Princípios para  Ação

Princípios para Ação

(Parte 2 de 3)

“Vigiar o pé de vento”.

O “pé de vento” caracteriza-se por um aumento rápido de força do vento, seguido muitas vezes por chuva ou neve; é muito perigoso na navegação à vela; pode arrancar as velas e até mesmo desarvorar o navio. Logo é importante “prever a sua chegada”, reduzir o velame ao estrito necessário antes que ele chegue, estar com o olho atento na barra.

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O chefe deve vigiar o “pé de vento”, quer dizer, ver de longe as dificuldades futuras, estar pronto para vencê-las, antecipar aos acontecimentos. Sem o que , um dia ou outro, será arrastado. Nunca deve dormir embalado pela impressão de segurança.

“Por a proa em cima”. Expressão marítima. Quando um navegante medroso, desejando reconhecer um marco de arribação põe a proa a um ponto situado a uma certa distancia desse marco, corre o risco de não atingir o alvo. É preciso, portanto, caminhar resolutamente em direção daquilo que agente quer atingir.

O seguro morreu de velho”. Expressão popular. Isso significa: É preciso garantir sempre uma margem de segurança”.

* “Aproveitar o vento favorável”.

Quando as circunstâncias forem favoráveis é preciso aproveitá-las, para ganhar um bom pedaço do caminho.

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7. O COMBATE

Amar o combate. Considerá-lo como normal. No estado da natureza decaída, é a vida.

Não ficar espantado com ele, aceitá-lo, mostrar-se corajoso, ser senhor de si, não faltar com a verdade e com a justiça. As armas do cristão não são as armas do mundo.

Amar o combate, não por ele mesmo entretanto, mas pelo amor do bem, pelo amor dos irmãos que devem ser libertados. Há mesmo no combate uma certa beleza; não é proibido gozála.

“A batalha, ataque decisivo”. (1) Não se trata de querelas, e não se vai armando de lanças ao encontro de carros-blindados.

Não ceder diante de obstáculos sucessivos. Lutar até o fim. “Uma batalha perdida, é uma batalha que a gente pensa a ter perdido”. (2)

------------------ (1) Foch — É preciso distinguir a batalha, ataque decisivo, dos encontros, e combates de vanguarda que permitem reconhecer e fixar o inimigo. (2) Foch.

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Quem quiser dominar o acontecimento deve andar mais depressa do que ele. É por isso para isso ver com antecipação a realidade em suas causas e agir sobre as causas. Uma vez travado o combate, é preciso triunfar.

Não se trata então de ter um pé aqui e outro lá, é preciso ir a fundo até a decisão.

A ação é sempre um combate; quem a conduzir com moleza tem garantido o fracasso total. Na ação é preciso ir mais depressa do que o acontecimento, é preciso impor a este o seu ritmo.

É muito difícil a gente não se deixar ser manobrado, mesmo se não se procura senão a verdade e a justiça. A recepção cheia de cuidados, o bom jantar, o sucesso que nos foi preparado. O oferecimento de uma subvenção excepcional, de um automóvel, de um apoio permanente sem condições: são estas as armadilhas mais vulgares. Há a ação sobre os membros mais conciliadores da equipe para fazê-los ceder cada vez um pouco de terreno; há exploração das divergências, tal maneira que a gente é obrigado a capitular debaixo da ameaça de uma cisão; há a maioria da clientela que quer impor uma determinada tonalidade: há a introdução de falsos amigos nas equipes. É preciso estar sempre vigilante para que possamos guardar verdadeiramente a liberdade, para não nos deixarmos engolir, ou comprometer, por um grupo.”

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Exploram tudo: a tua falta de dinheiro, a tua necessidade de apoios, a tua virtude e as tuas fraquezas, a tua timidez e a tua audácia, os teus amigos e os teus inimigos, a tua ingenuidade a atua prudência. Aproveitam-se de cada uma de tuas hesitações, de cada um de teus tropeços. Cercam-te pouco a pouco de todos os lados. Pensam que já te dominaram. Depois quisera que não seja verdade. É quase um milagre.

Para vencer é preciso ser o primeiro em tudo que diga respeito à documentação. É preciso ter antenas, e conseguir livre entrada em toda parte. É preciso estar dominado por uma idéia poderosa que não se irá exprimindo, senão pouco a pouco.

Quando a idéia se apresenta aos homens sucessivamente debaixo de muitas formas diferentes, desde que essa idéia os preocupe, eles não lhe resistirão por muito tempo. É preciso aquentar firme. Muitos ficam gastos depois das primeiras batalhas. Não tinham armas, ou não tinham tenacidade. É preciso cerrar os dentes, encarniçar-se, obstinar-se, preparar recursos poderosos de ação, aperfeiçoar as técnicas pessoais, a tática, tornar-se estrategista. Cada um pensa que você está morrendo e você nunca esteve tão forte.

O capitalismo julga que tem todos os direitos, outorga-se todos os direitos. Pensa que a justiça não pode estar do seu lado. Tendo dinheiro, crê que pode ter tudo. E assim crê, porque já

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políticosnão imagina que alguém possa resisti-lhe pior muito tempo.

corrompeu muitos infelizes, que não se revoltaram; enganou muita gente parcimoniosa que continua a alimentá-lo, impôs muitas leis favoráveis a seus planos, corrompeu muitos

Quando encontra oposição da parte dos humildes, uma parte dos padres, acusa de heresia, de revolução, de anarquia, de comunismo. Tem tamanha consciência de representar a ordem, que imaginação que a Igreja está sempre ao seu lado.

Nada o impressiona tanto, nada o põe tão zangado, quanto a pacata afirmação diante dele dos direitos do homem. Mas, essa afirmação não basta. É preciso colocar os homens em situação de resistir-lhe.

Nada o impressiona tanto, nada o põe tão zangado, quanto a pacata afirmação diante dele dos direitos do homem. Mas, essa afirmação não basta. É preciso colocar os homens em situação de resistir-lhe.

A gente nunca está sozinho, mesmo nas horas da pior solidão. Desde que alguém afirme a verdade, desde que queira o bem, desde que combata pela justiça, faz muitos inimigos, mas prepara também muitos amigos. Ao lado de cada um de nós, outros há que amam a verdade, o bem, a justiça. Amanhã, estarão todos abertamente a nosso lado.

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Mesmo entre os que hoje se opõe à nossa ação, há sempre homens dispostos a se unirem conosco; desde que conheçam os nossos verdadeiros sentimentos.

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8. O CHEFE

O chefe é aquele que recebeu, ou se encarregou de um setor da humanidade e do universo para orientá-lo de conformidade com o plano de Deus.

São palavras de Bossuet: “A realeza é um poder universal de fazer o bem”. Quanto mais autoridade tivermos, mais dela nos aproximamos.

* Função do Chefe: prever, organizar, ordenar, coordenar, controlar. (1)

O Chefe: deve se habituar a abranger os conjuntos; a colocar o que vê e o que f az no conjunto. O Chefe deve ver com largueza e à distância.

Antigamente, envelhecendo a gente se tornava mais apto para dirigir. Agora, o mundo gira depressa demais. Os velhos não podem mais se adaptar. É preciso estar preparado perto dos “quarenta”, para empenhar-se na ação decisiva. E, como tudo está mais complexo do que nunca, é preciso, ao mesmo tempo em que se faz o aprendizado da ação, adquirir uma cultura universal. O Chefe realmente grande destes tempos deve ultrapassar, e muito, o príncipe de antigamente. E por isso não se vêem chefes como esses emergindo da massa dos ambiciosos. Por isso, é cada vez mais importante preparar homens superiores que estejam amanhã à altura das circunstâncias.

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O Chefe esbarra constantemente com a passividade com a autonomia de seus colaboradores; ao mesmo tempo retardado e ultrapassado, deve continuamente fazer a revisão do seu plano, adaptá-lo. Assim não é nunca o seu projeto que ele realiza, mas um compromisso entre a sua personalidade e a dos membros de sua equipe. Muitas vezes isso resulta em graves prejuízos; e outras vezes em sérias vantagens: conforme a estatura, o espírito, o verdadeiro devotadamente à causa daqueles que por ela se responsabilizaram. A obra enfim é comum; apesar dos obstáculos criados por alguns, e de ninguém ter visto realizar-se o seu próprio plano.

certezas, as sujas intuições. “Por que o Chefe terá razão?” . Com idéias tão acanhadasVeja

Sofrimento dos Chefes: Sofrimento de quem está na frente e que os outros não seguem e não compreendem. O seu sonho, as suas intenções, as suas certezas, constituem a sua riqueza, e, o seu tormento. Os outros têm também os seus sonhos; e julgam que tem também as suas quanta coisa lhe falta. Então, porque desejaria ele nos arrastar pelo seu caminho? Ele nos limita, quebra a nossa vontade. Queremos explorá-lo, utilizá-lo, mas, não queremos servi-lo”.

O Chefe deve muitas vezes continuar o seu caminho na solidão, com o seu quinhão de certeza, seu quinhão de ilusões, seu grande sonho e todo o seu risco. Na maior parte das vezes, estará sozinho; e mesmo aqueles que o tendo melhor compreendido mais se entregaram a ele, esses mesmos terão os seus períodos de desafeição. Esses mesmos, nas suas horas de lassidão, de extrema prudência, ou de orgulho, ameaçam abandoná-lo.

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O Chefe deve ser forte, e a sua virtude teologal é a – Esperança. Confiança do Chefe: esperar que aqueles que o seguem, apesar de tudo hão de ultrapassálo; ou porque estejam melhor equipados, ou porque as suas próprias hesitações lhe serão poupadas, ou porque estarão muitos eunidos na mesma obra.

A medida que se alargar o campo de ação, é preciso que o responsável em última instância consolide o seu domínio no conjunto. Ninguém deve procurar novas criações, ou transformações profundas, e ão tiver certo de dominar os acontecimentos.

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9. A VIDA DA EQUIPE

conversas

Viver a vida da equipe; e conformar-se em não poder dizer a última palavra. Aceitar em “perder tempo” pela obra comum; administração, trabalhos manuais, recados, conferências,

Muitas vezes é nisso que consiste o nosso trabalho, a parte importante que é desejada por

Deus. É com esse trabalho que podemos também enriquecer de saber e de experiência certos setores em que somos deficientes. Por meio dessas atividades podemos arranjar uma porção de relações que nos poderão ser muito úteis mais tarde. Enfim, o que conta, não é tanto o ato realizado, mas o grande amor que o anima.

Mas é preciso salvar os minutos de plenitude intelectual. E portanto, não hesitar em afastar os que atrapalham. É preciso não ter medo de descontentar os importunos e os indiscretos. Eles que aprendam a ter juízo.

Sempre precisonunca hesitante.

Deixar todos à vontade, e, contudo, impor a disciplina do grupo. A confiança não se impõe: ganha-se. Não querer que os outros aderem a nós, mas ao objeto.

Sobretudo, não tomar a atitude do eterno bom aluno, que derreia os outros sem descanso com princípios dos quais ele mesmo ignora o alcance.

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Podemos ter uma vida muito ativa, e cheia de incitava na obediência. A obediência pusilânime não adianta nada. A verdadeira submissão consiste em saber interpretar e em realizar a vontade dos superiores. Aceitar e desejar o controle, é o sinal que não nos desviamos.

Se queres guardar a justiça e manter a paz, não endosses as paixões dos teus colaboradores, ou dos teus amigos.

A base do sucesso é o dom de si mesmo. É preciso fazer o que os outros não fariam; empregar o esforço naquilo que não anda; deixar cada membro da equipe tomar todo o lugar que convém a seu temperamento, à sua inclinação; e tomar para si os setores que foram abandonados.

* Atribuir o sucesso aos colaboradores.

A si mesmo atribuir todos os fracassos ou imperfeições da ação.

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10. ORGANIZAÇÃO Observar sempre, e tomar nota; senão a observação fica sendo uma simples impressão.

É preciso adquirir as técnicas da ação. Quem as despreza, fatalmente fracassa! Cada ação tem a sua técnica! Uma meditação, um dia de estudo, um retiro, um congresso, uma sessão, uma viagem de conferência, uma campanha de jornal; a redação, a administração, a conjuntura, a secretaria, o sindicalismo, a corporação, a comunidade, um movimento.

É preciso que aqueles que têm experiências nos iniciem, e é preciso que experimentemos por nós mesmos.

Muitas vezes as pessoas de bem se obstinam em empregar meios fora do uso; perdem o melhor tempo em trabalhos ridículos. Desde que um homem, desde que um grupo, deseje conseguir alguma coisa, é preciso organizar uma secretaria rudimentar, mas bem aparelhada principalmente quando a tarefa a realizar for mais importante e menor a quantidade de dinheiro disponível.

Excelentes taquigrafas, boas datilógrafas, excelentes contadores são indispensáveis, hoje em dia, para a eficiência de qualquer equipe.

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Nada de pãodurismos com a compra de materiais. O que é preciso é estandartizá-lo para o pessoal e para a equipe. Verificar o que há de melhor, e mais em conta, em arquivos, cadernos, fichários, escrevaninhas, etc., e tratar de adiquirí-los. Com isso, ganha-se tempo, e isso facilita a ordem, a qualidade do trabalho, a paz e a alegria.

Sempre que for possível, é preciso aperfeiçoar, cada vez mais, a utilização racional desse material.

Nunca se comprometer em despesas por capricho: Deus não será obrigado a nos ajudar se deixarmos de ser fieis ao objeto.

Um lugar e um tempo para cada coisa; e cada coisa em seu lugar. (1)

Nenhum ano se parece com o outro. Nada recomeça de novo. A ação consiste sempre numa adaptação a novas situações, a novas necessidades. Daí o perigo da administração, no sentido corrente; querer estandardizar, isto é, recomeçar indefinidamente. A verdadeira administração proporciona, modifica, inventa incessantemente.

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Não devemos resolver imediatamente nenhum problema, alem das decisões do serviço corrente. É preciso deixar o problema repousar, ou colocá-lo em repouso; deixá-lo ao cuidado do subconsciente. O subconsciente, quando não o acorrentamos, é um instrumento admirável de absorção, de decantação, de harmonização. Um belo dia ele nos da a solução.

* Não crescer muito depressa, mas como uma árvore.

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1. A DIVISÃO DAS RESPONSABILIDADES

Em cada setor designar o responsável, e só tratar com ele. Sacudir e agitar o responsável até que ele tenha tomado consciência de seu serviço. Não ter senão alguns responsáveis diretamente diante de si, e a ele subordinar os outros responsáveis.

Na alta direção devem existir muitos responsáveis. Temo o “Diretor” único, quando se trata de obras que vão além da possibilidade de um só homem. É preciso que muitos de igual inteligência se unam à obra comum, para juntos abrangerem todo o horizonte, e resolverem as aposições pela submissão ao objeto, e pela afeição mútua. O coração representa aqui um grande papel.

Ajudar o Chefe de equipe pela disciplina, pela confiança e pela afeição. Não deixá-lo resolver tudo sozinho. Não levar a ele de repente o nosso pequeno plano. Levar-lhe luzes — ele muito necessita delas — e, não uma vontade pré-determinada. Não deixá-lo cair dizendo: “ele sempre consegue se arrumar.”

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