Bioq.Clinica-Aminoacidos e Proteinas

Bioq.Clinica-Aminoacidos e Proteinas

(Parte 3 de 5)

É uma glicoproteína sintetizada no fígado fetal, sistema digestório e saco vitelino humano. O nível máximo é atingido na 30a semana de gestação e no câncer hepático primário. Em obstetrícia a determinação de AFP é realizada no líquido amniótico ou soro materno para detectar defeito do tubo neural triol livre é utilizada como avaliação do risco fetal em mulheres no segundo trimestre de gravidez

Aminoácidos e proteínas

e de 95% dos casos de defeitos do tubo neural aberto. A avaliação do risco fetal não é um teste diagnóstico, mas sim uma oportunidade de rastre- amento, que informa o risco da paciente para as aneuploidias mais freqüentes e para defeitos de fechamento do tubo neural.

A freqüência da síndrome de Down é de 1/800 nascimentos. A doença não é hereditária, mas há 5 a 10% de casos com “história familiar”. O risco de nascimento de uma criança com síndrome de Down cresce com o aumento da idade materna

A elevação da AFP não é específica de malignidade. Está presente em 15 a 75% das hepato- patias benignas com atividade regenerativa do hepatócito como a cirrose, hepatite alcoólica, hepatite crônica ativa, em doenças inflamatórias intestinais e colite ulcerativa.

nomas). Embora seja útil no diagnóstico, sua prin- cipal aplicação é na monitorização da eficácia do tratamento cirúrgico ou quimioterápico e no ras- treamento dessas neoplasias. Os níveis caem a valores normais ao redor de 4 a 6 semanas após tratamento. Aumento nos teores após remissão indicam a recorrência do tumor na maioria dos casos.

Valores de referência para a AFP

5 a 25 mg/dL

20 a 100 mg/L Recém-nascidos 5 mg/dL

REGIÃO a2

É uma glicoproteína sintetizada nos hepatócitos e, em pequenas quantidades, nas células do sistema retículo endotelial destinada ao transporte da he- mo globina livre no plasma para o sistema retículo endotelial onde é degradada. A hemoglobina não- ligada à haptoglobina é filtrada pelos glomérulos e precipita nos túbulos causando enfermidade renal severa. Isto normalmente não ocorre com o com- plexo haptoglobina-hemoglobina que é muito grande para ser filtrado, prevenindo, assim, lesões renais e a perda de ferro. O complexo é degradado no fígado ou sistema retículo endotelial, o que explica o teor reduzido de haptoglobina após episódios hemolíticos. Determinações isoladas desta das, entretanto, são empregadas para monitorar estados hemolíticos.

Valores de referência: recém nascidos 5-48 mg/dL; adultos: 34-215 mg/dL.

Valores aumentados. Queimaduras, infecções agudas, terapia com corticóide, androgênios, do- enças do colágeno, neoplasias e síndrome nefrótica – onde grande quantidade de proteínas de baixa massa molecular são perdidas.

Valores reduzidos. Hemólise intravascular, doenças severas do fígado, estrogênios, anemia megaloblástica, hematomas, gravidez, mononucle- ose infecciosa, reações de transfusão e malária. Nestes dois últimos casos, são frequentes as soli- citações de haptoglobina acompanhada de lactato desidrogenase e hemoglobina.

É inibidora das proteases de modo diferente que o descrito para a AAT. Inibe a atividade da tripsina, quimiotripsina, trombina, elastase, calicreína e plasmina. Está diminuída em pacientes com artrite reumatóide, mieloma múltiplo e submetidos a

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações terapia com estreptoquinase. Pode estar elevada durante a gravidez, terapia com estrogênios, al- gumas doenças hepáticas, diabetes mellitus e sindrome nefrótica. A avaliação da AMG rara-

Valores de referência: Homens: 150 a 350 mg/dL; mulheres: 175 a 420 mg/dL.

Valores aumentados. Síndrome nefrótica, gra- videz, hemólise, infância, diabetes mellitus, inflamações agudas e crônicas, neoplasias, cirrose,

Valores reduzidos. Pancreatite aguda grave e úlcera péptica.

É sintetizada no fígado e transporta 90% do cobre no plasma. Os 10% restantes são transportados pela albumina. Seis átomos de cobre estão ligados em cada molécula de ceruloplasmina. Está au- mentada em infecções, doenças malignas e trauma. Os aumentos são particularmente notáveis em enfermidades do sistema retículoendotelial como a doença de Hodgkin. O nível está também elevado nas infecções ou obstrução do trato biliar. A aplicação mais importante da avaliação da ce- ruloplasmina é no diagnóstico da doença de

Wilson (defeito autossômico recessivo raro com incidência 1:50.0 a 1:100.0). As anormalida- des neste distúrbio são: diminuição da CER com redução da incorporação do cobre na apoproteína e redução drástica da excreção biliar do cobre. O cobre deposita nos rins, no fígado onde causa

cirrose e no cérebro onde lesa a ganglia basal. Esta enfermidade também é chamada de degene- ração hepatolenticular. Os teores de CER são afetados pela idade, exercício, gravidez e administração de estrogênios. Na ausência de enfermi- dade hepática severa, níveis abaixo de 10 mg/dL são sugestivos de enfermidade de Wilson.

Valores de referência para a cerulop lasmina (mg/dL )

1 a 2 meses 05 a 18 6 a 12 meses 3 a 43

13 a 36 meses 26 a 5 4 a 5 anos 27 a 5

6 a 7 anos 24 a 54

Acima de 7 anos 20 a 54 Adultos 18 a 45

Valores aumentados. Artrite, doença de

Hodgkin, estados neoplásicos e inflamatórios, gravidez, emprego de estrogênios, antiepilépticos

Valores reduzidos. Má nutrição, má absorção, doença de Wilson, perda de proteínas, síndrome nefrótica, e enfermidade hepática severa, particularmente a cirrose biliar primária.

REGIÃO b1

É a principal proteína plasmática transportadora de ferro. Os íons férricos provenientes da degra- dação do heme no fígado e aqueles absorvidos a partir da dieta, são transportados pela transferrina para os locais de produção dos eritrócitos na me- dula óssea. Sua concentração está relacionada com a capacidade total de ligação de ferro (TIBC). A avaliação da TRF é útil no diagnóstico diferencial da anemia ferropênica e no acompanhamento do seu tratamento. Na deficiência de ferro ou anemia hipocrômica, o teor de TRF está elevado em vir- tude do aumento da síntese, entretanto, a proteína está menos saturada com o ferro pois os níveis de ferro plasmático estão baixos. Por outro lado, se a anemia é causada por impedimento da incorpora- ção do ferro nos eritrócitos, a concentração de TRF está normal ou baixa, mas saturada de ferro.

Na sobrecarga de ferro, a TRF está normal en-

Aminoácidos e proteínas

Valores de referência: recém nascidos 130-275 mg/dL; adultos: 220-400 mg/d/L e acima de 60 anos 180-380 mg/dL.

Valores aumentados. Anemias por deficiência de ferro, gravidez e durante a terapia com estrogênio.

Valores reduzidos. Ocorrem, juntamente com baixos teores de albumina, pré-albumina e b-lipoproteína, em inflamações e doenças malignas. A causa da redução na síntese ainda é desconhecida. Outras causas de diminui- tese), má nutrição, síndrome nefrótico, neoplasias, hemólise, enteropatias perdedoras de proteínas, a transfer- rinemia hereditária onde os níveis bastante reduzidos de

TRF são acompanhados de sobrecarga de ferro e anemia hipocrômica resistente à terapia pelo ferro.

Atua no transporte do heme livre após catabolismo da hemoglobina em seus componentes. O com- plexo heme-hemopexina atinge o fígado onde a porção heme é convertida em bilirrubina. Esta fração dificilmente é quantificada no laboratório clínico.

COMPLEMENTO FRAÇÃO C4

A fração C4 participa da via clássica de ativação do complemento e atua na resposta imunológica humoral. Sua deficiência tem caráter autossômico

Valores de referência: 15 a 45 mg/dL.

REGIÃO b2

O fibrinogênio é uma glicoproteína sintetizada pelo fígado. Atua como substrato para a ação da enzima trombina. É composta por três diferentes pares de cadeias polipeptídicas ligadas por pontes dissulfeto, que sob a ação da trombina formam fibrinopeptídios A e B. A deficiência de fibrino-

Valores de referência: 200 a 450 mg/dL.

Valores aumentados. Doenças inflamatórias agudas e crônicas, síndrome nefrótica, doenças hepáticas/cirrose, gravidez, estrogênio terapia e coagulação intravascular compensada.

Valores reduzidos. Coagulação intravascular aguda ou descompensada, doença hepática avan- çada, terapia com L-asparaginase, terapia com

COMPLEMENTO FRAÇÃO C3

A fração C3 é um dos nove componentes principais do complemento total; atua na resposta imunológica humoral.

Valores de referência: 80 a 170 mg/dL.

facilmente filtrada pelo glomérulo e quase totalmente reabsorvida pelos túbulos renais. Níveis

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações nal, inflamação e neoplasma, especialmente aqueles associados com os linfócitos B. O princi- pal valor da determinação da BMG é testar a função tubular renal, particularmente nos receptores de transplantes renais onde a rejeição se manifesta pela redução da função tubular.

Valores de referência

Soro 0,10 a 0,26 mg/dL

Urina 0,03 a 0,37 mg/d LCR 0,30 mg/L

REGIÃO g

É sintetizada no fígado – presente no plasma de pacientes com doenças agudas – e capaz de se ligar ao polissacarídio-C da parede celular do Streptococcus pneumoniae. A PCR é um marcador não-específico que eleva durante a resposta imune para a infecção, lesão tecidual ou necrose celular associada com infarto ou malignidade. Medidas repetidas são úteis no estudo do curso de doenças

(como acompanhar terapia durante a inflamação ou processo necrótico). A PCR está envolvida com o sistema auto-imune e atua na ativação do complemento, fagocitose e liberação das linfocinas.

Valores de referência: 80-800 mg/dL.

Valores aumentados. Infarto do miocárdio, estresse, trauma, infecções (ex.: recorrentes no lupus eritematoso sistêmico), inflamação (ex.:

liferação neoplástica, espodilite anquilosante e necrose tecidual. O aumento pode chegar até 2000 vezes o valor de referência. Entretanto, como o aumento é inespecífico, ele não pode ser interpretado sem uma história clínica completa e também com a comparação com outros exames.

As imunoglobulinas são proteínas especializadas sintetizadas pelos linfócitos em resposta a um tralizar invasores como bactérias, vírus ou proteínas estranhas oriundas de outras espécies, ou ou- tras substâncias. Cada p roteína estranha estimula a formação de um conjunto de diferentes anticorpos, os quais podem combinar com o antígeno para dução de anticorpos é parte de um mecanismo geral de defesa denominado resposta imunitária ou imunológica.

Os anticorpos são proteínas com moléculas em forma de Y, consistindo de quatro cadeias poli- deias leves (L). As seqüências de aminoácidos das regiões variáveis das quatro cadeias determinam a especificidade antigênica de um anticorpo em particular, cujos sítios de ligação, que são complementares a características estruturais específi- cas da molécula de antígeno, tornam possível a formação do complexo antígeno-anticorpo.

IgG. Corresponde a 70-75% das imunoglobulinas totais. A IgG difunde para o espaço extra-vascular

(65% da IgG) devido ao seu pequeno tamanho, sendo também capaz de atravessar a placenta. Sua principal função parece ser a neutralização de toxinas nos espaços teciduais. Anticorpos da clas se IgG são produzidos em resposta à maioria das bactérias e vírus; agregam e envolvem peque- des são obtidas pela avaliação das quatro subclas-

IgA. Aproximadamente 10-15% das imunoglobulinas séricas são IgA. Existe outra forma de IgA, provavelmente mais importante, chamada IgA secretora. É encontrada nas lágrimas, suor, saliva, leite, colostro, secreções gastrointestinais e brôn- quicas. A IgA fornece proteção da área externa contra microorganismos.

Aminoácidos e proteínas

Figura 8.1. Representação de uma molécula de imunoglobulina. A molécula consiste de duas cadeias pesadas e duas cadeias leves ligadas por ligações

). Tanto a cadeia pesada, como a cadeia leve, apresenta uma região variável e uma região constante.

IgM. É um pentâmero produzido como primeira resposta imune ao estímulo antigênico. É a pri- meira imunoglobulina produzida pelo feto durante o desenvolvimento. Ela está confinada ao sangue em razão de sua elevada massa molecular que impede a passagem para o espaço extravascular. A

IgM não atravessa a barreira placentária, níveis elevados em recém-nascidos durante a primeira

ola, citomegalovírus, toxoplasmose etc.). O aumento policlonal é encontrado na cirrose, esclero- derma, endocardite bacteriana, tripanosomíase, malária, mononucleose infecciosa, actinomicose e leucemia monocítica. Também é empregada na avaliação da imunidade humoral, diagnóstico e monitoramento da terapia da macroglobulinemia de Waldenström (aumento monoclonal da classe

IgD. Constitui menos que 1% das imunoglobulinas totais. Sua estrutura é similar a IgG. Muitas vezes estão presentes associadas ao monômero

IgM, na superfície dos linfócitos B. Sua função é desconhecida.

IgE. Encontrada no plasma somente em pequenas quantidades. Incluem as reaginas que se ligam às células. Em presença de antígeno (alérgeno), e como um dos resultados da reação antígeno-anticorpo, ocorre a liberação de histamina e outras aminas e polipeptídios da células, produzindo uma reação de hipersensibilidade local.

Idade IgG IgA IgM IgD IgE Soro mg/dL mg/dL mg/dL mg/dL UI/mL

A defesa imunológica depende de quatro sistemas interativos:

§ Anticorpos humorais (imunoglobulinas) da série de linfócitos B.

Os dois últimos sistemas são não específicos e não tem memória imunológica para o antígeno. O primeiro e o quarto são proteínas plas máticas.

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

- Neonatal: prematuridade e atraso passageiro da síntese.

§ Perda anormal de proteínas

- Síndrome nefrótica, queimaduras, lesões exudativas e enteropatias perdedoras de

§ Insuficiência na produção de anticorpos.

- Deficiência seletiva das seguintes imunoglobulinas.

- IgA e IgM: comum na giardíase.

noctomia.

A hipergamaglobulinemia policlonal é caracterizada por aumentos difusos das gamaglobuline- mias. É provocada pelo estímulo imune de muitos clones celulares produzindo várias imunoglobulinas. Representa a resposta das células b ao estí- mulo antigênico e indica a presença de infecção crônica ou processo auto-imune. As principais causas são:

Infecções crônicas. Brucelose, tuberculose, parasitoses (malária), lepra, bronquiectasia. Nestes casos, as estimativas das imunoglobulinas específicas raramente fornecem mais informações que a eletroforese protéica. No entanto, as suas determinações são de grande valor em alguns dia-

Doença hepática. Cirrose biliar primária, cirrose portal e hepatite crônica ativa.

Infecções intrauterinas. A produção de IgM no feto aumenta e, ao nascer, o teor de IgM no sangue do cordão está elevado.

Doença inflamatória intestinal. Doença de Crohn e colite ulcerativa.

Desordens auto-imunes. Artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico.

Granulomas. Sarcoidose.

Em alguns casos, as classes imunoglobulínicas fornecem a indicação da etiologia:

§ Predomínio de IgG: hepatite crônica ativa e lúpus eritematoso sistêmico.

§ Predomínio de IgA: cirrose criptogência, d oença de Crohn, tuberculose e sarcoidose.

§ Predomínio de IgM: cirrose biliar primária e doenças parasitárias.

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§ Aumentos equivalentes das IgA, IgG e IgM: infecções crônicas prolongadas.

As bandas de imunoglobulinas monoclonais vis íveis na eletroforese do soro sangüíneo, como p i- cos estreitos e pontiagudos, são denominadas paraproteínas ou componentes monoclonais. Podem ser polímeros, monômeros ou fragmentos de mo- léculas de imunoglobulinas, como cadeias leves (proteínas de Bence Jones) ou, raramente, cadeias pesadas ou meias moléculas; tanto os monômeros como os fragmentos podem ser polimerizados. A detecção de uma paraproteína no sangue ou urina necessita outras investigações para determinar se a mesma é benigna ou maligna. Paraproteínemias malignas ocorrem no mieloma múltiplo (e plasma- citoma), macroglobulinemia e outros tumores linfóides. A prevalência de paraproteínemia aumenta com a idade e está ao redor de 3% da po- pulação geriátrica.

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