Bacharelado Ciências Socioambientais

Bacharelado Ciências Socioambientais

(Parte 1 de 3)

Universidade Federal de Minas Gerais

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

CURSO DE GRADUAÇÃO EM

CIÊNCIAS SOCIOAMBIENTAIS

PROJETO PEDAGÓGICO DE CRIAÇÃO DO CURSO

REUNI - UFMG

Comissão:

Profa.Dra. Andréa Luisa Moukhaiber Zhouri, SOA - FAFICH-UFMG (Coordenadora)

Prof. Dr. Alisson Flávio Barbieri – Depto.de Demografia - FACE-UFMG

Prof. Dr. José Newton Coelho Meneses, Depto de Medicina Veterinária Preventiva - EV-UFMG

Profa. Dra. Regina Horta Duarte, Depto. de História – FAFICH-UFMG

Prof.Dr. Rodrigo Matta Machado, Depto. de Biologia Geral – ICB-UFMG

Profa.Dra. Cleusa Fonseca , Depto. Biologia Geral – ICB-UFMG

Belo Horizonte – MG

Março de 2009

SUMÁRIO

Introdução..........................................................................................3

Justificativa........................................................................................7

Objetivos............................................................................................9

Perfil do Egresso............................................................................................12

Perfil do Corpo Docente...........................................................................................12

Recursos Humanos e Infra-estrutura...............................................13

Matriz Curricular .............................................................................15

Ementário........................................................................................16

ANEXOS ........................................................................................ 23

Introdução:

A presente proposta de criação do Curso de Ciências Socioambientais, a ser ofertado pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, a partir do primeiro semestre de 2010, no âmbito do REUNI, objetiva atender a uma demanda percebida pela experiência de diversos setores acadêmicos.

A idéia de um curso voltado para a área ambiental, mas que não dissociasse as questões “naturais” de uma reflexão social, econômica e cultural, foi acalentada por vários professores de distintos departamentos da UFMG alguns anos antes do REUNI. Professores do departamento de Biologia Geral (ICB), dos departamentos de Economia e de Demografia (FACE), de Sociologia (FAFICH), de Geografia (IGC) e da Engenharia Sanitária e Ambiental (Escola de Engenharia) reuniram-se em meados de 2006 e montaram um pré-projeto de mestrado em Ciências Socioambientais. Entretanto, por dificuldades estruturais, o projeto – mesmo com uma excelente recepção pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação – não foi implantado. Na ocasião das discussões do REUNI, o debate entre esses professores – incluindo ainda outros docentes da UFMG – reacendeu-se e deu origem a esta proposta.

As várias adesões na ocasião da proposta do curso em nível de graduação, no bojo dos debates do REUNI, ampliaram a discussão e, hoje, participam da elaboração deste projeto professores dos departamentos de Sociologia e Antropologia (FAFICH), Biologia Geral (ICB), Medicina Veterinária Preventiva (Escola de Veterinária), Economia e Demografia (FACE), História (FAFICH), Geografia e Geologia (IGC) e Engenharia Sanitária e Ambiental (Escola de Engenharia).

Projeta-se a participação de diversos departamentos da UFMG que ofertarão disciplinas de suas estruturas curriculares aderidas às necessidades de formação de nossos alunos. A oferta do curso de Ciências Socioambientais conta com a participação dos seguintes departamentos, responsáveis por disciplinas obrigatórias ou optativas:

  1. Sociologia e Antropologia

  2. Medicina Veterinária Preventiva

  3. Biologia Geral

  4. Economia

  5. Demografia

  6. História

  7. Engenharia Sanitária e Ambiental

  8. Geografia

  9. Geologia

  10. Outros (em estudo)

O caráter interdisciplinar do curso e o aproveitamento de competências já bem estabelecidas na UFMG ficam evidentes na proposta. A preocupação com o tratamento da questão ambiental e com estudos que integrem sociedade e meio ambiente encontra-se presente na UFMG, com um significativo histórico de iniciativas nos programas de pós-graduação e em fontes de pesquisas e em projetos de extensão.

Existem cursos de Especialização, Mestrado e Doutorado que demonstram preocupação com a área em várias unidades da UFMG, como por exemplo, o Curso de Especialização em Espaço Urbano e Percepção Ambiental, o Curso de Especialização em Turismo e Desenvolvimento Sustentável e os Cursos de Mestrado e Doutorado em Geografia com áreas de concentração em Organização do Espaço e Análise Ambiental, no Instituto de Geociências; o Curso de Mestrado e Doutorado em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre, no Instituto de Ciências Biológicas; o Curso de Aperfeiçoamento em Planejamento e Administração de Recursos Ambientais e o Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, na Escola de Arquitetura; os cursos de Mestrado e agora de Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental, a linha de pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da FAFICH, entre outros.

Além dos cursos oferecidos existem projetos de pesquisa e de extensão, dentre os quais destacamos alguns: o Projeto do PADCT no Subprograma CIAMB (Ciências Ambientais) - Programa Interdisciplinar de Pós-graduação e Pesquisas Ambientais: Biodiversidade, População e Economia, que integrou pesquisadores do ICB e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR) da Faculdade de Ciências Econômicas; a Population Environment Research Network que também tem o CEDEPLAR como parte do Comitê Diretor; a Consolidação do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Meio Ambiente e Qualidade de Vida da UFMG, que funcionou de 1995 a 1997; o Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA), grupo interdisciplinar vinculado à FAFICH criado em 2001, que desenvolve atualmente o projeto Mapa dos Conflitos Ambientais no Estado de Minas Gerais, com participação de professores e alunos do IGC e também de outras universidades, como a UFSJ, a Unimontes e a UFV ; o Projeto Manuelzão, o Pólo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha e o Núcleo de Estudos em Direito Ambiental da Faculdade de Direito.

Estas iniciativas demonstram o caráter sólido e crescente dos estudos relacionados às temáticas ambientais dentro da UFMG, sede de importantes eventos de abrangência nacional e internacional para discutir o tema, como o Seminário sobre o Município e o Direito Ambiental e os Colóquios em Direito Ambiental, na Faculdade de Direito; o V Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente – 1992; o IV Simpósio da Sociedade Latino-americana e Caribenha de História Ambiental em 2008; o II Fórum de Discussão em Unidades de Conservação: Educação Ambiental e Cidadania, na Estação Ecológica da UFMG, 2008; o Circuito de Palestras em Direito Ambiental promovido pelo Projeto Manuelzão, 2006 e o I Seminário Nacional Desenvolvimento e Conflitos Ambientais, promovido pelo GESTA, em 2008.

Este projeto pretende, à luz dessa experiência e com os novos propósitos interdisciplinares (com meta transdisciplinar e ainda a incorporação de saberes não disciplinados e não acadêmicos) que os egressos do curso tenham formação e competência para atuar como profissionais e pesquisadores com capacidade para coordenar, sistematizar, avaliar, monitorar e atuar em trabalhos interdisciplinares na área socioambiental. Por esse termo, entendam-se as interfaces entre sociedades e ambientes, em suas dimensões sociais, culturais, econômicas, políticas, espaciais, históricas e ecológicas.

A demanda da sociedade e do mercado por profissionais com habilidades socioambientais é bastante evidente e crescente. O trabalho referente ao meio ambiente em órgãos governamentais e não-governamentais empresas de consultoria, centros universitários, dentre outros, exige uma formação interdisciplinar, mais condizente com a realidade em sua complexidade e que possa preparar melhor os alunos para pensar soluções para a problemática de forma mais global. Exemplo desta demanda é a crescente preocupação da comunidade acadêmica brasileira com esta formação transdisciplinar em estudos ambientais. Acreditamos, portanto, que haverá um campo de trabalho bastante amplo para os nossos egressos.

Propomos que o Curso de Ciências Socioambientais tenha início no primeiro semestre letivo de 2010. A oferta será de curso noturno, com 50 vagas anuais (uma entrada por ano), e o egresso deverá receber a titulação de Cientista Socioambiental.

A Comissão que propõe este Projeto Pedagógico para a criação do Curso de Ciências Socioambientais, no âmbito do REUNI, começou seus trabalhos em junho de 2008, ocasião em que foi nomeada para tal pela Diretoria da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG. De início discutiram-se as propostas e estratégias de organização e elaboração do projeto que foram cumpridas em reuniões conjuntas e semanais de trabalho e em tarefas individuais e de subgrupos, com posterior discussão para aprovação da comissão. Em síntese, o trabalho foi fundamentado nas seguintes atividades/estratégias:

- discussões sobre os marcos referenciais, o escopo teórico e a proposta conceitual do curso;

- pesquisa à legislação pertinente;

- pesquisa a curriculuns de cursos similares em Universidades do Brasil e do exterior;

  • Conferências abertas ao público em geral, seguidas de reunião interna com a Comissão, organizadas pela Comissão com convidados de notório saber de outras instituições fora do Estado de Minas Gerais, a saber: Prof. Carlos Walter Porto-Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense, que proferiu conferência intitulada: A Globalização da Natureza e a Natureza da Globalização, e o Prof. Henri Acselrad, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a conferência Introdução à Crítica da Modernização Ecológica, ambas realizadas no auditório Sonia Viegas e com presença de um número significativo de alunos, pesquisadores e interessados pela temática.

  • reuniões com a Congregação da FAFICH, a equipe coordenadora do REUNI da UFMG e com professores de vários Departamentos da UFMG que participarão do corpo docente do curso;

- reuniões com o corpo docente do futuro Departamento de Antropologia e Arqueologia da FAFICH/UFMG, para discussão sobre a alocação do curso;

- visitas a alguns departamentos para informações e discussões conceituais e práticas sobre a montagem da proposta e anuências necessárias;

- elaboração de matriz de disciplinas obrigatórias e optativas com os pressupostos da complexidade interdisciplinar, da flexibilização curricular e de um arcabouço acadêmico que possibilite múltiplas situações de aprendizagem em percursos discentes amplos e diversificados;

- elaboração de ementas disciplinares e acervos bibliográficos fundamentais;

- redação da proposta a ser submetida à UFMG.

O presente documento encaminha a primeira versão do Projeto Pedagógico. Entende-se que o presente projeto do curso será adequado aos conceitos do REUNI, com possibilidade de oferta de disciplinas por equipe de professores responsáveis junto a seus bolsistas de doutorado e pós-doutorado.

Justificativa:

A importância da questão ambiental assume proporções crescentes no âmbito dos debates empreendidos e dos impasses enfrentados pela sociedade contemporânea. Não obstante, há uma predominante divisão dos conhecimentos entre as áreas das ciências naturais – como biologia, geomorfologia, ecologia, engenharia ambiental, etc – e as ciências humanas – sociologia, antropologia, demografia, economia, urbanismo, história. Tal situação implica em visões fragmentadas de um tema complexo incorrendo, muitas vezes, num estreitamento das análises, com perspectivas e soluções que acabam por se mostrar simplistas e ineficazes, acarretando significativos danos para a sociedade, impedindo a real transformação de nossas práticas.

Exemplos de erros e equívocos provocados pela dissociação dos saberes e epistemologias podem ser facilmente encontrados na literatura, sobretudo naquela referente aos EIA-RIMAs – respectivamente, Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental. Estes são estudos previstos na legislação vigente para quaisquer empreendimentos degradadores ou potencialmente degradadores do meio ambiente que, obrigatoriamente, necessitam de uma licença ambiental. Em geral, tais estudos e relatórios são padronizados em uma estrutura que remete a três dimensões, a saber: o meio físico, o meio biótico e o meio antrópico. Além de uma compartimentalização da realidade de acordo com o conhecimento científico construído a partir do século XIX, nota-se uma nítida perspectiva “realista” ou naturalizante, com clara hierarquia do meio físico em relação ao biótico e destes dois em relação ao chamado “meio antrópico”. A própria denominação de “antrópico” provoca efeito naturalizante, na medida em que abstrai concepções relativas às dimensões social, histórica, cultural e política como constitutivas da construção do meio ambiente. Um dos resultados mais evidentes é justamente a ausência de um diagnóstico sócio-cultural quando da avaliação dos “impactos” causados por um empreendimento em uma determinada localidade. Contabiliza-se, quando muito, número de propriedades atingidas e não as redes de relações sociais e culturais afetadas, rompidas, desestruturadas, etc pelos mesmos processos. Uma pluralidade de ambientes e sociedades torna-se invisíveis por esta abordagem, como por exemplo, comunidades rurais quilombolas, indígenas e ribeirinhas, conhecidas como populações tradicionais. O mesmo efeito é provocado por projetos de conservação ambiental que incidem sobre áreas habitadas, ou seja, territórios e lugares sociais. Muitas vezes, conflitos são gerados pelo esvaziamento compulsório dessas localidades destinadas a se tornarem refúgios ecológicos.

Este projeto salienta, portanto, a necessidade de se estabelecer um espaço de reflexão crítico às posturas hegemônicas e homogenizadoras que subsumem os complexos processos sociais e os diversos sujeitos neles envolvidos em uma metafísica do ambiente, reduzindo-o, por esta via, a um objeto material, uno e quantificável, passível, portanto, de inscrição numa causa universal sob forte direcionamento economicista. Com efeito, em muitos contextos e conjunturas, o meio ambiente é atravessado por conflitos sociais entre sujeitos que sustentam projetos distintos de sociedade e, numa perspectiva política, possuem posições assimétricas. A diversidade biológica pensada de forma indissociada da diversidade dos modos de vida nas sociedades humanas requer um conhecimento socioambiental que tenha como horizonte uma meta transdisciplinar e além – incorporando também os saberes não disciplinares numa perspectiva complexa, expressa seu compromisso com a pluralidade, o pensamento crítico e a equidade ambiental.

O curso pretende, pois, congregar uma pluralidade de perspectivas a partir do estabelecimento de um campo comum de debate e de estudos. A equipe docente deverá ser composta por pessoas de áreas diversas, que têm em comum mais do que o interesse pela questão ambiental: ousam, acima de tudo, apostar na necessidade de construir um novo patamar de análise, onde natureza e sociedade se apresentam imbricadas, e impossíveis de serem compreendidas separadamente. Sobretudo, nosso foco é a construção de um ensino, pesquisa e extensão críticos, que abarquem a complexidade física, biológica, histórica e social da questão ambiental.

Destacamos o ineditismo da proposta no âmbito das universidades brasileiras e até mesmo internacionais. A partir de uma pesquisa nos cursos das várias instituições de ensino superior, constata-se que o Curso de Ciências Socioambientais será o primeiro a implantar a preparação de profissionais com esse perfil. É de se ressaltar, ainda, que a presente proposta não visa um mero somatório de conhecimentos das várias áreas, que o aluno teria que agregar. O objetivo é formar um profissional com domínio de conhecimentos integrados, capaz de articular as questões das várias áreas do conhecimento e refletir sobre realidades práticas e problemas socioambientais urgentes. Evidencia-se, por esses motivos, a relevância do curso proposto no âmbito da sociedade brasileira contemporânea.

Objetivos:

O curso de Ciências Socioambientais da Universidade Federal de Minas Gerais tem por objetivo geral formar cientistas socioambientais capacitados para refletir e intervir, de forma metódica e integrada, sobre os processos contemporâneos que envolvem as relações entre sociedade(s) e ambiente (s), tendo em vista as imbricações de suas dimensões sociais, culturais, econômicas, políticas, espaciais, históricas e ecológicas. Para além de um analista ambiental, técnico no sentido estrito, pretende-se a formação de profissionais e pesquisadores capazes de coordenar, sistematizar, avaliar, monitorar e atuar em trabalhos interdisciplinares na área socioambiental, integrando conhecimentos das disciplinas sociais, naturais e os saberes não disciplinados e não acadêmicos.

Deve-se salientar que o presente projeto propõe um importante diferencial com relação à maioria dos cursos de ciências ambientais do Brasil. Por todo o país uma gama de Cursos de Pós-Graduação e Especialização na área vem se conformando, com destaque para iniciativas como o Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM) da UNICAMP; o Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) na USP; o Laboratório de Estudos de Cidadania,Territorialidade e Ambiente (LACTA) da Universidade Federal Fluminense – UFF; o Programa de Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) na UFRJ; o Centro de Desenvolvimento Sustentável da UNB, entre outros.

Além dos Cursos de Pós-Graduação, nota-se a criação de cursos de graduação preocupados com tal formação, como os Cursos de Gestão Ambiental e Engenharia Ambiental, presentes em Universidades como USP, UNICAMP, UNB, dentre outras, além de Cursos de Ciências Ambientais, existentes no Centro Universitário do Pará (CESUPA) e na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). Na maioria desses, no entanto, predomina uma ênfase na Gestão Ambiental, com cursos de perfil essencialmente técnico, que carecem de uma visão interdisciplinar dos processos que efetivamente imbricam o social e o ambiental.

A proposta do presente curso é agregar as experiências dispersas de docentes e dos núcleos de pesquisa existentes na UFMG para aprofundar as interrelações socioambientais, respondendo assim a desafios epistemológicos e profissionais colocados pelas questões atuais da sociedade contemporânea e formando profissionais aderidos às demandas de nossa realidade. O curso será sediado na FAFICH e, portanto, deverá responder à lacuna da integração das humanidades com as ciências biológicas e naturais, rompendo com a perspectiva epistemológica que separa o social do ambiental, atribuindo a este último uma autonomia e uma objetividade em relação às dinâmicas sociais e políticas. Por isso os alunos deverão ser formados para desenvolver a capacidade de compreender, interpretar, analisar e atuar sobre os processos ambientais entendendo-os na sua constituição vis-à-vis os processos sociais, históricos e políticos da sociedade.

Objetivando a formação de um profissional capaz de integrar os conhecimentos técnico-ambientais à leitura social das realidades, pronto a agir profissionalmente nessa dinâmica interdisciplinar, o curso propõe uma matriz disciplinar não compartimentada. Assim, a formação de nosso aluno será crítica à fragmentação dicotômica do conhecimento e buscará uma concepção teórico-metodológica que privilegie análises sincrônicas da construção sócio-histórica de nossos processos de desenvolvimento. Tal formação implica em sólidos conhecimentos das ciências da natureza e das sociais, em construtivo diálogo temático que problematize as indivisíveis relações natureza-cultura. Para tanto, propõe-se o seguinte eixo matricial condutor:

As atividades acadêmicas geradoras de crédito, explicitadas nos Formulários 1 e 2, buscam atender à concepção conceitual discutida e apresentada acima. Conformam modalidades e possibilidades de habilitações que vão de um núcleo específico de disciplinas à formação mais aberta e livre em um corpo de ofertas disciplinares e de outras atividades integradoras de crédito. As Aulas Práticas Integradas de Campo (Ver Anexo 2) deverão proporcionar aos alunos uma abordagem ampla de situações reais que proporcionem ações específicas e discussão de casos de forma interdisciplinar.

Para a conclusão do curso e obtenção do título de cientista socioambiental o aluno deverá apresentar um Trabalho de Conclusão do Curso (TCC), a ser construído em etapas expressas na Matriz Curricular e detalhado no Anexo 1 deste projeto. O TCC constitui-se em uma etapa de potencialização e sistematização de habilidades e conhecimentos adquiridos ao longo da graduação. É uma experiência fundamental na formação do bacharel em Ciências Socioambientais e lhe proporciona a oportunidade de propor e resolver, de forma rigorosa e criativa, problemas teóricos e empíricos da área de sua formação. É, enfim, uma atividade de síntese e integração de conhecimentos a ser apresentada pelo aluno como requisito para a sua aprovação ao final do Curso.

Perfil do Egresso

Os egressos, cientistas socioambientais, deverão ter formação e competência para atuarem como profissionais e pesquisadores com capacidade para coordenar, sistematizar, avaliar, monitorar e atuar em trabalhos interdisciplinares na área socioambiental. Deverão ter aptidões técnicas, como por exemplo, a leitura e a interpretação cartográficas, imagens de satélites, gráficos de análise de solo, de água, de ar, etc, correlacionando-os com as dinâmicas sociais e culturais em questão. De outro lado, deverão ter habilidades no que se refere à interpretação das formações e processos culturais, sociais e políticos, correlacionando-os ao conhecimento técnico numa perspectiva histórica.

Perfil do corpo docente

        Desde o início das discussões para elaboração do projeto do curso de graduação em Ciências Socioambientais, uma questão decisiva permeou os trabalhos da comissão: o desafio de formar profissionais capazes de integrar conhecimentos e práticas diversas se efetivará à medida que essa postura marcar o próprio corpo docente.  Como vimos demonstrando ao longo da presente proposta, o curso  possui um caráter inédito e ousado, apresentado-se desde já como interdisciplinar e visando atingir, como meta, perspectivas transdisciplinares.  Para sua efetivação, será  desejável a atuação de professores cujas trajetórias profissionais demonstrem uma formação interdisciplinar e/ou  uma atitude de abertura ao diálogo entre áreas diversas do conhecimento. No âmbito das necessidades de nossa Universidade contemporânea, o corpo docente deverá ainda apresentar capacidade para a investigação e a produção de conhecimento, compromisso com a formação de profissionais críticos e sensibilidade para a apreensão dos saberes não disciplinares.

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