apostila modos - gregos pdf

apostila modos - gregos pdf

(Parte 1 de 3)

Modos Gregos Curso completo

Philippe Lobo

03 Introdução 05Modo Jônio

35 Exercícios

37 Aulas Relacionadas Créditos

Entendendo os modos ou sete escalas numa só04 Tonal e Modal

Um pouco de história

Transpondo o modo Jônio07

09Modo Dórico Praticando com o repertório

15Modo Frígio Praticando com o repertório17

20Modo Lídio Praticando com o repertório22

23Modo Mixolídio Praticando com o repertório26

27Modo Eólio Praticando com o repertório30

31Modo Lócrio

3 Resumo Respostas36

Os chamados Modos Gregos são espécies de escalas que podem nos ajudar a criar e interpretar melodias e harmonias. Cada modo tem uma sonoridade, um sabor específico, um ETHOS. Eles foram desenvolvidos na Grécia antiga, séculos antes de Cristo e sua importância estava relacionada à compreensão das sensações que a música provoca nos praticantes e ouvintes. Desta forma, cada modo se alinhava a certas qualidades de carater (ETHOS), sendo algumas mais apropriadas à vida coletiva do que outras.

Um Pouco de História

O Grego Pitágoras, seis séculos antes de Cristo, conseguiu sistematizar estruturas musicais através da matemática, determinando medidas exatas para se afinar os instrumentos e organizar escalas musicais. Por isso, a Grécia antiga foi a mãe da teoria musical como conhecemos hoje e os modos gregos foram parte deste processo.

Na Grécia antiga, foram desenvolvidas, a partir das sete notas naturais, diversas “escalas” ou modos musicais que receberam os nomes das regiões da Grécia onde eram mais familiares, por se adaptarem às suas tradições culturais e estéticas (Jônio, Dórico, Frígio, Lídio, Eólio). Cada uma destas escalas possuía um sabor harmônico diferênte que evocava diferentes sensações em quem as escutava.

Mais tarde, durante a idade média, a liturgia católica, através do Papa Gregório I, adaptou estas formas de estruração musical e estabeleceu sete modos musicais: Jônio, Dórico, Frígio, Lídio, Mixolídio, Eólio e Lócrio. Assim, a música litúrgica deste período usava modos específicos de acordo com a sensação ou estado mental que se queria despertar nos fiéis em cada parte de uma cerimônia. Por isso, os modos são conhecidos também como modos gregorianos (em referência ao Papa Gregório I) e usados no chamado canto gregoriano.

Na música moderna e contemporânea, os Modos Gregos, ou gregorianos, ainda são amplamente utilizados de uma forma mais livre, oferecendo várias possibilidades de criação melódica e harmônica para a composição e improvisação musicais.

Veremos neste curso como dominar a prática musical com os sete modos, compreendendo suas características e a forma de tocá-los ao instrumento num determinado contexto harmônico.

Modos Gregos – curso completo33 Introdução

Entendendo os modos ou sete escalas numa só Todos os sete modos gregos são derivados de uma mesma escala, que é conhecida hoje como “Escala Maior Natural”, e que corresponde axatamente à estrutura do primeiro dos sete modos gregos: o modo Jônio. Ou seja, o Modo Jônio, é exatamente igual à nossa conhecida Escala Maior Natural. Então o modo Jônio em Dó será formado pelas sete notas naturais, assim como a escala de Dó maior.

Agora é que vem a melhor parte: todos os sete modos são derivados desta mesma escala. Por isto, não vamos começar do zero a aprender sete escalas novas, mas sim, aprender a ver a escala maior de uma forma diferente para transformá-la em sete escalas que, embora possuam sonoridades e características muito peculiares, podem ser todas tocadas com as mesmas digitações ou shapes que conhecemos para tocar a Escala Maior. Para isto basta mudar o referêncial, a nota tônica, que em cada modo, estará em uma posição diferente da escala. Ou seja, cada uma das sete notas da escala, se transformará na tônica de um dos sete modos gregos.

Vamos entender isto melhor compreendendo e explorando cada um dos sete modos, treinando licks, analisando exemplos e aprendendo a criar melodias modais características.

Mas antes, vamos tentar esclarecer uma questão muito importante: qual é a diferença entre música tonal e música modal.

Tonal e Modal Vimos que o modo Jônio é formado com a mesma estrutura da escala maior natural. Mas então, qual é a diferença entre eles? A Escala Maior está contextualizada no que chamamos de música Tonal, enquanto o modo Jônio é usado no que chamamos de música modal. A diferênça é que na música tonal, desenvolvida a partir do século XVI, existe uma espécie de lógica harmônica onde a harmonia é pensada a partir de progressões de acordes que possuem funções estabelecidas: Tônica, Dominante e subdominante1. É como se a música tivesse engrenagens em que um movimento gera outro movimento consequente. Já a música modal, é um tipo de música de origem mais primitiva, em que a harmonia é pensada de forma mais livre ou mesmo aleatória. A ênfase da música modal está nas melodias, rítimos e intensidades, e não na harmonia pensada de forma vertical, como blocos de notas formando acordes.

1Para aprofundar neste assunto, veja o curso “Campo Harmônico da Escala Maior Natural”, onde são tratadas as questões relacionadas à formação e progressão de acordes no sistema tonal e suas funções harmônicas. http://www.cifraclub.com.br/tv/videoaulas/teoricas/1266/ http://www.cifraclub.com.br/tv/videoaulas/teoricas/1267/ http://www.cifraclub.com.br/tv/videoaulas/teoricas/1268/

4Modos Gregos – curso completo

Por isso, se o contexto é tonal, já pensamos logo em um Campo Harmônico com o qual a melodia estará intimamente relacionada, e se o contexto é modal, pensamos em criar atmosferas e melodias, sem a necessidade de ter progressões harmôicas dentro das funcionalidades tradicionais do tonalismo.

Contudo, é possível usar os acordes do campo harmônico em um contexto modal também, porém a lógica muda. Ao invés da necessidade de ter a Tônica da escala maior como referência para resolver a harmonia, podemos ter uma harmonia que não se resolve. Por exemplo, podemos ficar num acorde de G7 como se fosse uma tônica e não uma dominante. Nesse caso, a palavra tônica serve apenas como maneira de indicar aquela nota ou acorde principal, e não traz a mesma lógica das funções harmônicas da música tonal.

Como vimos, o modo Jônio é igual, ou equivalente à Escala Maior Natural, possui a mesma forma, a mesma estrutura intervalar...

Modo Jônio = Escala Maior Tônica2ª maior3ª maior4ª Justa5ª Justa6ª maior7ª maior8ª

T T St T T T St No tom de Dó maior . O modo Jônio terá as sete notas naturais:

Modo Jônio Em Dó

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó I I II IV V VI VI

Para tocar o modo Jônio com a guitarra ou violão, podemos usar as mesmas digitações que aprendemos na aula sobre a Escala Maior Natural.

Digitações para o modo Jônio

Na Próxima página, temos as cinco digitações para o modo Jônio seguindo o sistema CAGED. Elas serão expostas no Tom de Ré maior, mas podem ser deslocadas para tocar em qualquer tom. Lembre-se que a tônica do modo (nota em destaque no diagrama) define o tom em que se vai tocar, e fique atento à indicação da casa referência, pois ela identifica a região do braço em que o diagrama está localizado.

Modo Jônio

~ Tabela 01

Tabela 02

Modos Gregos – curso completo5

Exemplo em Ré Jônio ✔ Digitação nº 1:

✔ Digitação nº 2:

✔ Digitação nº 3:

✔ Digitação nº 4:

✔ Digitação nº 5:

Modos Gregos – curso completo6 Modo Jônio – Sistema 5

= Tônica = Tônica

Transpondo o modo Jônio

Da mesma forma que aprendemos a transpor a Escala Maior Natural para qualquer tonalidade, podemos também transpor o modo Jônio, ou qualquer um dos modos gregos, para qualquer tonalidade. Para transpor corretamente qualquer escala ou modo, basta aplicar os seus intervalos característicos a partir da nova Tônica.

Veja alguns exemplos do modo Jônio em tonalidades variadas. Observe como os intervalos da Tabela 1 serão sempre os mesmos em qualquer tonatidade.

TomModo Jônio Tônica2ª maior3ª maior4ª Justa5ª Justa6ª maior7ª maior

G Sol Lá Si Dó Ré Mi Fá#

D Ré Mi Fá# Sol Lá Si Dó# A Lá Si Dó# Ré Mi Fá# Sol# E Mi Fá# Sol# Lá Si Dó# Ré# F Fá Sol Lá Sib Dó Ré Mi Bb Sib Dó Ré Mib Fá Sol Lá Eb Mib Fá Sol Láb Sib Dó Ré Ab Láb Sib Dó Réb Mib Fá Sol

Para realizar a transposição na prática, tocando o modo Jônio ao violão ou guitarra em qualquer tonalidade, basta deslizar o shape que usamos em Dó e posicioná-lo de modo que a sua tônica esteja na casa que corresponde ao tom em que queremos tocar. Por exemplo, pra tocar em E, vamos colocar a digitação com a tônica na sétima casa da quinta corda, ou na casa 12 da sexta corda, ou ainda na segunda casa da quarta corda, etc.

Exercícios

1. Improvise solos melódicos usando o modo Jônio sobre a harmonia abaixo. Fique atento às orientações a seguir.

||:E | % | G# | % | C | % :||

A cada mudança de acorde devemos mudar também o tom em que aplicamos o modo em neste exercício. Ou seja, começamos usando o modo Jônio em Mi, depois tocaremos o modo Jônio em Sol sustenido e depois o modo Jônio em Dó. Para isso devemos, antes de começar a improvisar, fazer um mapeamento das digitações que usaremos durante o improviso. Vou fazer uma sugestão de mapeamento pra vocês, mas fica totalmente livre a possibilidade de mapear de outras formas. Quanto mais fluente for a nossa capacidade de transitar entre diferentes digitações e tonalidades, maior será a nossa capacidade criativa e expressiva com os modos gregos e escalas em geral.

7Modos Gregos – curso completo Tabela 03

||:E | % | G# | % | C | % :||

Mapeamento das digitações

Dicas:

✔Fique atento à casa referência indicada em cada diagrama, ela determina o tom correto para cada digitação neste exercício.

✔Treine a transição entre estas três digitações nos tons indicados no exercício procurando explorar uma transição natural entre elas, evitando quebras no solo durante as transições.

✔Usando este mapeamento, você irá deslocar a mão esquerda muito pouco, pois, nos tons do exercício, estas três digitações ficam na mesma região do braço. Isso também vai resultar em um solo mais coeso em que a mudança do tom não implica numa mudança de região, evitando saltos não propositais que podem desconectar as suas frases melódicas.

E - Digitação nº 1

G# - Digitação nº 4 C - Digitação nº 3

E - Digitação nº 1 - Tônica na 7ª casa:

G# - Digitação nº 4 - Tônica na 7ª casa:

C - Digitação nº 3 - Tônica na 7ª casa:

8Modos Gregos – curso completo

O modo Dórico é uma escala menor com uma sonoridade peculiar. O que o caracteriza uma escala diferente das outras escalas menores é a sua configuração intervalar própria, responsável pela sonoridade especial que produz.

Modo Dórico Tônica2ª maior3ª menor4ª Justa5ª Justa6ª maior7ª menor8ª

T St T T T St T

Modo Dórico Em Ré

Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó Ré I I II IV V VI VI

A presença do intervalo de sexta maior neste modo menor provoca essa atmosfera diferenciada muito explorada na música folclórica, nordestina e no jazz, entre outros estilos.

Um bom exemplo da aplicaçao do modo Dórico para fazer referência ao sertão brasileiro é a cação Carcará de João do Vale. Podemos perceber mais claramente na segunda parte da música um sabor característico do modo Dórico, justamente quando o compositor insiste em passar sua melodia pelas notas características do modo, a terça menor e a sexta maior.

http://www.cifraclub.com.br/joao-do-vale/carcara/

No Rock também há bons exemplos de uso do modo dórico, como é o caso do tema Eat The Question de Frank Zappa, lançado em 1972 no emblemático disco The Grand Wazoo, uma obra prima situada entre o rock progressivo e o jazz fuzion. Conheça a o tema Eat The Question, um interessante exemplo do emprego da sonoridade do modo Dórico.

http://www.cifraclub.com.br/frank-zappa/eat-the-question/

A seguir, vamos aprender a reconhecer os shapes pra tocar este modo por toda a escala do instrumento...

Digitações para o modo Dórico

Modo Dórico Modos Gregos – curso completo9

Tabela 04 Modos Gregos – curso completo

Tabela 05

Exemplo em Mi Dórico ✔ Digitação nº 1:

✔ Digitação nº 2:

✔ Digitação nº 3:

✔ Digitação nº 4:

✔ Digitação nº 5:

= Tônica = Tônica

Modo Dórico – Sistema 5 Modos Gregos – curso completo10

Praticando com o repertório

Pra exercitar de forma prática a improvisação com o modo Dórico, vamos usar um tema de Tito Puente que foi consagrado por Carlos Santana nos anos 70. A música Oye Como Va é perfeita para as primeiras improvisações em modo Dórico. Sua harmonia simples usa apenas dois acordes: Am7 e D7(9). Esses acordes mostram na harmonia quase todas as notas do modo Dórico. Veja na tabela abaixo a relação entre as notas dos acordes e os graus do modo Dórico.

Relação Notas Dos Acordes/ Graus Da Escala

Lá Dó Mi Sol Ré Fá# Lá Dó Tônica 3ªm 5ªJ 7ªm 4ªJ 6ªM tônica 3ªm

Podemos apenas praticar a improvisação melódica sobre esta harmonia, porém, a aproveitaremos muito melhor se aprendermos a tocar também os temas melódicos da música na forma como Carlos Santana os toca à guitarra. Por isso, transcrevo as tablaturas com todos os temas melódicos e riffs de Oye Como Va a seguir. Assim poderemos tocar a música completa usando como base a Backing track disponível para download neste link:

http://www.guitarbackingtrack.com/play/santana,_carlos/oye_como_va_(2).htm

Esta track tem exatamente a mesma forma da gravação em estúdio de Santana no álbum Abraxas. Você pode escutar a referida gravação acompanhando a cifra e as TABs aqui neste link:

http://www.cifraclub.com.br/santana/oye-como-va/

Veja as TABs na próxima página

Tabela 06 11Modos Gregos – curso completo

Oye Como Va

Composição: Tito Puente Versão: Santana Transcrição: Philippe Lobo

Tom: Lá Dórico

Intro: 4X: ( Am7 D7(9) )

Am7D7(9)
AmD7(9)

-----------------------9\7~---7p5---------

AmD7(9)

(Riff 1): ------------------------------------------

Am7 ------------------------------------------

Estrofe (2X):

Oye como va

Am7

My ritmo

D7(9)

Bueno pa gozar

Am7

Mulata

D7(9) 12Modos Gregos – curso completo

AmD7(9)

(Riff): ------------------------------------------

AmD7(9)

-----5------------7~------5-7p5-----------

AmD7(9)

---5-8p5-8-8p7-8/10~---10-----------------

AmD7(9)

-----5------------7~------5-7p5-----------

AmD7(9)

-------5p0--------------------------------

---5-8-----8-8p7--8/10~/------------------

AmD7(9)

-----------------------9/1-------5-7p5---

AmD7(9)

------------------------12p10~------------

13Modos Gregos – curso completo

Am D7(9) -8-8-------8------8-----------------------

-----------------------9/1-------5-7p5---

AmD7(9)
AmD7(9)

-8p5---8p5--8p5---8p5--8p5---5h8p5-8p5----

AmD7(9)

-8p5--------------------------------------

-----7/9\7~---5p7h5-----------------------

AmD7(9)
AmD7(9)

(2X): ------------------------------------------

AmD7(9)

(Riff 2) (3X): ---------------------5--------------------

14Modos Gregos – curso completo

O Modo Frígio é caracterizado por ser um modo menor (possui a terça menor) com um intervalo atípico que é a segunda menor. Este intervalo gera uma sonoridade muito peculiar capaz de criar uma atmosfera sombria ou misteriosa, apropriada para evocar sensações ligadas ao primitivo, oriental ou místico.

Modo Frígio Tônica2ª menor3ª menor4ª Justa5ª Justa6ª menor7ª menor8ª

T St T T T St T

Se tocamos a Escala Maior Natural de Dó a partir da sua terça (a nota mi como tônica do modo) teremos o modo Frígio em Mi sendo formado por todas as sete notas naturais, sem nenhum acidente (sem sustenidos ou bemóis).

Modo Frígio Em Mi

Mi Fá Sol Lá Si Dó Ré Mi I I II IV V VI VI

Assim como acontece em todas as escalas, se mantivermos a sequência de intervalos do modo frígio preservada, podemos tocá-lo em qualquer tom. A prática das digitações ou shapes de escala para o modo Frígio nos proporciona a capacidade de tocá-lo em todas as tonalidades sem dificuldade de pensar a transposição, uma vez que o shape mantem seu formato no violão ou na guitarra, ajustando as notas ao tom escolhido automaticamente.

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