Bioq.Clinica-Lipidios e Lipoproteinas

Bioq.Clinica-Lipidios e Lipoproteinas

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Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Lipídios,

Lipoproteínas e Apoproteínas

s lipídios são substâncias orgânicas insolúveis em água, porém solúveis em solventes

apolares. Estão presentes em todos os tecidos e apresentam grande importância em vários as pectos da vida. Atuam como hormônios ou precur- sores hormonais, combustível metabólico, comp o- nentes estruturais e funcionais das biomembranas, isolante que permite a condução nervosa e previne a perda de calor. Os lipídios principais no plasma humano são o colesterol, ésteres de colesterol, triglicerídios, fosfolipídios e os ácidos graxos não

Tabela 10.1. Classificação de lipídios importantes clinicamente

Derivados esteróis Ésteres do glicerol

Colesterol e seus ésteres Triglicerídios

Hormônios esteróides Fosfoglicerídios Ácidos biliares Derivados da esfingosina

Vitamina D Esfingomielina Ácidos graxos Glicoesfingolipídios

Terpenos

Vitamina A

Vitamina E Prostaglandinas Vitamina K

As lipoproteínas são partículas que transportam lipídios apolares (insolúveis em água) em seu núcleo. Estes complexos são constituídos por quantidades variáveis de colesterol e seus ésteres, triglicerídios, fosfolipídios e apoproteínas, sendo solúveis no plasma devido à natureza hidrófila da

parte protéica. Com base na densidade, as lipoproteínas plasmáticas são separadas em: quilomi- timas décadas acumularam-se evidências relacionando os lipídios e lipoproteínas plasmáticas com a aterosclerose.

No estudo das d esordens lipoprotéicas são empregados os seguintes testes de rotina:

§ Aparência do soro após refrigeração de 18 H a 4 oC.

Bibliografia consultada

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Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

colesterol é o esterol mais abundante nos tecidos humanos. Compõe as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e membranas celulares sendo, também, substância precursora na síntese dos hormônios esteróides e ácidos biliares. O co- lesterol é derivado do ciclopentano peridro fenantreno com ligação dupla entre C-5 e C-6, hidroxila

Colesterol livre

A ingestão de colesterol é, aproximadamente,

400 a 700 mg/d, enquanto a absorção situa-se ao redor de 300 mg/d. Somente 25% do colesterol plasmático é proveniente da dieta, o restante é sintetizado (1 g/d), funda-mentalmente, pelo fígado, a partir do acetil CoA. Parte do colesterol hepático é transformada em ácidos biliares excre- tados pela bile. Por outro lado, os sais de ácidos biliares formam complexos com o colesterol pro- movendo maior excreção deste composto. O co- lesterol plasmático ocorre tanto na forma livre (30% do total) como esterificado (70% do total).

Na forma esterificada, diferentes ácidos graxos

fatores intraindividuais como interindividuais. As medidas da colesterolemia são influenciadas por:

§ Dieta. A quantidade e a composição da gordura da dieta afeta os níveis de colesterol plasmático. Em particular, aquelas gorduras contendo principalmente ácidos graxos poliinsaturados

(ex.: óleos vegetais e peixes) tendem a reduzir o colesterol circulante, enquanto aquelas teiga) tendem a aumentar a colesterolemia. Dietas ricas em fibras reduzem levemente a concentração do colesterol. O consumo de uma a três unidades de álcool por dia causa signifi- cante elevação nos teores do colesterol-HDL.

Refeições recentes, como também a ingestão de colesterol na dieta, tem pequeno efeito sobre os níveis de colesterol plasmático a curto prazo.

§ Exercícios físicos. Quando executados de forma regular tendem a aumentar o colesterol- HDL com pequenas reduções também do co- lesterol total plasmático.

§ Idade. O colesterol plasmático eleva com a idade o que, provavelmente, esteja relacionado com a dieta.

§ Sexo. Em mulheres antes da menopausa o colesterol plasmático está diminuído e o coleste- rol-HDL está elevado. Estas diferenças desaparecem após este período.

rentes raças. Por exemplo, os europeus do norte apresentam colesterol plasmático ele- vado, provavelmente devido mais a dieta e fatores ambientais que por diferenças genéticas.

Os níveis de colesterol plasmático iniciam o seu aumento com o nascimento, mostrando uma leve depressão na adolescência, sofrendo uma nova elevação na idade adulta. Apesar de alguns estu- dos avaliarem os teores lipídicos em crianças, não existem, até o momento, resultados prospectivos que permitam determinar valores “seguros” ou desejáveis para este grupo. Em aproximadamente 95% dos pacientes com hipercolesterolemia primária, a anormalidade é

devida a combinação de fatores dietéticos e vários defeitos genéticos.

Lipídios, lipoproteínas e apoproteínas

Aterosclerose. A lesão aterosclerótica no homem é caracterizada pelo acúmulo de lipídios dentro e ao redor das células do espaço intimal e está associada com a proliferação celular e fibrose que provocam o estreitamento do lúmem do vaso.

A deposição de lipídios é um evento precoce e o colesterol, presente na parede arterial, é derivado

somente uma das causas. Dentre os vários fatores que contribuem para as lesões ateroscleróticas estão a lesão endotelial e a adesão plaquetária.

Amostras colhidas até 24 h após o infarto do mio- cárdio não apresentam alterações marcantes no colesterol plasmático. Medidas realizadas alguns dias ou até semanas após o infarto mo stram valores diminuídos de colesterol.

Hipercolesterolemia familiar (HF). É o mais claro exemplo da associação entre os níveis das

LDL plasmáticas aumentadas e a aterosclerose. De todas as hipercolesterolemias somente 1 em 25 são classificadas como HF. Esta desordem resulta de defeito genético na produção ou natureza dos re- ceptores apoB100 de alta afinidade (ou na própria estrutura da apoB100 que não é reconhecida pelo receptor normal). Os heterozigóticos tem ao redor de 50% da atividade receptora normal, enquanto os homozigóticos não apresentam atividade re- ceptora. Muitos heterozigóticos são portadores de xantomas tendinosos e mais de 50% tem sintomas de doença arterial coronária na quarta ou quinta década de vida. Nos homozigóticos, enfermidades cardíacas podem estar presentes já na segunda década de vida.

Gravidez. A gravidez pode estar acompanhada de moderado aumento do colesterol plasmático, pro- vavelmente como resultado de alterações endócrinas. Esta alteração é fisiológica e volta ao normal após o parto.

Pós-menopausa. Nesta fase as mulheres mo s - tram hipercolesterolemia com aumento do risco de enfermidade aterosclerótica.

Síndrome nefrótico. Apresenta valores elevados de colesterol, fosfolipídios e triglicerídios; são causados pela elevação somente das VLDL ou VLDL e LDL juntas.

Diabetes mellitus. Quando não-tratada está associada com a hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia.

Outras causas. Hipotireoidismo. Cirrose biliar primária.

Abetaliproteínemia. Ausência completa de apoB.

Hipertireoidismo.

Doença de Tangier. Aumento do catabolismo da apoA-I.

Má-absorção e má-nutrição.

Macroglobulinemia de Waldenström.

Leucemia mielocítica crônica. Metaplasia mielóide.

Mielofibrose.

Mieloma. Policitemia vera.

Paciente. Permanecer em jejum à exceção da água, durante12-14 h e abster-se de álcool durante

24 h antes da prova. A última refeição antes do teste não deve conter alimentos ricos em colesterol e o conteúdo de gordura total não deve ultra- passar os 30%. Se possível, suspender as drogas que afetam os resultados durante 24 h antes da prova.

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Amostra. Soro ou plasma heparinizado isentos de hemólise. A amostra permanece estável durante sete dias em temperatura ambiente.

Interferências. Resultados falsamente elevados: adrenalina, androgênios, anticoncpcionais orais, ácido ascórbico, brometos, borato de adrenalina, clorpropamina, corticoesteróides, fenitoína, iode- tos, levodopa, sulfonamidas e viomicina. Resulta- dos falsamente reduzidos: ácido aminossalicílico, clofibrato, heparina, niacina, tetraciclinas, tiazidas

Métodos. Bastante usados foram os métodos que empregavam a reação de Liebermann e Burchard que consiste na avaliação do colesterol pelo des - envolvimento de cor com ácido sulfúrico e anidrido acético. Este método sofreu inúmeras modi- ficações sendo que muitas delas introduziram várias fases até o desenvolvimento de cor final. De um modo geral, estes métodos sofrem interfe- rências da bilirrubina, turvação, lipemia, hemólise e o utros cromogênios não-específicos. Parte destas interferências foram eliminadas por métodos

Enzimáticos. Atualmente, a maioria dos laboratórios empregam os métodos enzimáticos para a determinação do colesterol. Vários proces - sos foram propostos, mas os mais populares são os

que utilizam a enzima colesterol esterase para hidrolizar os ésteres de colesterol presentes no soro formando colesterol livre e ácidos graxos. O colesterol livre (presente no soro + produzido por nada. A água oxigenada oxida certas substâncias para formar compostos coloridos medidos fotometricamente. A mais comum é a que produz um corante quinoneimina (reação de Trinder). A água oxigenada também pode ser medida diretamente

(amperometria) ou por reações produtoras de NADPH e monitorada em 340 nm. Estes métodos podem sofrer a interferência da bilirrubina e da vitamina C.

Valores de referência para o colesterol total em

Desejável: <200 Limítrofes: 200 a 240

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Lipídios, lipoproteínas e apoproteínas

s ácidos graxos ocorrem, principalmente, como ésteres de glicerol (acilgliceróis). A classe dos acilgliceróis depende do número de ácidos graxos presentes na molécula: monoglice- rídios (um ácido graxo esterificado), diglicerídios

Os triglicerídios (triacilglicerois) são sintetizados no fígado e intestino e são as formas mais importantes de armazenamento e transporte de ácidos graxos; constituem as principais frações dos quilomícrons, das VLDL e pequena parte

mediários metabólicos na biossíntese e degradação dos lipídios contendo glicerol. A quase totalidade das gorduras ingeridas na dieta são triglicerídios formados por ácidos graxos saturados e insaturados. Alguns ácidos graxos piliinsaturados (ácidos tetizados no organismo e devem ser supridos na dieta.

Os triglicerídios da dieta são hidrolizados pela ação das lipases pancreáticas e sais biliares para formar 2-monoglicerídios e ácidos graxos livres.

Por difusão, os 2-monoglicerídios e os ácidos graxos entram no retículo endoplasmático das células da mucosa e são reesterificados a triglice-

Após reesterificação, os triglicerídios são associados a outros lipídios e proteínas específicas nominadas quilomícrons. Estas partículas deixam a célula da mucosa, provavelmente por pinocitose reversa, e aparecem nos vasos linfáticos da região abdominal e, posteriormente, na circulação sistê- siste por várias horas após a ingestão de gorduras. Os quilomícrons são transportados pelo sangue a todos os tecidos do corpo, incluindo o tecido adiposo que é o principal local de captação. Encontram-se somente pequenas quantidades de ras. Os triglicerídios plasmáticos são derivados de duas fontes, intestino e fígado. Os hepáticos d e- pendem fundamentalmente do estado nutricional do indivíduo. Deste modo, em jejum, os ácidos graxos provenientes do tecido adiposo são capta- dos pelo fígado e a seguir excretados como VLDL (v. adiante). Após refeição, parte dos carboidratos da dieta são convertidos em triglicerídios e são secretados como lipoproteínas. É importante enfatizar que, com exceção durante a absorção das gorduras da dieta, o fígado é o principal provedor de triglicerídos ao plasma.

Os níveis de triglicerídios plasmáticos variam com o sexo e a idade, mas, mais especificamente, com a dieta. Além disso, fatores intraindividuais mu i- tas vezes dificultam a interpretação de um único resultado deste constituinte.

Hipertrigliceridemia familiar. Este grupo de condições está associado com defeitos tanto na produção como no catabolismo das VLDL. Estes pacientes apresentam risco aumentado de doença micronemia em adição as VLDL elevadas. Nestes casos são freqüentes a presença de xantomas eruptivos e ataques de pancreatite aguda. Com algumas exceções, nenhuma interação foi observada entre as subfrações do colesterol e os níveis de triglicerídeos.

H2C O C R1 O

HC O C R2 O

O R3COH2C Triglicerídio

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Figura 10.1. Metabolismo dos triglicerídios endógenos e exógenos.

§ Alcoolismo § Excesso de ingestão calórica

§ Obesidade

§ Diabetes mellitus § Hipotireoidismo

§ Síndrome nefrótico

§ Uremia § Gravidez

§ Doenças do armazenamento do glicogênio § Disproteínemias, lupus eritematoso sistêmico

Paciente. Permanecer em jejum por 12-14 h; abster-se de álcool durante três dias antes da prova. Quando possível e sob orientação médica sus pender as drogas que podem afetar os níveis lipídicos no sangue.

Amostra. Soro ou plasma heparinizado sem hemólise.

Interferências. Resultados falsamente elevados: anticoncepcionais orais estrogênios-progestina, estrogênios, corticoesteróides, b-bloqueadores, diuréticos tiazídicos, colestiramina. Resultados falsamente reduzidos: ácido ascórbico, asparagi-

Métodos. A avaliação do glicerol liberado a partir dos triglicerídios tem sido a base da maioria das determinações deste composto. Dois tipos de reações são empregadas para este propósito: químicas e enzimáticas.

Métodos químicos. Nas determinações basea- das nas reações químicas, inicialmente os triglicerídios são extraídos com a remoção de substâncias interferentes, tais como, os fosfolípidios e a gli- cose. A seguir o glicerol é liberado dos triglicerídios e quantificado por diversas reações diferen-

Enzimáticos. Os métodos enzimáticos para a quantificação dos triglicerídios inicialmente ne-

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