Bioq.Clinica-Aminoacidos e Proteinas

Bioq.Clinica-Aminoacidos e Proteinas

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Mieloma múltiplo. Cerca de 60% das parapro-

teínas são devidas ao mieloma múltiplo

(doença maligna de plasmócitos basicamente na medula óssea) que está associado com várias classes de imunoglobulinas, principalmente, a IgG. A maio- ria dos mielomas produzem moléculas de Ig com- do tumor. Quantidades excessivas de fragmentos ximadamente. Dímeros de cadeias leves (44kDa) estão, muitas vezes, presentes na urina sendo d enominados proteínas de Bence Jones. No mieloma

§ Sinais clínicos: dor óssea, fatiga, anemia leve, infecção, insuficiência renal, hiperviscosidade e uma velocidade de hemossedimentação elevada.

§ Diagnóstico: banda de paraproteínas na eletroforese no soro e urina; lesões líticas difusas no raio X ósseo; biópsia da medula óssea com presença de células plasmáticas anormais.

envol vimento ósseo); creatinina e uréia elevadas bina reduzida

Macroglobulinemia de Waldenström. É uma doença clonal de linfócitos plasmocitóides secre- tores de IgM. Geralmente apresenta um curso mais prolongado que o mieloma múltiplo. Há uma pro- liferação de células que lembram os linfócitos em lugar de células plasmáticas. Elas produzem moléculas completas de IgM e, muitas vezes, excesso move o aumento da viscosidade plasmática com tendência à trombose. Epistaxe, hemorragias reti- nianas, confusão mental e insuficiência cardíaca congestiva são manifestações típicas da síndrome de hiperviscosidade. O diagnóstico e o acompa- nhamento da macroglobulinemia são realizados pelos seguintes testes:

Devem ser usadas amostras recém-colhidas para evitar erros resultantes da deterioração.

Uma urina ao acaso é adequada para a demonstração da proteinúria de Bence-Jones.

e outras imunoglobulinas no soro. A análise destes resultados permite a diferenciação entre a hipergamaglobulinemia benigna e maligna.

§ Imunoeletroforese ou imunofixação de proteínas séricas e urinárias, para determinar o tipo de paraproteína.

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§ Uréia e creatinina séricas, para avaliar a função renal.

§ Cálcio, fosfatase alcalina e ácido úrico no soro, medidos como índices da extensão do envolvimento ósseo e renovação celular, res - pectivamente.

raras nas quais os fragmentos de cadeia pesada correspondentem a porção Fc das imunoglobulinas que são sintetizadas e excretadas na urina. A pro-

dução anormal de cadeias pesadas a e g é a desordem mais comum.

Paraproteinemia benigna. Pode ser transitória ou persistente. As paraproteínas ocorrem transitó-

riamente durante infecções agudas em doença auto-imune devido a estimulação de antígeno.

Paraproteinemia benigna estável ou persistente

pode ocorrer em tumores benignos das células B. São encontradas no diabetes mellitus, infecções crônicas, cirrose e desordens do tecido conjuntivo. São características desta condição:

§ Teores normais de albumina sérica e outras imunoglobulinas.

§ Mais comum em idades avançadas, isto é, a prevalência é 2% entre 60-80 anos, 10% entre

É uma alteração não específica da síntese e nos níveis plasmáticos de várias proteínas derivadas do fígado após danos teciduais (trauma, infarto, malignidade) e infecções. É uma resposta à infla- mação que promove o aumento nas concentrações de algumas proteínas sangüíneas ou teciduais.

A resposta de fase aguda é mediada pela libe- ração de citoquinas pelos macrófagos ativados. Em infecções bacterianas isto é induzido pelas endoxinas das bactérias. Vários efeitos sistêmicos acompanham a inflamação como febre, leucocitose, alterações endócrinas, modificações no equilíbrio líquido e eletrolítico e proteólise mus- cular.

Proteínas de fase aguda. Este termo é usado para denotar todas as proteínas que alteram a sua concentração em 25% ou mais no período de uma semana após dano tecidual. Entre elas estão: pro- gumas destas proteínas são descritas acima. Duas outras medidas são empregadas para avaliar o estado de fase aguda:

também, como o número e as características

§ Medidas das citoquinas. Com o estabelecimento do papel das citoquinas, interleucina 1, interleucina 6 e o fator de necrose tumoral, pelo estímulo da resposta de fase aguda, foi sugerido as suas avaliações em condições in- flamatórias. Ainda persistem vários problemas técnicos na determinação rotineira destes componentes.

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s erros inatos do metabolismo envolvem defeitos enzimáticos que interrompem vias

fisiológicas. Estes impedimentos podem promover:

Em condições normais, o rim reabsorve mais de 95% dos aminoácidos filtrados, mas alguma modificação do transportador ou saturação dos mecanismos de reabsorção por elevados níveis plasmáticos podem provocar aminoacidúrias.

dos são benignos, enquanto outros estão associados ao retardo mental, retardo do crescimento, ção de outros órgãos. As aminoacidúrias são de dois tipos principais – excesso de fluxo e renal.

Excesso de fluxo. São as que acompanham os teores plasmáticos elevados de aminoácidos quando os túbulos renais são incapazes de reab- sorver as concentrações elevadas dos aminoácidos no filtrado glomerular – ou seja, a capacidade de reabsorção máxima tubular renal é excedida.

Renais. São condições associadas à excreção urinária aumentada de um ou mais aminoácidos, enquanto a concentração dos aminoácidos plas - mático dos mesmos são normais. Estas condições tem em comum um defeito no mecanismo de transporte tubular renal de um ou mais aminoáci-

As hiperfenilalaninemias são um grupo de desordens resultantes do impedimento da conversão de fenilalanina à tirosina. Esta via é catalisada pela enzima fenilalanina hidroxilase, encontrada em

quantidades apreciáveis somente no fígado e rim.

s ica, tipo I) ou deficiência parcial (tipo I) da enzima fenilalanina hidroxilase, que converte a fenilalanina em tirosina. Na falta desta enzima, a fenilalanina acumula no sangue, sendo metabolizada por outra via produzindo catabólitos alterna- tivos, tais como, ácido fenilpirúvico, ácido feni- lláctico, ácido fenilacético e o seu conjugado com a glutamina, a fenacetilglutamina. Estes metabó- tando em fenilcetonúria. Este distúrbio ocorre com uma freqüência de 1 para 10.0 nascimentos, apresentando sinais clínicos nas primeiras sema- nas de vida; crianças não-tratadas podem desenvolver retardo mental e redução na expectativa de vida.

Crianças afetadas apresentam-se normais ao nascimento e os primeiros sintomas são geral- mente inespecíficos – desenvolvimento retardado, dificuldades na alimentação e vômitos, as vezes suficientemente severo para sugerir estenose piló- rica. Os pacientes também tendem a demonstrar uma hipopigmentação. Isto ocorre porque a fenilalanina é um inibidor competitivo da tirosinase, a enzima que inicia a via de produção da melanina.

mas neurológicos. A pesquisa desta enfermidade é, geralmente, realizada na segunda semana de vida do paciente, quando os níveis de fenilalanina estão aumentados, mas ainda não iniciou o processo de retardo mental. O aumento do ácido fenilacético encon- cida como hiperfenilalaninemia neonatal transiente. Esta desordem é causada pelo retardo na nilalanina hidroxilase. Esta condição não é um defeito inerente; os níveis de fenilalanina podem atingir 12 mg/dL inicialmente mas, progressiva-

Aminoácidos e proteínas mente, vão declinando até alcançar os valores normais.

A tirosinemia tem várias formas, todas acompa- nhadas por tirosinúria e acidúria fenólica. A tirosina é essencial para a síntese protéica e serve laminas. A tirosina é proveniente da dieta protéica como também da hidroxilação da fenilalanina.

hidroxifenilpirúvico, quando o paciente está sob dieta normal e excreção de metabólitos da tirosina e pequenas quantidades de ácido p-hidróxifenilacético, quando a dieta inclui exces so de tirosina. Acredita-se ser causada pela atividade reduzida da enzima ácido fumarilacetoacetato hidroxilase como também da ácido p -hi-

. A perda da atividade enzimática provoca níveis ele-

vados de tirosina no sangue e urina e da metionina no sangue. Aumentos nos níveis séricos de a-fetoproteína estão também associados com esta desordem. O dano hepático resulta em insuficiência aguda e, em alguns casos mais graves, em cirrose. A lesão renal leva à síndrome de Fanconi.

É uma deficiência da enzima hepática tirosina aminotransferase que catalisa o primeiro estágio lesões da pele, das palmas das mãos e solas dos pés. Estas lesões oculares e na pele são provavelmente secundárias a formação intracelular de cristais de tirosina, que induz à inflamação. Observa-se, ocasionalmente, retardo mental.

Elevados níveis de tirosina são encontrados no sangue e urina, também como valores aumentados de ácidos fenólicos e tiramina na urina. Diferente da tirosinemia I, a metionina plasmática não está elevada. No sedimento urinário são encontrados cristais em forma de agulha.

Neste distúrbio os teores de tirosinemia estão elevados em crianças prematuras e nascituras de a termo mas com baixo peso; apresentam imaturi- dade hepática e limitada capacidade de sintetizar as enzimas apropriadas. Com o fígado maduro, a tirosina acumulada volta ao normal em 48 sema-

Esta desordem não é do metabolismo dos aminoácidos, mas de defeito no transporte de cistina pelas células dos túbulos renais e intestino, sendo transmitida como uma característica autossômica recessiva. Nesta desordem também são excretados outros aminoácidos como a lisina, arginina e ornitina, mas o único que cristaliza é a cistina. A incidência deste destúrbio está entre 1 para 10.0

A única manifestação clínica da doença – a formação de cálculo urinário – inicia quando as concentrações urinárias de cistina excedem 30 dência máxima na terceira década de vida. Freqüentemente são formados cálculos múltiplos que tendem a recorrência depois de removidos.

Os cálculos de cistina são branco-amarelados e muitas vezes são moles mas podem também ser densamente granulares. A detectação de cristais de cistina (hexagonais) no sedimento urinário pode ser indicativo de formação de cálculo de cistina.

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É uma doença de causa desconhecida caracteri- zada por defeito no processo de transporte através das membranas lisossomais com deposição de cristais de cistina. Manifestações sistêmicas sérias resultam desta deposição. Os cristais se acumulam no fígado, rins, baço, medula óssea, nódulos lin- fáticos e córnea do olho. A cistinose ocorre em cerca de 1 para 40.0 nascimentos. O tipo nefropático da cistinose surge durante a infância. Estas crianças demonstram deficiência no crescimento, raquitismo, acidose e aumento da excreção renal de potássio, glicose, fosfato e ami- noácidos. Esta aminoacidúria renal é, muitas ve- zes, designada como aminoacidúria generalizada em razão da perda paralela de outros aminoácidos na urina. Quando existir defeito nos túbulos pro- ximais renais com glicosúria, aminoacidúria, fos - fatúria, proteinúria e, as vezes, acidose, a cisti- nose é conhecida como síndrome de Fanconi. Na forma grave há fotofobia e pode resultar em morte como resultado da insuficiência renal.

Outra forma de cistinose – de início tardio, intermediária ou adolescente – não manifesta sintomas até a idade de 18 meses a 17 anos. A lesão é menos severa e os pacientes não apresentam sín- drome de Fanconi. O progresso do dano glomerular é mais lento que os casos típicos nefropáticos.

Existe também uma forma benigna ou adulta de cistinose, onde se encontram cristais de cistina na córnea, leucócitos e medula óssea. Estas pessoas não apresentam disfunção renal ou retinopatia.

Nesta condição há aumento na excreção urinária de alanina, treonina, glutamina, serina, aspara- gina, valina, leucina, isoleucina, fenilalanina, tirosina, triptofano, histidina e citrulina, resul- tando em aminoacidúria renal. A incidência é de 1 para 18.0 nascimentos. Muitos pacientes com síndrome de Hartnup apresentam deficiência de nicotinamida, pois o triptofano é convertido em ácido nicotínico e n icotinamida em humanos. O triptofano é pobre- mente absorvido nestes pacientes e, devido a má absorção, a deficiência de nicotinamida torna-se manifesta pelo exantema da pelagra que aparece no primeira década de vida. Existem manifestações neurológicas, dor de cabeça, dificuldades em concentrar-se, fraqueza dos membros e ataxia.

A cistinúria e síndrome de Hartnup produzem aminoacidúria por defeitos no transporte tubular renal e, portanto, são as vezes designadas como aminoacidúrias secundárias. Estas aminoacidúrias também podem ser devidas a doenças dos rins ralizada, doença hepática ou desnutrição. Se, por outro lado, as aminoacidúrias são resultantes de defeitos enzimáticos das vias onde os aminoácidos são metabolizados, elas são designadas como aminoacidúrias primárias.

É caracterizada pela excreção urinária do ácido homogentísico (ácido diidroxifenilacético) por deficiência da enzima homogentisato dioxidase, que catalisa a transformação do ácido homogentí- dem rara com incidência de 1 para 250.0 nascimentos.

Em crianças encontram-se o escurecimento da urina após exposição ao ar ou à luz do sol ou pela adição de álcali. Ela persiste durante a vida ge- ralmente sem consequências graves e pode não ser diagnosticada até a idade madura. O acúmulo de polímeros de ácido homogentísico nas células causam pigmentação escura nas cartilagens e no tecido conjuntivo além de alterações artríticas.

É assim chamada devido ao odor característico comunicado à urina dessas pessoas pelos a-cetoá- cidos. Está associada com anormalidades no metabolismo de aminoácidos de cadeias ramificadas como a leucina, isoleucina e valina nos líquidos biológicos. É uma desordem hereditária autos sô-

Aminoácidos e proteínas mica recessiva que envolve defeito da enzima lipoato-oxidorredutase dos a-cetoácidos de ca- deia ramificada que catalisa a descaboxilação oxidativa de cada um dos três a-cetoácidos, libe- rando o grupo carboxila como CO2 produzindo o derivado acil-CoA. A incidência desta desordem é

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