Bioq.Clinica-Aminoacidos e Proteinas

Bioq.Clinica-Aminoacidos e Proteinas

(Parte 2 de 5)

A proteinúria pré-renal é causada por uma permeabilidade excessiva de proteínas de baixa massa molecular. Este filtrado contém altos teores de proteínas na primeira urina. Isto se deve a uma interrupção da reabsorção tubular por sobrecarga no sistema. As proteínas típicas de uma proteinú- ria pré-renal são: a mioglobina, imunoglobulinas

A proteinúria pós-renal ocorre pela adição de proteínas à urina na bexiga ou nos ureteres e as - semelha-se a uma doença renal. As proteínas adi- cionadas na urina são linfáticas ou plasmáticas.

Entram na urina pela bexiga por exsudação ou transudação do epitélio do ureter. Isto acontece pela alta densidade das proteínas envolvidas que não conseguem atravessar a membrana do glomérulo. Sua passagem para a urina se deve a uma teinúria pós-renal.

Como proteinúria não-renais têm-se: anemia grave, ascite, cardiopatia, distúrbios convulsivos, endocardite bacteriana subaguda, febre, hepatopa- tia, hipertireoidismo, idade avançada, infecção aguda, ingestão ou superexposição a certas substâncias (ácido sulfossalicílico, arsênico, chumbo,

Aminoácidos e proteínas éter, fenol, mercúrio, mostarda, opiáceos, propilenoglicol, turpentina), obstrução intestinal, reação de hipersensibilidade, toxemia, toxinas bacterianas (difteria, escarlatina, estreptocócica aguda, febre tifóide e pneumonia), traumatismo e tumor abdominal.

Bibliografia consultada

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Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

albumina compreende ao redor de 60% das proteínas presentes no plasma humano. É sintetizada no fígado em velocidade dependente da ingestão protéica, mas sujeita a regulação por retroalimentação pelo teor de albumina circulante.

Tem meia vida de 15-19 dias. A albumina exerce importantes funções:

§ Contribui com 75-80% do efeito osmótico do plasma, um dos fatores que regulam a distri- buição apropriada de água entre os comparti- mentos intra- e extracelulares. Em certas enfermidades, os teores de albumina anormal- mente baixas, movem a água do leito vascular

fígado; ácidos graxos de cadeia longa que se ligam fortemente à albumina, sendo assim trans portados do fígado para os tecidos perifé- ricos. A concentração plasmática de diversas substâncias, tais como cálcio, alguns hormônios (tiroxina, triiodotironina, cortisol, al- dosterona) e triptofano, são reguladas, de certo modo, pela sua ligação à albumina. Várias drogas, por exemplo, salicilatos, fenilbutazona, clofibrato, dicumarol, penicilina G e warfarin, também se ligam fortemente à albumina.

É encontrada raramente como nos casos de carci- nomatose metastática, desidratação aguda, diarréia, esclerodermia, esteatorréia, estresse, febre reumática, gravidez, intoxicação hídrica, lúpus eritematoso sistêmico, meningite, miastenia, mieloma múltiplo, nefrose, neoplasias, osteomielite, pneumonia, poliartrite nodosa, sarcoidose, trau- matismo, tuberculose, úlcera péptica, uremia, vômito e hemoconcentração.

Esta condição pode ser fisiológica ou patológica.

Redução da síntese

§ Enfermidade hepática severa, como hepatite crônica e cirrose, resulta na incapacidade dos hepatócitos em sintetizar albumina.

§ Desnutrição ou diminuição da ingestão protéica.

Aumento do catabolismo protéico. Como resultado de lesões (cirurgia de grande porte ou trauma), infecção ou malignidade.

Perda de proteínas. Urina: é a forma mais severa desta anormalidade com concentrações de albumina de até < 2 g/L, geralmente com presença de edema. As principais causas são: síndrome nefrótico, glomerulonefrite crônica, diabetes ou lupus eritematoso sistêmico. Fezes: enteropatia dade neoplástica ou inflamatória. Pele: queimaduras.

Distribuição alterada. Seqüestro de grandes quantidades de albumina do compartimento extracelular, por exemplo, na ascite, quando a elevada pressão na circulação portal dirige a albumina para o líquido peritonial.

Outras anormalidades. A analbuminemia, uma rara doença caracterizada pela ausência congênita de albumina, e bisalbuminemia, detectada na eletroforese pelo aparecimento de duas bandas ou

Aminoácidos e proteínas uma banda mais larga no lugar da banda normal de albumina. Nenhum sintoma clínico está associado a bisalbuminemia.

O termo “microalbuminemia” é empregado para descrever aumentos na excreção de albumina

cos que desenvolvem enfermidade renal. Entre- tanto, a presença de albumina na urina é um achado não-específico. A hipertensão, infecção do trato urinário, exercício e enfermidade cardíaca congestiva também podem aumentar a excreção da albumina na urina.

A hipoalbuminemia afeta a distribuição líquida do corpo e as concentrações plasmáticas de substâncias transportadas ligadas à albumina.

§ Distribuição dos líquidos corporais. A albumina é o mais importante contribuinte da pressão oncótica do plasma e sua redução resulta

em edema.

§ Função transportadora. Os níveis de constituintes normalmente transportados pela albu- mina estão diminuidos. Por exemplo, calcemia, drogas e bilirrubina transportada por proteínas. A ligação da bilirrubina à albumina impede que a bilirrubina “livre” atravesse a barreira sangue/cérebro e, portanto, a sua deposição nos tecidos cerebrais (kernictericus na icterícia ne-

Paciente. Não deve consumir dieta rica em gordura por 48 h antes da prova.

Amostra. Soro. Evitar estase prolongada na co- leta de sangue, pois a hemoconcentração aumenta os níveis de proteínas plasmáticas; além disso, a postura do paciente deve ser observada já que o teor de albumina é, aproximadamente, 0,3 g/dL maior em pacientes ambulatoriais quando rela- cionados aos hospitalizados. Em frascos bem fe- chados, o soro límpido é estável por uma semana em temperatura ambiente ou um mês no refrigerador.

Interferências. Resultados falsamente elevados: agentes citotóxicos, anticoncepcionais orais e bromossulfaleína. Resultados falsamente reduzidos: paracetamol, aspirina, estrogênios, anticon- cepcionais orais, ampicilina, asparaginase e fluorouracil.

Métodos. Os primeiros métodos para a separação da albumina das globulinas empregavam o fracio- namento salino. Os mais populares usavam o sulfato de sódio com a medida da albumina pelo método de Kjeldahl ou pelo desenvolvimento de cor pela reação do biureto.

Verde de bromocresol. Atualmente, os métodos mais amplamente empregados para a análise da albumina são os de fixação de corantes. A albumina tem a capacidade de fixar seletivamente vários aníons orgânicos, entre os quais, moléculas bumina estes corantes sofrem um desvio nas suas absorções máximas. A quantidade de albumina ligada ao corante é proporcional ao teor de albu- mina na amostra. O método do BCG é o recomendado por apresentar boa especificidade e não so- frer interferências da bilirrubina, salicilatos, he- moglobina ou lipemia quando em níveis moderados. Este princípio é empregado para a química seca no DT Vitros.

Eletroforese. O emprego da eletroforese das proteínas para a separação da albumina fornece também informações adicionais sobre as globulinas.

Outros métodos. A albumina também pode ser avaliada pela determinação das globulinas baseada no conteúdo de triptofano das globulinas. Vários métodos tais como: eletroimunoensaio, imuno- químico, nefelométrico, imunodifusão radial, ele- troimunodifusão, turbidimetria, radioimunoensaio e enzimaimunoensaio são também empregados para a determinação da albumina sérica.

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Valores de referência para a albumina sérica

Homens adultos 3,5 a 5,0 g/dL

Mulheres adultas 3,7 a 5,3 g/dL Recém-nascidos 2,8 a 5,0 g/dL

Acima de 60 anos 3,4 a 4,8 g/dL

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Aminoácidos e proteínas

s proteínas nos líquidos biológicos são moléculas anfóteras que podem ser separadas em frações quando aplicadas sobre um suporte poroso e submetidas a um campo elétrico em processo denominado eletroforese. A migração ocorre de acordo com o grau de ionização, tamanho e forma da molécula protéica, também como, das caracte- rísticas da solução tampão (pH, composição qua- litativa, força iônica) do meio onde se realiza o processo; da força do campo elétrico; da porosi- dade, viscosidade e temperatura do suporte.

A separação das proteínas é realizada em soro para evitar interferências da banda do fibrinogê-

Em pH 8,6, empregando os métodos eletroforéticos correntes, as proteínas no soro sangüíneo são divididas nas seguintes frações principais:

pré-albumina, albumina, frações a1, a2, b1, b2 e g. A migração destas macromoléculas é realizada em suportes como o acetato de celulose, gel de aga- rose, gel de poliacrilamida e gel de amido, em res posta a um campo elétrico.

As frações obtidas no soro por eletroforese tem os seguintes valores de referência:

Pré-albumina 0,020 a 0,040 Albumina 3,50 a 5,0

Região a1 0,10 a 0,40 Região a2 0,50 a 1,0

Região b1 0,32 a 0,6

Região b2 0,27 a 0,5 Região g 0,59 a 2,35

Cada fração protéica obtida por eletroforese é constituída de proteínas individuais que podem ser determinadas por vários métodos, como nefelo- metria, imunodifusão radial, imunoeletroforese, etc.

Nesta fração, junto a pré-albumina também migra a proteína ligadora de retinol (RBP). Ambas são sintetizadas no fígado e tem uma meia-vida menor que 12 h, consequentemente, estas avaliações fornecem indicadores simples e sensíveis de des - nutrição ou disfunção hepática. Os níveis caem rapidamente nas reduções calóricas e protéicas na dieta.

) e a dedoras de proteínas. Na doença de Hodgkin os níveis aumentam.

A proteína ligadora de retinol (RBP) transporta a vitamina A (retinol). A RBP sérica eleva em enfermidades renais crônicas, especialmente em pacientes com proteinúria tubular. A redução está associada com enfermidade hepática e má nutrição protéica. Como o zinco é necessário para a síntese de RBP, os estados de deficiência deste metal são caracterizados por baixos níveis de RBP e vitamina A. A RBP é quantificada por nefelometria.

Variações na concentração de albumina sérica em vários estados foram descritas na seção 3.2.

REGIÃO a1

As proteínas como a tripsina, quimiotripsina, elastase e trombina são continuamente liberadas para o sangue em pequenas quantidades a partir de

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações várias fontes, incluindo o pâncreas, leucócitos e bactérias intestinais. A AAT é uma das várias proteínas que inibem a atividade destas proteases, particularmente, a elastase dos neutrófilos, e pode atuar na limitação da atividade proteolítica nos sítios de inflamação. O interesse na AAT é a associação entre certas doenças do pulmão e fígado com a sua deficiência devida ao polimorfismo genético. Foram identificados vários fenótipos da defici- ência de AAT. O fenótipo M (alelo PiM, inibidor da protease) está associado com a atividade normal da AAT. Indivíduos homozigóticos com o dades de AAT plasmático. Estas pessoas estão propensas as seguintes desordens:

§ Enfisema pulmonar. Ao redor de 1% dos pacientes com enfisema apresentam dificiências de

AAT, sendo esta percentagem mais elevada em jovens. Quando associado com deficiência de AAT, o enfisema tende a se manifestar em gru- pos com idade entre 20-40 anos. O fumo parece ser um importante fator que predispõe ao des - envolvimento da doença nestes pacientes, pro- vavelmente pelo estímulo da atividade fagoci- tária com a liberação local de proteases. Partículas e bactérias inaladas são continuamente citose. Quando a AAT é deficiente, a enzima não é inibida e ataca a elastina da parede alve- olar. A perda de elasticidade do tecido pulmo-

§ Desordens hepáticas. A icterícia neonatal g eralmente se apresenta como um quadro coles - tático, sendo comum em indivíduos com o tipo Z. Apesar da resolução da icterícia, pode ocorrer o desenvolvimento de cirrose. Ao redor de 20% das crianças com cirrose, a desordem hepática pode ser atribuída a deficiência de

AAT. Em adultos a cirrose e o hepatoma estão associados com o fenótipo Piz.

Valores de referência

Recém nascidos 145 a 270 g/dL Adultos 78 a 200 g/dL

Acima de 60 anos 115 a 200 g/dL

Valores aumentados. Doença pulmonar crônica, doenças do fígado, diabetes mellitus, doen- ças reumáticas, doenças gástricas, doenças renais, pancreatite, carcinoma, edema angioneurótico, cirrose, hepatoma, gravidez, terapia com estrogê- nios e esteróides.

Valores reduzidos. Deficiência congênita e perdas severas de proteínas.

É composta por 45% de carboidratos, com hexose, hexosamina e ácido siálico em iguais proporções.

Sua função primária é inativar a progesterona, mas também ligar e afetar a fármaco-cinética de algumas drogas. Apesar do papel exato da AAG ser desconhecido ela está aumentada na artrite reumatóide, lupus eritematoso sistêmico, neoplasma maligno, queimaduras e infarto do mio- cárdio. A redução ocorre na má nutrição, enfermi- dade hepática severa, síndrome nefrótica, anticoncepcionais orais e gastroenterites perdedoras de proteínas. Os valores de referência para a AAG gens o teste de mucoproteínas (seromucóides), descrito adiante.

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