Princípios para  Ação

Princípios para Ação

(Parte 3 de 3)

Nunca devemos esquecer que somos apenas uma parte do exercito, e que deve ser realizado um plano de conjunto.

. ECONOMIA E HUMANISMO J.L. Lebret O.P

— Princípios para a Ação —

“Disciplina intelectual, inteligente e ativa”, dizia Foch, isso que dizer que cada um deve procurar compreender a situação e a posição do Chefe diante dessa situação; que cada um deve procurar os meios de realizar o pensamento do Chefe, e que cada um efetivamente o realize. Obedecer, é completar o Chefe.

O “desabafo”: dizer tudo o que a gente tem no coração, tudo o que não anda direito, tudo o que pesa, o que parece idiota, ridículo, inadaptado, ultrapassado. Ser simplesmente, e algumas vezes, brutalmente sincero.

“O desabafo”: “meter o pau”. É a lei da vida. O Chefe deve ter a maior potencialidade possível de “agüentar firme”.

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12. OS COLABORADORES

Uma equipe, é uma pirâmide que sobe constantemente, pois, surgem sempre debaixo novos elementos, que a tomam sobre os ombros, e que a elevam.

Deixar cada um tomar o seu lugar: sempre haverá muito o que fazer. Entretanto, qualquer ascensão rápida de mais é perigosa, tanto parta o que quer subir, como para a equipe. Quem não soube suportar trabalhos medíocres, quem não teve uma extensa base de experiência, quem não foi judiado em diversos postos, não tardará a capotar.

* Realizar a união mútua pela submissão do objeto.

O Padre Sertillanges chama Santo Tomás “um conciliador”. É preciso saber colaborar com pessoas muito diferentes. É preciso associá-las a nós, apesar dos seus preconceitos, de suas oposições, elevando-as. A compreensão é atingida em planos superiores. É preciso atrelá-las ao mesmo trabalho, apesar das suas discordâncias. À medida que crescemos na mesma luz e que realizamos em comum, cada vez mais nos unimos.

É preciso que cada um se torne um conciliador. Os homens brigam muito por ninharias, no “fundo” estão de acordo. É preciso atingir esse “fundo”, desembaraça-lo. E assim unir. Este é

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— Princípios para a Ação — essencialmente o papel daquele que tem sabedoria, daquele que sabe perceber as razões profundas e reduzir o múltiplo à unidade. Isso não quer dizer que devemos abandonar a verdade e a justiça; muito pelo contrário. Não se trata de encontrar posições oportunas para sair do embaraço, mas, da gene mesmo ir adiante, e de fazer com que os outros alcancem a justiça e a verdade.

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13. ESCOLHA E EDUCAÇÃO DOS

Educar pacientemente os colaboradores. Escolhe-los, o quanto for possível, cuidadosamente.

Não deixar passar perto de ti o homem que te seria necessário para levar a bom termo a obra empreendida; trata de colocá-lo na situação que lhe convém.

Aceita, deseja colaboradores que te sobrepujam. Com bons meninos bem comportados, passivos e sempre de acordo, nunca farás nada de grande.

* Não adianta discutir, o que é preciso é decidir.

Deixar que um trabalho seja mal feito. E a não ser para evitar uma catástrofe, só repreender o responsável no fim.

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14. AS SISÕES

O orgulho é o pior flagelo de uma equipe. O orgulho de quem não quer ser enganar nunca; o orgulho de quem não quer tomar conhecimento da maneira de pensar do outro; o orgulho de quem julga levianamente; o orgulho de quem fica a impingir princípios mal digeridos. Ai então, os outros se opõem, encasquetam, tornam inevitável a cisão.

Quando houver dificuldades entre os colaboradores, o melhor é não intervir logo no primeiro choque, quando a paixão ainda domina. Muitas vezes a briga morre como uma faísca no ar, e logo depois, já ninguém mais pensa nela. Depois que a paixão amortecer, então discutir friamente o caso. Para que isso aconteça, é preciso as vezes esperar anos e anos, e nesse entre tempo, a vida já se encarregou de retificar muita coisa.

Nada de dramas! Há colaboradores que dramatizam tudo. Nada disso. É preciso pacificar, ter paciência, olhar as coisas friamente; não se zangar, nem com o que aconteceu, nem com o que é inevitável.

É preciso aceitar certas separações. Elas saneiam a situação. E, logo a gente se encontra de novo. É fatal. Mas, cada qual realizou a obra providencial que lhe cabia. Nem todos devem habitar a mesma morada.

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15. SEGUIR SEU CAMINHO

Aquilo que anda, é porque pode andar.

Ninguém deve se espantar, ou se comover, com a tolice e a maldade dos homens. Aliás, se há uma legião de espíritos medíocres, raros são os homens verdadeiramente maus.

A gente sempre desaponta alguém. Não devemos nos inquietar com isso. Não devemos nos incomodar mito com o que os outros dizem. Quem segue o objeto tem sempre razão. Não devemos perder tempo em discutir com os estetas, com os críticos, com os espectadores. Tocar para adiante. O que é preciso é construir. Devemos ouvir pacientemente o homem que viu, que construiu. Não devemos dizer “não” quem viu e executou; como não devemos dizer “sim”, sem mais nem menos, para quem gosta de dar conselhos, enunciar princípios.

Não fazer caso de ser apenas segundo de longe. E alegrar-se quando outros passarem à frente.

É preciso não esquecer que as idéias caminham lentamente. Há muita gente que imagina que basta descobrir uma verdade, para que ela penetre imediatamente em todos os espíritos.

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Esses, se irritam com a demora, com as resistências. Esse torpor, essas resistências são normais: provem da apatia, da experiência pessoal, da cultura dos outros. Cada um parte do que é, do que já adquiriu para si. Para que aceite, plenamente, umoutro pensamento é preciso que o fixe, o assimile, o harmonize com a aquisição anterior.

É preferível que eles resistam e que discutam as nossas idéias e os nossos atos: assim a nossa contribuição ao bem comum penetra mais profundamente, retifica, anima: e quem se for embora esquecendo-nos – depois de inventar de novo ou melhorar o nosso sistema — acabará, queira ou não queira, militando ao nosso lado. Isso é suficiente.

“Seu negócio está em crise, me dizem; está seriamente ameaçado a soçobrar”.

“Em crise? Entretanto, não vê como estou calmo!” “Vejo, mas há isso, e mais isso, e mais isso que não anda bem”.

“Mas, meu caro amigo, há sempre muita coisa que não anda bem. E apesar disso anda, não é verdade? O que anda está, na verdade, sempre em crise. É a lei da ação.”

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16. A FORÇA

Procede sempre com desinteresse: serás logo o árbitro, e não te deixarão na mão. Não te entregues nuca aos ricos e aos poderosos.

Manter-se puro, ser duro, tornar-se seguro; quer dizer, procurar unicamente a verdade, o bem e a justiça. Não poupar esforços para atingir esses ideais e a medida que forem conquistados tornar-se um sólido apoio para os outros.

O característico do forte: doçura, flexibilidade, e obstinação ao mesmo tempo. Desejo de conhecer a fundo, de ter nas mãos todos os recursos, e topar os riscos. Preparação do êxito, e coragem na adversidade.

Ser ingênuo, fazer questão de continuar ingênuo. Acreditar apesar de tudo, no ideal, na justiça, na verdade, no bem, num pouco de bondade no coração dos homens. Acreditar nos recursos pobres. Travar batalhas, em boa fé, com os poderosos. Não procurar nuca enganar ninguém. Negar-se a corromper. Não deixar o coração endurecer-se. Ser reconhecido. Manter-se fiel a seus amigos. Não fazer ursada com ninguém.

Franqueza de muita gente: ruminar, antes de ter pastado; querer dominar, antes de se ter dominado a si próprio.

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Muitos homens, diante dos obstáculos, param, o consideram, o medem, e ficam no lugar.

Encontram um cupim, e o transformam numa montanha. Bastaria, quase sempre, saltar por cima, ou contornar. Outros, ficam parados, sistematicamente; analisando todos os obstáculos, todas as dificuldades reais e possíveis, atuais e futuras. Uma tal atitude é semelhante a do ciclista quer pretendesse permanecer em equilíbrio sem pedalar e sem correr. O equilíbrio da ação está no movimento.

Quando é a oposição dos homens que cria o obstáculo, a melhor tática conste quase sempre em continuarmos o nosso caminho sem nos preocuparmos com essas aposições. Perdemos um tempo precioso com polemicas quando o que está em jogo é apenas a construção.

Os injustos ignoram a força da justiça. Pensam que são poderosos, e basta que encontrem um só homem justo para todos os seus planos caírem por terra. Logo que encontrem um grupo de justos, são obrigados a bater em retirada, ou a recompor, ou pelo menos, a usar a mascara da justiça.

Se a oposição vem dos homens de boa — vontade, dos “santos”, dos superiores, devemos verificar nossa orientação, e, se estivermos com a Igreja, devemos tirar o melhor partido das circunstâncias, sem estardalhaço.

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A vida dos assuntos humanos consiste em não andar sem dificuldades, sobretudo nos assuntos apostólicos.

Pertencemos à Igreja militante, vivemos num estado de “tensão”. O testemunho do apóstolo tem algo de violento. Os violentos arrebatam o reino de Deus.

* Ser forte! Ser capaz de ficar sozinho contra todos.

* “A gente ainda vai bem longe depois de estar cansado”. (1)

A grande ascese: não parar para colher as flores do caminho. É preciso ter coragem de despedaçar o coração. Que terrível ascese a ação eficaz! O sofrimento, a cruz: não a cruz que teríamos escolhido. A verdadeira cruz, aquela que vem porque ficamos em nosso posto no meio do grande combate em que nos atiramos. Esta, configura ao Cristo.

_ (1) Expressão de uma camponesa da Bretanha.

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17. HUMILDADE E MAGNANIMIDADE

A regra fundamental consiste em a gente considerar um Zé-ninguém a serviço de uma grande obra; servidor inútil, mas servidor.

Colocar-se no seu verdadeiro lugar entre os homens e diante de Deus. Do lado dos homens, não é a ridícula posição de considerar-se como inferior a todos; e, do lado de Deus, é o conhecimento de nossa absoluta dependência, a concepção de que todas as superioridades que se tem em relação aos outros vêem antes de tudo d’Ele por um infinito: a percepção de que todas as superioridade que se tem em relação aos outros vêem antes de tudo d’Ele.

Apagar-se diante de Deus, diante de Seu plano, diante da obra a realizar. Apagar-se, mas tendo para Deus, realizando Seu plano, levando para frente a obra empreendida. Não um apagarse retirando-se, tornandose passivo, mas um dom em plenitude, um esforço vigoroso de inteligência e de inserção.

Humilde: não se iludir a si — próprio; colocar-se em seu lugar. Reconhecer a justa medida da propria inteligência, da própria habilidade, da própria virtude, ter consciência das

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