HISTORICO ABNT - 65 ANOS.doc

HISTORICO ABNT - 65 ANOS.doc

(Parte 1 de 7)

Associação

Br asileir a

de Normas

Técnicas

desde 1940

promovendo a

normalização

no br asil

Agradecimentos

Agradecemos especialmente aos colabora-

dores da Associação Brasileira de Normas

Técnicas, Carlos Santos Amorim Júnior, Clau-

dete Viscaíno dos Reis, Janaína da Silva Men-

donça, Márcia Cristina de Oliveira, Márcia

Henriques Cornelsen, Rafael Antônio Sorrija,

Regiane Guaglione Contier e Vitor Marcio Ro-

drigues Jardim, que contribuíram para a ela-

boração deste livro.

sumário

Palavra do Presidente – 08

Diretoria ABNT – 10

Apresentação – 12

Fundação – 16

Primeiros Anos – 26

Primeira Norma ABNT – 34

Anos de Crise – 36

Retomada – 42

Atualidade – 48

História dos Comitês – 54

Escopo dos Comitês – 62

Normas Horizontais – 76

Normas – 82

Agente Privado de Políticas Públicas – 86

Defesa do Consumidor – 90

Acessibilidade – 94

Publicações ABNT – 98

Memória ABNT – 104

ABNT Certificadora – 108

Presidentes – 114

Depoimentos – 128

O Normalizador – 142

Expediente – 145

 

Palavra

do Presidente

esde sua fundação, em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas enfrentou desa-

D

fios. Sua primeira sede, por exemplo, funcionava com móveis emprestados pelo Instituto

Nacional de Tecnologia, que cedia também a secretária. Foram muitos os problemas finan-

ceiros, alguns graves a ponto de ameaçar a continuidade da organização. Mas os maus tempos pas-

saram e hoje pontuam a trajetória da ABNT apenas como exemplos de que tudo se supera quando

há vontade e espírito de luta.

O balanço é positivo e isso é que importa. A ABNT participou da fundação da International Or-

ganization for Standadization (ISO), da Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (COPANT)

e da Associação Mercosul de Normalização e continua realizando trabalhos importantes dentro

desses organismos, conquistando respeito no cenário mundial.

Na ISO, especialmente, tivemos uma conquista histórica com a eleição da ABNT para membro do

Technical Management Board (TMB), responsável pela gestão geral, planejamento estratégico, co-

ordenação e desempenho das atividades técnicas daquela organização. Ainda estamos coordenan-

do, com a Suécia, o Grupo de Trabalho que desenvolve a norma internacional de Responsabilidade

Social e temos representantes em importantes Comitês Técnicos.

Como agente privado de políticas públicas, a ABNT mantém uma relação de total transparência

com o governo brasileiro, auxiliando em suas ações sempre que necessário. Em pleno processo de

desenvolvimento industrial, em 1962, nossa organização foi reconhecida por lei como Órgão de

Utilidade Pública. Trinta anos depois, por meio de resolução do Conselho Nacional de Metrologia,

Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO), tornou-se o único Foro Nacional de Normali-

zação.

Enfim, não é pouco o que temos para contar. Movidos pelo ideal de Paulo Sá, patrono da ABNT,

lançamo-nos à tarefa de resgatar a trajetória de nossa organização. A partir de antigas atas de reu-

nião, pesquisas em revistas e muitas entrevistas, conseguimos um material denso, que agora apre-

sentamos à sociedade brasileira. Certamente alguém ainda se lembrará de alguma passagem aqui

omitida. Continuamos aceitando colaborações e faremos o devido registro nas próximas edições.

Fazer história é difícil, mas precisávamos dar o primeiro passo, em homenagem a todos os co-

laboradores voluntários que contribuem para o desenvolvimento da normalização no Brasil, às

empresas que nos prestigiam, a todos os associados, conselheiros e funcionários que formam a

grande família ABNT. Boa leitura!

Pedro Buzatto Costa

Presidente do Conselho Deliberativo

diretoria

abnt

Pedro Buzatto Costa

Presidente

10

Franz Ludwig Reimer

Vice-Presidente

Histórico ABNT - 65 Anos

Ricardo Rodrigues Fragoso

Diretor Geral

Carlos Santos Amorim Júnior

Diretor de Desenvolvimento e Informação

11

Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone

Diretor de Normalização

apresentação

14

apresentação

A

ABNT:

65 anos

dedicados à

normalização

Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), úni-

co foro nacional de normalização, completa 65 anos de

existência. Ao comemorar esta longa trajetória de serviços

prestados à sociedade, a ABNT também homenageia todas

as pessoas que, de alguma forma, ajudaram a construir

esta história de dedicação à Normalização.

O ponto de partida foi a 1ª Reunião de Laboratórios de

Ensaios de Materiais, realizada em 1937, com o objetivo

de aprimorar pesquisas e consolidar novas tecnologias. Já

em 1938 e 1939, ganhava força a idéia de se criar uma

Entidade Nacional de Normalização, enfim concretizada

um ano depois, com o nascimento da ABNT.

A entidade cresceu e se projetou em âmbito internacio-

nal. Participou ativamente da fundação da International

Organization for Standardization (ISO) em 1947, sendo

eleita para compor o primeiro Conselho daquela institui-

ção. Em 1961, no Uruguai, foi a vez de a ABNT participar

da criação da Comissão Pan-Americana de Normas Técni-

cas (COPANT), destinada a promover o desenvolvimento

da normalização técnica e atividades afins em seus países

membros, com o fim de promover seu desenvolvimento

comercial, industrial, científico e tecnológico.

A relação com o governo também foi sempre muito in-

tensa. Em pleno processo de desenvolvimento industrial,

em 1962, a ABNT foi reconhecida por lei como Órgão de

Utilidade Pública. Trinta anos depois, por meio da Resolu-

ção número 7 do Conselho Nacional de Metrologia, Nor-

malização e Qualidade Industrial (CONMETRO), fez-se o

reconhecimento da entidade como único Foro Nacional de

Normalização.

Em 1991, a ABNT ajudou a criar o Comitê Mercosul de

Normalização (CMN), com a finalidade de apoiar a in-

tegração e a concretização do mercado único, e buscar

uma participação mais efetiva no mercado mundial. Nove

anos depois, foi firmado convênio com o Grupo Mercado

Histórico ABNT - 65 Anos

Comum e o organismo passou a ser chamado de Associação Mercosul de Normalização

(AMN), reconhecido como o Foro Regional de Normalização para o Mercosul.

Na história da ABNT, porém, nem tudo foi positivo. A organização enfrentou um pe-

ríodo de altos e baixos, desde meados da década 1970 até o início da década de 1990,

quando a ABNT, mesmo com o agravamento da conjuntura econômica nacional, teve a

colaboração de seus associados para se manter estável.

Em 1999, mergulhou novamente em uma profunda crise financeira, passando por um

período pré-falimentar, que foi superado apenas a partir de 2003, quando uma nova

postura administrativa foi adotada. Hoje a Associação exibe saúde financeira estável,

tendo reconquistado credibilidade e prestígio.

Com o pulso firme da atual diretoria, somado à competência dos funcionários e ao

apoio dos conselheiros, aos 65 anos, a ABNT é uma organização jovem e revigorada,

pronta para enfrentar novos desafios.

O ponto de partida foi a 1ª Reunião

de Labor atórios de Ensaios de

Materiais, realizada em 1937.

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FUNDAÇÃO

18

fundação

A

Participação

ativa no

processo de

desenvolvimento

do País

A idéia da criação da ABNT surgiu da necessi-

dade de se elaborar normas técnicas brasileiras

para a tecnologia do concreto, para substituir

as normas que eram utilizadas pelos diversos

laboratórios de ensaio do país, cujas discrepân-

cias tinham sido detectadas pela ABCP – Asso-

ciação Brasileira de Cimento Portland, desde a

sua fundação, em 1937. Essa falta de uma nor-

ma padronizada, que criava condições para que

a análise dois corpos de ensaio similares geras-

sem resultados diferentes, era admitida inclusi-

ve pelos dois laboratórios mais importantes do

país: o INT, do Rio de Janeiro, e o IPT, de São

Paulo. Conscientes do problema apontado pela

ABCP, esses laboratórios encabeçaram a ação

conjunta de diversas entidades resultariam na

criação de uma entidade nacional de normali-

zação.

A história da ABNT começou no Rio de Ja-

neiro, em setembro de 1937, quando o enge-

nheiro Paulo Sá decidiu promover a 1ª Reunião

de Laboratórios de Ensaios de Materiais. Esse

encontro pioneiro, que tinha como objetivo ob-

ter maior entendimento e cooperação de seus

colegas de laboratórios congêneres do Rio de

Janeiro e também de outros estados, ocorreu

no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), onde

Paulo Sá atuava como Diretor do Laboratório de

Ensaios de Materiais. Em tentativa arriscada, de

600 convidados apenas quatro responderam.

Para surpresa dos organizadores, na data mar-

cada compareceram cerca de 40 técnicos repre-

sentando uma dezena de laboratórios brasileiros.

Nomes de projeção no meio técnico estiveram

nessa reunião e nas demais nos anos de 1938,

1939 e 1940.

Um dos participantes, o engenheiro Ary Fre-

derico Torres, chefe do Setor da Produção In-

dustrial do Ministério da Coordenação e Mobi-

lização Econômica, cujo Ministro era o Dr. João

Histórico ABNT - 65 Anos

Alberto Lins de Barros, já defendia a criação de normas. Muito

prestigiado, juntou-se ao engenheiro Paulo Sá e a vários outros en-

tusiastas para lançar a proposta de criar uma entidade nacional de

normalização. Nos anos de 1938 e 1939, com o início do desenvol-

vimento industrial brasileiro, foram realizadas as primeiras reuni-

ões entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto

Nacional de Tecnologia (INT), forjando as bases para a criação de

um organismo brasileiro de normalização.

A idéia foi tomando corpo e, em 28 de setembro de 1940, na Ses-

são Solene Inaugural da 3ª Reunião de Laboratórios Nacionais de

Ensaios, presidida pelo Professor Ernesto Lopes da Fonseca Costa,

foi fundada a ABNT, com a aprovação do seu primeiro estatuto.

A ABNT passava a ter existência legal e pouco depois foi eleita a

primeira Diretoria da entidade.

a proposta er a criar

uma entidade nacional

de normalização

1ª Reunião

de Laboratórios

de Ensaios

de Materiais

19

fundação

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Engenheiro Ary Frederico Torres

(Companhia Siderúrgica Nacional)

Presidente

Coronel Neiva de Lima

(Ministério do Exército)

Vice-Presidente

Engenheiro Mario Leão Ludolf

(Confeder ação Nacional da Indústria)

Tesoureiro

Engenheiro Paulo ACCIOLY de Sá

(Instituto Nacional de Tecnologia)

Secretário Ger al

Ary Torres ficou durante 15 anos à frente dos trabalhos

da ABNT, sendo sucedido por outros grandes nomes dos

meios técnico, político e administrativo, como Mariano

J.M. Ferraz, Álvaro de Souza Lima, Plínio Reis de Canta-

nhede Almeida e Luiz Verano.

Na época a Diretoria da ABNT era eleita por seu Con-

selho Diretor, que por sua vez era escolhido em votação

secreta pelos sócios. Representantes de várias categorias

de associados compunham o Conselho Diretor.

Para a Presidência da Diretoria ou do Conselho Diretor,

sempre se procurou eleger nomes de projeção técnica e

política, de forma a obter apoio das áreas governamental

e empresarial à ABNT. Um exemplo, dentre as inúmeras

personalidades que trouxeram sua preciosa colaboração,

é o Professor Lucas Nogueira Garcez, que foi Governador

de São Paulo. Garcez, que também ocupava a cadeira de

Hidráulica da Escola Politécnica, participou de Comis-

sões de Estudo que se reuniam na Delegacia de São Pau-

lo, sendo inclusive presidente da Comissão de Instalações

Hidráulicas Prediais.

O engenheiro Hélio Martins de Oliveira, que foi presi-

dente do Instituto de Engenharia de São Paulo e secretá-

rio do então Prefeito Olavo Setúbal, também participou

de várias gestões e não mediu esforços para dinamizar os

trabalhos da ABNT e defender a causa da normalização.

Paulo Sá

Patrono da ABNT

Histórico ABNT - 65 Anos

Ata da Sessão de Fundação da

Associação Brasileira de Normas Técnicas”

Aos vinte e oito dias do mês de setembro do ano de mil novecentos e quarenta, na sede do Instituto Na-

cional de Tecnologia, à Avenida Venezuela n. 82, nesta Capital, na Sala de Conferências, sob a Presidência

do Professor Ernesto Lopes da Fonseca Costa, Vice-Presidente: Dr. Paulo Sá, Dr. João Carlos Vital, Dr. Lelis

Espartel, Secretário Dr. Francisco de Assis Basílio, Sub-Secretário Dr. Antonio Russel Raposo de Almeida e

Relator Geral Dr. Mauricio Joppert da Silva foi instalada a Mesa que dirigiu os trabalhos para a aprovação

dos “Estatutos” da “Associação Brasileira de Normas Técnicas”. Abrindo a Sessão, declarou o Snr. Presidente

que, conforme era de conhecimento geral, nesta reunião seria conhecido o trabalho da “12a. Comissão” da

3a. Reunião dos Laboratórios Nacionais de Ensaio de Materiais”, que era justamente o projeto de Estatutos

da “ABNT”, dando a seguir a palavra ao Snr. Secretário para proceder a leitura do referido projeto.Usando a

palavra informa primeiro o Snr. Secretário que sobre a mesa se achavam à disposição dos presentes, cópias do

projeto de estatutos que a seguir passa a ler. Terminada a sua leitura, o Snr. Presidente declarou que estava

em discussão o mesmo, tendo um dos presentes feito uma observação sobre a palavra “anual” que figurava

no projeto acabado de ser lido. O Snr. Representante da Escola Politécnica da Bahia, informa que constam no

original do projeto em discussão, no artigo 47, as expressões “reuniões anuais”. Não havendo ninguém que

desejasse usar a palavra sobre a discussão do projeto, declarou o Snr. Presidente que ia submeter à votação,

igualmente com as emendas da Comissão o projeto lido, solicitando dos Senhores presentes que aprovassem

o mesmo permanecessem sentados. Todos os presentes permaneceram sentados. Declara o Snr. Presidente que

foram os estatutos aprovados unanimemente. Pede a palavra Dr. Saturnino de Brito Filho, para salientar um

dos aspectos mais interessantes da auspiciosa organização que era acabada de ser concretizada, que era o as-

pecto de uniformização das “Normas” em todo o mundo, especialmente na América do Sul, em um dos artigos

dos Estatutos que acabavam de ser aprovados , que prevê a constituição de uma biblioteca em que se reunisse

tudo que fosse interessante à elaboração das “Normas”. Prosseguiu o Dr. Saturino de Brito Filho que ofereceu,

em nome da “Federação Brasileira de Engenheiros” um exemplar das “Normas Técnicas” apresentadas pelo

Dr. Ary Torres ao 1o. Congresso Americano de Engenharia, que se reuniu em Santiago do Chile, e que era um

dos primeiros subsídios que aquela “Federação” desejava oferecer à nova “Associação”. Disse o orador que da

uniformização de métodos, do intercâmbio cultural e comercial advirão muitos benefícios para o nosso País

e isso, no momento era motivo de congratulação geral. Declara, por fim, que era o que tinha dizer, enviando

à mesa um exemplar. As palavras do orador foram terminadas sob uma salva de palmas dos presentes. Re-

tomando a palavra o Snr. Presidente congratulando-se com a Assembléia pelo auspicioso acontecimento do

qual acreditavam resultaria tantos benefícios para o progresso de nossa Pátria, declarou encerrada a presente

Sessão, convocando outra para quinze minutos depois, a fim de serem tratados interesses gerais. O Snr. Secre-

tário manda lavrar a presente ata que será assinada por outros por todos os Senhores membros da Nessa que

presidiu estes trabalhos,

Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1940.

Ass.:

Ernesto Lopes da Fonseca Costa

Paulo 

João Carlos Vital

Lelis Espartel

Francisco de Assis Basílio

Antonio Russel Raposo de Almeida

Mauricio Joppert da Silva

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fundação

Ata da Fundação

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Histórico ABNT - 65 Anos

23

fundação

Ata da Fundação

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Histórico ABNT - 65 Anos

Os 65 anos da ABNT foram marcados também pela emis-

são de um carimbo especial pela Empresa Brasileira de Cor-

reios e Telégrafos. Iniciativa idêntica ocorreu no 60º aniver-

sário da entidade, alinhando-se a uma série de ações que

festejaram a data.

O lançamento aconteceu na comemoração do Dia Mun-

dial da Normalização, em 14 de outubro de 2005, realizada

no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).

O Diretor Regional dos Correios, Marcos Vieira da Silva,

prestigiou o evento especialmente organizado para o lança-

mento do carimbo comemorativo.

O carimbo ficou disponível por uma semana em uma agên-

cia dos Correios de São Paulo e em outra no Rio de Janeiro.

Toda a correspondência despachada pelas duas unidades

recebeu a marca comemorativa. Após esse período, o carim-

bo seguiu para o Museu Postal e Telegráfico, em Brasília, ali

permanecendo como parte do acervo histórico.

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PRIMEIROS

ANOS

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