(Parte 1 de 3)

INTRODUÇÃO Á GERÊNCIA EM SAÚDE 2014

1 Unidade I: Introdução à gerência

INTRODUÇÃO Á GERÊNCIA EM SAÚDE 2014

PRONATEC / TÉCNICO DE GERÊNCIA EM SAÚDE 2

1. Apresentação de conceitos sobre gerência

O campo da gerência trata das organizações. Em nossa coletividade não poderia haver ou aperfeiçoar seu status atual sem gerentes para guiá-lo organizações.

A expressão gerência parece ser originária de um remoto verbo francês: ménager; que em seu significado bem antiquado constitui gerir e administrar a propriedade. Refere-se a um cargo que ocupa um dirigente de uma empresa, por exemplo, que tem dentro de suas múltiplas funções, representa uma sociedade frente a terceiros e coordena todos os recursos através do processo de planejamento, organização, direção e controle a fim de atingir objetivos estabelecidos (FREEMAN, 1995 e SISK e SVERDLIK, 1979).

O termo gerência não é fácil de definir, pois denota coisas diferentes para pessoas diferentes. Uns o identificam com funções desempenhadas por gerentes, empresários ou supervisores, outros o aludem a um grupo particular de pessoas. Para os trabalhadores, o termo gerência é sinônimo do exercício de autoridade sobre suas vidas de trabalho (SISK e SVERDLIK, op. cit.).

Gerenciar é conseguir resultados antecipadamente desejados, a partir de um dado conjunto de recursos humanos, materiais e financeiros.

GERENTE: autoridade e habilidade. O gerente é a pessoa que tem sob sua responsabilidade o desempenho de uma ou mais pessoas de uma organização. O gerente obtém resultados por meio de sua corporação e das pessoas que nela trabalham. Mas para isso, é necessário: planejar, organizar, dirigir, controlar os múltiplos recursos propendendo à realização de objetivos específicos (SCHERMERHORN Jr, HUNT e OSBORN, 1999).

Nos meados de 70 surgiu a gerência estratégica para fazer face aos desafios de uma nova época de mudanças velozes e de muita magnitude (MOTTA, 1995).

Segundo Ansoff (1972, p.2): “O gerenciamento estratégico é relacionado com o estabelecimento de objetivos e metas para a organização, segundo um conjunto de relações entre a organização e o ambiente e que a capacita a alcançar objetivos, que permanecem ajustados às demandas ambientais

2. Desempenho da função gerencial

Ao estudarmos a gerência como uma disciplina acadêmica (FREEMAN, op. cit. e SISK e SVERDLIK, op. cit. e SENLLE, 1992), é respeitável considerá-la como um processo, por ser analisada e descrita em termos de várias funções basais.

Nesse sentido, a função gerencial não sugere apenas que o gerente possua conhecimentos administrativos e técnicos, mas a competência de lidar com pessoas, conhecer suas necessidades, valores e motivá-las para a realização da tarefa organizacional.

1 Drucker abordou o fato de que a gerência é um conjunto de competências que pode, e deve ser ensinados nas escolas, empresas, comunidades, etc.

. Na prática, um gerente pode (e isso ocorre com frequência) executar simultaneamente, ou ao menos de forma continuada, todas ou algumas das seguintes quatro funções: planejamento, organização, direção e controle (SISK e SVERDLIK, op.cit.).

a) PLANEJAMENTO: O planejamento é uma atividade sistêmica2 * é o início da gerência

(do ato de gerenciar). Constitui os objetivos da empresa, explicitando a forma como serão alcançados. Parte de uma sondagem do futuro, realizando um plano de ações para atingir as metas traçadas. É a primeira das funções, pois servirá de base diretora à operacionalização das outras funções. O planejamento responde a questões básicas, como:

O que fazer? Para que fazer? Como fazer? Com quais recursos fazer? Quando fazer? Com quem fazer?

1 Comportamento Organizacional / Peter Drucker.

2 De sistema; conjunto integrado de elementos dinamicamente inter-relacionados.

INTRODUÇÃO Á GERÊNCIA EM SAÚDE 2014

PRONATEC / TÉCNICO DE GERÊNCIA EM SAÚDE 3

Cinco são as atividades básicas do planejamento: � avaliação das condições atuais;

� tempo;

� problemas de previsão;

� coleta e análise de dados; e

� coordenação de planos.

b) ORGANIZAÇÃO: É a maneira de coordenar todos os recursos da empresa, sejam humanos, financeiros ou materiais, alocando-os da melhor forma segundo o planejamento estabelecido. Na organização temos a divisão do trabalho b.1. Divisão do trabalho

A divisão do trabalho tem como primeiro resultado a departamentalização3 *, a qual pode ocorrer segundo: a) Convergência em função da área territorial de ação. Ex: um hospital pode ter diferentes seções conforme a área de atuação. No caso, matriz na capital do Estado e regionais ou filiais em cidades menores; b) Convergência em função dos clientes. Ex: num mesmo hospital podem ser oferecidos serviços que são privados, para conveniados, e/ou direcionados para o público em geral. Combinações de algumas das modalidades anteriores. Ex: atendimento ambulatorial, exames anátomo-patológicos, testes laboratoriais, análises clínicas, hospital-dia; c) Convergência em função de um produto ou serviço. Ex: em um hospital podemos dividir a estrutura por serviços prestados, como UTI (Unidade de Terapia Intensiva),maternidade, oncologia, entre outros; d) Natureza das atividades desempenhadas. Ex: departamento financeiro, administrativo, serviços gerais, comercial, dentre outros, de acordo com o porte e o grau de especialização produtiva da entidade em análise; e e) Convergência em função de um processo produtivo. Ex: ministrar soro (prescrição médica), gotejamento digitalizado (setor de informatização) e monitoramento (equipe de enfermagem).

b.2. Organizar envolve o conceito de hierarquia A estrutura hierárquica pode ser apresentada de forma horizontal ou vertical: a) A estrutura vertical envolve elementos fundamentais, que são:

posições que consistem de tarefas, responsabilidades e autoridades proporcionais;

políticas de saúde, planos, objetivos, procedimentos em todos os níveis; e papéis, status e autoridades dos indivíduos que exercem os cargos. Organizações mais simples envolvem hierarquias mais simples e compactas.

Organizações maiores tendem a apresentar estruturas maiores e, em alguns casos, menos enxutas.

A criação de departamentos, dentro de um hospital, é resultado da tentativa de organizar as atividades lá existentes.

3 Subdivisão de um órgão em unidades menores, sendo que nem o órgão dividido, nem os resultantes da divisão precisam ter o nível de departamento.

INTRODUÇÃO Á GERÊNCIA EM SAÚDE 2014

PRONATEC / TÉCNICO DE GERÊNCIA EM SAÚDE 4

A estrutura organizacional geralmente pode ser apresentada por meio de organogramas4 *.

Figura 1: Organograma do Ministério da Saúde Fonte: http://portal.saude.gov.br f) DIREÇÃO(Execução,Liderança) A implantação de qualquer planejamento seria inviável sem a coordenação das atitudes e esforços de toda a empresa, almejando as metas traçadas. Para a realização de tarefas eficientes (relação custo/benefício) as pessoas necessitam ver significado no que estão fazendo,precisam de desafio e confiança, por parte da gerência. Motivação, clima de trabalho adequado, espírito de equipe é o que as pessoas precisam para confiar nos objetivos propostos. Tem haver com afinidade com liderança, satisfação e motivação no trabalho.

Tappan (1976, p. 167) enfatiza que: “Por causa das situações críticas que surgem com tanta freqüência num hospital todos os serviços têm necessidade de chefes enérgicos capazes de tomar decisões precisas, mas que ao mesmo tempo sejam bem educados”.

Existem três vertentes nas abordagens de comando: � repetição de comportamentos. Faça como eu!

� obediência a ordens. Faça o que eu disse!

� trabalho em equipe. Faça comigo! g) CONTROLE: é o acompanhamento completo de todas as tarefas antecedentes para que os objetivos5 sejam atingidos. Tudo isso conserva a saúde do processo de trabalho como também a compatibilização de metas6 .

4 Representação gráfica simplificada da estrutura organizacional de uma empresa ou instituição, especificando os nomes dos seus órgãos, seus níveis hierárquicos e as principais relações entre eles.

5 Refletem um conjunto de desejos a serem atingidos.

INTRODUÇÃO Á GERÊNCIA EM SAÚDE 2014

PRONATEC / TÉCNICO DE GERÊNCIA EM SAÚDE 5

Num hospital podemos ressaltar tanto metas pessoais como organizacionais: a) As metas pessoais são aquelas que presumem os desejos das pessoas que lá trabalham. Ex: desejo de ser promovido em um ano para o cargo de supervisor do setor de enfermagem; e b) As metas organizacionais são aquelas que refletem os desejos da organização Ex: aumentar o número de leitos em 30% no próximo ano.

Os objetivos servem ainda como fatores de motivação individual. Quando sabemos para onde ir, procuramos pensar em variadas formas para lá chegar. Portanto, podemos dizer que os objetivos servem de guias para as nossas ações.

3. Introdução à gerência hospitalar 3.1. Histórico:

Os progressos tecnológicos e o aparecimento da medicina científica, entre o final do século XIX e início do século X, surgem provocando uma adaptada revolução na função dos hospitais, que largaram de ser um local onde os pobres e os doentes eram deixados para morrer, se transformando em uma unidade direcionada ao cuidado e tratamento de patologias, com infraestrutura suficiente para dar atenção médica à sociedade, procurando soluções para os problemas de saúde da sociedade (RUTHES; CUNHA, 2007).

Para o atendimento das demandas do processo assistencial e gerencial, faz-se imprescindível que se insira um modelo de gestão moderno, a fim de otimizar o processo gerencial hospitalar, que é visto hoje como uma organização (BURMESTER et al, 2007).

Administração Hospitalar incide na apreensão de conhecimento, familiarização e sistematização de conceitos e práticas da administração de organizações aplicadas na gestão de empreendimentos hospitalares.

De acordo com Almeida, o hospital pode ser definido como:

“Uma instituição destinada ao diagnóstico e tratamento de doentes internos e externos; planejada e construída ou modernizada com orientação técnica; bem organizada e convenientemente administrada consoante padrões e normas estabelecidas, oficial ou particular, com finalidades diversas; grande ou pequena; custosa ou modesta para atender os ricos, os menos afortunados; os indigentes e necessitados, recebendo doentes gratuitos ou contribuintes; servindo ao mesmo tempo para prevenir contra a doença e promover a saúde, a prática, a pesquisa e o ensino da medicina e da cirurgia, da enfermagem e da dietética, e das demais especialidades afins (ALMEIDA, 1983, p. 205).

3.2. Abordagem do planejamento, administração e supervisão, coordenação em saúde

Diferente dessas funções, hoje se usa apenas: Planejar, Organizar, Dirigir ou Executar e Controlar. (no lugar de Comandar e Coordenar) Uniram-se essas duas funções porque o objetivo é o mesmo.

3.2.1. ASPECTOS CONCEITUAIS

-Planejamento, Supervisão e Coordenação em Saúde:

“A área de avaliação de programas, serviços e tecnologias em geral e na saúde, em particular, passa por um processo de expansão e diversificação conceitual e metodológica, bem como por uma crescente demanda para se constituir em instrumento de apoio às decisões

6 São desejos que têm como características o fato de serem específicas, realistas, com possibilidades de verificação, determinação de prazos para a sua realização e a existência de alvos para serem atingidos.

INTRODUÇÃO Á GERÊNCIA EM SAÚDE 2014

PRONATEC / TÉCNICO DE GERÊNCIA EM SAÚDE 6 necessárias à dinâmica dos sistemas e serviços de saúde na implementação das políticas de

Atualmente o País desenvolve uma cultura que dê prioridade ao planejamento como instrumento indispensável de governo, neste incluída a formulação rotineira de políticas. O Ministério da Saúde, desenvolve os programas e projetos e sistematizam medidas técnicas e operacionais destinadas à resolução de problemas ou ao atendimento de necessidades identificadas. Algumas dessas medidas, muitas vezes, contêm informações inerentes a uma política. Apesar dessa prática começando agora a ser exercitada em formular políticas, o referencial teórico disponível é amplo e diversificado. No entanto, vários métodos observados incorporam à política elementos inerentes a outros instrumentos de planejamento, principalmente aqueles referentes a programas e projetos. Soma-se a isso uma realidade distinguida por administrações muito curtas, que não finalizam um processo completo – formular, executar, acompanhar e avaliar, circunstância esta agravada pela prática da descontinuidade ,fazendo com que projetos prioritários de uma administração não sejam bem executados por seus sucessores.

A metodologia para a formulação foi arquitetada buscando-se a sua adequação à realidade do setor saúde e do desenvolvimento de suas ações, baseando-se, essencialmente, na Constituição Federal e nas Leis Orgânicas da Saúde – a Lei No 8.080 e a Lei No 8.142, ambas de 1990.

Silva (1999, p. 334) “acrescenta que as novas responsabilidades municipais com a gestão do sistema de saúde requerem a incorporação da avaliação como componente do processo de planejamento, como atividade capaz de subsidiar as tomadas de decisões e como elemento auxiliar nas iniciativas voltadas para a mudança do modelo assistencial. A incorporação da avaliação como uma atividade sistemática ao interior da gestão municipal de saúde pode ser considerada como um dos indicadores de modificação do modelo assistencial”.

Uma organização, seja ela Secretaria, Hospital ou Centro de Saúde,estratégia da

Família,casas de apoio é unidade social deliberadamente construída para atingir determinados objetivos. Ela procede de uma combinação de pessoas, recursos e tecnologia para atingir aqueles objetivos. Mas para isso, ela tem um caráter padronizado de operacionalizar. Assim, em qualquer organização, onde às pessoas se agrupam para realizar definidas tarefas, para produzir bens ou serviços, é imperativo que haja um trabalho para prover as condições necessárias à concretização de seus objetivos. Esse trabalho para conseguir o desempenho das tarefas e a satisfação humana é o que titulamos de administração (Hampton, 1980).

O termo gerência, usado, comumente, como sinônimo de administração, aparece no início do capitalismo industrial com o trabalho cooperativo. A concepção, o planejamento e o controle constituem atividades distintas daquela da execução. Quem executa não é quem planeja e controla. Nesse sentido, à gerência está associada a ideia de planejamento e controle; o controle é o conceito fundamental em todos os sistemas gerenciais

A despeito de o planejamento constituir uma importância no discurso dos profissionais do setor público, com inclusão de novas formas de formulá-lo, ele ainda tem muito a se colocar em prática Não é comum encontrar organizações públicas, onde exista uma prática efetiva de planejamento e controle. O mesmo, no entanto, não se pode dizer do controle, uma prática comum no setor público, controle pelo controle, descolado do planejamento, da avaliação de resultados.

A prática administrativa do planejamento, direção, coordenação e controle constitui o apoio da gerência, em qualquer organização, independente do tamanho e, mesmo, da

7 Todas as instituições públicas deveriam ser orientadas por políticas escritas, nas quais estariam explicitadas, no mínimo, diretrizes e papéis dos órgãos ou setores responsáveis por sua consecução.

(Parte 1 de 3)

Comentários