brasileiro.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu a 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, e morreu a 29 de setembro de 1908 tambØm no Rio de Janeiro. Ele começou a vida como sacristªo e aprendeu as primeiras letras com um sacerdote. O pai era brasileiro, mulato e pintor de paredes; a mªe, portuguesa e lavadeira. Freqüentou por pouco tempo uma escola pœblica. Foi praticamente um autodidata, isto Ø, o que aprendeu foi por si mesmo e pelo seu próprio esforço. Machado de Assis foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, posiçªo que ocupou atØ a morte. Entre suas obras temos:

Poesia: CrisÆlidas (1864); Falenas (1870); Americanas (1875); Poesias Completas (1901).

Romance: Ressurreiçªo (1872); A mªo e a luva (1874); Helena (1876); IaiÆ Garcia (1878); Memórias Póstumas de BrÆs Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1900); Esaœ e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).

Contos: Contos Fluminenses (1870); Histórias da meia-noite (1873); PapØis Avulsos (1882); Histórias sem data (1884); VÆrias histórias (1896); PÆginas Recolhidas (1899); Relíquias de casa velha (1906).

Escreveu ainda teatro, crônica e crítica.

AULARedija um pequeno parÆgrafo sobre o Realismo, indicando o período em que ele predominou no Brasil e suas principais características.

VocŒ viu, na aula de hoje, que no Realismo os escritores procuravam retratar a vida como ela se apresenta. Os temas eram extraídos diretamente da realidade e nªo eram idealizados pelos autores. A mœsica a seguir Ø moderna, mas traz características que nos fazem lebrar do Realismo. Veja como os compositores trataram o tema do amor.

Eu te amo

Ah, se jÆ perdemos a noçªo da hora Se juntos jÆ jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde Ø que inda posso ir

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