NBR-13133 (Levantamento Topografico)

NBR-13133 (Levantamento Topografico)

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Nota:É importante salientar que só é utilizada esta hipótese quando a finalidade do levantamento permitir.

5.3.6 Finalmente, em determinados levantamentos topográficos, por conveniência do atendimento à sua finalidade, o eixo das ordenadas (Y) do sistema de projeção topográfica pode ficar paralelo ou coincidente com uma determinada direção (eixo de uma via, paredes de edificações, etc.), desde que seja indicada na planta a direção do norte geográfico ou mesmo magnético. Neste caso, com a declinação da data do levantamento e sua variação anual, na forma de um diagrama de orientação, que possibilite, posteriormente, a inserção do levantamento no conjunto de outros levantamentos.

5.4 As referências de nível do apoio topográfico altimétrico, sempre que possível, devem estar vinculadas às referências do nível do apoio geodésico de alta precisão, de precisão ou de fins topográficos. A vinculação deve-se dar por intermédio de nivelamento geométrico duplo (nivelamento e contranivelamento), desde a referência de nível de apoio geodésico até uma das referências de nível do apoio topográfico.

5.5 No caso de levantamento planimétrico com existência de rede de referência cadastral, as áreas levantadas devem ser amarradas a vértices materializados das poligonais determinantes dos seus pontos topográficos, com distância máxima de amarração de 500 m nas áreas urbanas e 5000 m nas áreas rurais.

5.5.1 Inexistindo a rede de referências cadastral com, no mínimo, dois pontos, as áreas levantadas devem ser amarradas aos limites físicos das glebas originais donde foram desmembradas, com no mínino dois pontos, desde que as suas distâncias aos referidos limites não ultrapassem 500 m nas áreas urbanas e 5000 m nas áreas rurais.

5.5.2 No caso da impossibilidade de atendimento ao disposto em 4.5.1, tanto nas áreas urbanas como nas rurais, a amarração deve ser feita a pontos notáveis, tais como em pontilhões, viadutos, edificações estáveis, torres de alta-tensão, plataformas de ferrovias ou elementos estáveis equivalentes, desde que as distâncias aos pontos não ultrapassem 500 m nas áreas urbanas e 5000 m nas áreas rurais.

5.5.3 No caso da impossibilidade de atendimento ao disposto em 4.5.1 e 4.5.2, as amarrações devem ser feitas a pontos notáveis e estáveis obtidos em cartas do sistema cartográfico oficial, na escala 1:2 0, ou maior, para as áreas urbanas, e na escala 1:10 0, ou maior, para as áreas rurais.

5.5.4 Nos casos mencionados em 5.5.1 a 5.5.3, havendo nas áreas urbanizadas alinhamentos de vias ou logradouros consagrados há mais de 10 anos, o referencial de amarração deve ser a quadra de localização do terreno, tomando-se como base o alinhamento da via ou logradouro para o qual o terreno faz frente, com o levantamento completo dos cantos da quadra em relação a este alinhamento, em ambas as extremidades.

5.6 A finalidade do levantamento e a escala de representação determinam a densidade dos pontos de detalhe a serem representados.

5.6.1 A exatidão planimétrica do levantamento topográfico está intimamente relacionada com a sua escala, pois é necessário que o erro de graficismo, que se comete ao efetuar medições sobre a representação gráfica deste levantamento (igual a cerca de 0,2 m x o denominador da escala), esteja de acordo com esta exatidão. Assim, os métodos, processos e instrumentos utilizados não devem conduzir a erros nas operações topográficas, que comprometam a exatidão inerente à escala pretendida. Os pontos notáveis e de interesse maior da finalidade do levantamento podem ter exatidão superior à exigida pela escala adotada. Neste caso, estes pontos devem ser definidos por suas coordenadas calculadas e não pelas obtidas graficamente na planta.

5.7 A representação topográfica do relevo, dependendo da finalidade do levantamento e do relevo, pode ser por curvas de nível complementadas com pontos cotados, por curvas de nível ou somente por pontos cotados.

NBR 13133/19949

5.8 Sempre que possível, os pontos planimétricos do apoio básico topográfico devem ser utilizados também como referências de nível, significando que as suas cotas ou altitudes são determinadas por nivelamento geométrico duplo (nivelamento e contranivelamento).

5.9 Os pontos planimétricos e as referências de nível do apoio básico topográfico devem ser implantados em locais seguros, monumentados por marcos de concreto, de preferência na forma troncopiramidal, enterrados, com o topo ao nível do solo, contendo encravada nestes uma placa de identificação e materialização dos pontos. Onde houver conveniência, estes marcos podem ser substituídos por pinos metálicos.

5.9.1 Os pontos planimétricos do apoio básico e as referências de nível implantados e materializados no terreno devem ter fichas individuais (monografias - ver modelo no Anexo A), contendo itinerários de acesso, croqui com orientação, amarrações, testemunhas ou outras informações que conduzam a uma perfeita localização e identificação.

5.10 Preliminarmente, em áreas superiores a 1 km2 ou faixas com mais de 5 km de comprimento, recomenda-se, antes do início das operações de campo, a elaboração, sobre documentação cartográfica disponível, de um estudo para a localização dos marcos planimétricos e das referências de nível, sendo analisados a conexão com o apoio geodésico, se houver, em termos do grau de exatidão dos vértices geodésicos e referências de nível de conexão, a intervisibilidade dos marcos planimétricos a serem implantados e suas distâncias ao centro da área ou faixa a ser levantada e o desenvolvimento das poligonais e nivelamentos de implantação do apoio básico (ver 6.4).

5.10.1 O traçado dos poligonais, principais e secundárias, para a implantação do apoio topográfico deve ser feito no sentido da distribuição dos pontos de apoio compatível com as distâncias máximas para a determinação dos pontos de detalhe, tornando-se necessário, normalmente, complementar a rede de apoio com poligonais mais curtas, auxiliares, observadas simultaneamente com o levantamento de detalhes.

5.10.2 Quando, no caso mais geral, a rede de poligonais se apoiar na rede geodésica, ela deve ser constituída pelas poligonais principais, que ligam entre si os vértices geodésicos, seguindo, dentro do possível e de acordo com o terreno ou com sua ocupação, uma linha próxima da reta que os une pelas poligonais secundárias, que se estabelecem entre os vértices das poligonais principais ou entre um destes vértices e vértice geodésico.

5.10.3 Se a rede de poligonais não for dependente da rede geodésica, ou outra de ordem superior, as poligonais principais devem ser fechadas em torno de um ponto (situação mais desfavorável) e rigorosamente observadas com controles de azimutes e distâncias, significando que haverá desmenbramento destas com verificações de fechamentos. Nelas se apóiam as poligonais secundárias.

5.10.4 O comprimento dos lados das poligonais deve ser, na medida do possível, constante, evitando-se a existência simultânea de lados muitos longos e muitos curtos, o que não é favorável sob o ponto de vista da exatidão dos resultados.

5.10.5 Na determinação de uma rede básica urbana, ou para projetos viários, recomenda-se que as poligonais tenham o seu desenvolvimento o mais próximo possível da faixa de projeto, levando-se em consideração as tolerâncias para seus erros acidentais de fechamento angular, transversal e longitudinal (ver 6.5).

5.1 Nas operações de campo, cuidados especiais devem ser tomados quanto às centralizações do teodolito e do sinal a ser visado, pois os erros de centralização resultam na maior fonte de erro de medição de ângulos nos vértices das poligonais. Estes erros são tanto maiores quanto mais curtos forem os lados das poligonais. Nos casos de lados curtos, que requeiram maior rigor nas medidas angulares, é recomendado o emprego da centragem forçada conhecida também como método dos três tripés.

5.12 As medições angulares horizontais devem ser efetuadas pelo método das direções em séries de leituras conjugadas.

5.12.1 Para efeito de aceitação dos resultados deve ser feita no campo a verificação do desvio das direções em relação ao seu valor médio calculado com a rejeição das observações que se afastarem mais que três vezes a precisão nominal do teodolito, e com a rejeição das séries que tiverem número de rejeições de observações que inviabilizem o cálculo do valor médio das direções.

5.12.2 Em levantamentos de pequena exatidão é tolerada a medição angular horizontal, utilizando somente a posição direta do teodolito, desde que seja aplicada a correção de colimação obtida pela média dos valores de leituras conjugadas realizadas no início e no fim de cada jornada de trabalho.

5.13 As medições angulares verticais devem ser realizadas em séries de leituras conjugadas.

5.13.1 Para efeito de aceitação dos resultados, deve ser feita no campo a verificação do desvio das observações angulares verticais em relação ao seu valor médio calculado, com a rejeição das observações que se afastarem mais que três vezes a precisão nominal do teodolito e das séries que tiverem número de rejeições que inviabilizem o cálculo dos valores médios angulares.

5.13.2 Em levantamentos de pequena exatidão, é tolerada a medição angular vertical, utilizando somente a posição direta do teodolito, desde que sejam aplicadas as correções de PZ (ponto zenital) e de índice para os teodolitos que medem respectivamente ângulos zenitais e de inclinação. A correção é obtida pela média dos valores de leituras conjugadas realizadas no início e no final de cada jornada de trabalho.

5.14 Simultaneamente com as observações dos ângulos horizontais, fazem-se as medições dos ângulos verticais, tendo em vista a redução ao horizonte das medidas de distâncias dos lados das poligonais, através de séries de leituras conjugadas recíprocas. No caso das irradiações, estas leituras devem ser só a vante.

5.15 A forma simplificada do desvio-padrão das distâncias medidas pelos medidores eletrônicos de distâncias, fornecida pelos fabricantes, é resultante de duas componentes. Uma constante e outra variável, sendo esta úl-

10NBR 13133/1994 tima um número inteiro de milionésimas partes da unidade de medida da distância observada, ou seja:

ed = ± (a + b x D) Onde:

ed=erro de distância medida, em m a=erro constante do instrumento, em m b=número inteiro de milionésimas partes (ppm), m/km

Nota:Esta expressão só estará correta em sua aplicação, se não houver imprecisão na tomada das leituras meteorológicas e conseqüentes indefinições do índice de refração para as devidas correções.

5.15.1 Após a redução ao horizonte das distâncias inclinadas, obtidas por medidores eletrônicos de distâncias, em poligonais de determinação do apoio topográfico ou de transporte de coordenadas para adensamento da rede geodésica, obtida pela multiplicação desta distância pelo cosseno do ângulo de inclinação ou do seno do ângulo zenital da inclinação, deve ser realizada a redução da distância horizontal assim conseguida ao nível de referências altimétrica do sistema de projeção topográfica adotado pela expressão:

D . H Rm hm

Onde:

“D”, sendo positiva se a sua altitude média for inferior à do nível de referência altimétrica do sistema e negativa em caso contrário hm=altura média da distância horizontal “D”, em relação ao nível de referência altimétrico do sistema, sendo positiva se acima deste e negativa em caso contrário

Rm=raio médio terrestre aproximadamente igual a 6.378.0 m

H =altitude do nível de referência altimétrico do sistema, positivo se acima do nível médio dos mares e negativo em caso contrário

5.16 As medidas de distâncias, se realizadas por intermédio de trenas, estão sujeitas a incertezas decorrentes de erros de leitura, de alinhamento, horizontalização, tensão, dilatação e contração, aferição e de catenária, existindo procedimentos e correções já consagrados na teoria e na prática. O critério na aplicação de todas as correções, considerando os casos em que são dispensáveis algumas delas ou mesmo todas, depende da natureza do levantamento a que se destinam as distâncias medidas. Compete ao planejador do levantamento topográfico o exame das condições desta aplicação , em face da exatidão a ser obtida, apresentadas em 6.4.

5.16.1 As medidas a trena não devem ser efetuadas sob a interferência de ventos fortes.

5.17 As referências de nível, espaçadas de acordo com o terreno, área a ser levantada e condições peculiares da finalidade do levantamento, devem ser implantadas por meio de nivelamento geométrico duplo - nivelamento e contranivelamento - em horários distintos, em princípio, a partir de referências de nível do SGB. São recomendados cuidados usuais, a fim de serem evitadas a ocorrência e a propagação de erros sistemáticos, muito comuns nas operações de nivelamento geométrico, devendo para tanto ser consultados os manuais dos fabricantes dos níveis.

5.17.1 Os comprimentos das visadas de ré e de vante devem ser aproximadamente iguais e de, no máximo, 80 m, sendo ideal o comprimento de 60 m, de modo a compensar os efeitos da curvatura terrestre e da refração atmosférica, além de melhorar a exatidão do levantamento por facilitar a leitura da mira.

5.17.2 Para evitar os efeitos do fenômeno de reverberação, as visadas devem situar-se acima de 50 cm do solo.

5.17.3 As miras devem ser posicionadas aos pares, com alternância a vante e a ré, de modo que a mira posicionada no ponto de partida (lida a ré) seja posicionada, em seguida, no ponto de chegada (lida a vante), sendo conveniente que o número de lances seja par.

5.17.4 As miras, devidamente verticalizadas, devem ser apoiadas sobre chapas ou pinos e, no caminhamento, sobre sapatas, mas nunca diretamente sobre o solo.

5.17.5 A qualidade dos trabalhos deve ser controlada através das diferenças entre o nivelamento e o contranivelamento, seção a seção, e acumulada na linha, observando-se os valores limites prescritos em 6.4.

5.18 Todas as medições de campo devem ser registradas em cadernetas adequadas ao tipo de operação e anotadas de forma permanente.

5.19 Os cálculos planimétricos devem ser desenvolvidos segundo roteiro convencional indicado para o transporte de coordenadas no sistema topográfico adotado, a partir dos dados de campo transcritos em formulário próprio. Quando, porém, executados em calculadoras eletrônicas programáveis, com saída em impressora ou em computador, as saídas impressas devem registrar os dados de entrada, resultados e outros elementos característicos.

5.20 Os cálculos altimétricos devem ser desenvolvidos segundo roteiro convencional e processados nas próprias cadernetas de campo ou em planilhas apropriadas. Quando da utilização de calculadoras eletrônicas, com saída em impressora ou em computadores, as saídas impressas devem registrar os dados de entrada, resultados e outros elementos característicos.

5.21 O levantamento de detalhes deve ser feito a partir das poligonais em operações que podem conduzir, simultaneamente, à obtenção da planimetria e da altimetria, ou então, com procedimentos separados, se condições especiais do terreno ou exigências de exatidão assim exigirem. A densidade de pontos deve ser compatível com a escala de representação, características do terreno e finalidade do levantamento (ver 6.4).

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