Histologia animal

Histologia animal

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Histologia e Embriologia Animal (2012) Módulo de Histologia

A Histologia compreende o estudo da função celular, assim como a estrutura da célula e, consequentemente abrange o estudo da célula e estrutura do tecido em relação às suas funções. "Literalmente, histologia significa a ciência dos tecidos”.

Grego: Histo = tramas ou tecidos Logo = ramo do conhecimento

Tecidos Orgânicos: São quatro, os tecidos básicos: Epitelial, Conjuntivo, Nervoso e Muscular. Os tecidos são agrupamentos de células. Estes por sua vez, quando reunidos formam os órgãos. O conjunto de órgãos denomina-se sistemas. Os sistemas são encontrados formando os organismos que reunidos constituem comunidades e populações.

Sistemas orgânicos- Digestivo, Respiratório, Urinário, Endócrino, Reprodutor, Circulatório.

As características principais dos quatro tipos básicos de tecidos estão resumidas no Quadro I.

Quadro I- Principais características dos tipos básicos de tecidos

Tecido Células Matriz extracelular Funções principais

Nervoso Longos prolongamentos

Nenhuma Transmissão impulsos nervosos

Epitelial Poliédricas justapostas Pequena quantidade Revestimento, secreção e absorção

Muscular Alongadas contracteis Quantidade moderada Movimento Conjuntivo Vários tipos Abundante Apoio e protecção

1. Estudo dos Tecidos 1.1. Preparação de Cortes Histológicos

Os cortes são derivados da remoção de pequenas amostras representativas de tecidos, cortadas em fatias muito delgadas, apropriadas para o estudo microscópico; em geral os cortes são preparados pela técnica de parafina (lâminas permanentes).

1.1.1. Técnica de parafina para preparo de cortes a) Amostra de Tecido

A amostra deve ser pequena, obtida através de excisão cirúrgica (biópsia), ou pós-morte

(necropsia). A amostra não deve exceder 1 cm, em qualquer dimensão. Este tamanho pode variar em função do tipo de equipamento existente no laboratório, onde o corte será preparado.

b) Fixação Os fixadores endurecem os tecidos moles e previnem a sua deterioração e outras alterações estruturais indesejáveis nas células e nos tecidos. Actuam como coaguladores proteicos. Evitam a digestão das células pelas enzimas celulares por elas libertadas após a sua morte, o que danificaria os tecidos para o exame microscópico. Apresentam também acção anti-séptica matando bactérias e outros agentes causadores de doenças nos tecidos infectados, que poderiam, eventualmente, ameaçar a saúde dos que manuseiam tais tecidos.

O fixador mais comum é a solução de formal à 10%; outros fixadores: álcool, fixador de Bouin, Zenker. Para o transporte até o laboratório não devem ser esquecidos os requisitos fundamentais de acompanhamento: condições de colecta, data da morte e data de colecta, dados de necropsia (se realizada). Na ausência do formal ou álcool, para transporte, pode-se acondicionar a amostra em isopor com gelo, mas deve-se evitar congelá-la, pois sua estrutura microscópica será alterada quando ocorrer o descongelamento.

c) Lavagem

O primeiro passo da técnica consiste em deixar a amostra a lavar em água corrente por um período de 12 horas, de forma a remover o excesso de formol.

d) Desidratação

O objectivo da técnica de parafina é substituir a água dos tecidos pela parafina. Como a parafina não é solúvel em água, é necessário primeiro retirar a mesma da amostra de tecido. Isto é feito em duas fases: 1º - Substituição da água por álcool - passa-se o tecido em várias soluções de álcool com o aumento de graduação na concentração, num amplo período de tempo. - álcool 70º -1 a 2 hs

- álcool 80º -1 h

- álcool 90º -1 h

- álcool 96º -1 h

- álcool 100º- 1 h

- álcool 100º- 1 h

2º - Clarificação ou Diafanização - Substituição do álcool por um solvente de parafina miscível com o álcool. Usa-se o Xilol como solvente. Passa-se o tecido em várias trocas de Xilol até que o álcool seja substituído por este. O tecido fica meio transparente.

- Xilol I -1 h → Xilol I- 1 h → Parafina I - 1 h → Parafina I -1 h e) Inclusão

Coloca-se a amostra impregnada por xilol em 2 trocas de parafina líquida aquecida. O tecido fica inteiramente saturado com parafina, sendo que, a cera líquida passa a ocupar todos os espaços do tecido, que antes continham água. Este procedimento é feito dentro da estufa. A cera endurece a medida que esfria, onde se monta o bloco de parafina (emblocagem), para que possa ser cortado em fatias delgadas.

f) Microtomia

O bloco de parafina é colocado em peças de madeira para ser colocado no micrótomo; onde se desbasta a parafina até chegar ao corte; feito o desbaste gradua-se o micrótomo para cortes de 3 a 6 um, onde sairão os cortes desprendendo-se da navalha, com suas bordas aderidas aos cortes vizinhos de modo a constituir uma fita da qual, cada um deles é, individualmente, separado com facilidade.

g) Confecção da lâmina

Os cortes são esticados em água morna, e depois colocados em lâminas contendo albumina de Meyer, para fixar o corte à lâmina (lado brilhante voltado para o vidro). Deixar escorrer o excesso de água, e levar as lâminas para estufa, onde se deixa secar completamente e começar a derreter a parafina. Outra maneira é esticar os cortes em álcool a 20% e depois passar pela gelatina, dispensando a albumina.

h) Coloração

A maioria dos tecidos são incolores, o que torna difícil sua observação ao microscópio óptico. Devido a isto, foram introduzidos métodos para a coloração dos tecidos de modo a tornar seus componentes visíveis e destacados uns dos outros. A coloração é feita usando geralmente misturas de substâncias químicas denominadas corantes. A maioria dos corantes usados em histologia comporta-se como ácidos ou básicos e tendem a formar ligações salinas com radicais ionizáveis presentes nos tecidos. Os componentes dos tecidos que se coram facilmente com corantes básicos são chamados basófilos, sendo chamados de acidófilos os que se liga a corantes ácidos.

A hematoxilina não é um corante básico, mas comporta-se como tal, ligando-se as estruturas basófilas dos tecidos. A eosina é um corante ácido. A coloração dupla pela hematoxilina e pela eosina (H - E) é a mais utilizada na rotina em histologia.

H - E →Hematoxilina - coram núcleos de azul →Eosina - coram citoplasma róseo

Técnica de coloração HE - Hematoxilina e Eosina

- Xilol - 15' - 30' - Deixar Secar

- Álcool Absoluto - 2'

- Álcool Absoluto - 2' - Lavar em água destilada

- Lavar em água corrente

- Deixar descansando em água - 2' (até ficar meio azulado)

- Lavar em água - 2'

- Álcool absoluto - 2'

- Álcool absoluto - 2'

- Álcool absoluto - 2'

- Álcool absoluto - 2'

- Deixar secar

- Montagem em Bálsamo

- Identificação das lâminas

Recomenda-se leitura adicional: COMARCK, D. H. Fundamentos de Histologia. 2ºed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2001, 371p. JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10ª ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004. 488 p.

1. CARACTERÍSTICAS GERAIS 1. Células justapostas. 2. Ausência de substância intercelular (pouca quantidade). 3. Células apoiadas à membrana basal. 4. Não possuem vasos sanguíneos (avascularizados). 5. Não possuem inervação, excepto terminações nervosas que captam estímulos. 6. Regenera-se facilmente.

2.TIPOS DE EPITÉLIO 1. TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO 2. TECIDO EPITELIAL GLANDULAR OU SECRETOR

3.FUNÇÕES GERAIS Revestir e Proteger

Absorção

Secreção

Condução de substâncias

Sensibilidade específica

4.DESCRIÇÃO DOS TECIDOS

Exemplo: esófago, traqueia, útero

4.1.TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO a) OCORRÊNCIA: Revestindo todas as superfícies e forrando todas as cavidades. b) FUNÇÕES . Revestimento . Protecção

. Absorção . Condução de substâncias

4.2. ESTRUTURA 4.2.1. MEMBRANA BASAL Função: Adesão Apoio Sustentação Semi-permeabilidade

Ao microscópio electrónico: Lâmina Basal = Material glicoproteico + Fibrilas de Colagénio Membrana Reticular = Material glicoproteico + Fibrilas Reticulares MEMBRANA BASAL (Fig.1.) = Quase todos os epitélios apresentam na sua superfície de contacto com o tecido conjuntivo.

Fig.1- Membrana basal

4.2.2. SUBSTÂNCIA INTERSTICIAL OU MATRIZ EXTRACELULAR Com excepção de uma camada muito delgada de glicoproteínas, que geralmente reveste as células epiteliais, não existe substância intersticial entre elas. Esta camada chama-se GLICOCÁLIX. Acredita-se que estas glicoproteínas façam parte nos processos celulares de pinocitose, e adesão entre células. Conforme Kessel (2001) a matriz extracelular é secretada na base da célula, a chamada de lâmina basal.

4.2.3. FORMA DAS CÉLULAS As dimensões e as formas das células epiteliais variam muito. Observa-se desde células achatadas como um ladrilho, até células prismáticas altas, com todas as formas intermediárias. Geralmente as formas dos núcleos acompanham a forma das células. Exemplo: células cúbicas - núcleo esférico, células prismáticas - núcleo elíptico

4.2.4. COESÃO ENTRE AS CÉLULAS As células epiteliais apresentam uma intensa adesão mútua, e para separá-las, são necessárias forças mecânicas relativamente grandes. Essa coesão varia com o tipo epitelial, mas é especialmente desenvolvida nos epitélios sujeitos a fortes trações, como por exemplo a pele. Essa coesão é em parte devido a acção adesiva das glicoproteínas do glicocálix. O ião cálcio também é importante para a manutenção da coesão entre as células. A adesão celular é reforçada por estruturas especiais, como os desmossomas.

4.2.5. REGENERAÇÃO Os epitélios são tecidos cujas células têm vida limitada. Ocorre, pois uma renovação constante dessas células, graças a uma actividade mitótica contínua. A velocidade dessa renovação, porém, é variável, podendo ser muito rápida em certos casos e lenta em outras. Como exemplo extremo citamos o epitélio de revestimento do intestino que se renova a cada 2 a 3 dias, e o das glândulas salivares e do pâncreas, que levam mais de 2 meses para se renovar. Nos epitélios estratificados e pseudoestratificados, em geral as mitoses ocorrem nas células situadas junto à lâmina basal.

4.2.6. METAPLASIA Em determinadas condições patológicas, certas células, podem sofrer uma série de alterações e dar origem a um novo tipo de tecido. Este processo se chama metaplasia; é uma alteração reversível e podemos citar os seguintes exemplos:

a) O epitélio pseudo estratificado da traqueia e dos brônquios, em fumantes crónicos sob a acção irritante do fumo, pode ser substituído por epitélio estratificado pavimentoso. c) Em casos de carência de vitamina A, o epitélio dos brônquios, bexiga e vários outros são substituídos por epitélios estratificados pavimentosos cornificados. OBS: A metaplasia não é exclusiva do tecido epitelial, podendo ocorrer em outros órgãos.

5. ESPECIALIZAÇÃO DA MEMBRANA SUPERFICIAL - MICROVILOS → Milhares de evaginações da membrana sob a forma de dedos de luvas, na superfície livre da célula. Presente nas células epiteliais com função de absorção. Os microvilos aumentam a eficiência dos processos de absorção, ampliando muito a superfície de contacto das células com o ambiente. Exemplo: Intestino, Rim.

- CÍLIOS E FLAGELOS → Na superfície das células epiteliais ciliadas existem grande quantidade de estruturas móveis e alongadas chamadas CÍLIOS. O movimento ciliar é geralmente coordenado, provocando uma corrente de fluido em uma só direcção, na superfície das células Epiteliais ciliadas. Exemplo: Traqueia. Os flagelos são encontrados nos mamíferos e apenas nos espermatozóides; tem uma estrutura semelhante à dos cílios. Diferem, entretanto nas suas dimensões, sendo mais longos que estes.

- ESTEREOCÍLIOS → São constituído por longos microvilos, que podem ou não se juntar por anastomose. São encontrados na região apical das células de revestimento do epidídimo e do canal deferente.

5. CLASSIFICAÇÃO DO EPITÉLIO DE REVESTIMENTO O epitélio de revestimento é classificado de acordo com a forma das células e com número e arranjo das camadas celulares. 5.1. CLASSIFICAÇÃO (Fig.2) - Quanto a forma das células: plano, cúbico ou cilíndrico.

- Quanto ao número de camadas: uma camada - simples; mais de uma camada -estratificado.

Células especializadas em absorção ou filtração estão dispostas em camada única, portanto é um epitélio simples ou uniestratificado.

Células expostas a grande uso e desgaste estão ordenadas em muitas camadas, o arranjo é então denominado epitélio estratificado.

Fig.2- Classificação dos diferentes tipos de epitélio de revestimento

5.1.1. EPITÉLIO PAVIMENTOSO OU PLANO a) SIMPLES → Consiste de uma camada única de células achatadas, que se assemelham os ladrilhos de pavimento. O núcleo das células é centralmente localizado, sendo esférico ou oval. Denominações especiais: - ENDOTÉLIO → reveste internamente o coração, vasos sanguíneos e linfáticos.

- MESOTÉLIO → forra as cavidades pleurais, pericárdicas e peritoneais, e a face externa dos órgãos contidos em cavidades.

b) ESTRATIFICADO → Consiste em muitas camadas celulares; as células superficiais são achatadas, porém as células profundamente situadas são mais espessas (Figura 1 e 2).

Por convenção, a classificação do epitélio estratificado é dada pela forma das células superficiais. •Epitélio estratificado pavimentoso resiste ao uso e desgaste e protege os tecidos subjacentes. As células profundas ou basais vão sofrendo continuamente divisões celulares; as novas células são empurradas em direcção à superfície onde descamam.

•Conforme as células se deslocam para a superfície, elas afastam-se da fonte de nutrição que se origina dos vasos sanguíneos do tecido conjuntivo subjacente. Como consequência deste movimento e da falta gradativa de nutrientes, as células diminuem, tornam-se rígidas e finalmente morrem.

•Em locais secos como a pele, as células superficiais contêm uma escleroproteína chamada queratina. Este material resiste a traumas e a infecções bacterianas e micóticas, além de ser impermeável. A este tipo de epitélio damos o nome de epitélio estratificado pavimentoso queratinizado (Figura 3).

• Nas superfícies húmidas, como aquelas encontradas na boca, vagina, as células do epitélio estratificado plano não contém queratina e é denominado epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado (Figura 4).

Fig.3- Epitélio pavimentoso não queratinizado (esófago)Fig.4- Epitélio pavimentoso queratinizado(pele grossa

c) EPITÉLIO CÚBICO SIMPLES → Consiste em uma camada única de células que se assemelham aos cubos. O núcleo é esférico e central. Sua ocorrência é recobrindo os pequenos ductos em certas glândulas (ex. salivares), e forma as unidades secretoras de outras glândulas (ex. tireóide).

FUNÇÃO→ Secreção e absorção.

ESTRATIFICADO → Raro, apenas revestindo alguns ductos de glândulas.

d) EPITÉLIO CILÍNDRICO SIMPLES → Consiste em uma camada única de células que se assemelham a colunas verticais. A extremidade de cada célula, que assenta sobre a lâmina basal, é conhecida como região basal da célula. A sua extremidade é conhecida como região apical da célula. O núcleo é central ou próximo da região basal da célula. A sua ocorrência é revestindo o estômago, intestinos, útero, vesícula biliar (Figura 5).

FUNÇÃO → Secreção e absorção

Figura 5 – Epitélio cilíndrico simples (vesícula biliar)

ESTRATIFICADO→ Encontra-se somente em alguns locais do corpo; reveste os grandes ductos de certas glândulas (glândulas mamárias) e conjuntiva do olho.

PSEUDO - ESTRATIFICADO → É um epitélio que nos dá ideia de estratificação, mas na realidade é um epitélio simples com todas as células apoiadas sobre uma lâmina basal. A aparência estratificada resulta do facto das células variar em altura e nem todas atingem a superfície. Pelo facto das células possuírem diferentes alturas, seus núcleos localizam-se em diferentes níveis, fornecendo a ilusão de que o epitélio é estratificado. Este epitélio é encontrado nas superfícies da parte superior do sistema respiratório.

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