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No aquecimeNto

saúde GUIA deGUIA de

coordenação médica e científica Isabella Ballalai autores Flávia Bravo CRM 52.49728-9 Isabella Ballalai CRM 52.48039-5 Monica Levi CRM SP 66612 Renato Kfouri CRM SP 59492 projeto editorial e gráfico Magic | RM Ascom w.magic-rm.com Coordenação Editorial Ricardo Machado Design gráfico Silvia Fittipaldi Ilustração Claudius Ceccon Revisão e Padronização Sonia Cardoso Pesquisa Luciana Ribeiro

Atenção As informações contidas neste Guia NÃO substituem a orientação médica. Converse com seu médico e não use medicação sem o conhecimento dele.

As informações sobre unidades de saúde, postos da Anvisa, cooperativas de táxi e pontos turísticos (horários de funcionamento, tipos de atendimento etc.) foram obtidas nos sites das entidades/ empresas, são de responsabilidade das mesmas e estão sujeitas a alterações.

sumário

Apresentação, 5

No aquecimento, 7

A consulta do viajante, 8 Medicamentos e receitas, 8 Seguro de viagem, 13 Vistos de entrada no Brasil, 13

Antes de entrar em campo, 15

Orientações gerais, 16 Escalando o time da prevenção, 17 Orientações específicas, 18

Para bater um bolão, 31

Jet lag, 32 Água, 3 Alimentação, 34 Roupas, 35 Praias, 36 Mar, rios, lagos e piscinas, 37 Exposição ao sol/queimaduras, 38 Picadas de insetos, 40 Segurança, 41 Diarreia, 42 Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), 45

Extras, 47

Um Guia para o viajante que não quer perder tempo

Viajar por lazer, diversão ou mesmo a trabalho está entre os melhores prazeres da vida para quem gosta de novidade, de conhecer outras culturas, de fazer novas amizades. Outra certeza é que, independentemente do espírito aventureiro, voltar para casa é o desejo da maior parte dos viajantes, levando na bagagem de retorno as melhores lembranças.

Pensando na segurança da saúde do viajante doméstico ou estrangeiro que se desloca pelo Brasil, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) elaborou este guia de orientações que tem como motivação a Copa do Mundo de Futebol da Fifa e outros grandes eventos, por representarem situações que ampliam as possibilidades de interação com pessoas de diversas partes do mundo. Ele também traz informações extras sobre pontos turísticos, telefones de emergência e muito mais.

Ao escolher a prevenção como parceira, você está protegendo sua saúde, a de quem você visita e também a de sua comunidade no retorno da viagem. E aqui você encontra tudo para que sua experiência seja a melhor possível. Aproveite!

Ricardo Machado COORDENADOR EDITORIAL apresentação

No aquecimeNto

7 No AqUecimeNto

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A consulta do viajante

Pode parecer chato incluir uma consulta médica no planejamento de viagem. Mas o que você quer é curtir o passeio tão planejado, certo? Então, não perca tempo. Durante a consulta da Medicina de Viagem são avaliados os principais riscos à saúde e definidas as medidas preventivas conforme o roteiro – desde vacinas, medicamentos preventivos e autotratamentos, até orientações para prevenção de acidentes e para a montagem de um kit básico de primeiros socorros. Apesar de os viajantes de “última hora” também se beneficiarem desse cuidado, a maior antecedência será sua aliada: a consulta deve ocorrer, idealmente, de quatro a seis semanas antes da partida.

medicamentos e receitas

Todo viajante deve levar um kit montado de acordo com sua condição de saúde e as características dos destinos/roteiros previstos. Não pensar sobre os cuidados pode deixar você “a ver navios”, ou seja, no quarto do hotel, vendo a vida passar. Então, vamos lá: o objetivo desse kit é facilitar o tratamento de problemas preexistentes e suas exacerbações; o gerenciamento de pequenas intercorrências; e também prevenir doenças específicas relacionadas à viagem.

FiqUe esperto: Seu “kit Saúde” deve estar acessível – de preferência na bagagem de mão. Mas lembre-se de que nas viagens aéreas os objetos pontiagudos, gel e líquidos acima de 120 ml devem seguir na bagagem despachada.

No aquecimeNto

Aqueles que fazem uso de medicamentos – principalmente os “controlados” e/ou injetáveis – devem levar cópias das receitas. Durante a consulta de viagem, o médico fornecerá as prescrições necessárias. Assim, no caso de uma intercorrência, você se sentirá mais seguro e terá um problema a menos para administrar.

montando seu “kit saúde” básico 1) Medicamentos para as condições médicas preexistentes (e possíveis exacerbações).

FiqUe esperto: Leve quantidade suficiente para o período de viagem e uma “cota” extra para o caso de adiar o retorno, guardada separadamente devido ao risco de extravio de bagagem.

2) Outros medicamentos: ÎPara dor ou febre. ÎPara náuseas ou vômitos. Î Antialérgicos. Î Antidiarreicos. Î Antiácidos. Î Descongestionantes. ÎSoluções salinas nasais. ÎAntibióticos e antiparasitários (dependem de prescrição médica com orientação sobre o uso correto).

ÎLenços antibacterianos ou álcool em gel para higiene das mãos. Î Preservativos.

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3) Itens para primeiros socorros e pequenos ferimentos: ÎCurativos adesivos, gaze, esparadrapo, algodão, cotonetes. ÎAtadura elástica para entorses e distensões. ÎBandagens para envolver ferimentos e para tipoia. ÎAntisséptico de uso tópico. ÎPinça, tesoura (Atenção: não podem ir na bagagem de mão!) ÎSoluções tópicas, pomadas ou cremes antifúngicos e antibacterianos (os dois últimos itens dependem de prescrição médica com orientação sobre o uso correto).

ÎCreme com 1% de hidrocortisona para dermatites alérgicas (inflamação da pele).

ÎGel ou creme para picadas de insetos. ÎGel para alívio de queimaduras. ÎSoro fisiológico. Î Termômetro.

4) Itens que podem ser acrescentados, dependendo do viajante e da viagem: ÎAntimaláricos (requerem prescrição médica com orientação sobre o uso correto).

ÎMedicamento para o mal da altitude. ÎIndutores do sono. ÎAdrenalina autoinjetável (especialmente para viajantes com história de reação alérgica grave ou anafilaxia).

ÎInsulina, agulhas ou seringas, para as pessoas com diabetes. As agulhas e seringas podem ser difíceis de adquirir em alguns lugares, de modo que o viajante deve levar quantidade maior do que seria necessária. Essa medicação exige prescrição médica detalhada.

No aquecimeNto

ÎRepelente de insetos, mosquiteiros. ÎProtetor solar. ÎPastilhas ou soluções de hipoclorito para tratamento de água.

Atenção: Todos os medicamentos devem ser mantidos nas embalagens originais.

FiqUe esperto: Não subestime as oportunidades, principalmente se você tem espírito aventureiro. O Brasil tem geografia única e oferece oportunidades que vão de passeios de barco/ helicóptero a montanhismo e trilhas por paisagens deslumbrantes. Uma tesoura e um gel para picadas valem por um reino quando se está no meio da floresta! quando a receita médica é exigida

no Brasil? ¼Medicamentos com tarja preta – psicotrópicos: antidepressivos, ansiolíticos, antiepilépticos.

¼Medicamentos com tarja vermelha – antibióticos, antifúngicos, antiparasitários, hormônios e bloqueadores hormonais, corticosteroides, anti-histamínicos, betabloqueadores, anti-hipertensivos, antidiabéticos orais, e outros.

Guia de Saúde Viagens e Grandes Eventos | Para viajantes que não querem perder tempo receitas de médicos estrangeiros

No Brasil não há legislação específica sobre a conduta diante da prescrição médica para viajante estrangeiro feita no país de origem. Nos procedimentos de entrada, a autoridade sanitária brasileira (Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pode exigir a apresentação de prescrição de medicamentos controlados ou desconhecidos, sobretudo se estiverem em grande quantidade.

FiqUe esperto: O que não pode faltar na receita: Î Dados do paciente e do prescritor.

Î Identificação da medicação pelo nome genérico ou da substância ativa, já que os nomes comerciais podem ser desconhecidos no Brasil. Î Detalhamento do esquema de administração.

As receitas em idiomas diferentes do português são aceitas, desde que seja possível compreender todo seu conteúdo. Em caso de dúvidas, a Anvisa decidirá o procedimento a ser adotado.

Nas farmácias ÎMedicamentos classificados com tarja preta obrigam a apresentação do receituário padronizado no Brasil – para obtê-lo, o viajante deverá consultar um médico brasileiro.

ÎMedicamentos classificados com tarja vermelha: as farmácias analisam a prescrição do médico estrangeiro e podem vender se for possível compreender de forma inequívoca: o nome genérico ou da substância ativa; o esquema de tratamento e a identificação do paciente e do médico.

No aquecimeNto seguro de viagem

Certamente, você não tem dúvidas sobre esse tópico. Mas já começou a pensar nisso? O seguro existe para proteger o investimento financeiro feito na viagem, já que minimiza a necessidade de despesas extraordinárias com eventuais transtornos, desde extravio de bagagens até problemas de saúde, que muitas vezes implicam custos altos, como a necessidade de remoção ou traslado.

Vistos de entrada no Brasil

O Brasil possui uma política de reciprocidade com os demais países. Para saber se há necessidade de visto de entrada, acesse: http://goo.gl/ItnFeq (inglês) ou http://goo.gl/k7nKum (português). Para obter o documento, vá até a representação consular mais próxima ou acesse o Sistema de Controle e Emissão de Documentos de Viagem no site do Ministério das Relações Exteriores do Brasil: https://scedv.serpro.gov.br.

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Antes de entrAr em cAmpo

ANtes de eNtrAr em cAmpo

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VAciNAs orientações gerais

É fundamental que todo turista esteja em dia com as vacinas de rotina em seu país e que saiba quais vacinas são especialmente indicadas de acordo com sua condição de saúde, faixa etária, tipo e destino de viagem.

Alguns grupos merecem atenção especial Gestantes – devem consultar o obstetra para saber as medidas de prevenção ou as orientações a respeito de eventuais tratamentos. portadores de doenças crônicas – podem ter riscos especiais para infecções e necessitam de vacinas não incluídas nos calendários de rotina. idosos – costumam estar com o calendário vacinal em atraso e respondem com menos eficácia às vacinas como a da hepatite B, por exemplo. A vacinação, portanto, deve ser feita com a maior antecedência possível da viagem.

FiqUe esperto: Antecedência e planejamento: 1. O ideal é iniciar a vacinação pelo menos dois meses antes do embarque: muitas vacinas necessitam de duas ou três doses e, em geral, são necessários dez dias para a produção de anticorpos. 2. Quem não conhece seu histórico de vacinação deve ser vacinado normalmente. Não há risco. 3. Antes de se vacinar, converse com seu médico, ele saberá orientar.

Antes de entrAr em cAmpo certificado internacional de Vacinação e profilaxia (ciVp) O Regulamento Sanitário Internacional (RSI, 2005) permite que os países exijam o CIVP para a entrada de estrangeiros em seu território, e isso pode ocorrer mesmo com os viajantes apenas em trânsito pelos aeroportos. O Brasil não exige esse documento, mas recomenda que todas as pessoas que vivem ou se dirigem para as áreas em que há recomendação de vacinação de rotina contra a febre amarela estejam vacinadas (ver o tópico “Febre amarela”, p. 2).

escalando o time da prevenção

Vacinação Agora, vamos falar sobre alguns inconvenientes que podem comprometer o sucesso da viagem, caso você se descuide da prevenção. São doenças infecciosas preveníveis pela imunização e outros cuidados.

A vacinação do turista é importante para a proteção dele e também das pessoas que vivem nos países que ele visitará, uma vez que previne a introdução de doenças controladas nos locais de visitação. E ainda para evitar que, ao retornar para casa, o turista se transforme em um “vetor” de vírus e bactérias. O Brasil possui dimensões continentais e realidades muito distintas de um estado para o outro, o que faz com que essa lógica valha também para o turista “doméstico”.

Como você pode perceber, viajar requer uma boa dose de responsabilidade coletiva.

Os calendários de vacinação da SBIm (veja mais em “Extras”, a partir da p. 48) trazem informações sobre a disponibilização das vacinas pelo sistema público de saúde do Brasil, para brasileiros, e pelas

Guia de Saúde Viagens e Grandes Eventos | Para viajantes que não querem perder tempo clínicas privadas de vacinação, também para estrangeiros. Como a vacinação deve ocorrer de preferência antes da viagem, se você é um turista estrangeiro, converse com seu médico e busque informações no sistema de saúde de seu país.

orientações específicas

HepAtite B

Sexualmente transmissível, pode ser adquirida também através de contato com sangue ou secreções de portadores, e objetos cortantes contaminados.

¼indicação – A vacina hepatite B é indicada independentemente da idade.

¼contraindicação – Apenas em caso de alergia grave (anafilaxia) a algum componente da vacina após aplicação de dose anterior.

¼doses – Três (0-1-6 meses). A apresentação combinada (vacina hepatite A e B) pode ser indicada. Para saber sobre o esquema acelerado com quatro doses e sua indicação, consulte seu médico.

¼reações mais comuns – Dor leve, calor, inchaço e vermelhidão no local de aplicação. Pode ocorrer febre.

¼onde se vacinar no Brasil – Na rede pública está disponível gratuitamente para brasileiros de até 49 anos. Nas clínicas privadas está disponível para todas as faixas etárias e para estrangeiros.

Antes de entrAr em cAmpo

FiqUe esperto: A vacina é a forma mais eficiente de prevenção da hepatite B, mas não abra mão de cuidados, como: usar preservativo nas relações sexuais; não compartilhar escova de dente, alicates de unha, lâminas de barbear ou depilar; em estúdios de tatuagem e piercing, serviços de saúde, de acupuntura, nos procedimentos médicos e odontológicos, exigir materiais esterilizados ou descartáveis.

HepAtite A

Transmitida por via fecal-oral (ânus-boca), de pessoa para pessoa e pela ingestão de água e alimentos contaminados por dejetos com o vírus. Prevalece em países de condições sanitárias inadequadas e em muitas regiões brasileiras. As viagens aumentam o risco de exposição a esse vírus.

¼indicação – A vacina hepatite A é recomendada de rotina pela

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) a partir de 1 ano de idade. Brasileiros e estrangeiros em viagem pelo Brasil devem ter atenção especial à indicação.

¼contraindicação – Apenas em caso de alergia grave (anafilaxia) a algum componente da vacina após aplicação de dose anterior.

¼doses – Somente hepatite A: duas doses (0-6 meses) para maiores de 1 ano. Se combinada com a vacina hepatite B na formulação de adulto: duas doses (0-6 meses) para maiores de 1 e menores de 15 anos; três doses (0-1-6 meses) para maiores de 15 anos.

¼reações mais comuns – Dor, calor, inchaço e vermelhidão no local de aplicação.

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¼onde se vacinar no Brasil – Disponível apenas nas clínicas privadas de vacinação. Em seu país, converse com seu médico e busque informação no sistema de saúde local.

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