Manual de Pavimentação DNIT

Manual de Pavimentação DNIT

(Parte 1 de 5)

MANUALDE PAVIMENTAÇÃO 2006

Publicação IPR - 719

3ª EDIÇÃO – Rio de Janeiro, 2006

Engº Albino Pereira Martins (Responsável Técnico) Engº Francisco José Robalinho de Barros (Responsável Técnico) Eng° José Luiz Mattos de Britto Pereira

(Coordenador)

Eng° Zomar Antonio Trinta (Supervisor)

Eng° João Menescal Fabrício

(Consultor)

Tec° Felipe de Oliveira Martins

(Técnico em Informática)

Tec° Alexandre Martins Ramos

(Técnico em Informática)

Tec° Célia de Lima Moraes Rosa (Técnica em Informática)

Eng° Gabriel de Lucena Stuckert (DNIT / DPP / IPR)

Eng° Mirandir Dias da Silva (DNIT / DPP / IPR)

Eng° José Carlos Martins Barbosa (DNIT / DPP / IPR)

Eng° Elias Salomão Nigri (DNIT / DPP / IPR)

Engº Salomão Pinto (DNIT / DPP / IPR)

Eng° Jorge Bastos Costa (SISCON)

Eng° Diêgo Pereira (SISCON)

Eng° Fernando Wickert (BIDIM)

Bibl. Tânia Bral Mendes (DNIT / DPP / IPR)

Bibl. Heloisa Maria Moreira Monnerat (DNIT / DPP / IPR)

2ª EDIÇÃO – Rio de Janeiro, 1996

Engº Salomão Pinto Engº Ernesto Preussler Engº Clauber Santos Campello Engº Henrique Aléxis Ernesto Sanna

Engº Régis Martins Rodrigues Engº João Menescal Fabrício Engº Alayr Malta Falcão Engº Arjuna Sierra

Engº Sílvio Figueiredo Mourão

(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)

Engº Abner Ávila Ramos

(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)

Engº Alberto Costa Mattos

(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)

Engº Jorge Nicolau Pedro

(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)

Engº Celito Manuel Brugnara

(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)

Engº Gervásio Rateke

(Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)

Engº Henrique Wainer (Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Engº Guioberto Vieira Rezende

(Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Engº Paulo José Guedes Pereira

(Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Engº Galileo Antenor de Araújo

(Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Engº Reynaldo Lobianco

(Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Engº Belmiro Pereira Tavares Ferreira

(Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Econ. Nilza Mizutani (Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Brasil. Departamento Nacional de Infra-Estrutura de

Transportes. Diretoria de Planejamento e Pesquisa.

Coordenação Geral de Estudos e Pesquisa. Instituto de Pesquisas Rodoviárias.

Manual de pavimentação. 3.ed. – Rio de Janeiro, 2006. 274p. (IPR. Publ., 719).

1. Pavimentação – Manuais. I. Série. I. Título.

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Publicação IPR - 719

3ª Edição

Rio de Janeiro 2006

Rodovia Presidente Dutra, Km 163, Vigário Geral, Rio de Janeiro, 21240-0, RJ

Tel/Fax: (21) 3371-5888 E-mail.: ipr@dnit.gov.br

TÍTULO: MANUAL DE PAVIMENTAÇÃO Primeira Edição: 1960 Segunda Edição: 1996

Revisão: DNIT / Engesur Contrato: DNIT / Engesur PG – 157/201-0

Aprovado pela Diretoria Colegiada do DNIT em 28/03/2006.

O Instituto de Pesquisas Rodoviárias – IPR, do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes – DNIT, dando prosseguimento ao Programa de Revisão e Atualização de Normas e Manuais Técnicos, apresenta à comunidade rodoviária a terceira edição do seu Manual de Pavimentação.

As obras de pavimentação rodoviária cresceram notadamente a partir dos anos 50, quando, em função de iniciativas de técnicos do antigo DNER, houve maciça transferência de tecnologia dos Estados Unidos da América. Essa transferência, por sua vez, levou à necessidade de normatizar e uniformizar as especificações de serviços e as técnicas de construção, dando origem, em 1960, ao Manual de Pavimentação, em sua primeira edição.

Graças a intensivos programas de pavimentação em exercícios subseqüentes, o Manual foi amplamente utilizado, ajudando mesmo no estabelecimento de um setor de empresas de construção no ramo rodoviário altamente eficientes.

A segunda edição ocorreu em 1996, ainda sob a coordenação do IPR/DNER, impulsionada pelo aparecimento de materiais, técnicas e equipamentos.

– PRO: Elaboração e apresentação de manuais do DNIT

Passados praticamente dez anos dessa segunda edição, a presente atualização da publicação de 1996, ou seja, a terceira edição do Manual de Pavimentação, se respalda também no atendimento à resolução contida na Portaria n.o 116 – DG/DNIT, de 03/02/2002, que impõe a adoção do chamado Padrão DNIT, configurado pelas Normas DNIT 001/2002 – PRO: Elaboração e apresentação de normas do DNIT e DNIT 002/2002

Nessas condições, a presente terceira edição promoveu ajustamentos nos textos, nas figuras e nos quadros, bem como uma reordenação de diversos trechos que compunham o Manual, resultando num aprimoramento geral da forma e numa ênfase e num detalhamento de certas questões, sem, contudo, acarretar modificações conceituais significativas no conteúdo técnico.

Ciente da importância da presente obra e do interesse geral em mantê-la sempre em sintonia com o desenvolvimento das tecnologias de pavimentação, o IPR/DNIT acolhe quaisquer comentários, observações e críticas pertinentes de leitores e especialistas, que poderão subsidiar uma futura re-edição, tão breve quanto ela se revelar necessária.

Eng.o Civil CHEQUER JABOUR CHEQUER Coordenador do Instituto de Pesquisas Rodoviárias – IPR

Endereço para correspondência: IInstituto de Pesquisas Rodoviárias A/C Divisão de Capacitação Tecnológica Rodovia Presidente Dutra, Km 163, Centro Rodoviário, Vigário Geral, Rio de Janeiro CEP – 21240-0, RJ - Tel/Fax: (21) 3371- 5888 E-mail: ipr@dnit.gov.br

Figura 1 Perfil resultante da decomposição das rochas18
Figura 2 Local de solos transportados19
Figura 3 As bases sucessivas de construção de rodovias na baixada21
Figura 4 Depósito de tálus2
Figura 5 Índices físicos26
Figura 6 Correlação entre os diversos índices físicos28
Figura 7 Resistência ao cisalhamento30
Figura 8 Dimensões das partículas3
Figura 9 Prensa para índice de Suporte Califórnia39
Figura 10 Curva pressão-penetração40
Figura 1 Curvas de massa específica – umidade e CBR - umidade40
Figura 12 Gráfico de compactação42
Figura 13 Curvas de compactação para diferentes energias43
Figura 14 Evolução de um solo compactado ao sofrer o efeito do tráfego47
Figura 15 Variação do módulo resiliente com a tensão-desvio53
Figura 16 Esquema do equipamento para ensaios triaxiais dinâmicos54
Figura 17 Gráfico de plasticidade60
Figura 18 Método auxiliar de identificação de plasticidade em laboratório61
Figura 19 Ábaco para classificação MCT68
Figura 20 Classificação resiliente de solos granulares70
Figura 21 Classificação resiliente de solos finos73
Figura 2 Variação da relação módulo CBR com classificação MCT7
Figura 23 Gráfico CBR versus porcentagem de argila78
FIgura 24 Curva de granulometria de agregados80
Figura 25 Curva de distribuição granulométrica81
Figura 26 Classificação das bases e sub-bases flexíveis e semi-rígidas96
Figura 27 Classificação dos revestimentos98
Figura 28 Esquema da seção transversal do pavimento106
Figura 29 Raio de curva circular108
Figura 30 Determinação do LC109
Figura 31 Curva de transição114
Figura 32 Superelevação117
Figura 3 Esquema de superelevação117
Figura 34 Croqui da marcação da nota (Trecho em tangente)122
Figura 35 Croqui da marcação da nota (Trecho em curva)123
Figura 36 Convenção para representação dos materiais133
Figura 37 Perfil longitudinal com indicação dos grupos de solos134

LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 38 Esquema de sondagem para prospecção de materiais............................. 135

Figura 40 Planta de situação das ocorrências140
Figura 41 Perfis de sondagens típicas141
Figura 42 Fatores de equivalência de operação144
Figura 43 Determinação de espessuras do pavimento149
Figura 4 Dimensionamento do pavimento149
Figura 45 Distribuição de tensões no ensaio com FWD153
Figura 46 Fases do trincamento155
Figura 47 Pavimento invertido157

Figura 39 Análise estatística dos resultados de sondagens...................................... 139

áreas de contribuição161
Figura 49 Nomograma para solução da equação de Manning163
Figura 50 “Impluvium” correspondente à largura do acostamento164
Figura 52 Drenos profundos em corte167
Figura 53 Alguns tipos de drenos utilizados em projetos de rodovias167
Figura 54 Curvas granulométricas169
Figura 5 Trecho em curva (Contribuição de toda a plataforma)170

Figura 48 Seções transversais para determinação da largura das Figura 51 Correlação entre as diversas rampas e a capacidade máxima de vazão..164

(CAP 25 m3/h)202

Figura 56 Fluxograma – instalação de britagem móvel de pequeno porte

(CAP 50 m3/h)203

Figura 57 Fluxograma – instalação de britagem móvel de médio porte

(CAP 100 m3/h)204
Figura 59 Representação do alimentador frio206
Figura 60 Posições da chapa oscilante206
Figura 61 Relações: abertura e vazão do agregado207
Figura 62 Secador - corte A – A208
Figura 63 Usina com três silos frios e dois silos quentes214
Figura 64 Agregado do secador para silos quentes216
Figura 65 Folha de ensaio217

Figura 58 Fluxograma – instalação de britagem móvel de grande porte Figura 6 Determinação dos valores mímimos para aceitação de produtos............. 237

Tabela 1 Decomposição de rochas17
Tabela 2 Granulometria32
Tabela 3 Correlação das aberturas das peneiras em polegadas e milímetros32
Tabela 4 Classificação dos solos (Transportation Research Board)56
Tabela 5 Sistema unificado de classificação de solos59
Tabela 6 Escala granulométrica utilizada pelos SUCS62
Tabela 7 Terminologia usada no SUCS62
Tabela 8 Grupo de solos63
Tabela 9 Classicação MCT69
Tabela 10 Classificação dos solos finos (Método indireto)72
Tabela 1 Interrelações entre a classificação TRB e a unificada74
Tabela 12 Interrelações entre a classificação unificada e TRB74
Tabela 13 Valores prováveis de CBR para os grupos de SUCS75
Tabela 14 Valores prováveis de CRB para grupos de classificação TRB75
Tabela 15 Interrelação entre a classificação MCT e a resiliente75
Tabela 16 Relação módulo – CBR7
Tabela 17 Parâmetros da composição da cal hidráulica84
Tabela 18 Resistência à compressão85
construídas110
Tabela 20 Estradas de classe I e II – comprimento de transição1
Tabela 21 Valores para super largura113
Tabela 2 Determinação da distância em curvas de PI inacessível115
Tabela 23 Valores de superelevação116
Tabela 24 Caderneta –tipo (Exemplo)121
Tabela 25 Boletim de sondagem127
Tabela 26 Resumo dos resultados dos ensaios130
Tabela 27 Perfil longitudinal dos solos132
Tabela 28 Granulometria dos materiais136
Tabela 29 Granulometria para bases granular143
Tabela 30 Determinação do fator de operações145
Tabela 31 Coeficientes de equivalência estrutural146
Tabela 32 Espessura mínima de revestimento betuminoso147
Tabela 3 Coeficientes de escoamento usuais em rodovias162
Tabela 34 Coeficientes de rugosidade (Manning)163
Tabela 35 Requisitos básicos das mantas geotêxteis168

Tabela 19 Cálculo dos elementos para relocação de curvas em estradas

Tabela 36 Compatibilização das fases do empreendimento com as etapas do licenciamento............................................................................................. 181

Tabela 38 Avaliação de impactos ambientais de estudos e projetos rodoviários184
Tabela 39 Avaliação de impactos ambientais de obras rodoviárias185
Tabela 40 Avaliação de impactos ambientais em operações rodoviárias187
Tabela 41 Definição dos valores das aberturas dos silos205
Tabela 42 Massas acumuladas em t. min217
Tabela 43 Equipamentos utilizados225
Tabela 4 Produção dos equipamentos229
Tabela 45 Determinação da probabilidade de ocorrência de z235
Tabela 46 Escala salarial de mão-de-obra259
Tabela 47 Pesquisa de mercado – materiais260
Tabela 48 Pesquisa de mercado – equipamentos261
Tabela 49 Custo horário de utilização de equipamentos263
Tabela 50 Produção de equipamentos266
Tabela 51 Fluxograma da composição dos custos unitários268

Tabela 37 Matriz de correlação de impactos ambientais de obras rodoviárias.......... 183 Tabela 52 Custo horário de equipamento.................................................................. 270

APRESENTAÇÃO3
LISTA DE ILUSTRAÇÕES7
1 INTRODUÇ ÃO1
2 MATERIAIS INCORPORADOS AS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO15
2.1. Materiais Terrosos17
2.2. Materiai s Pétreos79
2.3. Materiais Diversos84
3 MODALIDADES E CONSTITUIÇÃO DE PAVIMENTOS93
3.1. Genera lidades95
3.2. Classificação dos Pavimentos95
3.3. Bases e Sub-Bases Flexíveis e Semi-Rígidos95
3.4. Bases e Sub-Bases Rígidas97
3.5. Revestim entos98
4 PROJETO DE ENGENHARIA RODOVIÁRIA101
4.1. Considerações Gerais103
4.2. Projeto Geométrico105
4.3. Projeto de Pavimentação124
4.4. Projeto de Drenagem158
5 INTERFERÊNCIAS COM O MEIO AMBIENTE173
5.1. Generalid ades175
5.2. Estudos de Impacto Ambiental176
5.3. Procedimentos Administrativos da AIA177
5.4. Impactos Ambientais de Obras Rodoviárias180
6 CANTEIRO DE SERVIÇOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS189
6.1. Canteiro de Serviços191
6.2. Instalações de Pedreira e Esquemas de Britagem194
6.3. Exploração de Pedreira198
6.4. Usinas de Asfalto205
6.5. Usina de Solos220
7 EQUIPAMENTO S223

SUMÁRIO 7.1. Generalid ades................................................................................................ 225

7.3. Operação do Equipamento227
7.4. Produção dos Equipamentos227
7.5. Constituição das Equipes228
8 CONTROLE DA QUALIDADE231
8.1. Considerações Gerais233
8.2. Análise Estatística233
9 RECEBIMENTO E ACEITAÇÃO DE OBRAS239
9.1. Introduç ão241
9.2. Recebiment o da Obra241
10 MANUTENÇÃO DO PAVIMENTO243
10.1. Considerações Iniciais245
10.2. Tarefas Típicas da Manutenção Rodoviária - Terminologia e Definições245
1 ESTIMATIVA DE CUSTOS DAS OBRAS257
1.1. Estudo Preliminar259
1.2. Pesquisa de Mercado259
1.3. Custos Diretos e Custos Indiretos262
1.4. Produção das Equipes264
1.5. Custo dos Transportes265
1.6. Fluxograma Geral267
1.7. Custos Unitários de Serviços270

7.2. Manutenção do Equipamento ........................................................................ 226 BIBLIOGRAFIA............................................................................................................... 271

Manual de Pavimentação 1

MT/DNIT/DPP/IPR 1 -- INTRODUÇÃO

Manual de Pavimentação 13

1 INTRODUÇÃO

A pavimentação rodoviária no Brasil já foi objeto de estudos e práticas de construção desde longa data, quando experientes técnicos do então DNER formularam normas e procedimentos que se tornaram, com suas sucessivas atualizações, o estado da arte na Engenharia Rodoviária.

A partir dos anos 50, as técnicas de pavimentação tiveram um grande desenvolvimento graças ao intercâmbio entre Brasil e Estados Unidos nessa área. A conseqüência foi a necessidade de uniformizar e normalizar as especificações de serviço e as técnicas de construção, o que, em função do esforço coletivo de técnicos do DNER, deu origem à primeira edição do Manual de Pavimentação, em 1960.

A segunda edição do Manual foi lançada em 1996, incorporando todo o progresso tecnológico acumulado durante o período, incluindo modificações nos materiais, nos equipamentos e nas técnicas usadas.

Essa segunda edição foi objeto de revisão e atualização, resultando na presente e terceira edição, ocorrida já no âmbito do DNIT, que também foi motivada pela necessidade de ajustar o Manual ao padrão DNIT e de promover mudanças no formato e na ordenação dos capítulos, sem acarretar substanciais modificações conceituais. Assim, observam-se entre o Manual de Pavimentação do DNER (2a edição) e o Manual de Pavimentação do DNIT (3a edição) as seguintes modificações básicas, partindo das mais gerais para as mais específicas:

a) Reordenamento e remanejamento de diversos temas. b) Reajustes na redação dos textos.

c) Reajustes na montagem de figuras e tabelas, incluindo elementos técnicos adicionais, como equações e curvas.

d) Redução do número de Capítulos, de catorze para onze.

e) Eliminação do Capítulo 2 – Normas e Documentos de Consulta e sua conseqüente transferência e inclusão no item Bibliografia.

f) Eliminação do Capítulo 3 – Definições Básicas.

g) Incorporação ao item 4.3 do Capítulo 4 – Projeto de Engenharia Rodoviária do tema intitulado de “Análise Macanística”, antes tratado no Apêndice.

conceitos de anteprojeto e projeto, constantes do antigoCapítulo 7.

h) Introdução dos novos conceitos de Projeto Básico e Projeto Executivo de Engenharia no item 4.1 do Capítulo 4 – Projeto de Engenharia Rodoviária, em substituição aos i) Exclusão de referência à Reciclagem do Pavimento, tema que vai constar, com mais propriedade, do Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos, atualmenteem elaboração neste IPR.

É de ressaltar que o presente Manual é um documento de caráter orientador no âmbito da Engenharia Rodoviária, relacionada com a área de pavimentos asfálticos.

Manual de Pavimentação 15

2 -- MATERIAIS INCORPORADOS ÀS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO

Manual de Pavimentação 17

2 MATERIAIS INCORPORADOS ÀS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO

2.1 MATERIAIS TERROSOS

2.1.1 INTRODUÇÃO

Solo, do latim solum, o material da crosta terrestre, não consolidado, que ordinariamente se distingue das rochas, de cuja decomposição em geral provêm, por serem suas partículas desagregáveis pela simples agitação dentro da água [Holanda, A. Buarque de].

Geologicamente, define-se solo como o material resultante da decomposição das rochas pela ação de agentes de intemperismo.

No âmbito da engenharia rodoviária, considera-se solo todo tipo de material orgânico ou inorgânico, inconsolidado ou parcialmente cimentado, encontrado na superfície da terra. Em outras palavras, considera-se como solo qualquer material que possa ser escavado com pá, picareta, escavadeiras, etc., sem necessidade de explosivos.

2.1.2 ORIGEM DOS SOLOS

Com base na origem dos seus constituintes, os solos podem ser divididos em dois grandes grupos: solo residual, se os produtos da rocha intemperizada permanecem ainda no local em que se deu a transformação; solo transportado, quando os produtos de alteração foram transportados por um agente qualquer, para local diferente ao da transformação.

2.1.2.1 SOLOS RESIDUAIS

Os solos residuais são bastante comuns no Brasil, principalmente na região Centro-Sul, em função do próprio clima.

Todos os tipos de rocha formam solo residual. Sua composição depende do tipo e da composição mineralógica da rocha original que lhe deu origem. Por exemplo, a decomposição de basaltos forma um solo típico conhecido como terra-roxa, de cor marrom-chocolate e composição argilo-arenosa. Já a desintegração e a decomposição de arenitos ou quartzitos irão formar solos arenosos constituídos de quartzo. Rochas metamórficas do tipo filito (constituído de micas) irão formar um solo de composição argilosa e bastante plástico. A Tabela 1 abaixo apresenta alguns exemplos.

Tabela 1 - Decomposição de rochas Tipo de rocha Composição mineral Tipo de solo Composição basalto plagioclásio piroxênios argiloso

(pouca areia) argila quartzito quartzo arenoso quartzo filitos micas

(sericita) argiloso argila

Manual de Pavimentação 18

Tipo de rocha Composição mineral Tipo de solo Composição granito quartzo feldspato mica areno-argiloso (micáceo) quartzo e argila (micáceo) calcário calcita argila

Não existe um contato ou limite direto e brusco entre o solo e a rocha que o originou. A passagem entre eles é gradativa e permite a separação de pelo menos duas faixas distintas; aquela logo abaixo do solo propriamente dito, que é chamada de solo de alteração de rocha, e uma outra acima da rocha, chamada de rocha alterada ou rocha decomposta (Figura 1).

Figura 1 - Perfil resultante da decomposição das rochas

ASOLO
BSOLO DE
CROCHA
DROCHA SÃ

O solo residual é subdividido em maduro e jovem, segundo o grau de decomposição dos minerais.

O solo residual é um material que não mostra nenhuma relação com a rocha que lhe deu origem. Não se consegue observar restos da estrutura da rocha nem de seus minerais.

O solo de alteração de rocha já mostra alguns elementos da rocha-matriz, como linhas incipientes de estruturas ou minerais não decompostos.

A rocha alterada é um material que lembra a rocha no aspecto, preservando parte da sua estrutura e de seus minerais, porém com um estágio de dureza ou resistência inferior ao da rocha.

A rocha-sã é a própria rocha inalterada.

As espessuras das quatro faixas descritas são variáveis e dependem das condições climáticas e do tipo de rocha.

A ação intensa do intemperismo químico nas áreas de climas quentes e úmidos provoca a decomposição profunda das rochas com a formação de solos residuais, cujas propriedades dependem fundamentalmente da composição e tipo de rocha existente na área. Basicamente, numa região de granito e gnaisse distinguem-se três zonas distintas de material decomposto. Próximo à superfície, ocorre um horizonte de características silto-arenosas e finalmente aparece uma faixa de rocha parcialmente decomposta

Manual de Pavimentação 19

(também chamada de solo de alteração de rocha), na qual se pode distinguir ainda a textura e estrutura da rocha original. Esse horizonte corresponde a um estágio intermediário entre solo e rocha. Abaixo desta faixa, a rocha aparece ligeiramente decomposta ou fraturada, com transições para rocha-sã.

Não se deve imaginar que ocorra sempre uma decomposição contínua, homogênea e total na faixa de solo (regolito). Isso porque em certas áreas das rochas pode haver minerais mais resistentes à decomposição, fazendo com que essas áreas permaneçam como blocos isolados, englobados no solo. Esses blocos, às vezes de grandes dimensões, são conhecidos como matacões e são bastante comuns nas áreas de granitos, gnaisse e basaltos. Exemplos dessas ocorrências aparecem na Serra do Mar.

2.1.2.2 SOLOS TRANSPORTADOS

Os solos transportados formam geralmente depósitos mais inconsolidados e fofos que os residuais, e com profundidade variável. Nos solos transportados, distingue-se uma variedade especial que é o solo orgânico, no qual o material transportado está misturado com quantidades variáveis de matéria orgânica decomposta, que em quantidades apreciáveis, forma as turfeiras. Como exemplo, tem-se o trecho da Via Dutra, próximo a Jacareí, em São Paulo, apresentando sempre danos no pavimento.

De um modo geral, o solo residual é mais homogêneo do que o transportado no modo de ocorrer, principalmente se a rocha matriz for homogênea. Por exemplo, uma área de granito dará um solo de composição areno-siltosa, enquanto uma área de gnaisses e xistos poderá exibir solos areno-siltosos e argilo-siltosos, respectivamente. O solo transportado, de acordo com a capacidade do agente transportador, pode exibir grandes variações laterais e verticais na sua composição. Por exemplo: um riacho que carregue areia fina e argila para uma bacia poderá, em períodos de enxurrada, transportar também cascalho, provocando a presença desses materiais intercalados no depósito. A Figura 2 ilustra um local de solos transportados.

(Parte 1 de 5)

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