TRABALHO DE HUMANIDADES MAX WEBER official

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UNIVERSIDADE FUMEC

Engenharia Biomédica

A Ação Social Racional e Dominação Legítima

Marcos Eduardo Ferreira dos Santos

Belo Horizonte

2013

A Ação Social Racional – Valores e Fins

De acordo com Max Weber, compreender o sentido das chamadas ações sociais, e fazê-lo é encontrar os nexos causais que as determinam, portanto, ações imitativas, ou seja, aquelas em que o ator realiza sem se preocupar, se esta tem ou não algum sentido, não ações sociais.

Para Weber, a ação social é aquela que é orientada ao outro. No entanto, há algumas atitudes coletivas que não podem ser consideradas sociais.

Max Weber estabeleceu quatro “tipos puros” de ação social, no entanto, trataremos aqui apenas dois: racional com relação a fins e racional com relação a valores. São chamados “tipos puros” porque baseiam-se numa analise em condições ideais, obviamente no mundo real isso não seria possível, dado que existem diversas variáveis. No entanto, para fins de estudo é perfeitamente aceitável uma vez que, o objetivo principal é ordenar os fatos a fim de que seja possível sua compreensão diante da infinita complexidade frente a realidade.

Ação social racional com relação a fins: aação é estritamente racional. Toma-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Neste caso, o sentido racional da ação esta na escolha dos meios mais adequados para se obter o resultado esperado. O único critério de seleção dos meios é a sua capacidade de realizar o objetivo estabelecido. Qualquer meio eficiente é válido tão somente por sua eficiência, independentemente de avaliações morais ou éticas. Atualmente esse tipo de ação é o mais praticado, conseqüência da desvalorização dos princípios morais e éticos.

Analisemos um profissional que anseia em ocupar uma posição de destaque dentro da empresa na qual trabalha. Um cargo de chefia por exemplo. Em seu projeto de ascensão, ele corrompe, menti e usa de todo tipo de artifício sem se preocupar com as conseqüências que sua ação pode gerar. Para ele, sua seu objetivo sobrepõe-se a todo e qualquer fator que possa provocar ou mesmo por em risco o sucesso de sua empreitada, incluindo família, amigos, princípios morais e éticos, portanto, não mede esforços para alcançar sua meta.

Em outras palavras, os fins justificam os meios, desde que se obtenha o resultado esperado

Ação social racional com relação a valores: a qual não é o fim que orienta a ação, mas o valor seja este ético, religioso, político ou estético. A diferença em relação à primeira é que o fim é um VALOR que pode ter conteúdo ético, moral, religioso, político ou estético. O que dá sentido à ação é a sua racionalidade quanto aos valores que a guiaram. A ação é orientada pela fidelidade aos valores que inspiram a conduta. Desde que fiel aos valores, o comportamento é válido por si mesmo. A “ação racional com respeito a valores” pode tender para a irracionalidade tanto mais quanto maior for a adesão aos valores absolutos.

Tomemos desta vez como exemplo um profissional de Engenharia do sexo feminino. Esta no exercício de suas atribuições é assediada pelo seu chefe, o qual lhe propõe certos favorecimentos caso ela aceite se relacionar com o mesmo. Ele ressalta que caso sua resposta seja negativa, ela será demitida. A Engenheira, reflete por um segundo e então se recusa, demonstrando grande irritabilidade. Ela então pede demissão.

Analisando este fato, percebemos que a profissional presa por seus valores morais, a ponto de cometer “alto sacrifício” a fim de preservar tais princípios. A ação de pedir demissão consolida ainda mais àquilo que ela acredita. Percebemos que neste caso, o indivíduo busca resultados que alimentem ou reafirmem suas convicções, estas alicerçadas em princípios morais e culturais transmitidos durante sua infância.

Portanto o resultado final deve satisfazer a este tipo de anseio e não somente a busca por uma posição de destaque dentro do grupo, mas a consolidação de atributos como honra, crença e lealdade.

Avaliando ambos os casos, acredito a individualização das ações e classificação racional ou irracional não é de todo acertada, uma vez que, não se trata de apenas uma ação racional, mas sim um conjunto de fatores que permeiam entre a racionalidade e o sentimento, e que tem como foco principal a satisfação da necessidade individual. Nenhuma ação é estritamente racional ou irracional. Elas coexistem no individuo num único momento. Uma pessoa mesmo quando parece agir com total racionalidade em seu interior o que pode estar motivá-la é seu lado puramente irracional.

Os Três Tipos de Dominação Legítima

Dominação é a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato, sob diversos motivos para submissão, sejam estes, interesses, vantagens e inconvenientes ou apenas costume, do habito cego de um comportamento inveterado. Ou até mesmo brotar do mais puro afeto do dominado pelo dominador. Entretanto, uma dominação que se fundamenta apenas nisso, é relativamente frágil e fatalmente pode ser quebrada.

Weber definiu as dominações como a oportunidade de encontrar uma pessoa pronta a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado. Em sua obra "Economia e Sociedade", publicada dois anos após seu falecimento por sua esposa, Weber classifica a Autoridade em três tipos, dependendo principalmente das bases da Sociedade em questão, ou seja, das bases de sua legitimidade. São elas Dominação Legal, Dominação Tradicional e Dominação Carismática. Nesta ocasião iremos tratar apenas a Dominação Legal.

A Dominação Legal: fundamenta-se nas regras, estatutos e leis sancionadas pela Sociedade ou Organização. São estas regras que definem comandados e comandantes e delimitam a abrangência do poder daquele que deverá comandar seus subordinados. Estabelecidas as regras, torna-se mais fácil a aceitação e cumprimento das ordens por parte dos subordinados. Isso se deve a consciência do direito advindo da posição hierárquica e que portanto, é direito daquele que comanda dar ordens desde que exerça sua Dominação dentro dos limites correlatos ao cargo ocupado. Sendo assim, a associação dominante é eleita ou nomeada pelas leis e regras definidas por todos, com a idéia básica de que qualquer direito pode ser criado ou modificado mediante um estatuto sancionado corretamente, ou seja, que leve em consideração as necessidades de todos os envolvidos, e os subordinados são membros da associação.

Podemos perceber que neste caso, o poder é totalmente impessoal, o subordinado obedece a regras e não a pessoa. Podemos dizer que a pessoa a qual o subordinado deve obediência é na verdade apenas a personificação da regra e não necessariamente quem exerce o comando, uma vez que ele apenas esta obedecendo à regra estatuída. A administração é extremamente profissional e também está subordinada ao estatuto que a nomeou, não possui influência pessoal e/ou sentimental e seu funcionamento tem por base a disciplina do serviço.

Weber classifica este tipo de dominação como sendo estável, uma vez que é baseada em normas que, como foi dito anteriormente, são criadas e modificadas através de um estatuto sancionado corretamente. Ou seja, o poder de autoridade é legalmente assegurado.

No mundo capitalista de hoje, esse modelo de dominação esta presente em diversos segmentos sendo a base organizacional de nossas empresas e instituições tanto privadas quanto publicas.

Bibliografia

http://www.brasilescola.com/filosofia/a-definicao-acao-social-max-weber.htm

http://wappyblog.blogspot.com.br/2009/07/acoes-sociais-teoria-weberiana-max.html

http://cchla.ufrn.br/interlegere/revista/pdf/3/es02.pdf

http://cchla.ufrn.br/interlegere/revista/pdf/3/es02.pdf

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