Estética

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Estética – Resumo Prova 2

A definição geral de arte é breve e é apresentada por Kant em apenas uma seção, no parágrafo 43, “Da arte em geral” (KANT, 2008, p. 149). Nessa seção, Kant distingue a arte geral da natureza, da ciência e do ofício. “A rigor dever-se-ia chamar de arte somente a produção mediante liberdade, isto é, mediante um arbítrio que põe a razão como fundamento de suas ações”, diz Kant. O conceito chave que distingue a natureza da arte é a liberdade. A liberdade está relacionada a um arbítrio que põe a razão como fundamento da ação. Segundo o livre-arbítrio, o homem é capaz de agir mediante uma escolha, independente de impulsos sensíveis. Kant cita um exemplo em que um produto natural pode até mesmo ser comparado com uma obra de arte, mas a possível comparação não passaria de uma analogia, pois tal produto não é mais que um efeito do trabalho ocasionado mediante instinto e impulsos sensíveis da natureza. O filósofo exemplifica essa teoria com o caso das abelhas, que agem instintivamente na produção das colméias, e não segundo uma ponderação racional. Se usamos nosso juízo sobre produções artísticas, pensamos na liberdade de quem criou tais objetos. Resumindo, a arte é uma obra da faculdade da vontade. A produção de uma obra de arte se distingue da natureza porque tem fundamento na representação de um fim – a determinação racional da vontade corresponde a uma finalidade. Já uma produção natural corresponde a simples efeitos que não são pensados antes dos acontecimentos. A arte é um fim, o produto natural, um efeito.

A arte também se distingue da ciência. A arte se distingue da ciência como a prática se distingue da teoria. Diferente da ciência, “a arte não é aquilo que se pode fazer tão logo se saiba o que deva ser feito”. O poder de fazer se distingue do simples saber – o poder de fazer supõe condições como a técnica. Portanto, a “técnica” corresponde ao poder de fazer arte e ao seu conhecimento prático. Kant ilustra essa diferença com o contraste entre o conhecimento teórico da geometria e o prático da agrimensura – saber construir objetos geométricos segundo a intuição é diferente de aplicar esses conceitos na medição do espaço real. Portanto, a obra de arte se distingue da ciência porque corresponde a uma técnica, que habilita

Por fim, Kant situa a definição de arte em geral numa noção de arte enquanto arte livre. A arte livre é diferente do ofício – este, Kant chama de “arte remunerada”. A arte livre começa a entrar nos predicativos da arte bela, porém, em princípio Kant a apresenta como aquela que se refere a ocupação livre e não penosa, que não busca o benefício.

A definição de arte geral pode ser resumida, portanto, como um produto que tem como causa a vontade livre que estabelece uma finalidade, que necessita de uma técnica de produção e que deve ser livre de coerções. Dada essa definição, Kant classifica a arte em duas:

A arte mecânica procura somente tornar um objeto efetivo. Executa-se as ações para produzi-lo mediante um conhecimento. Já a arte estética é produzida para ocasionar o prazer imediato. A arte mecânica é diferente da estética porque não tem essa finalidade. Se a arte mecânica pode produzir complacência, esta se relaciona na complacência do bom definida por Kant, que presta atenção à finalidade do objeto. Já a satisfação oferecida pela arte estética é imediata, pois o prazer não é dado por meio do conceito de utilidade.

“Arte estética” é tratada como um termo genérico porque ela pode ser ou agradável(“são de tal espécie todos os atrativos que podem deleitar a sociedade em uma mesa”) ou arte bela. A arte bela abrange a universalidade na comunicabilidade do prazer. A finalidade da arte agradável é apenas a promoção do gozo. Já a finalidade da arte bela é a comunicação do prazer – o prazer reflexivo.

A arte bela deve proporcionar a apreensão de uma forma que é conforme a fins para nossa faculdade de juízo, mas representada sem fins, ou seja, mesmo que tenhamos a consciência da intenção do artista, não representamos o fim na reflexão e no juízo de gosto .

A arte bela é comparável com a natureza se ela parecer livre de toda coerção de regras. As regras que o artista usa para a produção são tão imperceptíveis que faz a beleza da arte parecer um produto natural. Por isso, a faculdade reflexiva do juízo é capaz de apreender uma forma que é conforme a fins, mas sem representar o fim posto na obra de arte.(“Um produto da arte, porém, aparece como natureza pelo fato de que na verdade foi encontrada toda exatidão no acordo com regras segundo os quais, unicamente, o produto pode tornar-se aquilo que ele deve ser, mas sem esforço, sem que transpareça um vestígio de que a regra tenha estado diante dos olhos do artista e tenha algemado as faculdades de seu ânimo”)

Uma arte bela mostra toda a exatidão no acordo de regras, mas sem que deixe transparecer o esforço empreendido pelo artista. Isso implica que o artista se esforça na produção e exerce um trabalho. Kant menciona o uso de regras acadêmicas, o que pressupõe a existência de uma escola para artistas. Mas qualquer aprendizado de regras pela escola deve ser aplicado de tal maneira que o resultado final da arte deve apresentar uma produção sem esforço. Portanto, não é qualquer vontade livre que é capaz de produzir uma arte bela. Esse talento é denominado por Kant de “gênio”. “Gênio é a inata disposição do ânimo pelo qual a natureza dá regra à arte”.

A facudade produtiva é caracterizada como um talento , causa produtora da arte bela. Kant diz que essa disposição pertence à natureza, e por isso a natureza que dá regra a arte, porém Kant está falando sobre a natureza do sujeito – ou seja, da sua disposição inata correspondente de suas faculdades.O artista também não “pode ter idéia da regra segundo o qual deva realizar seu produto”. Portanto, a liberdade de sua vontade está na decisão de produzir a obra de arte bela, mas a própria regra da produção encontra-se de tal modo em sua disposição inata das faculdades cognitivas que ele mesmo não tem idéia de como a regra da produção se encontra nele. O talento do gênio produz algo que não pode ser determinado por regra determinada pois o gênio não pode descrevê-la – a primeira propriedade que se conclui do gênio é a originalidade, contrário da cópia (O gênio não consegue comunicar as regras para outros produzirem mediante imitação. ). O gênio deve ser original, se não o for, será um imitador. Um produto original da arte bela não deve ser extravagante – deve ser exemplar. Kant conclui as propriedades do gênio e da arte bela dizendo “que a natureza através do gênio prescreve as regras não à ciência, mas à arte, e isto também somente na medida em que esta última deva ser bela”.

A produção da arte bela exige gênio, mas também exige o conhecimento fornecido pela academia. Embora o gênio seja definido como um talento inato, e embora o gênio somente comunique a regra de produção artística a outro gênio, há outra ordem de regras que são necessárias: aquelas para elaboração da obra. O gênio não pode transmitir a regra, mas pode transmitir o método.

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