Instruções para o trabalho de campo do inventario florestal nacional

Instruções para o trabalho de campo do inventario florestal nacional

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Direcção de Unidade de Gestão Florestal Divisão para a Intervenção Florestal

JANEIRO | 2009

INSTRUÇÕES PARA O TRABALHO DE CAMPO DO INVENTÁRIO FLORESTAL NACIONAL – IFN 2005/2006

Edição Autoridade Florestal Nacional

Revisão em Janeiro de 2009 do texto elaborado em Outubro de 2005

Autoria do texto de 2005 Conceição Ferreira Josefa Carvalho Manuela Baptista

Colaboração em 2005 Carlos Pacheco Marques (coordenador científico) – UTAD Francisco Goes – CELPA Ana Maria Azevedo – EFN Paulo Godinho– EFN Margarida Tomé – ISA Nuno Ribeiro – UE Fernando Páscoa – ESAC Cristina Alegria – ESACB João Paulo Castro – ESAB

Coordenação Autoridade Florestal Nacional

Direcção Nacional de Gestão Florestal

Revisão Cristina Santos João Pinho Josefa Carvalho Rute Pereira

1. INTRODUÇÃO1
2. INVENTÁRIO GERAL2
2.1 Tipos de uso/Ocupação do solo alvo do Inventário3
2.2 Equipamento de campo5
2.3 Localização e georreferenciação das parcelas5
2.4 Delimitação das parcelas de amostragem7
2.5 Divisão da parcela7
2.6 Forma e dimensão das parcelas de amostragem8
2.7 Caracterização topográfica das parcelas9
3. AVALIAÇÕES NA PARCELA10
3.1 Evidência de fogos ou de cortes10
3.2 Outras características da parcela10
3.3 Caracterização da estrutura vertical1
3.4 Aspectos específicos12
3.5 Identificação dos modelos de combustível12
4. DADOS A RECOLHER EM ÁREAS DE FLORESTA14
4.1 Tipo de preparação do terreno14
4.2 Utilização do sub-coberto14
4.3 Condução dos povoamentos14
4.4 Classificação etária16
4.5 Marcação das árvores17
amostragem18
5. DADOS A RECOLHER EM ÁREAS DE MATOS28
6. OBSERVAÇÕES29
7. ELEMENTOS AUXILIARES30
7.1 Localização no campo de parcelas sem sinal de GPS30
7.2 Correcção das áreas das parcelas em função do declive3
7.3 Normas de medição do diâmetro à altura do peito (d)34
7.4 Normas de medição das alturas36
8. REFERÊNCIAS38
8.1 Referências bibliográficas38
8.2 Fontes38
8.3 Fotografias39
ANEXO 1. Espécies florestais40
ANEXO 2. Espécies de matos45
ANEXO 3. Percentagens de coberto48
ANEXO 4. Danos na copa51
ANEXO 5. Desenho da parcela54
ANEXO 6. Lista de concelhos5

ÍNDICE 4.6 Medições e observações a efectuar nas árvores da parcela de ANEXO 7. Fichas de campo...................................................................58

1. INTRODUÇÃO

MANUAL TÉCNICO | INSTRUÇÕES PARA O TRABALHO DE CAMPO DO INVENTÁRIO FLORESTAL NACIONAL 1

1. INTRODUÇÃO

O manual que se apresenta, Instruções para o Trabalho de Campo do Inventário Florestal Nacional – IFN 2005/2006, é parte integrante do inventário florestal nacional que decorreu em Portugal Continental entre 2005 e 2006 e constituiu o documento que apoiou as equipas de campo que efectuaram as operações de recolha de informação.

Estas instruções descrevem os requisitos gerais a cumprir no processo de recolha de dados de campo e têm por base as metodologias adoptadas no IFN4 (decorrido entre 1995 e 1998), embora com a introdução de algumas alterações, visando o apuramento de indicadores que a experiência anterior revelou serem essenciais na busca de soluções para os problemas actuais da gestão dos recursos florestais.

Assim, o IFN 2005/2006 inclui ainda a recolha de parâmetros relevantes para a monitorização da biodiversidade associada à floresta e aos matos.

São objectivos do Inventário Florestal Nacional:

1. Avaliação das áreas ocupadas pelos diferentes povoamentos e formações florestais, e sua distribuição no espaço;

2. Caracterização dos povoamentos florestais quanto à fase de desenvolvimento, volume, potencial produtivo e produção de bens não lenhosos, nomeadamente cortiça e pinhão;

3. Caracterização dos povoamentos e formações florestais quanto à sua diversidade vegetal;

4. Avaliação do estado sanitário dos povoamentos florestais e sinais de fogo e erosão.

A grande variedade de aspectos inerentes à floresta determina a complexidade e rigor das metodologias em que assentam as acções ligadas às sucessivas fases do Inventário Florestal. Esta complexidade e rigor são particularmente manifestados na fase de recolha de dados de campo.

Sendo inviável, do ponto de vista económico, a avaliação de todas as manchas dos espaços florestais, recorre-se à observação de pequenas áreas – parcelas de amostragem – distribuídas por toda a floresta a inventariar.

2. INVENTÁRIO GERAL

MANUAL TÉCNICO | INSTRUÇÕES PARA O TRABALHO DE CAMPO DO INVENTÁRIO FLORESTAL NACIONAL 2

2. INVENTÁRIO GERAL

No caso de um inventário a nível nacional, embora se realize um grande número de operações num elevado número de locais, a intensidade da amostragem – relação entre a área da amostra e a área da floresta – é forçosamente baixa, o que leva a que qualquer erro cometido seja sempre fortemente ampliado.

Assim, todas as operações efectuadas nesta fase devem obedecer a normas e critérios precisos, o que, por sua vez, confere grande responsabilidade ao trabalho desenvolvido pelas equipas de campo, razão pela qual deverão ser obrigatoriamente seguidos os procedimentos deste manual, pelas equipas que no campo fazem o levantamento da informação.

material e depositá-lo nos locais próprios

As equipas de inventário estão devidamente identificadas como integrando o projecto de Inventário Florestal Nacional para a Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF), através de material a fornecer por esta entidade. Como tal, devem respeitar a propriedade, a fauna e a flora existente nos pontos onde operarem. Não deverão causar danos em culturas agrícolas ou nas infra-estruturas das propriedades que tenham de percorrer e aceder para a realização do trabalho. Deverão ser respeitados os condicionamentos legais de acesso (área de reserva integral, áreas militares, etc.). Pilhas, plásticos (excepto as fitas de sinalização), latas, embalagens não devem ser deixadas no local, bem como outros objectos não biodegradáveis. As equipas devem transportar este

Para a realização do IFN 2005/2006, utilizou-se o método de amostragem sistemática efectuado a partir de uma rede regular de pontos, distanciados de 500 metros, que origina um conjunto de redes de ordem superior com 2 e 4 km de distanciamento.

As parcelas de inventário de campo para as áreas de floresta – cerca de 1 0 – são estabelecidas sobre a rede de amostragem de 2×2 km.

As parcelas em áreas de mato – cerca de 1 200 – são estabelecidas sobre a rede de 4×4 km.

O levantamento de campo de parcelas de inventário em áreas de matos tem uma abordagem bastante mais simplificada. Nestas áreas serão utilizadas parcelas circulares de 500 m2, instaladas de acordo com a metodologia referida no Capítulo 2, onde serão efectuadas apenas as avaliações indicadas no Capítulo 3.

A recolha de dados de campo faz-se através de uma aplicação informática específica (software de recolha de dados), instalada em computadores de bolso, vulgarmente denominados palmtops ou PDA.

Apresenta-se seguidamente um esquema simplificado das operações do inventário florestal, desde a determinação da parcela até à recolha de dados de campo (Figura 1).

2. INVENTÁRIO GERAL

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Não há sinal GPS nas condições predefinidas

Há sinal GPS nas condições predefinidas

Aproximação à parcela

Centro da parcela Classificar o estrato de ocupação do solo

Área social

Povoamentos

Áreas queimadas

Proceder de acordo com o manual de campo

Cortes

Outras áreas arborizadas

Não há mais nenhuma informação a recolher

Águas interiores Agricultura Improdutivos Floresta Matos

2.1 Tipos de uso/Ocupação do solo alvo do Inventário

Figura 1 – Esquema simplificado das operações do inventário florestal

Os levantamentos de campo a realizar no IFN 2005/2006 incidem sobre os estratos de ocupação do solo seguidamente descritos.

2.1.1 Floresta

Extensão de terreno com área ≥ 5 0 m2 e largura ≥ 20 m, com um grau de coberto (definido pela razão entre a área da projecção horizontal das copas e a área total da parcela) ≥ 10%, onde se verifica a presença de arvoredo florestal que pelas suas características ou forma de exploração tenha atingido, ou venha a atingir, porte arbóreo (altura superior a 5 m), independentemente da fase em que se encontre no momento da observação, incluindo os tipos de uso florestal indicados a seguir.

2. INVENTÁRIO GERAL

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2.1.1.1 Povoamentos florestais Quanto à composição dos povoamentos, consideram-se duas situações:

a) Povoamentos puros: quando uma só espécie é responsável por mais de 75% do coberto, inscrevendo-se, por exemplo PbPb no caso de ser pinhal bravo puro.

b) Povoamentos mistos: quando, havendo várias espécies em presença, nenhuma atinge os 75% de coberto. Neste caso, considera-se espécie dominante a que for responsável pela maior parte do coberto. Inscreve-se, por exemplo, PmSb, para um povoamento misto de pinheiro manso com sobreiro, em que a primeira espécie é a dominante.

2.1.1.2 Cortes e áreas queimadas

Consideram-se cortes e áreas queimadas as extensões de terreno com área ≥ 5 0 m2 e largura ≥ 20 m de uso florestal, anteriormente ocupado por floresta e que, devido ao corte de árvores ou passagem de incêndio, está ocupado com cepos, troncos de árvores carbonizadas ou vegetação carbonizada.

Os cortes podem ser rasos, se existir um corte simultâneo de todas as árvores, ou salteados ou sucessivos quando apenas algumas árvores são cortadas.

Consideram-se outras áreas arborizadas as extensões de terreno com área ≥5 0 m2 e largura ≥ 20 m:

a) Com grau de coberto de 5-10%, onde se verifica a presença de espécies florestais que na maturidade atingem porte arbóreo ou; b) Com um grau de coberto ≥ 10%, nos casos em que se verifique a presença de espécies florestais que, devido às condições em que vegetam, não conseguem atingir os 5 m de altura ou; c) Onde vegetem espécies florestais de porte sub-arbóreo (as que na estação em causa não atinjam os 5 metros de altura, como por exemplo medronheiro e carrasco).

Extensão de terreno com área ≥ 5 0 m2 e largura ≥ 20 m, com cobertura de espécies lenhosas de porte arbustivo, ou de herbáceas de origem natural, onde não se verifique intervenção agrícola ou silvícola, que podem resultar de um pousio agrícola, constituir uma pastagem espontânea ou terreno pura e simplesmente em regeneração natural.

A ocupação do solo alvo do IFN pode apresentar situações particulares, tais como os bosquetes e as clareiras.

A parcela de amostragem incide numa pequena mancha de uma espécie florestal cuja área seja inferior a 5 0 m2 e que está inserida numa mancha de outra espécie florestal correspondente ao estrato classificado e cuja área é superior a 5 0 m2;

No caso de bosquetes, há lugar a medições de árvores, de acordo com o estabelecido neste manual de campo (Capítulo 4).

2. INVENTÁRIO GERAL

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2.1.4 Clareira

Considera-se que existe uma clareira, à semelhança dos bosquetes, se numa mancha florestal (de dimensão superior a 5 0 m2) o centro da parcela de amostragem se situar em terreno não ocupado por floresta.

No caso de clareiras apenas é recolhida informação ao nível da parcela (Capítulo 3).

O campo relativo ao estrato, caso seja floresta, é preenchido com o código de todas as espécies florestais presentes (na forma de árvore ou de cepos) na parcela de amostragem. Para tal, há que consultar o Anexo 1.

2.2 Equipamento de campo

Para o desenvolvimento das operações de campo, é necessário que cada uma das equipas disponha do seguinte material e informação:

a) Manual Instruções para o Trabalho de Campo do Inventário Florestal Nacional, incluindo tabelas auxiliares.

b) Software de recolha de dados.

c) Lista das parcelas a observar com indicação de número da folha da Carta Militar correspondente, código do concelho, número da fiada, número da fotografia, código da parcela.

d) Coordenadas dos centros das parcelas, armazenadas num ficheiro em formato SIG vectorial compatível.

e) Fotografias aéreas ou ortofotografias, em formato digital.

f) PDA, GPS, bússola, transferidor e folhas da Carta Militar (escala 1:25 0), cobrindo as áreas a observar.

g) Fita métrica, suta de braços, transponder, hipsómetro digital com capacidade de medição de distâncias horizontais ou hipsómetro digital mais distanciómetro, verruma, bitola para aferição do 1,30 m à altura do solo, e marcador metálico para assinalar o centro da parcela.

2.3 Localização e georreferenciação das parcelas

As coordenadas dos centros das parcelas encontram-se definidas a priori, estando armazenadas num ficheiro em formato SIG vectorial a disponibilizar às equipas de campo, nos formatos WGS 84, Datum Lisboa e Datum 73.

Com base num sistema de informação geográfica, estas coordenadas poderão ser transpostas para material de base cartográfica (ortofotos, cartas militares, etc.) que possam servir para a sua localização através dos métodos clássicos de localização de parcelas de inventário no terreno (baseados em medições de rumos e distâncias). No entanto, a existência de coordenadas planimétricas definidas a priori permite também a utilização de receptores GPS para, através de navegação, localizar o centro da parcela.

2. INVENTÁRIO GERAL

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2.3.1 Utilização do GPS

Depois de escolhido um ponto de partida próximo do centro da parcela, pode utilizar-se o GPS de duas maneiras, para atingir o centro da mesma:

a) Utilização da função position (que dá as coordenadas correspondentes à localização do GPS): – o operador vai-se deslocando até que as coordenadas obtidas no campo coincidam com as coordenadas de gabinete.

b) Utilização da função navigation: – para usar esta função é necessário registar previamente no GPS as coordenadas do centro da parcela obtidas em gabinete. Ao activar a função navigation é apresentada a distância a que o aparelho de GPS se encontra do centro da parcela e a direcção (em graus) que o operador deve tomar para a atingir. Quando se utiliza esta função há que ter em atenção que o aparelho de GPS determina a distância e direcção apenas quando se encontra em movimento, sendo sempre necessário confirmar as coordenadas do centro da parcela quando este for finalmente atingido. Se estas não forem as pretendidas, o operador deve afastar-se um pouco e esperar que o aparelho de GPS indique uma nova direcção.

2.3.1.2 Localização das parcelas A localização precisa das parcelas é fundamental e é a base de todo o processo de inventário:

a) O operador tem de trabalhar sempre com a precisão máxima e nunca ultrapassar um erro de 6 metros. Não esquecer de verificar sempre a precisão do aparelho de GPS, apresentada em unidades de distância no mostrador do mesmo.

b) Sempre que não seja possível fazer o levantamento das coordenadas do centro da parcela por problemas de sinal, deve procurar-se um ponto de referência onde tal seja viável e o mais próximo possível do centro da parcela.

Nesta situação, há ainda que registar o azimute e a distância entre este ponto de referência e o centro da parcela com uma bússola e uma fita métrica ou medidor de distâncias e localizar o centro da parcela a partir do ponto de referência. O procedimento a seguir é apresentado no Capítulo 7.

c) Deve, com o receptor GPS localizado no centro da parcela ou no ponto de referência, retirar-se 75 posições (número de registos).

d) Os pontos devem apenas ser recolhidos quando a precisão indicada no aparelho for igual ou inferior a 6 metros.

e) Utilizando o aparelho de GPS, cada posição recolhida é armazenada como uma parcela ou como um ponto de referência, e o seu nome anotado.

2.3.2 Marcação do centro da parcela

O centro da parcela deverá ser marcado no terreno com um marcador metálico. Seja qual for o método utilizado na sua localização, esta deverá ser registada sob a forma de um desenho, em papel (ver Anexo 6), identificando pontos de referência desde a estrada mais próxima.

Terminada esta operação, tendo como base o software de recolha de dados, é necessário registar os dados de referenciação pela sequência indicada seguidamente.

Carta militar Indicação do número da folha da Carta Militar (escala 1:25 0) onde a mesma se situa e que consta na lista das parcelas de amostragem a disponibilizar às equipas de campo.

Concelho Indicação do concelho onde recai o centro da parcela – os códigos dos concelhos constam da lista das parcelas de amostragem (Anexo 6).

2. INVENTÁRIO GERAL

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2.3.3 Códigos de data e equipa

Estes campos são preenchidos respectivamente com a data em que se faz a recolha dos dados e com a identificação da equipa que realiza o trabalho.

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