5º semestre.part01 - inter exames lab02

5º semestre.part01 - inter exames lab02

(Parte 1 de 4)

Curso de

Interpretação de Exames Laboratoriais

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada, é proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na Referência Consultada.

38 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

Parasitologia

1. Noções Gerais:

Parasitologia é o estudo dos parasitas ou das doenças parasitárias, seus métodos de diagnóstico e controle. As chamadas doenças parasitárias ainda são responsáveis por um alto índice de morbidade ao redor do mundo. Apesar do grande avanço tecnológico, do alto padrão educacional, da boa nutrição e de boas condições sanitárias, mesmo os países desenvolvidos estão sujeitos a doenças parasitárias.

Nos últimos anos, a investigação e o tratamento dessas doenças receberam interesse renovado. A globalização permite um rápido trânsito de pessoas pelo mundo, como viajantes e migrantes de áreas endêmicas. Além disso, o fato de terem sido encontrados patógenos emergentes e reemergentes em pacientes imunocomprometidos por diferentes motivos, especialmente em pacientes com AIDS, fez com que parasitos anteriormente sem importância clínica em humanos, como os coccídeos intestinais Isospora belli, Cryptosporidium parvum e Sarcocystis hominis, fossem observados.

Parasitos são organismos que vivem em ou sobre um hospedeiro e sobrevive às suas custas. Os parasitos são classificados em:

* Parasitas comensais: não causa efeitos perigosos óbvios ao hospedeiro, como o piolho.

* Parasitas patogênicos: podem causar doença severa e morte do hospedeiro se não houver tratamento como, por exemplo: malária e teníase.

* Parasitas oportunistas: não causam doença em hospedeiros sadios, mas podem causar doenças severas em pacientes imunodeprimidos.

Os hospedeiros se classificam em: * Definitivo: hospedeiro definitivo é o organismo no qual a vida sexual madura ou a forma adulta do parasito é encontrada;

* Intermediário: é um organismo que é exigido para completar o ciclo de vida do parasita.

39 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

Os parasitos que infectam o homem são divididos didaticamente em três grandes grupos: protozoários, helmintos e artrópodes.

* Protozoários: protos (primeiro) zoon (animal) - São animais simples destituídos de tecidos e órgãos, mas apesar disso, exercem todas as funções necessárias às atividades vitais. São constituídos de protoplasma e organóides. São chamados de organismos unicelulares. Os protozoários dividem-se conforme o modo de locomoção em:

- Amebas: Classes Rhizopoda, movimentam-se pela emissão de pseudópodes (falsos pés). Ex. Entamoebas, Endolimax e Iodamoebas.

- Flagelados: Classe Mastigophora. Movimentam-se através de flagelos. Dentre os três tipos que se encontram no homem (Giardia intestinalis, Chilomastix mesnilii e Trichomonas hominis); somente a Giardia é considerada patogênica. A nomenclatura Giardia lamblia surgiu apenas em 1915 por Stiles, em memória do Professor A. Giard, de Paris e Dr. F. Lambl, de Praga, porém muitos pesquisadores consideram Giardia intestinalis o nome correto deste parasito, porém o nome mais utilizado ainda é Giardia lamblia.

- Ciliados: O único ciliado que parasita o homem é o Balantidium coli, um parasita muito comum no intestino de suínos.

De maneira geral, os protozoários patogênicos para o homem são: Entamoeba histolytica, Giardia intestinalis, Trichomonas vaginalis, Balantidium coli, Isospora belli e Sarcocystis sp. Os protozoários não patogênicos são: Entamoeba coli, Endolimax nana, Iodamoeba butschlii, Trichomonas hominis e Chilomastix mesnilii.

* Helmintos: A nomenclatura se refere comumente aos vermes. Os Helmintos são classificados em Nematelmintos e Platelmintos:

* Nematelmintos (Filiformes cilíndricos) - animais livres de solos úmidos, aquáticos de água doce ou salgada. Corpo mole, alongado e segmentado. Dentre os nematelmintos estão: Enterobius vermicularis, Trichiuris trichiura, Áscaris lumbricóides e Ancilostomídeos

* Platelmintos (Achatados) - Animais alongados, vermiformes e achatados dorsoventralmente, células diferenciadas em tecidos e órgãos. Os Platelmintos dividem-se ainda em duas subclasses:

40 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

* Trematódeos: Schistosoma mansoni e Fascíola hepática;

* Cestódeos: Taenia solium, Taenia saginata, Hymenolepis nana, Hymenolepis diminuta.

Para um diagnóstico parasitológico preciso, é importante levar em consideração fatores que condicionam as parasitoses, como o mecanismo de transmissão, a biologia, o clima e as condições sanitárias, além da patogenia. O exame clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, mas o laboratório é essencial nessa definição, estabelecendo a espécie de parasito presente no paciente e, conseqüentemente o tipo de medicamento a ser utilizado pelo clínico durante o tratamento.

É no aparelho digestivo que a grande maioria dos parasitos do homem encontra seu hábitat adequado. Cada parasitose, no entanto tem a sua peculiaridade, dependendo da biologia do helminto ou protozoário a ser pesquisado. Por essa razão, não existe um método único, capaz de identificar com precisão todas as formas de parasitos.

A amostra mais utilizada para a pesquisa de parasitas são as fezes, todavia os parasitos podem estar presentes dentro e sobre todas as partes do corpo (ex: Plasmodium, Trichomonas).

Assim, na falta de um método univalente, dentro dos descritos na literatura, temos de lançar mão de diferentes métodos diagnósticos isolados eletivos para um determinado parasito, ou combinados, para poder realizar um diagnóstico mais preciso de acordo com o parasito investigado. Os melhores resultados são obtidos com a utilização combinada dos métodos de Hoffmann e colaboradores e Kato-Katz. O método de Hoffmann e cols., apesar de simples sedimentação, apresenta excelentes resultados na detecção de ovos, cistos e larvas.

Na pesquisa específica do helminto Schistosoma mansoni, o método mais eficaz é o Kato-Katz, que permite uma avaliação da carga parasitária, graças à contagem do número de ovos por grama de fezes. Ainda mencionando a esquistossomose, autores citam que devem ser realizados pelo menos seis exames de fezes com resultados negativos para que seja requisitada uma biópsia retal. Nesse caso, o material é colhido pelo médico e remetido ao laboratório para análise.

41 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

Outro método recomendado, especialmente nos casos de pacientes com eosinofilia muito alta, é o Baermann-Moraes, específico para a pesquisa de formas larvares de nematódeos, principalmente o Strongyloides stercoralis, que é eliminado nas fezes na sua forma larvar.

Para a pesquisa de helmintos como a Taenia sp., que elimina proglotes, recomenda-se a tamização (simples peneiração das fezes) ou a identificação de vermes, em que será feita a identificação dos proglotes de Taenia sp., e de vermes adultos de outros helmintos.

Em crianças, a literatura relata um alto índice de contaminação com Enterobius vermicularis, cuja fêmea realiza a oviposição durante a noite, na região perianal. Nesses casos, o exame parasitológico costuma apresentar-se negativo, e a técnica indicada é a fita gomada transparente, aderida a uma lâmina, chamada de método de Graham.

A investigação da presença de helmintos nas fezes é realizada pela pesquisa de ovos ou larvas. Já as infecções por protozoários são diagnosticadas quando se encontram trofozoítos, cistos ou oocistos nas fezes.

O exame parasitológico mais simples é o que permite a detecção de ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários nas fezes frescas. A eliminação intermitente de formas de resistência, a intensidade do parasitismo e o exame que utiliza apenas pequena amostra do material oferecido são alguns dos fatores que interferem na positividade do exame. Isso se deve ao fato de as técnicas existentes possuírem em geral ótima especificidade, embora a sensibilidade só se mostre adequada se forem solicitados exames em pelo menos três amostras de fezes de dias distintos.

A técnica do MIF (Merthiolate/Iodo/Formol) é uma metodologia que possibilita o achado de estruturas de resistência de helmintos e protozoários. As amostras de fezes devem ser coletadas em três dias distintos, num recipiente contendo o conservante MIF. Esse conservante contém formol, razão pelas quais as fezes não necessitam de conservação em geladeira.

É também muito útil em crianças, por apresentar um alto índice de positividade para Giardia lamblia, protozoário que tem um ciclo biológico com período sem eliminação de cistos que pode chegar a 15 dias.

42 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

Nos quadros clínicos compatíveis com amebíase, nos quais o exame parasitológico apresentou-se negativo, a literatura recomenda que seja solicitada uma pesquisa de trofozoítos (formas vegetativas), por intermédio de coloração das fezes diarréicas pela hematoxilina férrica. Nesses casos, o material (fezes diarréicas) deve ser colhido em líquido conservante, para que as formas vegetativas sejam preservadas, visto que os trofozoítos se deterioram quase que imediatamente após a emissão.

O achado de formas de resistência de protozoários considerados comensais não constitui uma necessidade de tratamento, mas revela que os pacientes estiveram suscetíveis à contaminação orofecal.

Parasitos oportunistas, como os coccídeos intestinais (Cryptosporidium parvum e

Isospora belli), podem ser reconhecidos por meio de técnicas de coloração como a safranina-azul de metileno. Nesses casos, as fezes devem ser colhidas no conservante formol a 10%, para que suas formas sejam preservadas.

2. Métodos para detecção de parasitas nas fezes

2.1 Exame macroscópico:

As amostras de fezes não preservadas devem ser examinadas macroscopicamente para determinar a consistência, odor, cor, a presença ou ausência de sangue, de muco, de proglotes e de vermes adultos ou outras condições anormais. Conseqüentemente, o exame macroscópico deve sempre anteceder o exame microscópico. O material fecal varia quanto a sua consistência, e geralmente é classificado em fezes formadas, semiformadas, pastosas ou líquidas diarréicas.

Os trofozoítas são usualmente encontrados nas fezes líquidas, nas pastosas ou nas mucosanguinolentas, enquanto que os cistos são diagnosticados nas fezes formadas ou semiformadas. Ovos e larvas de helmintos podem estar presentes em todos os tipos de amostras fecais; entretanto, eles podem ser mais dificilmente encontrados em espécimes líquidos e, se presentes, em pequeno número. As formas móveis de protozoários se degeneram mais rapidamente do que as formas císticas; por esta razão, é de extrema importância que o estudo de espécimes fecais seja realizado o mais rápido possível. A consistência das fezes não interfere na distribuição dos ovos e das larvas de helmintos, apesar de nas amostras líquidas haver uma distribuição relativa do número de ovos, devido ao fator de diluição. As fezes devem ser distribuídas no laboratório quanto a sua consistência. O material fecal líquido ou pastoso deve ser examinado primeiro, sendo seguido pelos espécimes semiformados e formados. Registrar a presença de sangue e muco nas amostras fecais, os quais podem indicar manifestações patológicas do trato gastrointestinal. O sangue oculto nas fezes pode estar relacionado com uma infecção parasitária, ou ser um resultado de outras condições anormais.

A ingestão de diferentes produtos químicos, medicamentos ou alimentos podem atribuir às fezes colorações variadas. O exame macroscópico pode ser realizado pela simples observação ou pela tamização, as quais, em muitos casos, são suficientes para estabelecer um diagnóstico final.

2.1.1 Simples Observação:

Examinar e revolver todo o material fecal com bastão de vidro. Anotar todas as características observadas e coletar os vermes adultos ou proglótides de tênias dejetadas.

Distribuição de cistos e trofozoitas em relação à consistência do material fecal. Fonte: Fundação de Medicina Tropical do Amazonas

2.1.2 Tamisação:

43 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

4 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

Emulsionar as fezes com água. Coar a emulsão através de peneira metálica. Este procedimento deve ser realizado em uma pia, servindo-se de um jato de água corrente. Vermes adultos como o Ascaris lumbricoides e Enterobius vermicularis são encontrados freqüentemente misturados ou na superfície das fezes, como também as proglótides de tenias. Outros helmintos como o Trichiuris trichiura, ancilostomídeos e Hyminolepis nana são depositados no bolo fecal após o início do tratamento. Freqüentemente poderão ser encontrados helmintos adultos nas amostras fecais e ausência dos ovos. Esses processos macroscópicos são vantajosos para a demonstração e coleta de pequenos helmintos, de proglotes e de escólices.

2.2 Identificação de Proglótides de Taenia:

Dois métodos são indicados para a identificação de proglótes de Taenia: o ácido acético e o de Campos (Amato Neto & Correa, 1980).

2.2.1 Método do Ácido Acético Glacial:

Colocar em uma placa de Petri, contendo ácido acético glacial, a proglote a ser identificada, durante 15 a 20 minutos. Após o período, comprimi-la entre lâminas. Examinar sob iluminação intensa.

2.2.2 Método de Campos:

Dissolver três comprimidos de metoquina em 5 ml de água destilado-deionizada.

Mergulhar nesta solução, durante 15 minutos, a proglote a ser identificada. Após este período, comprimi-la entre lâminas. Examinar sob iluminação intensa.

2.3 Direto:

45 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

O método direto é muito utilizado para a pesquisa de trofozoítos nas fezes (forma adulta dos protozoários). O exame de esfregaço a fresco pelos métodos diretos é o método mais fácil e, talvez, o mais usado na rotina do laboratório, permitindo visualizar os estágios de diagnóstico dos protozoários (trofozoítas e cistos) e dos helmintos (ovos, larvas e pequenos adultos). Para uma diagnose absoluta é necessário observar o parasito em um de seus estágios de evolução. O simples exame microscópico é, em muitos casos, suficiente para o diagnóstico. Entretanto, para a obtenção de melhores resultados será necessário o uso de técnicas de concentração, ou seja, processos mecânicos e/ou biológicos. O exame direto a fresco é um procedimento simples e eficiente para o estudo das fezes, permitindo observar as formas trofozoíticas vivas dos protozoários. Este procedimento coprológico jamais deve ser omitido. As preparações a fresco são obtidas diretamente dos espécimes fecais e requerem o mínimo de material (2 mg) para cada método de exame . Todos os estágios de diagnóstico dos organismos, pelo uso de diferentes soluções, podem ser determinados e identificados. Os esfregaços com fezes frescas e não fixadas são rotineiramente preparados com as soluções salina a 0,85% e de iodo. Entretanto, se o número de organismos for pequeno, o exame de pequena quantidade de fezes usadas para a preparação de esfregaços a fresco pode ser insuficiente para revelar a presença de parasitas. Os esfregaços deverão ser sistemática e completamente examinados através da objetiva do microscópio de pequeno aumento (10x) e com pequena intensidade de luz. A confirmação dos parasitas deve ser realizada com a objetiva de grande aumento (40x).

(Parte 1 de 4)

Comentários